sábado, 10 de outubro de 2015

37 - 38 - 39

Descemos as escadas, Derick estava ao meu lado, bem próximo, tão próximo que eu desejava internamente que ele se afastasse para que Adriel visse que nada havia acontecido que somos só amigos. Adriel parecia nem notar que eu havia saído, seus olhos expressavam distancia, sentado ao lado de Christine que tomava um chá inglês. John estava num canto e Silas em outro. Kimberly e Julio  não estava em casa. Sentei ao lado de Christine junto a Derick.
- Natasha. Aceita um chá? – Ofereceu Christine.
- Porque está fingindo que nada está acontecendo? – Retruquei um pouco nervosa.
Todos me olharam. Mas parecia realmente que ninguém estava preocupado, alias, nem mesmo eu estava. A única coisa que me importa aqui é Adriel, como ele esta agora e quando voltaremos a conversar. Quando eu finalmente poderei me declarar, quando ele lembrará que nos amamos e que tudo pode dar certo agora. Eu revivi tudo o que aconteceu, e agora tudo voltou como antigamente, me sinto tão humana novamente, longe dos desejos vampíricos.
- Ninguém está fingindo nada Natasha. Realmente ainda não achamos uma solução digna para reverter tudo o que está acontecendo. Para se ter uma idéia, para mim parece muito um evento inédito.
- Acho que pra todos nós. – Disse John. Trazendo olhares unânimes para ele. Sua voz suave e grossa nos congelou. – Tenho muitos séculos de vida, e essa é a primeira vez que vejo um demônio tão forte encarnado num ser humano.
Olhei para Christine e depois para Silas. Olhei para Adriel, mas ele parecia nem estar em nossa dimensão.
- Mas vocês não têm nenhuma idéia? – Perguntei aflita.
- Kimberly parece ter encontrado algo no seu livro, e foi junto a Julio buscar. Quem sabe não nos dão pistas. – Disse Christine.
- Mas e sua magia, nada pode fazer contra ele? – Olhei para ela apreensiva – Afinal, você deve saber alguma coisa, como foi que no passado ele desistiu.
- Talvez haja. Mas contra pequenos seres, não alguém tão forte quanto Haboryn. Natasha, eu quase perdi minha juventude e minha eternidade no dia em que o enfrentei. Você viu, estava lá.
- No final, é só isso que importa pra você não é mesmo. Sua juventude e vida eterna.
- Por favor Natasha. Não estamos discutindo isso aqui.
- Será que tudo isso não é só mais um jogo seu. Todo o passado já foi revelado. – Adriel finalmente me fitou – Você pode muito bem estar nos traindo novamente.
Christine levantou não dando importância a minha colocação.
- Eu preciso dar uma volta. – Disse Derick
- Eu vou com você. – Levantei e ele me interrompeu.
- Não Natasha. Quero ir sozinho. – O olhei incrédulo e me sentei novamente perplexa.
No hall só restou eu, Adriel que ainda me fitava, John e Silas. Ficamos ali por algum tempo. Havia livros em cima da mesa de centro, John e Silas estavam lendo. Acho que falava como batalhar contra esses seres. Apesar de que para os dois e, também para nós, muita coisa não poderia ser feita, um toque e certamente seriamos destruídos. Talvez toda esperança esteja em Adriel, afinal, ele é um anjo.
- Adriel. Está tudo bem? – Eu finalmente falei.
Ele me fitou, ficou por mais alguns segundos e sua boca então abriu.
- Como poderia estar agora que pra mim tudo desabou. E ainda por cima saber que você estava envolvida com tudo o que me aconteceu de ruim.
- Venha comigo. Acho que realmente temos muito que conversar para esclarecer as coisas que aconteceram.
Eu levantei e dei uns passos até virar e fita-lo. Ele então levantou e veio atrás de mim. O levei até o quarto que a pouco eu estava conversando com Derick. Entrei e fiquei na porta ate ele entrar. Quando enfim passou por mim, eu senti como se meu coração voltasse a bater, e seu cheiro quase me fez desmaiar em êxtase.
Eu sentei na cama, Adriel nem se aproximou, sentou numa poltrona ao lado. Fiz algumas tentativas para começar, mas foram falhas.
- Pode deixar que eu mesmo começo. – Ele enfim disse, tirando um peso de agonia dentro de mim. – Por quê?
Inspirei profundamente, eu sei que precisava procurar as palavras certas, ou só simplesmente falar. Mas aquele momento me instigava a fita-lo, como se eu nunca mais fosse o ver. Eu estava ali, frente a frente com o ser que eu amei em toda minha vida e morte. Era estranho e ao mesmo tempo empolgante. Eu não queria conversar nada, só fita-lo. Eu só preciso disso.
- Não procure as palavras. Só quero que seja sincero comigo. Não estou bravo contigo, apenas decepcionado.
O fitei.
- Tudo bem. Adriel, tudo começou com Annie, Silas havia visto que uma guerra como a de agora começaria graças a ela. Então fui incumbida para dar um fim nela. Mas descobri que ela estava sendo protegida por um anjo e que havia um demônio também atrás dela.
- Sim. Eu e Haboryn. Mas até então você não nos conhecia?
- Não. No dia em que conheci Annie, eu conheci você, me fez desmaiar, quando eu aguardava Annie para matá-la. Mas o tempo me fez ver que eu não poderia matá-la, até porque você a protegia. – Eu tive que mentir. Adriel jamais olharia para mim se descobri que eu a matei.
- Mas Natasha! – Lagrimas desceram dos olhos dele.
- Entenda. Eu era fria, e tudo que me importava era servir Silas. Você é um anjo, jamais entenderia isso.
- Tem razão. – Ele me fitou com os olhos prateados brilhando – Eu não sei por que perco meu tempo tentando entender como fui gostar de você.
- Gostar de mim? – Me senti viva novamente e todas as emoções adolescentes estavam aflorando.
