Natasha
Capitulo
1 – Protegida por um anjo
Ao
cair da noite, senti um grande desconforto, um pressentimento ruim, como se
hoje não fosse uma noite comum, meu olhar fixo no nada e algo me angustiando,
eu precisava sair, dar uma volta pelo bairro.
Sou
Natasha, uma vampira há cento e sete anos, tenho aparência jovem de uma garota
de vinte anos. Sou branquinha, dos olhos verdes e cabelos vermelhos, as vezes
de acordo com o meu humor, o meu cabelo se torna um vermelho vivo, como se
estivesse em chamas, as vezes, se estou serena ele assume a coloração vinho.
Ganhei esse dom ao mesmo tempo em que fui transformada. Gosto muito de vitimas
amedrontadas, por isso as caço e assusto, para depois matar. Alguns vampiros
possuem dons, o meu é como se fosse uma empatia, onde dependendo dos
sentimentos alheios, eu posso senti-los e ainda enxergá-los como uma visão.
Moro
no bairro mais rico da cidade de Gander, Canadá. É um bairro fechado por
grandes muros e um portão grande e resistente, só é permitida a entrada de
pessoas autorizadas. Aqui é formada por mansões, heranças de antepassados, a
mansão onde moro é a ultima do bairro, é bem grande e fechada também com muros
e portão. E quem comanda tudo é Silas, nosso líder.
Somos
oito na mansão, quatro vampiros e quatro vampiras, cada um com suas
particularidades, mas todos recrutados por Silas, apenas um é a exceção, o que
começou a ordem junto a ele, John Willer, um vampiro independente, mora junto a
sua irmã na primeira mansão do bairro, ele tem mais de trezentos anos, e dizem
que houve uma briga entre Silas e John e por isso hoje, sua cadeira é vazia em
nossas reuniões, mas ninguém ousa tocar no assunto. Nossa ordem se chama Blood Cry (Choro de Sangue). Silas
sempre nos ensinou tudo que sabemos, não somos tão unidos uns com os outros,
principalmente eu, a quem os outros dizem ser a queridinha de Silas.
John
é um lindo vampiro, de postura e classe, sua irmã, Christine é a minha melhor
amiga, uma bruxa encantadora, vive a tanto tempo quanto John, e através de sua
magia, lhe permite estar sempre jovem. Ela estuda o sangue, para produzir
magias mais poderosas, e ensinar os vampiros o que aprendeu.
Decidi
sair, o meu quarto é enorme, e eu estava deitada na grande cama olhando fixo
para fora através da janela, os ventos batia na cortina. Levantei e abri a
porta, meu quarto fica num imenso corredor, onde cada suíte é ao lado da outra,
Kimberly, é a vampira dos cabelos rosados, ela fica no quarto ao lado, e é
talvez a mais próxima de mim na mansão. Resolvi ir até o quarto dela e perguntar
se estava a fim de sair comigo.
Bati
na porta de sua suíte e a porta simplesmente abriu, parecia estar vazio, só um
livro sobre a cama, seu titulo era O Poder dos Vampiros, mas seu conteúdo é
escrito em uma língua que não posso entender. Resolvi deixar aquilo ali em cima
e ir ver Christine.
Descendo
as escadas do corredor da no hall de entrada da mansão, colunas góticas
suspendiam a casa, runas mágicas no piso dava uma incrível sensação, sofás de
estilo colonial e esculturas góticas tranqüilizavam o ambiente. O hall é
decorado por duas escadas que se encontram em cima no corredor, no meio delas
está o escritório de Silas. A esquerda leva a sala de estar e há uma porta que
leva um jardim de inverno. A direita leva a copa, onde os lacaios passam a
maior parte do tempo. Vampiros escravos de sangue que se sujeitam a autoridade
de Silas.
Não
havia ninguém no hall de entrada então caminhei solitária para a grande porta e
sai. De primeira vista se enxerga um grande jardim com estrada feita para o
portão do muro. Um portão de ouro e automático apertei o botão para abrir e sai
tranqüila, caminhando como uma humana comum. Há muitos seres mágicos em nosso
bairro, acho que todos são estudados em alguma coisa do gênero, mas a grande
maioria é de mago negro. Nós vampiros somos ocultos até para eles, todas pensam
que nossa raça nunca existiu ou já foi extinta, achamos bom isso, por que assim
não sabem o que temer, então não sabem como se defender. Silas preza muito pelo
nosso ocultamento, é fundamental em suas leis. Existem também alguns bruxos
bons e que demandam de outra religião, como Christine, a natureza migra a favor
dela, talvez seja a maior entre nosso meio. E seu passado é oculto até para mim
que sou sua amiga.
No
meio do bairro tem uma grande praça, toda decorada no estilo gótico, os jovens
e alguns vampiros da ordem costumam ficar por ali e caçar. Têm bancos de
mármore escuro, azulejos negros em vez de pedras no chão. Estatuas de gárgulas
e outros seres em cada canto da praça, às vezes os garotos trazem amigos comuns
para conhecerem, às vezes turminhas de góticos reunidas. Kimberly e Dancã
estavam lá, talvez hoje seja noite de caça para eles, Kimberly é como eu;
assusta e depois mata. Já Dancã, seduz e depois mata, ele sente mais prazer
quando sente o prazer no sangue de suas vitimas. Isso é muito comum em nosso
meio.
Não
demorou em que eu chegasse à casa de Christine, uma grande mansão, um pouco
menor e menos luxuosa que a nossa, mas boa, a diferença dela para as outras são
dois vidros enormes em vertical que dão uma ampla visão de duas partes da
mansão, a sala de estar, que fica logo quando se abre a porta, eles não possuem
hall de entrada. E a outra que dá na cozinha, às vezes é possível ver Christine
preparando poções. Como agora em que cheguei, e ela esta na cozinha, dosando
alguma coisa. Então apertei a campanhinha e esperei.
Pelo
vidro pude ver John e uma garota loira, parecia estar chorando. John olhou
rapidamente quando a campanhinha tocou, mas demorou um tempo para se levantar e
abrir.
-
Natasha! Aconteceu alguma coisa? - Sua voz demonstrava que ele estava
preocupado e surpreso.
-
Não! -Respondi de forma bem seca – Apenas vim conversar com Christine – Mesmo
sabendo que ela estava na cozinha, ainda assim a pergunta saiu – Ela esta?
-
Sim, está na cozinha. Vá até lá.- Ele respondeu mudando sua atenção para a
garota loira que chorava em seu sofá.
Eu
observei-a a cada passo que eu dava, tive que me controlar muito para não
avançar, o seu cheiro de medo e adrenalina em seu sangue me excitava. Tive que
andar mantendo certa distancia e controlando os meus sentidos. Aos poucos e
quase sem vontade atravessei a sala de estar e segui rumo à cozinha. O que não
fica muito longe, praticamente ao lado, segue um pequeno corredor até a porta
da copa. Tudo muito humano e sofisticado.
Christine
estava atarefada, seu trabalho parecia estar pronto, e ela só estava dando uns
ajustes, uma colher sobre a altura de seus olhos, parecia fiscalizar a
quantidade, e uma fumacinha saia de uma xícara no balcão de mármore. Ela me
notou quando estava nessa etapa. Então me manifestei.
-
Olá Christine! - Disse calmamente.
Não
retirando os olhos de mim nem modificando sua posição ela respondeu.
-
Olá Natasha. Como esta?
-
Ótima! - Respondi sem demora e com curiosidade perguntei – O que está fazendo?
Seu
semblante pareceu preocupado e ela ofegou.
-
Estou preparando uma poção de restauração. A garota na sala foi vitima de um
atentado de estupro. Sorte a dela, John te-lá salvado.
Tentei
estabilizar meus sentidos, mas minha reação era querer gargalhar da situação.
-
Nossa! Aonde isso? - Perguntei sem muita intenção de ouvir a resposta.
-
Na rua que segue para chegar aqui, num casebre abandonado. E para nossa
surpresa, foi um demônio quem tentou.
-
Hã! – Agora senti um espanto, até para nós é complicado isso acontecer, um demônio
não pode atacar um ser humano sem a permissão divina. Se isso ocorrer, o
Defensor tem que intervir – Será que é um sinal Christine?
Quem
sabe. – ela respondeu sem se importar com a colocação – mas espera ai, vou
levar o “chá” à garota.
-
Eu tenho que ir – Respondi apressada e já caminhando para fora – preciso
alertar os vampiros da ordem.
-
Tudo bem. Vai lá.
