Descemos
as escadas, Derick estava ao meu lado, bem próximo, tão próximo que eu desejava
internamente que ele se afastasse para que Adriel visse que nada havia
acontecido que somos só amigos. Adriel parecia nem notar que eu havia saído,
seus olhos expressavam distancia, sentado ao lado de Christine que tomava um
chá inglês. John estava num canto e Silas em outro. Kimberly e Julio não estava em casa. Sentei ao lado de
Christine junto a Derick.
-
Natasha. Aceita um chá? – Ofereceu Christine.
-
Porque está fingindo que nada está acontecendo? – Retruquei um pouco nervosa.
Todos
me olharam. Mas parecia realmente que ninguém estava preocupado, alias, nem
mesmo eu estava. A única coisa que me importa aqui é Adriel, como ele esta
agora e quando voltaremos a conversar. Quando eu finalmente poderei me
declarar, quando ele lembrará que nos amamos e que tudo pode dar certo agora.
Eu revivi tudo o que aconteceu, e agora tudo voltou como antigamente, me sinto tão
humana novamente, longe dos desejos vampíricos.
-
Ninguém está fingindo nada Natasha. Realmente ainda não achamos uma solução
digna para reverter tudo o que está acontecendo. Para se ter uma idéia, para
mim parece muito um evento inédito.
-
Acho que pra todos nós. – Disse John. Trazendo olhares unânimes para ele. Sua
voz suave e grossa nos congelou. – Tenho muitos séculos de vida, e essa é a
primeira vez que vejo um demônio tão forte encarnado num ser humano.
Olhei
para Christine e depois para Silas. Olhei para Adriel, mas ele parecia nem
estar em nossa dimensão.
-
Mas vocês não têm nenhuma idéia? – Perguntei aflita.
-
Kimberly parece ter encontrado algo no seu livro, e foi junto a Julio buscar.
Quem sabe não nos dão pistas. – Disse Christine.
-
Mas e sua magia, nada pode fazer contra ele? – Olhei para ela apreensiva –
Afinal, você deve saber alguma coisa, como foi que no passado ele desistiu.
-
Talvez haja. Mas contra pequenos seres, não alguém tão forte quanto Haboryn.
Natasha, eu quase perdi minha juventude e minha eternidade no dia em que o
enfrentei. Você viu, estava lá.
-
No final, é só isso que importa pra você não é mesmo. Sua juventude e vida
eterna.
-
Por favor Natasha. Não estamos discutindo isso aqui.
-
Será que tudo isso não é só mais um jogo seu. Todo o passado já foi revelado. –
Adriel finalmente me fitou – Você pode muito bem estar nos traindo novamente.
Christine
levantou não dando importância a minha colocação.
-
Eu preciso dar uma volta. – Disse Derick
-
Eu vou com você. – Levantei e ele me interrompeu.
-
Não Natasha. Quero ir sozinho. – O olhei incrédulo e me sentei novamente
perplexa.
No
hall só restou eu, Adriel que ainda me fitava, John e Silas. Ficamos ali por
algum tempo. Havia livros em cima da mesa de centro, John e Silas estavam lendo.
Acho que falava como batalhar contra esses seres. Apesar de que para os dois e,
também para nós, muita coisa não poderia ser feita, um toque e certamente
seriamos destruídos. Talvez toda esperança esteja em Adriel, afinal, ele é um
anjo.
-
Adriel. Está tudo bem? – Eu finalmente falei.
Ele
me fitou, ficou por mais alguns segundos e sua boca então abriu.
-
Como poderia estar agora que pra mim tudo desabou. E ainda por cima saber que
você estava envolvida com tudo o que me aconteceu de ruim.
-
Venha comigo. Acho que realmente temos muito que conversar para esclarecer as
coisas que aconteceram.
Eu
levantei e dei uns passos até virar e fita-lo. Ele então levantou e veio atrás
de mim. O levei até o quarto que a pouco eu estava conversando com Derick.
Entrei e fiquei na porta ate ele entrar. Quando enfim passou por mim, eu senti
como se meu coração voltasse a bater, e seu cheiro quase me fez desmaiar em
êxtase.
Eu
sentei na cama, Adriel nem se aproximou, sentou numa poltrona ao lado. Fiz
algumas tentativas para começar, mas foram falhas.
-
Pode deixar que eu mesmo começo. – Ele enfim disse, tirando um peso de agonia
dentro de mim. – Por quê?
Inspirei
profundamente, eu sei que precisava procurar as palavras certas, ou só
simplesmente falar. Mas aquele momento me instigava a fita-lo, como se eu nunca
mais fosse o ver. Eu estava ali, frente a frente com o ser que eu amei em toda
minha vida e morte. Era estranho e ao mesmo tempo empolgante. Eu não queria
conversar nada, só fita-lo. Eu só preciso disso.
-
Não procure as palavras. Só quero que seja sincero comigo. Não estou bravo
contigo, apenas decepcionado.
O
fitei.
-
Tudo bem. Adriel, tudo começou com Annie, Silas havia visto que uma guerra como
a de agora começaria graças a ela. Então fui incumbida para dar um fim nela.
Mas descobri que ela estava sendo protegida por um anjo e que havia um demônio
também atrás dela.
-
Sim. Eu e Haboryn. Mas até então você não nos conhecia?
-
Não. No dia em que conheci Annie, eu conheci você, me fez desmaiar, quando eu
aguardava Annie para matá-la. Mas o tempo me fez ver que eu não poderia
matá-la, até porque você a protegia. – Eu tive que mentir. Adriel jamais
olharia para mim se descobri que eu a matei.
-
Mas Natasha! – Lagrimas desceram dos olhos dele.
-
Entenda. Eu era fria, e tudo que me importava era servir Silas. Você é um anjo,
jamais entenderia isso.
-
Tem razão. – Ele me fitou com os olhos prateados brilhando – Eu não sei por que
perco meu tempo tentando entender como fui gostar de você.
-
Gostar de mim? – Me senti viva novamente e todas as emoções adolescentes
estavam aflorando.
Ele
se aproximou e eu tive a mesma sensação que eu tinha no lago Gander, parecia
que ele se aproximasse mais eu desmaiaria, se me tocasse eu seria destruída.