Ele se aproximou e eu tive a mesma sensação que eu tinha no lago Gander, parecia que ele se aproximasse mais eu desmaiaria, se me tocasse eu seria destruída.
- Natasha. Desde o primeiro dia em que ti vi, quando a sua mentira parecia real, quando eu, ingênuo acreditei que você era uma humana, e que uma ligação forte entre nós nos fez enxergar um ao outro.
- Adriel. Nunca imaginei que sentisse tudo isso por mim. Você é um anjo, pensei que não compreendia esse sentimento.
- Como pensaste assim, se o que mais aprendi no alto é amar. Quando desci, eu tinha certeza que passaria por muitas tribulações, eu nunca acreditei que seria fácil, mas eu não imaginei que me perderia nos desígnios da paixão.
- Você sempre foi interessante a mim, no começo invejei Annie por ter você e seu coração. E quando comecei a conversar, eu viciei em você, por vezes fui convidada a traí-lo, mas o que eu sentia por você, ainda que eu não entendesse, era mais forte.
- Eu alimentei tantas coisas, ainda que tentando deixar morrer, você me deu muitas forças, me incentivou ainda que inconsciente a sempre continuar. Mas quando soube que você era uma criatura das trevas, uma vampira, que você mentirá pra mim. Foi uma desilusão terrível. Foi pior do que a morte de Annie.
- Perdão. Mas como um anjo você tem que tentar me entender. Adriel, eu não tive escolha, como dizer a você, eu poderia perder-te, você poderia ate me destruir.
- Como poderia destruir uma criatura tão bela quanto um anjo. Eu pensei por algumas vezes, então compreendi que você talvez não tivesse culpa, que tudo foi apenas uma fatalidade.
- Nem sempre foi assim. Existe tanta coisa Adriel, coisas que você precisa lembrar e compreender. Nada aconteceu por acaso. Tudo é conseqüência de nossos passados.
Adriel me tocou e eu ofeguei, sua pele quente e macia quase me deixou em frenesi.
- Então chega de mentiras. Mostre-me o passado. – Sua mão segurando firme meu braço e seus olhos dilacerando minha alma.
O fitei por um longo tempo, esperando que ele vê-se como eu vi em meu quarto tudo.
- O que você consegue lembrar-se de sua outra vida? – Perguntei aflita.
Ele ofegou como que se decepciona.
- Natasha. Quando passamos pelo processo que passei, perdemos a memória, só levamos os sentimentos, a história fica toda enterrada.
- Mas ela é a chave.
- Pare de rodeios. Seja objetiva. – Ele alterou a voz.
- Eu te amo! Amo Adriel. Sempre o amei.
Ele me olhou, seus prateados brilhavam.
- Consegue ver? – As imagens brotaram em minha mente e eu forçava para que Adriel pudesse ver.
Seus olhos flutuando, presumi que ele vê-se o quanto o amei e o amo. Seu braço forte que outrora esmagava o meu agora liberara a tensão e deslizava rumo a minha mão. Aproximei meu rosto, o seu calor fazia me controlar minha vontade de mordê-lo.
Seus lábios enfim tocaram o meu. Recebi uma mistura de desejo sexual e mortal. Beijamos-nos, com todo desejo que poderíamos ter, e ora eu sentia Adriel, ora eu sentia Tyller.
Segurei sua camiseta e o trouxe para mais perto de mim ao mesmo tempo em que eu deitava na cama. Ele arfou e se aproximou ficando totalmente em cima de mim. Passei a mão em seus cabelos e ele fechava seus olhos prateados, o calor humano fez com que meus dentes surgissem.
Ele passava sua mão sutilmente. Eu queria acreditar que só isso bastasse. Mas eu desejava mais, eu queria que ele tocasse fortemente, que não houve delicadeza, que ele fosse como Derick.
Fiz uma pequena força para fazê-lo parar. Ele se firmou nos braços e me olhou incrédulo. Na verdade pude ver até suas bochechas coradas.
- O que houve? – Ele me fitou.
- Nada. Só que eu não estava preparada para isso. – Eu disse buscando uma resposta.
- O quer dizer? – Seu coração disparava e eu ouvia cada som.
- Adriel. Eu sou uma vampira, como sabe, o seu corpo humano me trás desejos.
Ele me olhou um instante não queria acreditar que aquilo realmente era real.
- Eu entendo. – Ele finalmente falou.
- Quer dizer então que estou perdoada? – Eu disse sorrindo.
- Sim – Ele sorriu. – Não sei por quanto tempo mais eu conseguiria ficar sem falar com você.
Adriel veio me abraçar e eu recebi. Seu cheiro e calor humano faziam com que eu me odiasse cada vez mais. O que vou fazer agora, se o anjo que eu amo é o ser que mais me da vontade de matar.
- O sentimento que tenho por ti, atravessou as vidas, eu posso sentir. Agora sei que é com você que tenho que ficar. Vamos encontrar uma saída para nossos desejos Natasha. – Ele dizia enquanto apertava minhas mãos e sorria.
- Tenho certeza que sim. Eu sei que te amei, porque fui seu enquanto era viva, e fui sua agora que estou morta. E nada mais vai me seduzir e me enganar. Serei sua, completamente sua. – Nem que para isso eu tenha que aprender a gostar de novas posições, ou ensiná-lo a deitar-se com uma mulher.
A porta lá embaixo foi aberta. Eu e Adriel mais que rapidamente descemos. Estavam todos na sala. Kimberly e Julio acabaram de voltar.
- Vejo um semblante feliz em seus rostos. Têm boas noticias garotos? – Christine se manifestou.
Kimberly sorriu.
- Não nos deixe aflitos. – Pestanejou Silas.
- Eu descobri rituais e encantamentos que nos protegem contra os demônios invocados por Haboryn, e também rituais de exorcismos que podem mandar o demônio de volta para o inferno.
- Que ótimo. O que precisamos fazer? – Christine perguntou.