Atravessei
a sala como se nem mais visse John e a garota, meu foco era só no acontecido,
eu tenho que avisar Silas para que ele tome uma decisão.
Agora
a noite já cobria toda a terra, e o bairro estava povoado de seres mágicos.
Kimberly ainda conversava com os rapazes que ali estavam, e Dancã não estava
mais lá. Talvez estivesse se alimentando a essa altura. Pensei em parar e dar a
noticia, mas acho que Silas tinha que ser o primeiro, a saber. Atravessei o
bairro com uma velocidade vampírica, não demorou em que eu encontrasse o portão
de minha mansão. Na porta da mansão tem um espelho e ele me refletiu, meus
cabelos estavam vermelho fogo. Abri a porta e atravessei o hall sem mais
delongas. Então bati na porta do escritório de Silas.
A
porta se abriu sozinha e uma voz confortante foi ouvida.
-
Entre Natasha. -Sua voz era serena e me dava forças para enfrentar qualquer
coisa, me induzia, era muito sobrenatural, algo que eu só sentia em sua voz.
Silas
é alto, branco, cabelos brancos e olhos verdes, seus cabelos eram repicados, aparentava
mais ou menos vinte e três anos, e um conhecimento gigantesco.
-
Algum problema. - A sua voz confortante foi me obrigando a entrar e me sentar.
-
Aconteceu uma coisa mi lord – respondi
enquanto sentava-me na cadeira à frente. E por mais que eu estivesse aflita, eu
não conseguia demonstrar, minha voz saia tão serena quanto à dele – Um demônio
atacou uma humana, e ela esta na casa de John Willer sob os cuidados de Christine.
-
Ela sabe sobre nós? - Era incrível como ele pode perguntar algo tão serenamente
depois de uma noticia tão alarmante.
-
Receio que sim, ela esta abalada e em estado de choque, e Christine disse que
John a salvou do demônio.
A
expressão de Silas havia se alterado, parecia que uma lembrança ruim o
atormentara. Seus olhos ficaram fixos por um curto período de tempo,estáticos
olhando para lugar nenhum, então disse.
-
Ela poderá ser uma ameaça a nossa espécie Natasha. Persiga-a depois a mate.
Você sabia que anjos num só toque podem nos destruir. Lembre-se da lei de Caim:
“Devemos ficar longe dos Iluminados e dos filhos da Serpente.”.
Ainda
que sem entender o porquê de tudo aquilo, eu sabia de sua capacidade de prever
as coisas, então assenti o que ele dizia concordando e parti.
Atravessei
rapidamente o bairro, agora sem mais prestar atenção em ninguém. Cheguei à casa
de John e a garota ainda estava lá, parecia estar mais calma, John e Christine
conversavam com ela. Eu sorrateiramente subi no telhado para aguardar a saída
dela, depois a perseguirei e a matarei, como Silas, meu mestre mandou.
Fiquei
aqui por um longo tempo, então observei a tudo, Kimberly já não estava mais na
praça. A lua estava magnífica, seu brilho me dava força. Também reparei no
casebre da esquina, eu não consigo entender porque eu ainda não tinha o visto
ali, e parece tão antiga, ou seja, ela sempre esteve ali, e só agora com o
ataque do demônio que eu fui capaz de vê-la, talvez eu já tivesse visto, mas
deixou de ser importante pra mim. É pequena, com muros quebrados, a casa
parecia estar caindo aos pedaços, o mato tomava conta do quintal, e no fundo
havia uma grande arvore uma figueira enorme, as raízes e os cipós pareciam entranhas,
ou esconderijos de artefatos valiosos ou algo do tipo. Um gato negro roubou
minha atenção, ele estava desfilando pelo telhado da casa, andava magicamente,
mas sua atenção parecia ser transferida de foco, acompanhei sua expressão e
voltei minha atenção para entrada da casa, no muro quebrado com a abertura de
um portão de ferro enferrujado e retorcido pela ação do tempo. Quando dei por
mim, o gato não estava mais em canto nenhum, e a porta que outrora parecia
estar aberta, estava fechada junto as janelas. Então desviei minha atenção.
Apurei
meus sentidos para ver o que falavam no interior da mansão de John. Mas parece
que ele pensou em tudo quando foi construído, com uma acústica complicada. Mas
consegui coletar algumas coisas, ela se chama Annie e estuda no único colégio
particular da cidade. Parece que ela havia invocado demônios numa brincadeira
de adolescentes. Ótimo, caso aconteça algo de errado, John pode acompanhá-la de
agora em diante, terei informações precisas e poderia caçá-la mesmo se falhar
hoje.
Trabalhando
mais minha percepção, esqueci do mundo em minha volta, senti uma luz se
aproximar, e aquilo era terrível, doíam meus ossos e minha carne, parecia
queimar minha pele, fechei meus olhos para direcionar a luz, e quando tentei
abrir, senti minha maldade ser arrancada junto com minhas células, parecia que
minha imortalidade não existia mais naquele momento, quando consegui abrir os
olhos eu não tive tempo de identificar quem era, pois uma dor correu por todo
meu corpo, começando pelos pés e como um raio subiu a minha cabeça, deparei com
a realidade e desmaiei.
.....................................
-
Onde estou?! - Falei ainda zonza e com a
boca mole.
-
Está a salvo agora. Você desmaiou Natasha. Hoje já é outro dia, esta adormecida
como uma mortal desde ontem à noite na caça a Annie.
Ao
Ouvir a voz de Silas, me senti confortada mais uma vez. Algumas imagens viam em
minha cabeça e então lembrei.
-
Era um anjo, um anjo me fez desmaiar.
-
Sim Natasha. O que dificulta mais a nossa missão. A garota é protegida por um
anjo.
-
Não existem formas de poder derrotá-lo? Eu disse enquanto recobrava a lucidez e
sentei sobre a cama.
-
Bom, conheço uma forma... – sua expressão se tornou um tanto pecaminosa - se
ele pecar!
-
O que quer dizer Silas?
-
Que se esse anjo pecasse, ele cairia, deixaria de protege - lá.
-
E como faremos isso? E outra, porque tanto interesse em matá-la?
Eu
sabia que Silas era um psicótico sem escrúpulos, mas nunca imaginei que fosse
um obcecado.
-
Não vê o tamanho do perigo Natasha. Escreva o que vou te dizer, essa garota
levara nossa raça a uma guerra. Posso ver demônios, vampiros, anjos, caçadores,
etc. Ela é à entrada de nossos problemas, temos que matá-la!
Talvez
ele tivesse tido uma visão, apesar de tudo que eu acho de Silas, sempre confiei
nele. Então olhei para ele sedenta e disse: - E assim será mi lord!
Capitulo 2 – Um dia de
Annie
Procurei
me recompor, sabia muito pouco sobre a humana, Annie, mais era o suficiente. Eu
estava disposta a fazer com que nossa raça não fosse obrigada em enfrentar uma
guerra, como previu Silas. Estava
determinada a matá-la, com ou sem proteção angelical, aquela humana vai morrer
- pensei-. Só precisava saber, onde e quando, por isso revolvi vigia - lá.
Eu
estava em frente da escola onde Annie estuda parada a sombra de uma árvore, do
outro lado da rua, fazia planos de como matá-la, de como assustá-la ao máximo
possível, essa humana teria que me dar no mínimo um pouco de adrenalina.
Provavelmente já estava quase na hora da saída, por culpa daquele anjo, daquela
luz, perdi uma boa parte da minha manhã. Aquela luz... Desisti em pensar no
maldito anjo, pois senti uma presença, não uma presença vampirica, mais outra,
um ser não muito poderoso, devia ser um recém nascido. Mesmo assim fiquei
alarmada, com certeza o ser estava atrás da humana. Resolvi ligar pra Kimberly.
Ouvi
o celular chamando, dois toques e ela atenderam.
- Natasha.
- Natasha.
-
Kimberly, preciso que você venha até aqui. – dei todas as informações de onde
eu estava e desliguei.
Em
poucos minutos Kimberly estava ao meu lado.
-
Para que precisa de mim? – ela disse com expressão de tédio. Não olhei pra ela, continuei com os olhos
fixos na escola.
-
Não está sentindo?Á um demônio por aqui, e quero que você fique de olho nele.
Só veja o que ele está fazendo. – quando olhei pra ela, sua face expressa uma
mistura de tédio com incredulidade. – O que? – perguntei.
-
Por que você não o faz? Kimberly disse seca e abruptamente. Ela realmente não
estava afim de me ajudar, mas eu precisa insistir.