-
Natasha. Desde o primeiro dia em que ti vi, quando a sua mentira parecia real,
quando eu, ingênuo acreditei que você era uma humana, e que uma ligação forte
entre nós nos fez enxergar um ao outro.
-
Adriel. Nunca imaginei que sentisse tudo isso por mim. Você é um anjo, pensei
que não compreendia esse sentimento.
-
Como pensaste assim, se o que mais aprendi no alto é amar. Quando desci, eu
tinha certeza que passaria por muitas tribulações, eu nunca acreditei que seria
fácil, mas eu não imaginei que me perderia nos desígnios da paixão.
-
Você sempre foi interessante a mim, no começo invejei Annie por ter você e seu
coração. E quando comecei a conversar, eu viciei em você, por vezes fui
convidada a traí-lo, mas o que eu sentia por você, ainda que eu não entendesse,
era mais forte.
-
Eu alimentei tantas coisas, ainda que tentando deixar morrer, você me deu
muitas forças, me incentivou ainda que inconsciente a sempre continuar. Mas
quando soube que você era uma criatura das trevas, uma vampira, que você
mentirá pra mim. Foi uma desilusão terrível. Foi pior do que a morte de Annie.
-
Perdão. Mas como um anjo você tem que tentar me entender. Adriel, eu não tive
escolha, como dizer a você, eu poderia perder-te, você poderia ate me destruir.
-
Como poderia destruir uma criatura tão bela quanto um anjo. Eu pensei por
algumas vezes, então compreendi que você talvez não tivesse culpa, que tudo foi
apenas uma fatalidade.
-
Nem sempre foi assim. Existe tanta coisa Adriel, coisas que você precisa
lembrar e compreender. Nada aconteceu por acaso. Tudo é conseqüência de nossos
passados.
Adriel
me tocou e eu ofeguei, sua pele quente e macia quase me deixou em frenesi.
-
Então chega de mentiras. Mostre-me o passado. – Sua mão segurando firme meu
braço e seus olhos dilacerando minha alma.
O
fitei por um longo tempo, esperando que ele vê-se como eu vi em meu quarto
tudo.
-
O que você consegue lembrar-se de sua outra vida? – Perguntei aflita.
Ele
ofegou como que se decepciona.
-
Natasha. Quando passamos pelo processo que passei, perdemos a memória, só
levamos os sentimentos, a história fica toda enterrada.
-
Mas ela é a chave.
-
Pare de rodeios. Seja objetiva. – Ele alterou a voz.
-
Eu te amo! Amo Adriel. Sempre o amei.
Ele
me olhou, seus prateados brilhavam.
-
Consegue ver? – As imagens brotaram em minha mente e eu forçava para que Adriel
pudesse ver.
Seus
olhos flutuando, presumi que ele vê-se o quanto o amei e o amo. Seu braço forte
que outrora esmagava o meu agora liberara a tensão e deslizava rumo a minha
mão. Aproximei meu rosto, o seu calor fazia me controlar minha vontade de
mordê-lo.
Seus
lábios enfim tocaram o meu. Recebi uma mistura de desejo sexual e mortal.
Beijamos-nos, com todo desejo que poderíamos ter, e ora eu sentia Adriel, ora
eu sentia Tyller.
Segurei
sua camiseta e o trouxe para mais perto de mim ao mesmo tempo em que eu deitava
na cama. Ele arfou e se aproximou ficando totalmente em cima de mim. Passei a
mão em seus cabelos e ele fechava seus olhos prateados, o calor humano fez com
que meus dentes surgissem.
Ele
passava sua mão sutilmente. Eu queria acreditar que só isso bastasse. Mas eu
desejava mais, eu queria que ele tocasse fortemente, que não houve delicadeza,
que ele fosse como Derick.
Fiz
uma pequena força para fazê-lo parar. Ele se firmou nos braços e me olhou
incrédulo. Na verdade pude ver até suas bochechas coradas.
-
O que houve? – Ele me fitou.
-
Nada. Só que eu não estava preparada para isso. – Eu disse buscando uma
resposta.
-
O quer dizer? – Seu coração disparava e eu ouvia cada som.
-
Adriel. Eu sou uma vampira, como sabe, o seu corpo humano me trás desejos.
Ele
me olhou um instante não queria acreditar que aquilo realmente era real.
-
Eu entendo. – Ele finalmente falou.
-
Quer dizer então que estou perdoada? – Eu disse sorrindo.
-
Sim – Ele sorriu. – Não sei por quanto tempo mais eu conseguiria ficar sem
falar com você.
Adriel
veio me abraçar e eu recebi. Seu cheiro e calor humano faziam com que eu me
odiasse cada vez mais. O que vou fazer agora, se o anjo que eu amo é o ser que
mais me da vontade de matar.
-
O sentimento que tenho por ti, atravessou as vidas, eu posso sentir. Agora sei
que é com você que tenho que ficar. Vamos encontrar uma saída para nossos
desejos Natasha. – Ele dizia enquanto apertava minhas mãos e sorria.
-
Tenho certeza que sim. Eu sei que te amei, porque fui seu enquanto era viva, e
fui sua agora que estou morta. E nada mais vai me seduzir e me enganar. Serei
sua, completamente sua. – Nem que para isso eu tenha que aprender a gostar de
novas posições, ou ensiná-lo a deitar-se com uma mulher.
A
porta lá embaixo foi aberta. Eu e Adriel mais que rapidamente descemos. Estavam
todos na sala. Kimberly e Julio acabaram de voltar.
-
Vejo um semblante feliz em seus rostos. Têm boas noticias garotos? – Christine
se manifestou.
Kimberly
sorriu.
-
Não nos deixe aflitos. – Pestanejou Silas.
-
Eu descobri rituais e encantamentos que nos protegem contra os demônios
invocados por Haboryn, e também rituais de exorcismos que podem mandar o
demônio de volta para o inferno.
-
Que ótimo. O que precisamos fazer? – Christine perguntou.