- Primeiro. – Disse Julio. – Precisamos de você Christine, por ser uma bruxa poderosa, fará o ritual de exorcismo enquanto batalha contra Haboryn. Kimberly cuidará dos demônios e você confeccionará os amuletos de proteção.
- Entendi. – Christine disse. – Tem a lista dos materiais que precisa para a confecção?
- Mas e nós? O que faremos? – Eu disse me sentindo fora de todo plano.
Kimberly me fitou entediada.
- Natasha. Fora os demônios e Haboryn que são nossos principais problemas. Ainda existem os vampiros que nos traíram e Will. Eles são todos de vocês.
Ainda não havia gostado da idéia, mas tive que conforma. Assim como ainda não concordo com Adriel, seus poderes angelicais podem muito bem nos salvar. Mas a pergunta é, ainda existe poderes em Adriel? Se fosse ao passado, ele poderia destruir os vampiros só tocando.
- Adriel. E seus poderes, o que você ainda sabe fazer? – Perguntei muito curiosa.
Ele me olhou surpreso.
- Eu não sei, mas sinto que não perdi meus poderes, só estão enfraquecidos. Meus poderes muitos se equiparam a de um bruxo, porque os poderes dos bruxos, a maioria fora ensinada por anjos que caíram.
- Então se treinar seus poderes, junto a Christine, poderá facilmente ajudar na batalha.
- Acho que sim. – Ele disse pensativo.
- Em minha opinião quem pode vencer Haboryn é você! É uma batalha entre o céu e o inferno.
- Pode ser que sim Natasha. – Disse Christine. – Mas essa batalha já tem protagonistas. É entre eu e Haboryn.


Cap. 38

As palavras de Christine ecoavam em minha mente. “Mas essa batalha já tem protagonistas. É entre eu e Haboryn.” Ela tinha razão, mais isso não significava que éramos menos importantes. Suspirei. Observei cada rosto ali na sala, mesmo tentando disfarçar, eu senti uma certa tensão, Kimberlly parecia muito animada com suas descobertas. Um ponto ao nosso favor, já que Haboryn, além de ter vampiros e seres do submundo ao seu comando, poderia acabar com os de minha espécie com uma grande facilidade, mais isso parecia não importar a nem um deles.
- Melhor começarmos logo – ouvi Christine dizer. –Vamos Adriel, precisamos saber exatamente o que você ainda pode fazer. -  ele acenou com a cabeça. E a seguiu rumo ao jardim.
- Natasha – desviei minha atenção a Kimberly. – tome – ela me jogou um livro grande e muito pesado.  Olhei para ele, sem prestar atenção. O que ela queria? Que eu lê-se isso? Como para responder minha pergunta Kimberly disse – você pode ajudar em mais algumas pesquisas. – ela sorriu. Saindo em seguida, seguida de Julio. Voltei a olhar o livro, o livro dos exorcismos, fiz uma careta diante do nome do livro. Sai da sala, fui até a varanda de onde eu podia ver o treinamento de Adriel e Christine. Observei os dois em volta de um circulo. Eles permaneciam sentados, um na frente do outro. Sentei-me na cadeira e abri o livro, passei o olho pela primeira pagina talvez Kimberlly já tivesse lido, e soubesse não pelo nome não deve ter nada que poça ajudar. Mesmo assim comecei a ler à primeira pagina. ‘Nunca julgue um livro pela capa’ uma vez Tyller me disse. Essa lembrança fez eu voltar a olhar na direção do treinamento, Adriel sorria para Christine, e ela retribuiu.
– Ótimo, você não perdeu todos seus poderes. Isso é maravilhoso. – ouvi Christine dizer a ele, senti uma ponta de ciúmes diante ao largo sorriso de Adriel, mais fingi não me incomodar, virei a pagina do livro sem olhar para ele. – o que mais você pode fazer? – ela perguntou. Ele tentou se concentrar, parecia olhar alem de Christine, o que ele estava tentando fazer? Continuei observando a cena, em volta deles, o circulo antes feito por Christine se transformou em um circulo de fogo. Não era um fogo alto, já que podia ser perigoso caso Adriel pudesse perder o controle, as chamas dançavam em volta deles. – Manipulação do fogo, consegue fazer que as chamas aumentem?  - ele assentiu.
- Sim, caso seja necessário, sei que poderei fazer. – No que o fogo poderia ser útil? Olhei para o livro, sem me concentrar completamente nele, algumas páginas e a seguir observei algo, como pentagramas e hexagramas, passei os olhos pela pagina alguns demônios podem ser presos em pentagramas, outros em hexagramas, estrelas de Davi como são mais conhecidas. No centro da pagina havia um desenho de uma estrela de Davi, e na outra um pentagrama. Marquei a pagina, talvez o livro com titulo idiota tivesse alguma serventia.
- A coisas que anjos sabem sobrem anjos caídos, como derrotá-los, temos umas armas contra eles. – estiquei meu corpo na cadeira, abrindo o livro na pagina marcado e tentei disfarçar, olhei para o livro desviando o olhar para eles em seguida, lendo algumas palavras, mais prestando atenção nas palavras de Adriel.  Christine não pareceu muito surpresa.
- Quais são? Onde podemos encontrá-las? – ela falava com calma mais identifiquei certo estimulo ao ouvir as palavras.
- Não podemos encontrá-las, e já não posso tê-las, não as trouxe do céu antes de cair. – Christine permaneceu impassível, mais era possível ver que se decepcionara. Armas capazes de destruir nosso inimigo, seria perfeito, tudo poderia acabar mais rápido, além de termos mais chances de vencê-lo.
- Não importa, vamos voltar ao nosso treinamento, podemos vencê-lo com o que já temos. – ele assentiu e então eles voltaram a se concentrar no treinamento.  Do modo como eles iam seguindo, com certeza podiam vencê-lo, Adriel aprendia rápido, a magia que Christine ensinava, dificilmente perguntava algo, e sempre a impressionava com um novo poder não perdido. Era como se à medida que ele se aprofundava, seus poderes se revelavam.