-
Por que estou atrás da humana, simples. - Kimberly levantou uma sobrancelha,
mais não disse mais nada. Simplesmente desapareceu. Esperei mais alguns minutos, e resolvi agir.
Pulei o muro dos fundos do colégio, por ser dia me senti um tanto enjoada, não
pela altura, essa não me incomodava, mais pela presença demoníaca. Procurei
ignorar, e fui atrás de Annie. Encontrei – a em um corredor,a segui, ela não podia
sentir minha presença. Ela virou em um corredor, onde dizia WC feminino. Fiquei camuflada nas sobras olhando- a. Ela
se olhou no espelho, por alguns instantes. O batom dela caiu na pia, e ela
abaixou o olhar para pega-lo, quando levantou a cabeça novamente, ela gritou,
caiu de costas e se arrastou até encostar-se à porta de uns dos banheiros.
Senti seu medo, seu coração disparou me senti tão excitada, mais me contive,
queria que ela sentisse medo de mim e não dela mesma! . Sorri pra mim mesma, diante do meu pensamento. Não me movi,
fiquei só olhando a humana assustada, mais por quê? Perguntei-me. Concentrei-me,
por um instante, pretendia ver o que ela viu, sentir exatamente o que ela
sentiu. Concentrei-me apenas nela. Então vi:eu
estava olhando diretamente pro batom, quando voltei a olhar o espelho, lá
estava uma imagem que não era a minha, era a imagem de um rosto com sombras
surge e desaparece, gritei, mais não era minha voz, era a voz dela. Parei
por ali mesmo, já sabia o motivo pra aquele medo todo, demônios, demônios a
atormentavam. Como Silas, eu também tinha um dom, a pessoa, que esta perto de
mim, sentindo qualquer tipo de sentimento não importa o qual, eu também sinto.
De vez em quando, quando, é uma pessoa especifica, tenho que em concentrar.
Esse poder, dom, às vezes pode me trazer desvantagens, como em uma batalha por
exemplo.
Ouvi um barulho, uma
mulher, baixinha, cabelos negros com mesclas grisalhos mal tratados prendiam em
um coque.
- Hey garota, o sinal já bateu, preciso limpar o banheiro! – disse a mulher.
Não esperei pra vê - lá saindo do banheiro, fui atrás de Kimberly. Ela estava em frente da escola, encostada a sombra da árvore.
- Ninguém merece ter que ficar de cão de guarda de demônio, e ainda por cima ter que te esperar. Estou estressada por causa desse maldito Sol. – Kimberly resmungou, ao ver- me aproximar.
- Ta, ta, mais e ai?
- O que? – ela disse olhando pras unhas pintadas da cor de seus cabelos, Pink.
- O demônio. - Eu disse apenas.
- Ah, pois é ele não fez nada de interessante, tomou o corpo de um cara, esbarrou em um gatinho, a quem chamam de Bruno. E disse a ele, que a namorada dele, já havia ido embora. Annie, foi o nome que o demônio disse. Então ele seguiu o corredor, e sumiu. E como você pode perceber não há mais ninguém nessa escola. E o que você ainda tava fazendo lá?
- Vigiando a Annie. Ela ainda ta na escola. – Kimberly revirou os olhos.
- Se era só, tenho mais o que fazer. – ela não esperou eu responder.
***
Não fiquei parada, subi a rua em busca do meu carro, uma Mercedes Benz prata. Entrei no meu carro e dei a partida, segui dirigindo até encontrar um contorno, voltei pela rua da escola. Ao virar uma esquina vejo uma, garota loira a pé, Annie.
- Pelo que me parece essa vai ser presa fácil – sussurrei pra mim mesma, agora me aproximando dela. Diminui a velocidade, e dirigi ao lado dela.
- Oi, Tudo bem –
perguntei. Seu olhar ficou um tanto petrificado quando me viu, talvez por causa
da minha beleza, mais é só um talvez. Como ela não disse nada resolvi
continuar. – Meu nome é Natasha e o seu? – forcei um sorriso simpático.
- Ah, meu nome é Annie. – ela me respondeu, e continuou andando.
-Prazer – ela apenas acenou com a cabeça, paciência. – Olha o sol ta bem quente, não aceitaria uma carona? . – A humana parou e me olhou desconfiada, sorri. Durante alguns segundos ela me olhou, depois olhou em frente e direcionou o olhar ao sol.
- Quer saber? – ela disse, e eu ergui as sobrancelhas. –Vou aceitar sim a carona.
- Ah, meu nome é Annie. – ela me respondeu, e continuou andando.
-Prazer – ela apenas acenou com a cabeça, paciência. – Olha o sol ta bem quente, não aceitaria uma carona? . – A humana parou e me olhou desconfiada, sorri. Durante alguns segundos ela me olhou, depois olhou em frente e direcionou o olhar ao sol.
- Quer saber? – ela disse, e eu ergui as sobrancelhas. –Vou aceitar sim a carona.
Ela entrou no carro,
esperei que ela se acomodasse e colocasse o cinto de segurança.
- Pra onde?- perguntei sorrindo.
- Ah, eu morro logo ali. – ela me informou o caminho da casa dela. Não era muito longe, pra sorte dela.Estacionei o carro em frente a casa dela, ela abriu a porta e já ia saindo quando ela se voltou pra mim.
- Obrigada pela carona Natasha, é um saco ter que andar a pé ainda mais nesse calor. – Por mais que morássemos em uma cidadezinha pequena no Canadá, Gander, que normalmente é fria, hoje fazia muito calor, talvez fosse o tempo abafado. Mais nada que pudesse impedir uma caça.
- Pra onde?- perguntei sorrindo.
- Ah, eu morro logo ali. – ela me informou o caminho da casa dela. Não era muito longe, pra sorte dela.Estacionei o carro em frente a casa dela, ela abriu a porta e já ia saindo quando ela se voltou pra mim.
- Obrigada pela carona Natasha, é um saco ter que andar a pé ainda mais nesse calor. – Por mais que morássemos em uma cidadezinha pequena no Canadá, Gander, que normalmente é fria, hoje fazia muito calor, talvez fosse o tempo abafado. Mais nada que pudesse impedir uma caça.
- Não foi nada Annie. – então ela saiu e bateu a porta. Observei enquanto ela dava a volta no carro e se dirigia a porta de sua casa. – Logo você estará morta. – disse ao vento. Dei a partida, ainda era dia claro, revolvi e que iria caçar. Dirigi até uma ‘inter com a estadual’ rumei mata adentro. Ali, na floresta era o lugar que eu podia encontrar caçadores, ou até pessoas que moravam em casebres por ali mesmo, era dia, então não queria atrair muita atenção. Parei meu carro, e sai. Parei e aspirei o ar. A principio não senti nada que fosse agradável, pra me alimentar, comecei a correr floresta adentro. Subi uma arvore alta, como uma felina. Olhei em volta e aspirei o ar novamente, e ali, estava minha vitima um caçador, segui em direção ao cheiro, pulando de arvore em arvore, meus saltos eram perfeitos e silenciosos. Quando por fim avistei o humano, eu estava à cima dele, ele instalava suas armadilhas, pra animais pequenos, como coelhos.
- Homens, não fazem nem idéia que existe raças superiores a vocês. Espero me divertir com você. – disse enquanto me agachava, no galho da arvore. O humano começou a andar, parou e camuflou outra armadilha. Comecei a cantarolar baixinho, uma musica que sempre me vinha à cabeça, mais que eu não lembrava donde vinha. Ele começou a se afastar, então pulei alguns galhos, até me aproximar do chão a uns cinco metros eu pules, cai em pé, silenciosamente, pelo menos o suficiente pro humano não me notar.
- Boa tarde. – disse, meus cabelos estavam cor de vinho, mais tinha a impressão que ele estava começando a se tornar mais vivos. Aspirei novamente pra ter certeza que não avisa mais gente com ele, ou por perto. Ele se assustou, mais disse.
- Boa tarde, princesa. –sorri, meu sorriso era um tanto maquiavélico. Homens galanteiam até quando estão prestes a morrer. - Está perdida?- ele disse se aproximando. Fiquei no mesmo lugar, com as mãos atrás do corpo, balançando levemente meu corpo pra frente e pra trás.
Balancei a cabeça negando, então disse.
- Não estou perdida, vim atrás de você.