-
Primeiro. – Disse Julio. – Precisamos de você Christine, por ser uma bruxa
poderosa, fará o ritual de exorcismo enquanto batalha contra Haboryn. Kimberly
cuidará dos demônios e você confeccionará os amuletos de proteção.
-
Entendi. – Christine disse. – Tem a lista dos materiais que precisa para a
confecção?
-
Mas e nós? O que faremos? – Eu disse me sentindo fora de todo plano.
Kimberly
me fitou entediada.
-
Natasha. Fora os demônios e Haboryn que são nossos principais problemas. Ainda
existem os vampiros que nos traíram e Will. Eles são todos de vocês.
Ainda
não havia gostado da idéia, mas tive que conforma. Assim como ainda não
concordo com Adriel, seus poderes angelicais podem muito bem nos salvar. Mas a
pergunta é, ainda existe poderes em Adriel? Se fosse ao passado, ele poderia
destruir os vampiros só tocando.
-
Adriel. E seus poderes, o que você ainda sabe fazer? – Perguntei muito curiosa.
Ele
me olhou surpreso.
-
Eu não sei, mas sinto que não perdi meus poderes, só estão enfraquecidos. Meus
poderes muitos se equiparam a de um bruxo, porque os poderes dos bruxos, a
maioria fora ensinada por anjos que caíram.
-
Então se treinar seus poderes, junto a Christine, poderá facilmente ajudar na
batalha.
-
Acho que sim. – Ele disse pensativo.
-
Em minha opinião quem pode vencer Haboryn é você! É uma batalha entre o céu e o
inferno.
-
Pode ser que sim Natasha. – Disse Christine. – Mas essa batalha já tem
protagonistas. É entre eu e Haboryn.
Cap. 38
As palavras de
Christine ecoavam em minha mente. “Mas
essa batalha já tem protagonistas. É entre eu e Haboryn.”
Ela tinha razão, mais isso não significava que éramos menos importantes.
Suspirei. Observei cada rosto ali na sala, mesmo tentando disfarçar, eu senti
uma certa tensão, Kimberlly parecia muito animada com suas descobertas. Um
ponto ao nosso favor, já que Haboryn, além de ter vampiros e seres do submundo
ao seu comando, poderia acabar com os de minha espécie com uma grande
facilidade, mais isso parecia não importar a nem um deles.
-
Melhor começarmos logo – ouvi Christine dizer. –Vamos Adriel, precisamos saber
exatamente o que você ainda pode fazer. -
ele acenou com a cabeça. E a seguiu rumo ao jardim.
-
Natasha – desviei minha atenção a Kimberly. – tome – ela me jogou um livro
grande e muito pesado. Olhei para ele,
sem prestar atenção. O que ela queria? Que eu lê-se isso? Como para responder
minha pergunta Kimberly disse – você pode ajudar em mais algumas pesquisas. –
ela sorriu. Saindo em seguida, seguida de Julio. Voltei a olhar o livro, o livro dos exorcismos, fiz uma careta
diante do nome do livro. Sai da sala, fui até a varanda de onde eu podia ver o
treinamento de Adriel e Christine. Observei os dois em volta de um circulo.
Eles permaneciam sentados, um na frente do outro. Sentei-me na cadeira e abri o
livro, passei o olho pela primeira pagina talvez Kimberlly já tivesse lido, e
soubesse não pelo nome não deve ter nada que poça ajudar. Mesmo assim comecei a
ler à primeira pagina. ‘Nunca julgue um livro pela capa’ uma vez Tyller me
disse. Essa lembrança fez eu voltar a olhar na direção do treinamento, Adriel
sorria para Christine, e ela retribuiu.
–
Ótimo, você não perdeu todos seus poderes. Isso é maravilhoso. – ouvi Christine
dizer a ele, senti uma ponta de ciúmes diante ao largo sorriso de Adriel, mais
fingi não me incomodar, virei a pagina do livro sem olhar para ele. – o que
mais você pode fazer? – ela perguntou. Ele tentou se concentrar, parecia olhar
alem de Christine, o que ele estava tentando fazer? Continuei observando a
cena, em volta deles, o circulo antes feito por Christine se transformou em um
circulo de fogo. Não era um fogo alto, já que podia ser perigoso caso Adriel
pudesse perder o controle, as chamas dançavam em volta deles. – Manipulação do
fogo, consegue fazer que as chamas aumentem?
- ele assentiu.
-
Sim, caso seja necessário, sei que poderei fazer. – No que o fogo poderia ser
útil? Olhei para o livro, sem me concentrar completamente nele, algumas páginas
e a seguir observei algo, como pentagramas
e hexagramas, passei os olhos pela
pagina alguns demônios podem ser presos
em pentagramas, outros em hexagramas, estrelas de Davi como são mais
conhecidas. No centro da pagina havia um desenho de uma estrela de Davi, e
na outra um pentagrama. Marquei a pagina, talvez o livro com titulo idiota
tivesse alguma serventia.
-
A coisas que anjos sabem sobrem anjos caídos, como derrotá-los, temos umas
armas contra eles. – estiquei meu corpo na cadeira, abrindo o livro na pagina
marcado e tentei disfarçar, olhei para o livro desviando o olhar para eles em seguida,
lendo algumas palavras, mais prestando atenção nas palavras de Adriel. Christine não pareceu muito surpresa.
-
Quais são? Onde podemos encontrá-las? – ela falava com calma mais identifiquei
certo estimulo ao ouvir as palavras.
-
Não podemos encontrá-las, e já não posso tê-las, não as trouxe do céu antes de
cair. – Christine permaneceu impassível, mais era possível ver que se
decepcionara. Armas capazes de destruir nosso inimigo, seria perfeito, tudo
poderia acabar mais rápido, além de termos mais chances de vencê-lo.
-
Não importa, vamos voltar ao nosso treinamento, podemos vencê-lo com o que já
temos. – ele assentiu e então eles voltaram a se concentrar no
treinamento. Do modo como eles iam
seguindo, com certeza podiam vencê-lo, Adriel aprendia rápido, a magia que
Christine ensinava, dificilmente perguntava algo, e sempre a impressionava com
um novo poder não perdido. Era como se à medida que ele se aprofundava, seus
poderes se revelavam.