Ouvi passos atrás de mim, voltei com um sorriso para Silas, ele não retribuiu o sorriso. – Não sabe se lê ou se presta atenção do treinamento deles? – Sua expressão era mesma, seria, mais sua voz denotava medo, talvez cansaço. Mesmo assim, sorri. 
- Estou prestando mais atenção no treinamento. – Pensei que Silas ia se aproximar, mais me enganei. Ele fez um sinal com a cabeça para que eu o seguisse e começou a caminhar. Eu o segui curiosa. A muito Silas não falava comigo, não a sós pelo menos. Pensei em deixar o livro, mais decidi do contrario.  Segui-o escada a cima, já não poderíamos nos encontrar no seu antigo santuário, seu escritório. Agora ele abria a porta do quarto, entrando e parando na soleira da porta para me dar passagem, assim que entrei me acomodei em uma poltrona. Silas fechou a porta e sentou-se perto de mim.
- Há muito tempo não conversamos, não trocamos – ele fez uma pausa como se para encontrar a palavra certa – confidencias. – é há muito tempo mesmo, pensei desde que eu me envolvi com o Adriel, um leve sorriso se curvou em meus lábios.
- Você tem razão, com os últimos acontecimentos, está tudo muito tumultuado. – ele concordou com uma breve mesura. Estreitei os olhos – e agora tem algo que você quer-me contar, você parece aflito. – Silas permaneceu em silencio. Seu rosto se curvou num sorriso, torto. – Foi mais uma visão? – ele balançou a cabeça.
- Não, foi algo que descobri quando cheguei aqui, nesta mansão. Mais antes você precisa saber de toda a história – permaneci em silencio ouvindo as palavras de Silas.
- É sobre John e você? – ele assentiu.
- Sim, - ele fez uma pausa – éramos grandes amigos, como você bem deve saber, na época em que fui transformado, fiquei longe por algum tempo, claro que não fiquei tão distante, apenas longe o suficiente para poder me controlar – ouvi a versão da historia, uma historia que ele nunca me contara, que eu descobri por uma confidencia de outra pessoa.  – eu temi não poder me controlar, por isso me mantive afastado, mais John parecia ter se esquecido de mim, ele tinha outra pessoa, sua esposa Sarah. – Eu sabia toda  historia, mesmo assim prestei atenção em cada palavra, era estranho saber que ele não confiara em mim antes.  Ele matara a esposa de John, por ciúmes, por  achar que a amizade deles já não era a mesma, por inveja da atenção que Sarah tinha e ele não. Recostei-me na cadeira, eu poderia dizer a ele, que eu já sabia de toda a historia, poupá-lo de relatar os dias em que passou ao lado de John tendo que dividir sua atenção com Sarah, aquilo parecia que o feria, mais não. Eu quis ouvir todo relato, esperando pacientemente, até ele terminasse e me contasse o que ele havia descoberto. O que poderia ser? – ao chegar aqui, nessa mansão, em meio a uma tentativa de conversar com John eu o toquei, e descobri que Sarah esta viva. – ergui a sobrancelha, inclinando-me para frente.
- o que? – achei absurdo o que ele acabara de me contar, mesmo assim esperei uma resposta.
- Quero dizer, a alma dela atravessou os séculos, e agora vive, em outro corpo. Aqui em Gander, tão perto de John.
- E é claro que você não contou para John o que você descobriu. – ele negou com a cabeça.
- Não posso, eu estou tento uma segunda chance de ter a amizade dele de volta, e não posso acreditar que ela, vai destruir essa chance, ela não pode. – Sua voz terminou como num sussurro. 
- Quem é ela? – esperei por uma resposta, mais ele apenas se levantou, foi até a janela. – Você sabe o que vai acontecer. Não sabe? Você vai perdê-lo antes mesmo de reavê-lo – ele assentiu.
- Por isso devo te contar. – ele voltou-se para mim – ela luta contra nos, está na mansão junto com Haboryn e os outros – estremeci.
- A pequena Mellody  - eu movi os lábios, sem perceber que havia saído som, olhei pra Silas – ele assentiu.
- Mellody – ele repetiu. Senti um forte impulso de sair pela porta e correr até John, contar que ele poderia ter uma segunda chance com Sarah, ele precisava saber, mais eu me refreie. Eu não podia simplesmente sair pela porta que nem uma maluca inconseqüente, pensei por um momento, John jamais seria capaz de ir contra quem ele acreditaria ser Sarah, não lutaria contra ela, não nos deixaria lutar contra ela. Mesmo assim eu sabia que essa poderia ser a melhor coisa que eu podia fazer.  – Agora você sabe, mesmo assim, não me sinto melhor.
- Deve ser por que você contou para a pessoa errada – eu disse seguindo para porta
- Natasha – parei com a mão na maçaneta – O que vai fazer? – Não respondi apenas ergui o livro sobre a cabeça e o balancei de leve, abri a porta e sai do quarto. Desci as escadas, voltei a varanda onde eu lia a pouco, olhei pro jardim, eles ainda estavam bem concentrados, eles ficariam ocupados por um bom tempo.
Deixei o livro sobre a cadeira e sai da mansão, eu usaria a luz do dia como vantagem, mesmo sabendo que eu deveria temer, podia simplesmente caminhar na luz do sol, sem qualquer dano. Definitivamente eu não estava certa do que eu ia fazer, mesmo assim corri em direção do meu antigo lar, onde agora residiam meus inimigos. Eu sabia dos riscos eu podia ser detectada por eles, com essa consciência revolvi arriscar. Nos fundos da mansão havia uma arvore que o ultrapassava o muro. Subi na arvore e espiei o jardim, não havia ninguém por ali. O lugar parecia deserto, um vulto me convenceu do contrario, a porta dos fundos se abriu, incerta, tentei ao Maximo me camuflar por entre as folhas espessas. Por sorte era Mellody quem abriu a porta e vinha na em minha direção, sua expressão era sombria. Talvez não fosse tanta sorte assim, sussurrei.