- De mim? Nossa que presente dos céus. – baixei a cabeça, percebi quando ele ia se aproximando, provavelmente com a intenção de levar a mão ao mesmo rosto, lentamente ergui a cabeça, e o humano parou. Seus olhos se arregalaram um pouco, ele havia percebi a mudança na cor dos meus olhos. Pelo que pude ver nos olhos dele, meus olhos estava verdes claros, meus cabelos vermelhos vivos.
- Não, você é meu presente, na verdade, -sorri mostrando meus caninos já a mostra- meu lanche da tarde. – Diante dessas palavras o humano saiu correndo, deixando cair às coisas que levava consigo. – Não adianta correr. -Cantarolei. Corri atrás dele, com minha velocidade superior a dele, passei por ele, esperei por ele sentada em um troco caído.
- Por que demorou tanto. – ele gritou. Eu gargalhei. Ele correu em direção contraria. – Já disse que não adianta correr. – Levantei com um suspiro, e voltei a caça, o homem corria, e arfava, eu estava atrás dele, a menos de dois metros, correndo com uma medida certa em minha velocidade. Ele tropeçou em uma raiz. Tentou se levantar mais eu já estava olhando ele de cima.
- Por que você estava fazendo isso comigo?- ele tentava se levantar. Parei, endireitei meu corpo e examinei minhas unhas, vermelhas.
- Não pense assim- eu disse- não é você exatamente, é que você é o que estava por perto – pisquei pra ele. Nessa hora ele conseguiu se levantar. Começando de novo a correr. Mais eu já estava me cansando. Corri e parei em frente dele. Segurei seu pescoço com uma das mãos, o ergui no ar. Vi em seus olhos, meus cabelos estavam vermelhos vivos, extremamente claros, meus olhos quase amarelos, ele se debatia. O puxei de encontro a mim, sem pensar duas vezes mordi seu pescoço, senti seu medo em seu sangue enquanto me alimentava, ele continuava a se debater, o sangue escorria por minha boca. O joguei no chão e o imobilizei, suguei seu sangue até não restar nada, me levantei e observei-o. Ele estava num to pálido do cinza. Limpei meus lábios com o dedo polegar e o indicador. Deixei a carcaça humana ali mesmo, e andei, depois corri pro meu carro, entrei e fechei as portas. Dei a partida depois de alguns segundos, voltei pra Gander. Não parei em lugar algum fui direto pra casa. Guardei meu carro na garagem e subi pro meu quarto. Não encontrei com ninguém no caminho. Mais na porta do meu quarto sim. Lá estava Silas.
- Se divertiu?- perguntou.
- Não muito. – respondi
e entrei no meu quarto, permaneci por lá algumas horas, descansando dos raios
ultravioletas. Deitei em minha cama e fechei os olhos.
***
Acordei com meu celular tocando. Estendi a mão ao criado mudo.
- Fala.
***
Acordei com meu celular tocando. Estendi a mão ao criado mudo.
- Fala.
- Tem um humano, aqui
andando despreocupadamente. – Era Kimberly.
- Que horas são? – abri os olhos eu não podia saber se ainda era dia ou noite, meu quarto era preenchido em trevas vinte e quatro horas por dia. A única certeza que eu tinha era que ainda era o mesmo dia.
- Já anoiteceu.
- Ok. – disse simplesmente, e ela desligou. Levantei- me. Sai de casa, á principio não fui me encontrar com Kimberly. Segui pra casa de Annie, quando cheguei ela não estava no quarto, nem na sala, procurei olhar em casa cada janela, ela estava no chão do banheiro semi- nua, ela se contorcia, desesperadamente no chão, seus olhos estavam brancos, a cabeça vermelha, como se todo o sangue de seu corpo estivesse concentrado ali.Ela estava sendo possuída, seu corpo estava totalmente contorcido, a boca aberta, como se ela quisesse gritar, pude sentir seu desespero, a vontade de gritar, de chorar, de fazer com que tudo aquilo acabasse, o medo, ela lutava contra o ser, mais ele era forte. De repente pude sentir uma luz, não uma luz qualquer foi à luz que me fez desmaiar. O medo dela aumentava, e foi o medo dela que me fez acordar do estado de empatia sensitiva. Fiquei tonta, sai dali correndo, o mais longe possível da luz.
Sentei-me encostada ao
fundo de uma casa próxima a casa de Annie,ainda podia sentir o poder do anjo e
do demônio, podia sentir a humana sofrendo em silencio.
- Esse demônio é
poderoso de mais. - sussurrei. Não demorou muito, tudo sumiu cada sensação,
sentimento de dor ou qualquer outra coisa. Subi no telhado da casa, olhei pra
casa vizinha e vi Annie saindo de casa, ela andava de cabeça baixa, a segui.
Ela caminhava, parecia atormentada. E tinha motivos pra tal, continuei a
segui-la, ela seguiu em frente, estava muito distante dela. Foi quando ela
virou a esquina, que senti a presença. Mais não tive tempo pra definir de onde vinha, a força que me jogou de costas
ao tronco de uma arvore,por alguns minutosnão pude pensar. Sentir uma força que
me levou de encontro com o tronco da arvore próxima, meu corpo não ficou
danificado não tanto quanto o tronco da arvore. O ataque não foi o suficiente
pra me machucar, mais a violência do ataque me deixou tonta.
- Fique longe da Humana vampira. – disse uma voz. A força começou a pender com mais força não podia me mover. – bem longe. –continuou. De repente meu corpo caiu pra frente, não avia mais nada me segurando, não pude ver o que me atacara. Olhei pra todos os lados, nada. Levantei-me, procurei me recompor, e fui atrás de Annie. Tarde de mais ela avia entrado em uma casa. Só deu tempo de percebeu que seu estado de espírito havia mudado.
***
- Droga- lamentei. Mais uma oportunidade perdida, sem contar o ataque, Será que é o anjo? – perguntei-me. – Não vou ficar parada aqui. - Fui encontrar com Kimberly, quando cheguei ela estava sentada ao lado do humano em um banco,mais escuro da praça, seu sorriso era sedutor, me aproximei, ele olhava fixamente pra Kimberly e não percebeu minha chegada.
- Boa noite - disse sentada ao lado dele.
- Droga- lamentei. Mais uma oportunidade perdida, sem contar o ataque, Será que é o anjo? – perguntei-me. – Não vou ficar parada aqui. - Fui encontrar com Kimberly, quando cheguei ela estava sentada ao lado do humano em um banco,mais escuro da praça, seu sorriso era sedutor, me aproximei, ele olhava fixamente pra Kimberly e não percebeu minha chegada.
- Boa noite - disse sentada ao lado dele.
- Alan Schwartz, essa é Natasha, um amiga minha- Kimberly me apresentou. Percebi o medo de ele a me ver. Não precisei do meu dom, dava pra ver em seus olhos.
- Que tal dividirmos?- ela me perguntou.
- Pode ficar, sabe me alimentei hoje, além do mais eu to bem frustrada.
- Eu já vou – disse Allan Schwartz se levantando. Kimberly pareceu mesmo triste ao disser.
- Mais já. – foi só, ela não disse mais nada.
- Foi um prazer. – sorri pra ele.
Ele saiu andando, Kimberly o seguiu e fui atrás dela, queria observar. Mais uma coisa aconteceu. Alguma coisa nos prendia no mesmo lugar, era a mesma força reconheci.
- O que é isso- perguntou Kimberly. Não respondi.
- De novo Vampira, segunda vez em menos de uma hora. Estou avisando, Allan e Annie são meus, vocês vampiros, quero velos bem longe deles. – Kimberly parecia sufocada. Nem uma de nos falamos- Estamos entendidos.
- Quem é você demônio? – Perguntei ao perceber que se tratava de um demônio poderoso. Ele gargalhou.
- Sou Haboryn. – não vi da onde vinha a voz, a gargalhada, era só a força. A única coisa que podia sentir, é sua voz demoníaca. – Longe – repetiu. E se foi.
Kimberly caiu. – O que foi isso? – Ela perguntou.
- Um demônio Kimberly, lembra quando eu disse que estava frustrada, - não esperei ela responder - era por isso, tinha acabado de ser atacada por ele, ele me avisou pra ficar longe de Annie, mais o que esse Allan tem a ver com isso?
– fiz essa pergunta pra mim mesma. Eu estava de costas pra ela, Kimberly já começava a se recompor.
_______________________________________________________
- Haboryn. – disse ao entrar como um furacão na sala de Silas. – Você Sabe o que éHaboryn ? – Silas ergueu as sobrancelhas, despreocupado.