Ouvi
passos atrás de mim, voltei com um sorriso para Silas, ele não retribuiu o
sorriso. – Não sabe se lê ou se presta atenção do treinamento deles? – Sua
expressão era mesma, seria, mais sua voz denotava medo, talvez cansaço. Mesmo
assim, sorri.
-
Estou prestando mais atenção no treinamento. – Pensei que Silas ia se
aproximar, mais me enganei. Ele fez um sinal com a cabeça para que eu o
seguisse e começou a caminhar. Eu o segui curiosa. A muito Silas não falava
comigo, não a sós pelo menos. Pensei em deixar o livro, mais decidi do
contrario. Segui-o escada a cima, já não
poderíamos nos encontrar no seu antigo santuário, seu escritório. Agora ele
abria a porta do quarto, entrando e parando na soleira da porta para me dar
passagem, assim que entrei me acomodei em uma poltrona. Silas fechou a porta e
sentou-se perto de mim.
-
Há muito tempo não conversamos, não trocamos – ele fez uma pausa como se para
encontrar a palavra certa – confidencias. – é há muito tempo mesmo, pensei
desde que eu me envolvi com o Adriel, um leve sorriso se curvou em meus lábios.
-
Você tem razão, com os últimos acontecimentos, está tudo muito tumultuado. –
ele concordou com uma breve mesura. Estreitei os olhos – e agora tem algo que
você quer-me contar, você parece aflito. – Silas permaneceu em silencio. Seu
rosto se curvou num sorriso, torto. – Foi mais uma visão? – ele balançou a
cabeça.
-
Não, foi algo que descobri quando cheguei aqui, nesta mansão. Mais antes você
precisa saber de toda a história – permaneci em silencio ouvindo as palavras de
Silas.
-
É sobre John e você? – ele assentiu.
-
Sim, - ele fez uma pausa – éramos grandes amigos, como você bem deve saber, na
época em que fui transformado, fiquei longe por algum tempo, claro que não
fiquei tão distante, apenas longe o suficiente para poder me controlar – ouvi a
versão da historia, uma historia que ele nunca me contara, que eu descobri por
uma confidencia de outra pessoa. – eu
temi não poder me controlar, por isso me mantive afastado, mais John parecia
ter se esquecido de mim, ele tinha outra pessoa, sua esposa Sarah. – Eu sabia
toda historia, mesmo assim prestei
atenção em cada palavra, era estranho saber que ele não confiara em mim
antes. Ele matara a esposa de John, por
ciúmes, por achar que a amizade deles já
não era a mesma, por inveja da atenção que Sarah tinha e ele não. Recostei-me
na cadeira, eu poderia dizer a ele, que eu já sabia de toda a historia,
poupá-lo de relatar os dias em que passou ao lado de John tendo que dividir sua
atenção com Sarah, aquilo parecia que o feria, mais não. Eu quis ouvir todo
relato, esperando pacientemente, até ele terminasse e me contasse o que ele
havia descoberto. O que poderia ser? – ao chegar aqui, nessa mansão, em meio a
uma tentativa de conversar com John eu o toquei, e descobri que Sarah esta
viva. – ergui a sobrancelha, inclinando-me para frente.
-
o que? – achei absurdo o que ele acabara de me contar, mesmo assim esperei uma
resposta.
-
Quero dizer, a alma dela atravessou os séculos, e agora vive, em outro corpo.
Aqui em Gander, tão perto de John.
-
E é claro que você não contou para John o que você descobriu. – ele negou com a
cabeça.
-
Não posso, eu estou tento uma segunda chance de ter a amizade dele de volta, e
não posso acreditar que ela, vai destruir essa chance, ela não pode. – Sua voz
terminou como num sussurro.
-
Quem é ela? – esperei por uma resposta, mais ele apenas se levantou, foi até a
janela. – Você sabe o que vai acontecer. Não sabe? Você vai perdê-lo antes
mesmo de reavê-lo – ele assentiu.
-
Por isso devo te contar. – ele voltou-se para mim – ela luta contra nos, está na
mansão junto com Haboryn e os outros – estremeci.
-
A pequena Mellody - eu movi os lábios,
sem perceber que havia saído som, olhei pra Silas – ele assentiu.
-
Mellody – ele repetiu. Senti um forte impulso de sair pela porta e correr até
John, contar que ele poderia ter uma segunda chance com Sarah, ele precisava
saber, mais eu me refreie. Eu não podia simplesmente sair pela porta que nem
uma maluca inconseqüente, pensei por um momento, John jamais seria capaz de ir
contra quem ele acreditaria ser Sarah, não lutaria contra ela, não nos deixaria
lutar contra ela. Mesmo assim eu sabia que essa poderia ser a melhor coisa que
eu podia fazer. – Agora você sabe, mesmo
assim, não me sinto melhor.
-
Deve ser por que você contou para a pessoa errada – eu disse seguindo para
porta
-
Natasha – parei com a mão na maçaneta – O que vai fazer? – Não respondi apenas
ergui o livro sobre a cabeça e o balancei de leve, abri a porta e sai do
quarto. Desci as escadas, voltei a varanda onde eu lia a pouco, olhei pro
jardim, eles ainda estavam bem concentrados, eles ficariam ocupados por um bom
tempo.
Deixei
o livro sobre a cadeira e sai da mansão, eu usaria a luz do dia como vantagem,
mesmo sabendo que eu deveria temer, podia simplesmente caminhar na luz do sol,
sem qualquer dano. Definitivamente eu não estava certa do que eu ia fazer,
mesmo assim corri em direção do meu antigo lar, onde agora residiam meus
inimigos. Eu sabia dos riscos eu podia ser detectada por eles, com essa
consciência revolvi arriscar. Nos fundos da mansão havia uma arvore que o
ultrapassava o muro. Subi na arvore e espiei o jardim, não havia ninguém por
ali. O lugar parecia deserto, um vulto me convenceu do contrario, a porta dos
fundos se abriu, incerta, tentei ao Maximo me camuflar por entre as folhas espessas.
Por sorte era Mellody quem abriu a porta e vinha na em minha direção, sua
expressão era sombria. Talvez não fosse tanta sorte assim, sussurrei.