- O que faz ai Meg? – Ela perguntou assim que parou na sombra da arvore, era estranho ouvir meu antigo nome, mais ela sempre me chamara assim, ela sorria – Vamos Meg, desça daí – fiquei imóvel, ela era apenas uma criança, mais poderosa. Olhei em direção a casa, Mellody se sentava na relva baixa, na sombra da arvore – Vamos Meg, como poderemos conversar com você aí em cima? – Ela não olhou em minha direção, estava com os olhos fixos na barra de seu vestido, voltei a espiar para os fundos da mansão e pulei, um salto perfeito, cai em pé na frente dela, ela não me olhou continuou a alisar a barra de seu vestido. Sentei-me em sua frente, em alerta.  Ela me olhou com um leve sorriso nos lábios e inclinou de leve a cabeça pro lado, esperando que eu dissesse algo.
- Você já sabe o motivo de minha visita? – ela negou com a cabeça
- Não com certeza, apenas sei que você quer muito falar comigo.
- A uma historia que você precisa saber, para então você compreender – seus belos olhos brilharam, e parecia ter dobrado de tamanho.  Eu ainda permanecia em alerta, mesmo sentindo que Mellody estava totalmente relaxada, parecia bem à vontade. – Há algumas décadas atrás houve o que se parecia uma amizade forte o suficiente para ultrapassar os séculos, entre dois homens, certa vez um desses homens foi dado como desaparecido Silas – Mellody ergueu as sobrancelhas, mais nada disse – seu amigo John, o procurou durantes muito tempo, mais Silas acabou dado como morto. John sofreu com a ausência do amigo, mais ele tinha plena consciência de que a vida tinha que continuar. Então em um belo dia ele conheceu Sarah, a mulher por quem John se apaixonou e se casou.  – fiz uma pausa – então certo dia Silas voltou, diferente, ele havia sido transformado, se tornara um vampiro. John o recebeu de braços abertos, mais Silas não aceitava a idéia de ter que dividir a atenção de seu melhor amigo com Sarah, então ele decidiu por um fim na vida dela.  John acabou sendo transformado também por Silas, o que Silas não esperava era que John descobrisse e desse fim a amizade dos dois – Mellody franziu o seno, antes que eu pudesse continuar ela me interrompeu.
- Espera, - ela mordeu o lábio inferior – Por que você está me contando essa historia? – agora ela parecia apenas mais uma criança, uma criança normal, sem qualquer ambição ou poder, apenas uma linda criança ouvindo uma historia.
- Por que Mellody, porque agora você faz parte dessa historia.
- O que?
- Hoje em dia John ainda não perdoa Silas, mais ... John está tento uma segunda chance ..
- Mais qual é minha participação nisso tudo?
- O amor de John e Sarah ultrapassou os anos, e você Mellody é a .. – tentei procurar a palavra certa – reencarnação de Sarah. – ela nada disse, permanecia estática. – Você tem a alma da mulher que John nunca deixou de amar. – um silêncio caiu sobre nos nós
- Como foi que você descobriu isso? – ela perguntou quebrando o pesado silêncio.
- Silas me contou, ele descobriu por meio de uma visão – ela estreitou os olhos
- E você tinha permissão para me contar? – eu neguei.
- Mais fique atenta Mellody, pode ser que ele vá tentar se livrar de você, como já fez uma vez.
- Somos inimigas, por que está me alertando? – enrijeci, por um momento abaixei a guarda, mais a verdade era que a pequena sentada a minha frente não merecia morrer, ela é apenas uma criança brincando de super poderes. Dei de ombros.
-Não sei – eu disse levantando-me – O que achei ser certo a fazer, já foi feito, - tomei impulso e saltei logo eu corria de volta a mansão de Christine. Fui direto ao meu quarto já era quase noite e Adriel continuava com seu treinamento.  Assim que a escuridão se formou por completo, desci as escadas com a intenção de pegar o livro que eu havia deixado na varanda. Não vi Adriel no jardim, nem Christine. Talvez estivesse no hall, peguei o livro senti um sopro fio em minha nuca, arrepiei virei meu corpo ao sentir mãos em envolta de minha cintura.
- Não ouvi você chegar – murmurei, ele beijou minha testa, depois depositou outro beijo entre meus olhos passando a distribuir beijos por todo meu rosto
- É uma arte que costumava usar – sua voz se tornou roca a medita que ele falava, sem parar de espalhar beijos quentes por todo meu rosto e pescoço. Me  senti quente, era estranho a facilidade que Adriel tinha para me deixar febril. Enlacei-o pelo pescoço com um dos meus braços aproximando-o, dando-lhe acesso pleno aos seus beijos que se tornavam mais ousado. Ouvi seu coração bater, seu sangue bombear cada vez mais depressa, despertando em mim sensações perigosas e difíceis de ignorar, procurei por seus lábios, faminta, saboreei a boca sensual e quente, o beijo se tornou cada vez mais ousado, suas mãos tornaram-se audaciosas. De repente ele parou. Frustrada perguntei.
- Por que parou? – beijei o canto de sua boca, descendo os beijos até seu pescoço, sentindo ali seu sangue pulsar.
- Por que devemos sair daqui – ele sussurrou – estamos na varanda – ele riu, por um momento eu havia me esquecido desse pequeno detalhe, não que eu me importasse de usar a varanda. Um sorriso malicioso se formou nos meus lábios. Adriel tinha senso do pudor, Mordi o lábio inferior, brincando com os cabelos em desalinho.
- E que tal irmos a outro lugar? Onde possamos fazer muito barulho – vi os olhos de Adriel se arregalarem e ele ficou tenso – Peguei muito pesado?
- Não – ele sorriu depois de respirar fundo – tudo bem, vamos então – ele me puxou pela mão, como um adolescente.