- Haboryn? – repetiu.
- Sim,Haboryn. Silas, ele esta protegendo Annie, você pode me dizer por quê?
- Sinto muito, mais não – sua voz não se alterara nem um pouco.
Capitulo 3 – Halloween.
Hoje
começou as festividades em Gander, é halloween, e as tradições sempre são
cumpridas neste lado do mundo. Levantei da cama para observar o dia, já estava
bem claro, o sol brilhava e aquilo me incomodava muito, tenho certa resistência
solar como Kimberly, ganhamos logo quando fomos transformadas, mas mesmo assim
o sol nos incomoda.
A
cidade estava toda enfeitada, morcegos pendurados nas mansões vizinhas; abóboras
decoradas e com velas por dentro, essa noite prometia ser a grande festa. As
crianças gostam muito de vim para cá, por ser considerado o bairro mais sombrio
de Gander. Nessa época do ano o frio é mais intenso que os outros dias, as
chuvas se precipitam mais, agente costuma usar essas obras do tempo para deixar
ainda mais assustador, alguns magos negros desse bairro fazer trovejar quando
as crianças entram no bairro, é tudo muito engraçado e divertido, geralmente é
nessa noite que eu gosto de caçar.
Sim,
hoje é o tão esperado dia para matar de vez Annie, eu só preciso descobrir
como, despistar um anjo e um demônio seria demasiadamente complicado, e eu
correria um grande risco de deixar de existir. Pensei que Silas pudesse me
ajudar. Vesti-me mais provocante possível e entrei no escritório de mi lord.
Como
sempre Silas estava ocupado com suas papeladas e anotações, cabeça curvada e os
olhos fixos no que fazia. Parecia mais serio do que da ultima vez.
-
Sente-se Natasha.- Ele disse calmamente, e sua voz se ecoou como um comando.
Puxei
a cadeira a minha frente e sentei. Ele me olhou fixamente e esperou que eu
falasse. Foi um pouco complicado eu encontrar as palavras, mas uns segundos
depois eu comecei.
-
Silas, eu estou tendo problemas para cumprir sua ordem. Annie se tornou
complicada demais para mim.
Silas
ofegou.
-
Natasha, tudo é uma questão de tempo, aguarde, tudo vai caminhar para que assim
aconteça. Só se prepare para agir na hora certa.
-
Talvez você tenha razão Silas. Desculpe-me pela grosseria de ontem, é que tudo
isso ta me irritando muito. Nunca demorei tanto para matar uma presa. Annie não
é só mais uma ordem sua, Annie é quem eu quero matar, eu tenho sede pelo seu
sangue.
Silas
me olhou vago, parecia enxergar alem de mim.
-
Ele mudou o plano. Annie não é a única prioridade de Haboryn. Alias, não é só o
demônio que esta agindo Natasha. Agora posso ver.
Agora
parecia que tudo fazia sentido para Silas, e eu estava cada vez mais envolvida
e intrigada.
-
Complete suas formulações mi lord,
por favor, estou ficando irada.
Silas
roçou a garganta e continuou.
-
Um ser sem corpo age manipulando o rapaz que vocês viram ser protegido por
Haboryn. O ser sem corpo está ajudando Haboryn em seus planos, e Haboryn o
ajudará nos seus, numa troca sobrenatural onde os dois sairão ganhando. Haboryn
quer Annie para atravessar a este mundo, e o ser sem corpo quer Allan para
atrair um corpo.
-
Assim o Haboryn encarna na Terra, e o ser sem corpo ganha algo por isso, e
Allan mais conhecimento. - Completei o raciocínio agora compreendendo tudo.
-
Sim Natasha. - Silas levantou triunfante e confiante de suas conclusões – Se
matar Annie, impedirá que Haboryn encarne e assim não haverá mais confusões em
nosso domínio.
Comecei
a gargalhar, eu estou sentindo tanta motivação, ansiedade liberada, adrenalina
correndo em minha mente, afim de agora destruir com todos e aliviar.
-
Até mais Silas, aguarde noticias. Eu disse enquanto levantava e armava minha
armadilha.
Voltei
para o meu quarto e peguei meu óculos, vou visitar Christine, quero que ela me
ajude. Também acho que ela sabe mais do que eu penso que saiba. Afinal, ela e
John foram quem trouxeram essa intriga em nosso meio.
O
dia havia mudado muito, há um tempo atrás quando eu observava da janela de meu
quarto, o sol brilhava, agora a luz do sol estava oculta atrás de densas nuvens
e neblina por toda cidade. A visibilidade estava pouca e alguns relâmpagos
anunciavam chuva.
Caminhei
lentamente e observando cada detalhe da decoração, alguns moradores exageravam
colocando amuletos nas portas, até vassouras para afastar os maus espíritos. É
um bando de bruxos supersticiosos demais. A mansão de Christine estava decorada
com apenas cinco abobaras com velas dentro e com cortes para parecer humano,
alguns morcegos descendo entre o andar e o telhado da casa, do lado da porta, e
entre os dois vidros verticais duas vassouras de palha, e dois “fantasmas” de
cada lado da parte da frente da casa no quintal.
Caminhei
bem tranqüila e toquei a companhia. Tive que aguardar um tempo, até que
Christine veio me atender.
-
Natasha! Que surpresa! Ela disse bem receptiva.
Parecia
que eu a olhava fixamente, mas não era. Um cheiro lá dentro me incomodava.
-
Desculpe Christine, mas quem está ai? Eu perguntei curiosa e intrigada.
Christine
fechou a porta e me levou para trás da mansão. O quintal dos fundos estava tudo
muito mágico e decorado. Uma grande mesa no centro com variados tipos de
comida, ao lado tinha um caldeirão e fogo por baixo, e água fervendo. Christine
percebeu minha curiosidade, afinal, era a primeira vez que ela me deixa ver
como eram preparados os materiais para comemorar o dia das bruxas. Em cima da
mesa tinha maçãs, romãs, abóboras. Tinha flores, madressilva, flores brancas
com formato de tentáculos, e lindos crisântemos coloridos.
-
Natasha – Voltei minha atenção a ela – eu vou buscar um chá, fique a vontade.
Minha
atenção foi rapidamente voltada para a mesa, um prato sozinho em volta de tudo
aquilo, uma toalha sobre a mesa de cor púrpura. Tinha castanhas mais adiante;
milho, beterraba, cidra, uma taça de vinho e mais pratos com abóboras e outros
com carne, e dois castiçais sobre a mesa com três velas cada um, o que me
chamou atenção foi que em um castiçal havia um papel. Eu sabia que não poderia
ler, mas não consigo controlar minha ansiedade. Lentamente me aproximei e
peguei e nele estava escrito: “Quero saber mais sobre meu passado, sobre Sarah,
só lembro-me de sua imagem e de seu nome e de quem lhe deu um fim trágico”.
-
Bisbilhotando Natasha. Disse Christine, ela estava seria me olhando pelas
costas com um bule e duas xícaras de chá.
-
Perdão Christine, você me conhece, a curiosidade me motivou.
Ainda
me olhando séria e firme ela disse: - coloque aonde achou e sente-se.
Imediatamente
eu a obedeci, senti na cadeira logo à frente ao que ela posicionara para
sentar. Ela esticou seus braços e me deu a xícara com muita delicadeza.
-
O que você realmente veio fazer aqui Natasha? Ela perguntou desconfiada.
-
Quero saber mais sobre Annie.
Seu
olhar parecia sair um pouco de foco, talvez não fosse essa a resposta que ela
esperava ouvir.
-
Annie. Repetiu.
-
Sabe alguma coisa sobre ela, ou pode me ajudar, a saber, mais sobre ela? Eu
perguntei confiante que Christine colaborará comigo.
Ele
respirou fundo.
-
Annie brincou com os mortos junto com seus amigos, como qualquer adolescente atrás
de aventura. Mas ela é diferente, um anjo a protege, existe um demônio,
Haboryn, ele quer vir ao nosso mundo, e precisa dela, precisa sugar a energia
do anjo que a protege, e então vim para nosso mundo.
-
A troco de que? - Interrompi.
-
Não sabemos o que ele quer em terra, estamos investigando assim como vocês, mas
John está meio despreocupado, afinal, ela tem um anjo para protegê-la.
Agora
eu estava certa que deveria eliminar Annie o mais rápidopossível, a vida de
todos nós estaria correndo perigo, um demônio querendo atravessar para este
mundo, é como Silas previu, guerras, anjo, demônio e vampiros. Levantei ainda hilariante
e com o olhar sem foco, agora planejaria de forma correta toda a trajetória de
Annie, até a sua morte.