-
O que faz ai Meg? – Ela perguntou assim que parou na sombra da arvore, era
estranho ouvir meu antigo nome, mais ela sempre me chamara assim, ela sorria –
Vamos Meg, desça daí – fiquei imóvel, ela era apenas uma criança, mais
poderosa. Olhei em direção a casa, Mellody se sentava na relva baixa, na sombra
da arvore – Vamos Meg, como poderemos conversar com você aí em cima? – Ela não
olhou em minha direção, estava com os olhos fixos na barra de seu vestido,
voltei a espiar para os fundos da mansão e pulei, um salto perfeito, cai em pé
na frente dela, ela não me olhou continuou a alisar a barra de seu vestido.
Sentei-me em sua frente, em alerta. Ela
me olhou com um leve sorriso nos lábios e inclinou de leve a cabeça pro lado,
esperando que eu dissesse algo.
-
Você já sabe o motivo de minha visita? – ela negou com a cabeça
-
Não com certeza, apenas sei que você quer muito falar comigo.
-
A uma historia que você precisa saber, para então você compreender – seus belos
olhos brilharam, e parecia ter dobrado de tamanho. Eu ainda permanecia em alerta, mesmo sentindo
que Mellody estava totalmente relaxada, parecia bem à vontade. – Há algumas
décadas atrás houve o que se parecia uma amizade forte o suficiente para
ultrapassar os séculos, entre dois homens, certa vez um desses homens foi dado
como desaparecido Silas – Mellody ergueu as sobrancelhas, mais nada disse – seu
amigo John, o procurou durantes muito tempo, mais Silas acabou dado como morto.
John sofreu com a ausência do amigo, mais ele tinha plena consciência de que a
vida tinha que continuar. Então em um belo dia ele conheceu Sarah, a mulher por
quem John se apaixonou e se casou. – fiz
uma pausa – então certo dia Silas voltou, diferente, ele havia sido
transformado, se tornara um vampiro. John o recebeu de braços abertos, mais
Silas não aceitava a idéia de ter que dividir a atenção de seu melhor amigo com
Sarah, então ele decidiu por um fim na vida dela. John acabou sendo transformado também por
Silas, o que Silas não esperava era que John descobrisse e desse fim a amizade
dos dois – Mellody franziu o seno, antes que eu pudesse continuar ela me
interrompeu.
-
Espera, - ela mordeu o lábio inferior – Por que você está me contando essa
historia? – agora ela parecia apenas mais uma criança, uma criança normal, sem
qualquer ambição ou poder, apenas uma linda criança ouvindo uma historia.
-
Por que Mellody, porque agora você faz parte dessa historia.
-
O que?
-
Hoje em dia John ainda não perdoa Silas, mais ... John está tento uma segunda
chance ..
-
Mais qual é minha participação nisso tudo?
-
O amor de John e Sarah ultrapassou os anos, e você Mellody é a .. – tentei
procurar a palavra certa – reencarnação de Sarah. – ela nada disse, permanecia
estática. – Você tem a alma da mulher que John nunca deixou de amar. – um
silêncio caiu sobre nos nós
-
Como foi que você descobriu isso? – ela perguntou quebrando o pesado silêncio.
-
Silas me contou, ele descobriu por meio de uma visão – ela estreitou os olhos
-
E você tinha permissão para me contar? – eu neguei.
-
Mais fique atenta Mellody, pode ser que ele vá tentar se livrar de você, como
já fez uma vez.
-
Somos inimigas, por que está me alertando? – enrijeci, por um momento abaixei a
guarda, mais a verdade era que a pequena sentada a minha frente não merecia
morrer, ela é apenas uma criança brincando de super poderes. Dei de ombros.
-Não
sei – eu disse levantando-me – O que achei ser certo a fazer, já foi feito, -
tomei impulso e saltei logo eu corria de volta a mansão de Christine. Fui
direto ao meu quarto já era quase noite e Adriel continuava com seu
treinamento. Assim que a escuridão se
formou por completo, desci as escadas com a intenção de pegar o livro que eu
havia deixado na varanda. Não vi Adriel no jardim, nem Christine. Talvez
estivesse no hall, peguei o livro senti um sopro fio em minha nuca, arrepiei
virei meu corpo ao sentir mãos em envolta de minha cintura.
-
Não ouvi você chegar – murmurei, ele beijou minha testa, depois depositou outro
beijo entre meus olhos passando a distribuir beijos por todo meu rosto
-
É uma arte que costumava usar – sua voz se tornou roca a medita que ele falava,
sem parar de espalhar beijos quentes por todo meu rosto e pescoço. Me senti quente, era estranho a facilidade que
Adriel tinha para me deixar febril. Enlacei-o pelo pescoço com um dos meus
braços aproximando-o, dando-lhe acesso pleno aos seus beijos que se tornavam
mais ousado. Ouvi seu coração bater, seu sangue bombear cada vez mais depressa,
despertando em mim sensações perigosas e difíceis de ignorar, procurei por seus
lábios, faminta, saboreei a boca sensual e quente, o beijo se tornou cada vez
mais ousado, suas mãos tornaram-se audaciosas. De repente ele parou. Frustrada
perguntei.
-
Por que parou? – beijei o canto de sua boca, descendo os beijos até seu
pescoço, sentindo ali seu sangue pulsar.
-
Por que devemos sair daqui – ele sussurrou – estamos na varanda – ele riu, por
um momento eu havia me esquecido desse pequeno detalhe, não que eu me
importasse de usar a varanda. Um sorriso malicioso se formou nos meus lábios.
Adriel tinha senso do pudor, Mordi o lábio inferior, brincando com os cabelos
em desalinho.
-
E que tal irmos a outro lugar? Onde possamos fazer muito barulho – vi os olhos
de Adriel se arregalarem e ele ficou tenso – Peguei muito pesado?
-
Não – ele sorriu depois de respirar fundo – tudo bem, vamos então – ele me
puxou pela mão, como um adolescente.