- Espere, vai saindo tenho que levar isso pra Kimberlly – balancei o livro na frente do corpo – me da cinco segundos? – ele sorriu – Te espero lá fora. Rindo usei minha velocidade sobre humana para ir até o quarto de Kimberly, felizmente ela não estava lá. Desci as escadas na mesma velocidade, logo eu estava ao lado de Adriel, dentro do meu carro, dirigindo pra algum lugar.
                                           ***
Abri a porta entrei e deixei a porta aberta, Adriel entrou e a trancou. Joguei meu casaco sobre a mesa de refeições num canto do quarto, Adriel me imitou. Caminhei até ele, e o envolvi com meus braços, beijando-o com uma paixão contida. Ele me ergueu e eu passei a envolver sua cintura com as pernas, ele caminhou até a cama, onde me jogou, com um sorriso malicioso ele tirou a camisa, expondo o corpo másculo, mordi o lábio inferior, jogando a camisa no chão ele veio até mim, ficando parcialmente em cima de mim, ele me beijou, sem pressa depois passou a depositar beijos por meu corpo, detendo-se em meu pescoço, para logo em seguida me erguer junto ao seu corpo e tirar minhas roupas, deixei que ele explorasse meu corpo, entregando-me sem reserva, me contorci sob o toque, me senti lasciva, pronta para recebê-lo, mais ele parecia querer continuar com a exploração.  Arfei quando seus lábios envolveram um dos meus seios e suas mãos afastavam minhas pernas e exploravam o interior do meu corpo. Não me lembrava de Tyller ter feito algo parecido comigo, isso ia alem de minhas fantasias com Adriel, pensei que teria de ensinar como satisfazer meu corpo, mais para um anjo se tornando deliciosamente bom nisso.
Não consegui permanecer em total silencio, minhas mãos exploravam o corpo sobre o meu enquanto eu me contorcia, sob seu toque. Eu queria me proporcionar tanto prazer quanto eu sentia. Envolvi meus dedos no membro rijo. Ouvi o arfar. Continuei com os movimentos até senti-lo tirar minha mão e se encaixar entre minhas pernas. Em movimentos firmes e ritmados atingimos o clímax juntos. Adriel descansou a cabeça entre meus seios. Permanecemos em silencio, apenas o som da respiração arfante de Adriel cortava o silencio. Eu deixaria Adriel descansar um pouco, ainda teríamos a noite toda pela frente. Mais em vez de deixá-lo descansar comecei a acariciar-lhe as faces com os lábios, e alcancei-lhe o canto da boca. 
Sua respiração se acelerou quando beijei seus lábios, saboreando a boca sensual e quente, explorando-o e provocando-o com a língua. Senti a mão firme em meu seio, e gemi baixinho quando ele acariciou um mamilo com o polegar e o indicador.  O restante da noite pareceu passar rápido de mais, antes da chegada da manhã decidimos voltar para mansão.
Os dias que se seguiram se resumiram em treinamentos durante o dia e muito ardor da parte de Adriel durante a noite. Eu ainda não havia conversado com John, esperava o momento mais oportuno. Conversei com Kimberly sobre o livro e também com Adriel, que me disse que o conteúdo do livro poderia ter muita serventia se usado corretamente. Voltei a me encontrar com Mellody, não era a coisa mais sensata que fazíamos mais quem sabe ela mudasse de lado.   E com o tempo percebi a ausência de Derick, nos dois dias atrás pensei que ele pudesse ter saído para encontrar alguém para se divertir, mais depois a ausência prolongada dele me fez pensar que talvez ele tenha ido embora, não podia culpá-lo aquela guerra nada tinha a ver com ele. Esperei mais dois dias, ele não apareceu, não chegou a se despedir, fiquei tensa, ele não teria ido sem ao menos dizer a adeus, ou teria? Sentada vendo novamente o treinamento de Adriel com Christine, revolvi que eu precisava saber ao certo o que acontecera com Derick. Levantei-me e sai em busca de algum rastro.
Já havia se passado quatros dias desde o dia que ele sairá sozinho. Encontrei um rastro frio nos fundos da mansão o segui. O rastro me levou até o Sparks mais o lugar estava fechado, e o rastro frio. Pensei onde ele poderia ter ido. Era dia ele estaria escondido em algum, lugar mais onde. Segui o rastro frio até uma velha construção, ao norte do Sparks, bem protegido dos raios do sol, o que antes poderia ser uma área de lazer coberta; vi Dancã, ele sorria de modo sedutor encostado no batente da porta. 
- Procurando por alguém? – sua voz era baixa e pausada, me aproximei, pensei ter visto uma nesga de provocação em seu olhar e no sorriso sínico. Ele me olhou dos pés a cabeça, fiquei tensa a alerta, esperando por um ataque, que não aconteceu. – Então conseguiu encontrar seu precioso amante? – seu sorriso se alargou. Um alarme tocou em minha cabeça
- Onde ele está? – mostrei os dentes, de punhos cerrados.
- Relaxa Nat – ele endireitou o corpo, e ergueu as palmas da mão em frente ao corpo. – ele ainda esta vivo, Melissa acha que ele pode ser útil, mais quer saber, eu adoraria matá-lo.  – ignorei a provocação.
- Ainda recebendo ordens daquela vadia? – o atingi em cheio, ele mostrou os dentes, inclinando o corpo pra frente, mais logo ele relaxou – Então, - fiz uma pausa – você não respondeu nem uma das minhas perguntas. 
  - Ele está bem preso, e muito, muito machucado, - ele sorriu de modo perverso – sabe o que um demônio pode fazer quando decide se divertir com um de nos? – estremeci – os gritos do seu namorado são  . . .- ele fechou os olhos por um momento, balançando a cabeça lentamente, como para encontrar a palavra certa - Excitantes.  – eu sentia uma forte necessidade de destruir Dancã, avancei sobre ele, acabei atingindo o nada, ele se esquivou, desaparecendo para o interior do prédio, o segui, mais ele já não estava em canto nem um, ele havia evaporado, estremeci; Derick já não era mais meu amante mesmo assim eu queria meu melhor amigo de volta.  Soquei uma parede que caiu levando outras duas com ela, saí do prédio, os outros precisavam saber do golpe sujo.