-
Natasha! Christine exclamou a minha súbita saída.
Eu
não dei ouvido e fui vigiar Annie na escola. Cheguei num momento tenso, encostei-me
à parede de um bloco da escola e observei, apurei meus sentidos para tentar ter
uma noção do que se acontecia. Um rapaz amigo de Annie parecia ter desmaiado no
banheiro e o namorado dela o levará para casa. Annie estava confusa e triste
por ter que voltar mais uma vez a pé para sua casa.
Parecia
que um rapaz tivesse tido uma estranha participação no que aconteceu, Annie o
parou no meio do caminhou e o interrogou. Ele realmente parecia não estar
dentro de si. Annie havia se estressado e ele disse umas palavras estranhas a
ela, mas que logo fez sentido quando me lembrei de ter conversado com
Christine. “Para se livrar vai ter que brincar”. Ele disse.
Annie
foi embora com Leide e Nádia, as suas amigas. Eu tratei de voltar à mansão e
armar uma estratégia eficaz, que agora não tenha nem condições do anjo nem do demônio
a salvar. Em casa, a sala de estar é o lugar mais calmo da mansão, naquele
imenso sofá é aonde eu me confesso, onde eu armo minhas ciladas, e dessa vez
não seria diferente. Deitei-me e olhei para o teto e comecei a refletir. Se
Annie esta sendo protegida por um anjo é por que ela tem uma grande missão na
Terra, o demônio certamente quer a morte dela para que ela não cumpra essa
missão. Se a deixarmos viva ela certamente fará a vontade do criador. Mas
analisando, a vontade dele poderia ser a nossa contra vontade, já que Silas
falou em guerra, um vampiro é desvantagem enfrentar anjos e demônios, então
temos que matá-la, mas como? Silas já disse que devamos fazer o anjo pecar, mas
isso dará vantagem ao demônio, ao menos que ele não saiba como eu vá agir,
assim ele se ocupa com o anjo e eu mato Annie.
Comecei
a gargalhar naquela imensa sala vazia, eu matei a charada, já sei como matar
Annie.
-
Ola Natasha como vai? No auge de meus pensamentos, entorpecida, eu fui
subitamente trazida ao nosso mundo por um vampiro loiro dos olhos azuis, o tipo
de vampiro que se acha poderoso demais, que ninguém possa ultrapassá-lo, que
lideres só organizam o clã, mas eram fracos em poder. Essa era sua filosofia.
Respirei
profundamente, tentando admitir ele estar ali. E com um ar de tédio eu
respondi: - Oi Dãcan, estava ótima até você surgir.
-
Vampirinha ruiva e rebelde. A sua inveja pode te destruir. Sua voz saiu seria e
sedutora.
- Por favor, poupe-me! Falei intrigada.
Dãcan pareceu persistir e se sentou
- Vim conversar assunto de nosso
interesse.
- Como assim? Olhei friamente para ele.
- A morte de Annie. Você foi incumbida
dessa missão, e até agora nada. Você sabia que isso ameaça a todos nós.
- Nossa, estou surpresa agora. Você com
medo? Não é todo poderoso?
Dãcan sorriu sarcasticamente e
continuou.
- Poupe-me você agora Natasha.
- Não se preocupe Dãcan, matarei a pobre
protegida por anjo e por demônio.
Após algum silencio, a companhia tocou.
Dãcan sumiu do meu lado e reapareceu na
porta, num teleporte tão charmoso que só ele pode fazer. Ele olhou para mim com
a aquele olhar barato e conquistador. Virando-se abriu a porta. Era o jovem
garoto, o gótico protegido por Haboryn. Na hora fui tomada por fúria e meus
caninos obrigaram minha boca a abrir, mas me mantive quieta no sofá. Ele agora
estava um pouco diferente, ou talvez eu tenha prestado mais atenção nele agora.
Seus olhos estavam azuis, e percebi que ele não aparentava mais dezesseis anos,
e sim uns vinte anos, corpo magro, mas definido, cabelos longos negros e
sobrancelhas expressivas.
O garoto segurou firme sua respiração e
num só fôlego disse: - Sou Alan Schwartz, e
sei sobre vocês e esse bairro.
Antes que o garoto pudesse recuperar o
fôlego, Dãcan abriu sua boca e mostrou seus caninos. Eu tive que ser rápida e
gritei: - Pare!
Dãcan então só o segurou com firmeza.
- Por favor, preciso da ajuda de vocês,
ouça o que tenho a dizer. É o que peço.
- Ótimo garotinho, entre, sente-se
conosco e conte sua história. Eu disse calmamente.
Ele veio tremulo até o sofá, Dãcan veio
sorrateiro e sentou-se no braço do sofá. O seu olhar havia medo e seu sangue me
cheirava euforia.
- Vamos garoto, mostre-nos o segredo de
seu coração. Disse Dãcan.
- Tudo bem. Ele respirou fundo e
começou. Sou Alan, e vim em nome de Willian, um espírito antigo que habita a
casa da esquina deste bairro, ele vive no corpo de um gato negro. Ele possui
planos com certa pessoa e sabe de seu interesse por outra próxima. Ele propõe
um acordo.
- Continua. Eu disse calmamente.
- Bom; hoje Eric e Bruno saíram para ir
a uma festa. Bruno quer que Eric se divirta, porque acha que o amigo esta tendo
muito stress, e isso prejudicando sua saúde mental. E vão só os dois, sem
namoradas por perto.
- Ta, e aonde entramos nessa baboseira
toda. Disse Dãcan impaciente.
- Bruno é o namorado de Annie. Eu só
preciso do Eric, e vocês precisam fazer o anjo pecar. Não estou certo?
- Sim, está. Falei ainda atordoada com
as informações. Mas como se uma lâmpada que se acende, vieram as idéias em
minha mente.
- Sim! Gritei empolgada. Se Annie se
abalar sentimentalmente, ela estará vulnerável aos poderes do mal, o demônio
então poderá agir e cegar o anjo, eu então entro e acabo com a vida de Annie.
- Natasha! Deixa de ser louca! Isso não
faz nenhum sentido! Berrou Dãcan.
- Não Dãcan! Faz todo sentido. O que
quer que agente faça exatamente?
- Bom... Alan parecia mais a vontade
agora. Quero que vocês atraiam Eric até a Figueira que fica na casa velha aqui
da esquina, aonde o demônio tentou estuprar Annie.
- Tudo bem. Usaremos nossa sensualidade
e atrairemos Eric e Bruno para sua emboscada. Preciso de Bruno para isso.
- Tudo bem então. É essa noite.
- Fique tranqüilo, tudo ocorrerá bem
como planejado.
Allan assentiu agora um pouco mas tranqüilo
e sorridente.
- O que sabe sobre Haboryn?
Ele pareceu ter ouvido pela primeira vez
esse nome.
- Não sei do que você está falando. Ele
respondeu ainda sem entender a pergunta.
Então o dispensei. Alan saiu um pouco
apressado da mansão. Eu tratei de subir as escadas e fui até o quarto de
Kimberly. Ela estava sentada lendo algo que não pode avistar, mas relacionava
os vampiros.
- Temos um trabalho hoje Kimberly. Vamos
atrair o mal de Annie!
- Como assim? Ela me olhou incrédula.
- Confia em mim e
presta atenção no plano que vou lhe dizer.
Cap. 4 –
Cap. 4 –
Kimberly se aproximou de mim, ela
trajava uma calça skinny escura, uma blusa colada, e um lindo salto, como
sempre ela estava linda. Por um instante me visualizei no espelho do meu
quarto, eu estava com um vestido preto curto, tomara que caia, colado no corpo,
meus cabelos estavam ondulados e soltos. Voltei a mim e entrei no carro.
- Vamos – disse Kimberly ao entrar no
carro. Acenei com a cabeça confirmando, engatei a marcha ré e sai da garagem. A
festa era logo na esquina do nosso bairro, quisemos ir de carro por causa do
meu lado esnobe. Estacionei o carro e saímos.
Havia a fila mais não precisávamos enfrentá-la.
Entramos, a festa estava animada, o
local bem decorado, luzes como flash, e outras, davam efeito das pessoas
dançarem em câmera lenta, não prestei muita atenção nisso. - ‘tenho que
permanecer fixada’ – sussurrei pra mim mesma. Kimberly ouviu, mais nem se
importou.