-
Espere, vai saindo tenho que levar isso pra Kimberlly – balancei o livro na
frente do corpo – me da cinco segundos? – ele sorriu – Te espero lá fora. Rindo
usei minha velocidade sobre humana para ir até o quarto de Kimberly, felizmente
ela não estava lá. Desci as escadas na mesma velocidade, logo eu estava ao lado
de Adriel, dentro do meu carro, dirigindo pra algum lugar.
***
Abri
a porta entrei e deixei a porta aberta, Adriel entrou e a trancou. Joguei meu
casaco sobre a mesa de refeições num canto do quarto, Adriel me imitou. Caminhei
até ele, e o envolvi com meus braços, beijando-o com uma paixão contida. Ele me
ergueu e eu passei a envolver sua cintura com as pernas, ele caminhou até a
cama, onde me jogou, com um sorriso malicioso ele tirou a camisa, expondo o
corpo másculo, mordi o lábio inferior, jogando a camisa no chão ele veio até
mim, ficando parcialmente em cima de mim, ele me beijou, sem pressa depois
passou a depositar beijos por meu corpo, detendo-se em meu pescoço, para logo
em seguida me erguer junto ao seu corpo e tirar minhas roupas, deixei que ele
explorasse meu corpo, entregando-me sem reserva, me contorci sob o toque, me
senti lasciva, pronta para recebê-lo, mais ele parecia querer continuar com a
exploração. Arfei quando seus lábios
envolveram um dos meus seios e suas mãos afastavam minhas pernas e exploravam o
interior do meu corpo. Não me lembrava de Tyller ter feito algo parecido
comigo, isso ia alem de minhas fantasias com Adriel, pensei que teria de
ensinar como satisfazer meu corpo, mais para um anjo se tornando deliciosamente
bom nisso.
Não
consegui permanecer em total silencio, minhas mãos exploravam o corpo sobre o
meu enquanto eu me contorcia, sob seu toque. Eu queria me proporcionar tanto
prazer quanto eu sentia. Envolvi meus dedos no membro rijo. Ouvi o arfar.
Continuei com os movimentos até senti-lo tirar minha mão e se encaixar entre
minhas pernas. Em movimentos firmes e ritmados atingimos o clímax juntos.
Adriel descansou a cabeça entre meus seios. Permanecemos em silencio, apenas o
som da respiração arfante de Adriel cortava o silencio. Eu deixaria Adriel
descansar um pouco, ainda teríamos a noite toda pela frente. Mais em vez de
deixá-lo descansar comecei a acariciar-lhe as faces com os lábios, e
alcancei-lhe o canto da boca.
Sua
respiração se acelerou quando beijei seus lábios, saboreando a boca sensual e
quente, explorando-o e provocando-o com a língua. Senti a mão firme em meu
seio, e gemi baixinho quando ele acariciou um mamilo com o polegar e o
indicador. O restante da noite pareceu
passar rápido de mais, antes da chegada da manhã decidimos voltar para mansão.
Os
dias que se seguiram se resumiram em treinamentos durante o dia e muito ardor
da parte de Adriel durante a noite. Eu ainda não havia conversado com John,
esperava o momento mais oportuno. Conversei com Kimberly sobre o livro e também
com Adriel, que me disse que o conteúdo do livro poderia ter muita serventia se
usado corretamente. Voltei a me encontrar com Mellody, não era a coisa mais
sensata que fazíamos mais quem sabe ela mudasse de lado. E com o tempo percebi a ausência de Derick,
nos dois dias atrás pensei que ele pudesse ter saído para encontrar alguém para
se divertir, mais depois a ausência prolongada dele me fez pensar que talvez
ele tenha ido embora, não podia culpá-lo aquela guerra nada tinha a ver com
ele. Esperei mais dois dias, ele não apareceu, não chegou a se despedir, fiquei
tensa, ele não teria ido sem ao menos dizer a adeus, ou teria? Sentada vendo
novamente o treinamento de Adriel com Christine, revolvi que eu precisava saber
ao certo o que acontecera com Derick. Levantei-me e sai em busca de algum
rastro.
Já
havia se passado quatros dias desde o dia que ele sairá sozinho. Encontrei um
rastro frio nos fundos da mansão o segui. O rastro me levou até o Sparks mais o
lugar estava fechado, e o rastro frio. Pensei onde ele poderia ter ido. Era dia
ele estaria escondido em algum, lugar mais onde. Segui o rastro frio até uma
velha construção, ao norte do Sparks, bem protegido dos raios do sol, o que
antes poderia ser uma área de lazer coberta; vi Dancã, ele sorria de modo
sedutor encostado no batente da porta.
-
Procurando por alguém? – sua voz era baixa e pausada, me aproximei, pensei ter
visto uma nesga de provocação em seu olhar e no sorriso sínico. Ele me olhou
dos pés a cabeça, fiquei tensa a alerta, esperando por um ataque, que não
aconteceu. – Então conseguiu encontrar seu precioso amante? – seu sorriso se
alargou. Um alarme tocou em minha cabeça
-
Onde ele está? – mostrei os dentes, de punhos cerrados.
-
Relaxa Nat – ele endireitou o corpo, e ergueu as palmas da mão em frente ao
corpo. – ele ainda esta vivo, Melissa acha que ele pode ser útil, mais quer
saber, eu adoraria matá-lo. – ignorei a
provocação.
-
Ainda recebendo ordens daquela vadia? – o atingi em cheio, ele mostrou os
dentes, inclinando o corpo pra frente, mais logo ele relaxou – Então, - fiz uma
pausa – você não respondeu nem uma das minhas perguntas.
- Ele está bem preso, e muito, muito
machucado, - ele sorriu de modo perverso – sabe o que um demônio pode fazer
quando decide se divertir com um de nos? – estremeci – os gritos do seu
namorado são . . .- ele fechou os olhos
por um momento, balançando a cabeça lentamente, como para encontrar a palavra
certa - Excitantes. – eu sentia uma
forte necessidade de destruir Dancã, avancei sobre ele, acabei atingindo o
nada, ele se esquivou, desaparecendo para o interior do prédio, o segui, mais
ele já não estava em canto nem um, ele havia evaporado, estremeci; Derick já
não era mais meu amante mesmo assim eu queria meu melhor amigo de volta. Soquei uma parede que caiu levando outras
duas com ela, saí do prédio, os outros precisavam saber do golpe sujo.