- Mais um motivo para atacarmos antes que eles nos ataquem. _ Christine disse com sua voz melodiosa, assim que terminei meu relato. Franzi o seno – A lua minguante se aproxima – continuei com o seno franzido – época em que meus poderes perdem força, fico mais fraca. 
- Sim. Preciso de dois dias. –Disse Adriel – E meus poderes estarão plenos.



Cap. 39

Os dois dias seguintes foram de treino árduo por parte de Adriel e Christine, ela quis terminar toda a preparação para poder atacar de surpresa e longe da lua minguante para não atrapalhar no sucesso da batalha.
Eu havia finalmente terminado de ler o tedioso livro, mas enfim encontrei grandes chances de poder vencer Haboryn. Numa das técnicas ensinava a expulsar o demônio e prende-lo num circulo mágico e destruí-lo para sempre, e ainda há uma chance de trazer Alan de volta ao nosso mundo.
Abri as cortinas do quarto onde eu estava e reparei no lindo dia que se fazia, um sol brilhante ofuscava minha visão. Desci para saber noticias, se Adriel estava finalmente pronto e qual plano Christine havia premeditado.
A mansão estava quieta, John era o único ali na sala e pareceu ficar feliz por eu estar ali com ele.
- Bom dia John. Está um dia lindo! – Expressei minha felicidade.
Ele retribui com um largo sorriso.
- Tive um sonho maravilhoso Natasha.
- Me conte. – O incentivei.
Acomodou-se na poltrona.
- Tive um sonho com tanta vivacidade. Estava eu com Sarah, ela parecia aqui comigo, sentia seu calor, e foi uma mescla de tanta paixão, de tanto amor, cheguei a transbordar toda essa alegria e acordei com a sensação de que posso tocá-la.
E não estaria mais correto, é um pecado não avisar a John, mas eu sei que isso cabe a Silas contar-lhe.
- Não se preocupe. – Disse Silas entrando pelos fundos. – Há algo que sentir ao tocar-lhe John.
John estreitou o olhar, quis ignorá-lo, mas sentiu que precisava da informação.
- Sarah vive. – John arregalou os olhos. – Vive em Mellody, você tinha um apreço por Sarah, por que ela compartilhava de sua amada.
Sua única pergunta foi. – Você tem certeza Silas?
- Absoluta. – John soltou um sorriso vibrante e como que a partir dali havia perdoado Silas.
- Disfrute de sua amada que está do outro lado querendo destruir a todos nós, e isso inclui até você. – Silas falava enquanto se retirava.
Eu o observei apreensivo.
- Busque-a John, traga-la para o nosso lado, com ela com certeza podemos vencer essa batalha. – Eu disse.
- Acha mesmo que eu devo fazer isso Natasha? – ele falou apreensivo soltando um sorriso preocupado. – Essa guerra envolve quase todos; você reparou?
Eu sentei ao seu lado.
- O que quer dizer? – Perguntei ainda sem entender aonde ele queria chegar.
Ele respirou profundamente, balançou a cabeça tentando controlar algum impulso reprimido.
- Como Christine havia dito, os protagonistas dessa batalha é ela e Haboryn. E como coadjuvantes estão você, Adriel e Willian.
O olhei diluindo as informações.
- Quer se excluir da batalha John? – Perguntei irritada e aflita.
E ofegou.
- Não é isso Natasha, jamais abandonaria Christine, no momento em que ela mais precisa de mim.
- Então o que é? – Perguntei desconfiada.
- Eu, Silas e Sarah não têm nada haver com tudo isso. E mesmo assim ela se envolveu.
- Foi uma escolha dela John, e você nada pode fazer em relação a isso.
Ele me olhou e deu um largo sorriso.
- Natasha. Eu vou procurar Melody. Assim como você descobriu seu amor imortal, quem sabe ela não se lembrará de nosso amor, que era tão intenso e então volte para o bem, volte para mim.
Eu segurei suas mãos e retribui o sorriso.
- É uma chance, mas você tem que ir preparado para qualquer resposta. E precisa tomar cuidado, ela esta junto com o diabo, e um toque John, fará com que você morra.
- Se for por amor Natasha, morrerei quantas vezes forem necessários.
John saiu em busca de Mellody.
Fui para a varanda a observar Adriel, ele disse que precisaria de dois dias, e seu prazo já havia esgotado.
Quando o vi, estava esplendido, suas asas beges estavam brilhantes e em sua totalidade, seu corpo viril emanava poder, não era branco como outrora, porque havia experimentado o sentimento dos caídos, mas ainda assim via-se a glória. Christine toda orgulhosa de haver treinado um anjo e vê-lo potente. Ela também parecia revigorada e pronta para o combate, que deveria ser esta noite, ultimo dia de lua cheia e entraria a fase que enfraqueceria os poderes da bruxa.
- Olá Natasha. – Disse Adriel todo contente.
Num salto cheguei perto deles, a energia do anjo era tão intensa que me causava mareio, eu pude sentir que estavam prontos.
- Parece que está tudo perfeito hoje.
- O que quer dizer? – Perguntou Christine com seu tom sereno.
- John e Silas finalmente fizeram as pazes. John descobre que Sarah vive em Mellody e foi atrás dela. Pode ser que ela venha a ser do nosso lado em nome do amor. Você e Adriel parecem estar na máxima energia. Eu aprendi os rituais. Falta só Kimberly e Julio.
Christine ficou um pouco preocupada.
- Algum problema? – Eu perguntei.
- John pode não voltar Natasha.
- O quer dizer? – Perguntou Adriel.
- Haboryn pode ter feito uma armadilha, porque sabia que John buscaria sua amada, e então na emboscada destruiria o vampiro mais poderoso que temos.
Achei pretensiosa quanto à afirmação. Mas ela tinha razão, se John não se cuidar, poderá não voltar.
- Mas John é vivido, sabe como agir. Não acredito que morreria assim.