- Vamos nos sentar no bar e beber algo,
e esperar os humanos? –perguntei a Kimberly.
- Depois – ela me respondeu- quero
dançar um pouco,- ela disse com um sorriso um tanto diabólico nos lábios.
Suspirei. Andei até o bar, sentei – me na cadeira. Olhei a multidão não vi
ninguém com a descrição que a Kimberly havia me dito sobre o Bruno.
- O que gostaria de beber – eu me virei
em direção à voz masculina. Era o barman. Ele não eraum humano considerado
lindo, mais era muito, muito bonito, corpo másculo, pele bronzeada, cabelos
negros e olhos castanhos esverdeados.
- Um Dry Martini – respondi - voltei
minha atenção as pessoas que dançavam, Kimberly estava dançando provocando um
humano. Sorri.
-Só você mesma Kimberly – disse.
Continuei olhando em volta. Alguns casais se beijavam com ardor, nos minutos
que passavam novos casais se formava.
Olhei pra porta, então vi dois rapazes, um com as mesmas descrições que
Kimberly havia me dado e o outro provavelmente seria o Eric. Eles entraram,
desviei o olhar pro banco a minha frente e Kimberly estava sentada nele.
-Chegaram. – ela disse. Eu apenas acenei
com a cabeça. Observamos eles entrarem e se juntarem a multidão de corpos,
dançando, se beijando, curtindo.
- Não vamos esperar muito tempo, - disse
me levantando - vamos à caça. –disse
sorrindo. Kimberly concordou e me seguiu, entrei em meio à multidão. Os rapazes
seguiram pro bainheiro, os humanos estavam lá, pude ouvir Bruno e Eric
conversando. Então fiquei parada a porta. Não demorou muito e eles
apareceram.
Olá – disse Kimberly com sua voz
sedutora, os rapazes pararam ao escutar a voz, que hipnotizava. Sorri. – Tudo
bem com vocês – ela continuou quando percebeu que eles não tinham reação,
diante de sua voz, e de nossa beleza.
Uau- disse Eric- tudo bem com a gente,
gata. – sorri. Kimberly investiu no Eric, enquanto eu me aproximei de Bruno.
-
Nossa, você é uma ruiva muito, muito gata. – Bruno me disse acompanhando minha
aproximação com o olhar.
- Que tal saímos – disse Kimberly.
-Boa idéia- concordei com meus olhos fixos
nos de Bruno. Kimberly se aproximara de Eric, o provocava, o seduzia. Bruno
estava encostado na parede onde eu estava a um segundo a trás, então estiquei o
braço, e me apoiei na parede.
- Claro – disseram os rapazes em união.
Dei um sorriso sedutor. Kimberly puxou o
Eric pela mão, eles pararam e se beijavam. Fiquei de costas pra Bruno,
segurando sua mão.
- Espera – disse ele de repente- eu
tenho namorada.
- O que? – perguntei com raiva,
disfarcei meu estado, Annie, pensei nela, precisavamatá-la de uma vez, afastei
o pensamento e disse, olhando pra todos os lados.
- Ela esta aqui? – ele sacudiu a cabeça
negando– Então relaxa, - disse aproximando minha boca de seu ouvido - ela não
vai ficar sabendo de nada. – Então mordi de leve sua orelha, pude ouvi-lo
gemer, então prossegui, beijei seu pescoço, deixei uma trilha de beijos até sua
boca. Beijei-o arduamente.
Interrompi o beijo, tornei a ficar de
costas pra ele, puxei-o de modo que seu corpo se encaixasse ao meu, ele passo
os braços, ao redor da minha barriga, e eu segurei por alguns instantes sua
cabeça, enquanto o beijava.
Saímos pelos fundos da boate, era um
beco escuro e úmido, então seguimos em direção a casa da esquina. Deixei o carro na boate, fomos andando, pelo
caminho parávamos e nos beijávamos, eu o provocava, ele arfava. Senti sua
excitação. Quando chegamos eu parei em frente à figueira, encostei ele no
tronco, ergui seus braços, segurando- os de encontro ao tronco, beijei- o
lentamente. Na boca, na orelhaao pescoço. Mordi, ele gritou, não tão alto ele
estava entorpecido, bebi seu sangue o suficiente para deixá-lo desacordado.
- Kimberly - a chamei, ela apareceu na
porta, sem Eric, ela provavelmente já havia deixa dôo aos cuidados de
Allan. – Vá pegar meu carro, ok, vou
levar esse humano pra casa.
- Não é melhor eu levar o humano, e você
ir buscar o SEU carro? – ela revirou os olhos.
- Pelo simples motivo que quero ter o
prazer de levá-lo – ela fez uma careta, virou o rosto e fez um som com um
‘rhum’, e no segundo seguinte ela não estava mais lá.
Peguei- o e joguei-o
sobre o ombro. Corri, cheguei à mansão rapidamente.
Eu estava convencida que
hoje seria o dia da morte de Annie, tinha que ser. Então fui procurá-la,encontrei-a
saindo de casa,andava rápido com presa, escutei passos na casa dela, e logo vi
uma mulher e uma criança na porta dos fundos chamando por Annie, mais ela nem
se importou, continuou andando, seus braços envolviam seu corpo, era como se
ela quisesse se proteger, ou estivesse apenas com frio, o dia estava nublado e
fazia muito frio. Parei por um instante encostado em uma arvore, apenas
observando – a. Só me movi quando ela virou a esquina, então corri, entrei
pelos fundos de algumas casas pra cortar, caminho. Senti uma presença
demoníaca, e quando olhei pra Annie ela estava parada, imóvel, seus olhos não
tinham expressão alguma, ela olhava fixamente pro chão, seus braços largados ao
lado do corpo, devagar ela conseguiu levantar o seu rosto, me senti estranha
com medo talvez. Ela olhou fixamente pra rua a sua frente, e depois pro lado,
então ela começou a caminhar pro lado que ela olhava, não tinha nada ai a não
ser mato. Mais ela continuou caminhando, pra mim ela não era a mesma Annie,
parecia que ela conhecia o caminho, o lugar era fechado, então resolvi atacar.
Corri em sua direção, mais antes que eu pudesse chegar perto dela, uma força me
impulsionou pra longe, cai em cima de um tronco podre que se despedaçou no
contato com o meu corpo. Fiquei imóvel por alguns instantes, estava perturbada.
Levantei-me, podia ver Annie, tentei ir atrás dela, fazer algum barulho, pra
ela se assustar, mais ela parecia inconsciente, morta. Não, a morte dela era
minha, disse a mim mesma. Penetrei mata
adentro do meu lado esquerdo, não podia ir atrás dela mais ao lado quem sabe.
Ao imaginar que o fim da Annie podia não estar em minhas mãos, me deixava
irritada, então corri, encontrei a, nos fundo de uma casa, era a casa
abandonada da esquina, reconheci. Ela estava parada em frente à porta, foi
então que a porta começou a abrir, não vi ninguém dentro ou ao lado da porta,
deduzi que estivesse se abrindo sozinha, arfei; como?Perguntei-me.
A porta permaneceu entreaberta por
alguns instantes, aos poucos ela se abria mais rangendo. Ela não se moveu. Seus
olhos antes fixos na porta agora ganhavam vida, então ela gritou. Olhou pros
lados e começou a correr em direção à rua. Era o anjo, o maldito anjo esta por
aqui, a presença do demônio havia diminuído mais não se extinguira de vez,estava
tão obcecada em acompanhar minha preza, minha vitima que nem pude senti–lo. Senti-me
apenas tonta, eu estava longe. Ela correu, ela chorava; uma cena, umtanto estranha
a meu ver, se ela tem um anjo no seu pé ela devia se sentir bem. Fui atrás
dela, senti o ar dos seus pulmões lhe faltarem estava frio. Por mais que ela
corresse parecia não ser o suficiente. De repente, ela parou, caiu devagar
sentada no meio fio, abraçou os joelhos, e se movimentou pra frente e para traz
em movimentos sincronizados. Eu me senti triste... Depressiva ao ver aquela
cena.
- Bruno, me desculpe não pude, não tive
coragem de entrar, sou uma covarde, me perdoe – ela lamentava pro vento frio. A
única resposta que ela tinha era o assobio do vento. Fiquei extasiada de
repente, eu não entendia minhas mudanças de humor, eu ria pra mim mesmo.