-
Mais um motivo para atacarmos antes que eles nos ataquem. _ Christine disse com
sua voz melodiosa, assim que terminei meu relato. Franzi o seno – A lua
minguante se aproxima – continuei com o seno franzido – época em que meus
poderes perdem força, fico mais fraca.
-
Sim. Preciso de dois dias. –Disse Adriel – E meus poderes estarão plenos.
Cap. 39
Os
dois dias seguintes foram de treino árduo por parte de Adriel e Christine, ela
quis terminar toda a preparação para poder atacar de surpresa e longe da lua
minguante para não atrapalhar no sucesso da batalha.
Eu
havia finalmente terminado de ler o tedioso livro, mas enfim encontrei grandes
chances de poder vencer Haboryn. Numa das técnicas ensinava a expulsar o
demônio e prende-lo num circulo mágico e destruí-lo para sempre, e ainda há uma
chance de trazer Alan de volta ao nosso mundo.
Abri
as cortinas do quarto onde eu estava e reparei no lindo dia que se fazia, um
sol brilhante ofuscava minha visão. Desci para saber noticias, se Adriel estava
finalmente pronto e qual plano Christine havia premeditado.
A
mansão estava quieta, John era o único ali na sala e pareceu ficar feliz por eu
estar ali com ele.
-
Bom dia John. Está um dia lindo! – Expressei minha felicidade.
Ele
retribui com um largo sorriso.
-
Tive um sonho maravilhoso Natasha.
-
Me conte. – O incentivei.
Acomodou-se
na poltrona.
-
Tive um sonho com tanta vivacidade. Estava eu com Sarah, ela parecia aqui
comigo, sentia seu calor, e foi uma mescla de tanta paixão, de tanto amor,
cheguei a transbordar toda essa alegria e acordei com a sensação de que posso
tocá-la.
E
não estaria mais correto, é um pecado não avisar a John, mas eu sei que isso
cabe a Silas contar-lhe.
-
Não se preocupe. – Disse Silas entrando pelos fundos. – Há algo que sentir ao
tocar-lhe John.
John
estreitou o olhar, quis ignorá-lo, mas sentiu que precisava da informação.
-
Sarah vive. – John arregalou os olhos. – Vive em Mellody, você tinha um apreço
por Sarah, por que ela compartilhava de sua amada.
Sua
única pergunta foi. – Você tem certeza Silas?
-
Absoluta. – John soltou um sorriso vibrante e como que a partir dali havia
perdoado Silas.
-
Disfrute de sua amada que está do outro lado querendo destruir a todos nós, e
isso inclui até você. – Silas falava enquanto se retirava.
Eu
o observei apreensivo.
-
Busque-a John, traga-la para o nosso lado, com ela com certeza podemos vencer
essa batalha. – Eu disse.
-
Acha mesmo que eu devo fazer isso Natasha? – ele falou apreensivo soltando um
sorriso preocupado. – Essa guerra envolve quase todos; você reparou?
Eu
sentei ao seu lado.
-
O que quer dizer? – Perguntei ainda sem entender aonde ele queria chegar.
Ele
respirou profundamente, balançou a cabeça tentando controlar algum impulso
reprimido.
-
Como Christine havia dito, os protagonistas dessa batalha é ela e Haboryn. E
como coadjuvantes estão você, Adriel e Willian.
O
olhei diluindo as informações.
-
Quer se excluir da batalha John? – Perguntei irritada e aflita.
E
ofegou.
-
Não é isso Natasha, jamais abandonaria Christine, no momento em que ela mais
precisa de mim.
-
Então o que é? – Perguntei desconfiada.
-
Eu, Silas e Sarah não têm nada haver com tudo isso. E mesmo assim ela se
envolveu.
-
Foi uma escolha dela John, e você nada pode fazer em relação a isso.
Ele
me olhou e deu um largo sorriso.
-
Natasha. Eu vou procurar Melody. Assim como você descobriu seu amor imortal,
quem sabe ela não se lembrará de nosso amor, que era tão intenso e então volte
para o bem, volte para mim.
Eu
segurei suas mãos e retribui o sorriso.
-
É uma chance, mas você tem que ir preparado para qualquer resposta. E precisa
tomar cuidado, ela esta junto com o diabo, e um toque John, fará com que você
morra.
-
Se for por amor Natasha, morrerei quantas vezes forem necessários.
John
saiu em busca de Mellody.
Fui
para a varanda a observar Adriel, ele disse que precisaria de dois dias, e seu
prazo já havia esgotado.
Quando
o vi, estava esplendido, suas asas beges estavam brilhantes e em sua
totalidade, seu corpo viril emanava poder, não era branco como outrora, porque
havia experimentado o sentimento dos caídos, mas ainda assim via-se a glória.
Christine toda orgulhosa de haver treinado um anjo e vê-lo potente. Ela também
parecia revigorada e pronta para o combate, que deveria ser esta noite, ultimo
dia de lua cheia e entraria a fase que enfraqueceria os poderes da bruxa.
-
Olá Natasha. – Disse Adriel todo contente.
Num
salto cheguei perto deles, a energia do anjo era tão intensa que me causava
mareio, eu pude sentir que estavam prontos.
-
Parece que está tudo perfeito hoje.
-
O que quer dizer? – Perguntou Christine com seu tom sereno.
-
John e Silas finalmente fizeram as pazes. John descobre que Sarah vive em
Mellody e foi atrás dela. Pode ser que ela venha a ser do nosso lado em nome do
amor. Você e Adriel parecem estar na máxima energia. Eu aprendi os rituais. Falta
só Kimberly e Julio.
Christine
ficou um pouco preocupada.
-
Algum problema? – Eu perguntei.
-
John pode não voltar Natasha.
-
O quer dizer? – Perguntou Adriel.
-
Haboryn pode ter feito uma armadilha, porque sabia que John buscaria sua amada,
e então na emboscada destruiria o vampiro mais poderoso que temos.