- Haboryn é multifacetário minha querida. – Disse Adriel. – Nunca sabemos como estará pensando. – Mas lhes prometo que não permitirei mais que esse demônio cause algum mal. De qualquer jeito, isso acaba hoje.
Ao voltarmos para sala encontramos com Kimberly e Julio.
- Eu já estou pronta. – Disse Kimberly. – Meus poderes mágicos vampíricos estão desenvolvidos, posso atrasar alguns demônios, ainda que não saiba como destruir Haboryn com eles.
Julio então manifestou.
- Eu não poderei tocá-los, mas minhas habilidades não são só com luta corporal, utilizarei uma espada consagrada por Christine que terá algum valor contra esses malditos demônios.
- Tivemos nosso tempo. – Disse Christine. – Podemos ter evoluído e estarmos prontos para os antigos inimigos. – Ela arfou. – Mas não sabemos se eles também não evoluíram na mesma fração de tempo.
Entrei com Adriel ao quarto. Precisava matar as saudades. O beijei de leve, toquei minhas mãos geladas, senti seu sangue pulsar, seu calor adocicado. Que expressão, mas pudera eu encontrar outra que não fosse tão canibal. Não podia negar o meu desejo quase que incontrolável de matá-lo, o que me impedia, todavia, era o amor que sentíamos um pelo outro. Às vezes pensava se seria passageiro, se realmente encontraríamos uma maneira de passar por cima desses desejos. Será que nunca teríamos paz? Sempre em tormentos quando se trata de estar juntos? Ou seria mais uma peça do destino tentando mostrar-nos que não seria assim? Mas como o amo, como o desejo, o amor existe, ele vibra, é pulsátil, não tem como estar em um estado de ilusão. E pelas teorias, o amor tudo supera, tudo sofre, e seria essa só mais uma provação de nosso amor assim como nossa alma, imortal. Mais uma ilusão, não havia mais duas almas imortais, ao sucumbir-me ao vampirismo abandonei o que tenho de mais precioso, o que tanto busca Haboryn, uma alma. Até Willian possuía essa alma ainda que não um corpo como agora. Este era o mistério da vida, proteger sua alma. Diversos mestres haviam pregado na consciência de fiéis de diversas religiões, ensinaram que o papel principal era a alma outrora imortal. Eu já não a possuía mais, uma vez destruída seria o fim para mim. Minha alma se solidificara, já não era pulsátil como as veias de Adriel, já não eram amorfas como as almas da humanidade, no sentido de que podem ser transformadas, a minha alma tem só um aspecto e morrerá quando meu corpo morrer. No final não tive uma imortalidade, neste ponto de vista, tenho só uma opção, a do viver, mas um viver gélido, sanguinário, caçador, desprovida de um livre arbítrio. Necessito destruir para sobreviver, e agora, neste momento tenho desejos de destruir a pessoa que representa o único amor que eu tive; a única forma recíproca de amor que vivenciei em vida e morte, e já não tenho certeza se mereço essa admiração, se ele merece esse sofrimento, essa insegurança. Flashes em minha cabeça de eu despertando com Adriel ensanguentado ao meu lado, e seu gosto quente de sangue em minha boca. Seu coração em minhas mãos.
A convivência me faria acostumar e seriam esses pensamentos nada mais que outro ataque de insegurança? Ou a convivência me faria mais intolerante a seu cheiro e realmente sucumbiria a esses ataques que culminariam com sua morte e consequentemente minha solidão?
Adriel merece mais do que isso, ele merece uma vida feliz, plena, talvez seja essa a chance dele ser pai, de construir uma família que não pode ser feita comigo antes e tão pouco pode ser feita agora. Afastar de mim o faria mesmo triste? Ou seria essa sua liberdade? O amor realmente nos faz racionar sobre o que significa o melhor para seu amado.  A Natasha egoísta abriu espaço em nome do amor, e talvez afaste e sofra para o bem de quem o tempo todo mereceu.
Quando voltei dos meus pensamentos, percebi que Adriel seguia me beijando, enquanto suas mãos exploravam meu corpo.
- Como pode ser tão bela? – Ele me fitava com seus olhos prateados intensos.
Eu o beijei com toda a intensidade, porque não sabia se seriam nossos últimos toques, daqui a algumas horas aconteceria à batalha que decidira vários futuros. Mas a apreensão não me fez retrair. E então fizemos amor, este não era sexo, porque teve troca de carinhos, e eu não tive pensamentos lascivos, o queria por completo, queria toda sua emoção fusionada ao meu ser, e isso tornou o momento especial.
Saímos e fomos à sala, estavam todos os presentes quando John chegou com lagrimas nos olhos.
- John – Disse Christine com a voz melancólica.
- Eu a senti. – É Sarah. – Ele respirou. – Quando nos tocamos, tudo aconteceu, ela se lembrou de todo passado, de nossos planos. Queríamos um bebe.
Todos olhavam perplexo, John sempre foi forte, era uma atitude única e ninguém sabia como reagir.
Ele mesmo enxugou suas próprias lagrimas e continuou.
- A tentei convencer a estar com agente. – Seu olhar vagava. – Mas ela é tão jovem, ainda não experimentou ainda que se lembrasse do amor de um homem para com uma mulher.
- Ela compreenderá. – Disse Silas com olhos fixos em nada.
John não fez caso de seu amigo.
- Por um momento pensei tê-la alcançado, mas Melissa nos encontrou, ficou surpresa com minha presença e antes que eu pudesse mata-la, ela fugiu. Sarah ordenou que eu fosse embora, ela sabia que Haboryn logo chegaria e então seria meu fim. Fui obrigado a correr e a deixei sem saber o que poderia passar.
- Não se preocupe John. – Disse Christine calmamente. – Haboryn jamais a destruiria, ele precisa dela.

- Não há nada mais a ser feito. Precisamos acabar com tudo isso. – Adriel disse firmemente. – Invadiremos a mansão.

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