Ela esta achando que o Bruno esta naquela casa. Ta ficando doida a
garota. Conclui. Ri mais um
pouco, não sabia se era de mim, ou dela, eu não sabia por que ela saíra de casa
e muito menos o porquê dela achar que seu namorado está na casa abandonada. Depois
de algumas horas eu estava cansada de ver a mesma cena, ela sentada no meio
fio, na mesma posição, às vezes ela parava de se mover e olhava pro celular, na
palma de sua mão, mais não parava de soluçar. Como uma pessoa pode ter tantas
lagrimas?!
Se eu fosse uma humana já estaria
dormindo de tédio, mais eu não dormia; pena. Por fim Annie começou a se
levantar, mais continuou parada, secou as lagrimas, com o dorso da mão.
Respirou fundo e começou a caminhar, passos lentos de mais pro meu gosto.
Suspirei, entediada, acho que era minha convivência com Kimberly.
- É isso- ela disse depois e uma longa
caminhada, é isso o que? Perguntei-me. Ela correu, mais desistiu, seus pulmões
eram fracos demais pra correr num frio cortante como esse.
Ela chegou a casa, abriu a porta dos
fundos.
- Onde você estava Annie? Porque saiu
daquele jeito de casa? .- Uma mulher perguntou a Annie, acho que sua mãe.
- Desculpe, mãe depois conversamos. –ela
respondeu correndo escada a cima. Vi que a criança a olhava, seu rosto parecia
triste. Mais eu tinha quase certeza que a criança pressentia algo, e se
preocupava com a irmã. Não esperei pra
ouvir o que a mãe de Annie ia dizer, subi pro quarto.
Annie sentou em uma cadeira diante de um
computador, e acessou o GOOGLE, pesquisava sobre coisas como exorcismo,
brincadeiras demoníacas, anotou alguns resultados.
- Pra se livrar precisa brincar, era
isso que o telefonema dizia. – ela disse com os olhos vidrados no papel em que
ela escrevia.
Annie se levantou, começou a vasculhar seu
quarto, olhou dentro da bolsa, então pegou um batom, afastou os moveis, tirou
os tapetes do chão, se agachou e desenhou, no começo não entendi muito bem do
circulo, até ver a estrela de cinco pontas.
Ela sentou no centro, com as pernas cruzadas,e o corpo ereto. Fiquei imóvel,
na expectativa. Nada aconteceu a
principio, ela só ficou imóvel, segurando o papel com força. Foi então que
palavras saíram da boca de Annie, não pude compreender, um vento começou a
balançar as arvores, no começo lentamente, conforme Annie continuava as rajadas
de vento eram mais fortes. Ela continuou. Olhei pra trás, não tenho certeza
mais poderia afirmar que vi alguma coisa se mover nas sombras, era final de
dia. Arfei; de repente, o demônio esta por ali. Mais forte, muito mais forte, a
rajada de vendo a seguir, mefez voltar à atenção em Annie.
Ela continuava com as pernas cruzadas,
mais agora seu corpo, estava no chão, um dos seus braços, estava no alto, seus
dedos se contorciam sua boca aberta, seus olhos fixos na porta. Então a porta
se fechou lentamente, a luz que entrava no quarto por fim acabou. Era só ela ali,
no chão,contorcida. Era a segunda vez que eu presenciava isso mais, eu não
conseguia me acostumar com as sensações.
De repente me senti desesperada, se meu
coração ainda batesse, ele estaria acelerado. Senti-me inquieta, olhei
repetidas vezes pros lados, como se procurasse alguma coisa, mais não
encontrei. Mais sabia também que não era uma coisa que encontraria ao meu lado,
então olhei pra cima, fiquei tonta de imediato, a luz se aproximou de mim, era
ele o maldito anjo, não tive tempo pra olhar Annie sai dali.
Fiquei o mais longe que pude, apenas
observando o movimento na casa. Não ouve gritos, só conseguia ouvir sussurros,
nada mais. Estava fraca de mais, tonta de mais, cansada de mais, nunca antes
uma presa fora tão cansativa.
Ouvi o barulho de uma porta batendo,
então vi Annie saindo correndo de casa pela porta da frente. O anjo deve
terajudado – a. Não me movi; só a observei correr, ela olhava pra trás enquanto
corria, sua família estava à porta, sua mãe chamava-a desesperada, sua irmã
chorava, era triste, pois eu sabia que ela, sabia o que aconteceria com a irmã.
Ela sabia, e assim seria.
Eu pude ver e sentir a batalha, entre o
anjo e o demônio, não sabia dizer o qual eu amava, ironicamente. Os dois
atrapalhavam de mais minha vida. Então sai correndo atrás de Annie, minha
velocidade não permitia que os humanos me vissem, quando a alcancei, diminui o
passo.
Senti pena dela, três seres atrás dela,
mais uma não conta. Ela podia sentir a intensidade do poder, atrás dela. A força do bem e do mal, que a perseguiam.
Pude perceber que ela continuava a dizer algumas palavras, ela estava decidida
a terminar a brincadeira, estava apavorada, mais mesmo assim, morrendo de medo.
Ela continuou correndo, a noite fria, prometia chuva. Prestei atenção de mais na batalha, pensei,
pois só alguns segundos depois que percebi que estamos dentro da floresta.
O Demônio estava ocupado com o anjo,
então essa era minha hora, a medida que eu me aproximei, pude sentir o anjo
mais fraco, as palavras de Annie ainda saiam de sua boca , mesmo que fracas e
arfantes, por que ela continuava a dizê-las?
Nem o menos ela estava no circulo, mais isso não importava mais, ela
estava aqui na floresta, o demônio estava lutando pra por as mãos em Annie, o
anjo pois sua vida, pra protege lá e eu lutava pela sua morte. A chuva começou
a cair, de repente. Olhei pro céu. Não havia estrelas, apenas nuvens escuras, e
a chuva gelada.
Ela voltou a olhar pra trás. Ela me viu,
percebeu minha proximidade, e então tentou correr mais rápido, mais era inútil,
e ainda tinha a chuva que ensopava suas roupas, deixa o chão escorregadio. Ela
estava perdida, e ela sabia disso. Humana esperta. Continuei minha perseguição.
O medo que senti emanar do corpo dela me deixou mais excitada, meus cabelos se
tornavam mais vivos a medida em que eu me aproximava.
As arvores estavam perfeitamente
enfileiras, uma trilha as cortava em duas, Annie corria por essa trilha, a
batalha se seguia logo atrás dela, e eu, eu estava correndo entre as arvores.
As arvores fazia com que eu a visse com pequenos flashs,o chuva dava um efeito
mais perverso, um tanto medonho, e assim provavelmente ela me via também.
Imaginei a minha imagem, correndo em
meio as arvores,a chuva molhando meu corpo, e a chuva,me imaginei Annie,
protegida por um anjo. Sorri diabolicamente, e segui pra trilha, ela olhou pra
trás e caiu. Meu sorriso foi irônico, humanos frágeis. Parei em frente a ela,
ela me olhava, como seu eu fosse o mal encarnado, ela tentava se arrastava de
costas, olhando pra mim, com medo? Não pavor. Pude ver nos seus olhos, meus
cabelos mais vivos do que nunca, molhados.
- Até que em fim Annie.
- Natasha- ela se lembrou de mim. Meus
olhos se tornaram verde-amarelados, minhas presas, tomaram conta de minha
boca. Agachei em posição de ataque. A
chuva caia sobre ela, suas roupas estavam grudadas em seu corpo.
- É Natasha- disse apenas, então
avancei. Ela ainda tentou se levantar, mais peguei seu braço, a puxei em
direção ao meu corpo. Enrolei seus cabelos encharcados em minhas mãos e puxei
sua cabeça pro lado. As ações eram rápidas de mais, minha boca se abriu e
cravei meus dentes em seu pescoço, suguei seu sangue, doce, muito doce, não
pensei em mais nada, enquanto o corpo amolecia em meus braços. Senti uma sensação estranha não conseguia
parar, ela não estava morta mais quase, e eu sabia que não podia sugar seu
sangue por completo se não eu morreria. Sua morte se tornaria minha, mais o
doce de seu sangue era viciante, a sensação era boa de mais, pra eu ter que
parar. Não queria parar mais eu tinha. Quanto senti que seu sangue quase se
esvairá por completo, eu parei bruscamente, afastei seu pescoço de minha boca,
joguei seu corpo no chão. Levantei-me e mostrei as presas pra minha presa humana,
ela não podia ser minha reação, estava morta. Mesmo assim senti raiva da
humana, como o sangue dela podia ser tão doce, tão satisfatório, nunca nem um
sangue humano me deixara assim.