Achei
pretensiosa quanto à afirmação. Mas ela tinha razão, se John não se cuidar,
poderá não voltar.
-
Mas John é vivido, sabe como agir. Não acredito que morreria assim.
-
Haboryn é multifacetário minha querida. – Disse Adriel. – Nunca sabemos como
estará pensando. – Mas lhes prometo que não permitirei mais que esse demônio
cause algum mal. De qualquer jeito, isso acaba hoje.
Ao
voltarmos para sala encontramos com Kimberly e Julio.
-
Eu já estou pronta. – Disse Kimberly. – Meus poderes mágicos vampíricos estão
desenvolvidos, posso atrasar alguns demônios, ainda que não saiba como destruir
Haboryn com eles.
Julio
então manifestou.
-
Eu não poderei tocá-los, mas minhas habilidades não são só com luta corporal,
utilizarei uma espada consagrada por Christine que terá algum valor contra
esses malditos demônios.
- Tivemos nosso tempo. – Disse
Christine. – Podemos ter evoluído e estarmos prontos para os antigos inimigos.
– Ela arfou. – Mas não sabemos se eles também não evoluíram na mesma fração de
tempo.
Entrei
com Adriel ao quarto. Precisava matar as saudades. O beijei de leve, toquei
minhas mãos geladas, senti seu sangue pulsar, seu calor adocicado. Que
expressão, mas pudera eu encontrar outra que não fosse tão canibal. Não podia
negar o meu desejo quase que incontrolável de matá-lo, o que me impedia,
todavia, era o amor que sentíamos um pelo outro. Às vezes pensava se seria
passageiro, se realmente encontraríamos uma maneira de passar por cima desses
desejos. Será que nunca teríamos paz? Sempre em tormentos quando se trata de
estar juntos? Ou seria mais uma peça do destino tentando mostrar-nos que não
seria assim? Mas como o amo, como o desejo, o amor existe, ele vibra, é
pulsátil, não tem como estar em um estado de ilusão. E pelas teorias, o amor
tudo supera, tudo sofre, e seria essa só mais uma provação de nosso amor assim
como nossa alma, imortal. Mais uma ilusão, não havia mais duas almas imortais,
ao sucumbir-me ao vampirismo abandonei o que tenho de mais precioso, o que
tanto busca Haboryn, uma alma. Até Willian possuía essa alma ainda que não um
corpo como agora. Este era o mistério da vida, proteger sua alma. Diversos
mestres haviam pregado na consciência de fiéis de diversas religiões, ensinaram
que o papel principal era a alma outrora imortal. Eu já não a possuía mais, uma
vez destruída seria o fim para mim. Minha alma se solidificara, já não era
pulsátil como as veias de Adriel, já não eram amorfas como as almas da
humanidade, no sentido de que podem ser transformadas, a minha alma tem só um
aspecto e morrerá quando meu corpo morrer. No final não tive uma imortalidade,
neste ponto de vista, tenho só uma opção, a do viver, mas um viver gélido,
sanguinário, caçador, desprovida de um livre arbítrio. Necessito destruir para
sobreviver, e agora, neste momento tenho desejos de destruir a pessoa que
representa o único amor que eu tive; a única forma recíproca de amor que
vivenciei em vida e morte, e já não tenho certeza se mereço essa admiração, se
ele merece esse sofrimento, essa insegurança. Flashes em minha cabeça de eu
despertando com Adriel ensanguentado ao meu lado, e seu gosto quente de sangue
em minha boca. Seu coração em minhas mãos.
A
convivência me faria acostumar e seriam esses pensamentos nada mais que outro
ataque de insegurança? Ou a convivência me faria mais intolerante a seu cheiro
e realmente sucumbiria a esses ataques que culminariam com sua morte e
consequentemente minha solidão?
Adriel
merece mais do que isso, ele merece uma vida feliz, plena, talvez seja essa a
chance dele ser pai, de construir uma família que não pode ser feita comigo
antes e tão pouco pode ser feita agora. Afastar de mim o faria mesmo triste? Ou
seria essa sua liberdade? O amor realmente nos faz racionar sobre o que significa
o melhor para seu amado. A Natasha
egoísta abriu espaço em nome do amor, e talvez afaste e sofra para o bem de
quem o tempo todo mereceu.
Quando
voltei dos meus pensamentos, percebi que Adriel seguia me beijando, enquanto
suas mãos exploravam meu corpo.
-
Como pode ser tão bela? – Ele me fitava com seus olhos prateados intensos.
Eu o beijei com toda a intensidade,
porque não sabia se seriam nossos últimos toques, daqui a algumas horas
aconteceria à batalha que decidira vários futuros. Mas a apreensão não me fez
retrair. E então fizemos amor, este não era sexo, porque teve troca de
carinhos, e eu não tive pensamentos lascivos, o queria por completo, queria
toda sua emoção fusionada ao meu ser, e isso tornou o momento especial.
Saímos
e fomos à sala, estavam todos os presentes quando John chegou com lagrimas nos
olhos.
-
John – Disse Christine com a voz melancólica.
-
Eu a senti. – É Sarah. – Ele respirou. – Quando nos tocamos, tudo aconteceu,
ela se lembrou de todo passado, de nossos planos. Queríamos um bebe.
Todos
olhavam perplexo, John sempre foi forte, era uma atitude única e ninguém sabia
como reagir.
Ele
mesmo enxugou suas próprias lagrimas e continuou.
-
A tentei convencer a estar com agente. – Seu olhar vagava. – Mas ela é tão
jovem, ainda não experimentou ainda que se lembrasse do amor de um homem para
com uma mulher.
-
Ela compreenderá. – Disse Silas com olhos fixos em nada.
John
não fez caso de seu amigo.
-
Por um momento pensei tê-la alcançado, mas Melissa nos encontrou, ficou
surpresa com minha presença e antes que eu pudesse mata-la, ela fugiu. Sarah
ordenou que eu fosse embora, ela sabia que Haboryn logo chegaria e então seria
meu fim. Fui obrigado a correr e a deixei sem saber o que poderia passar.
-
Não se preocupe John. – Disse Christine calmamente. – Haboryn jamais a
destruiria, ele precisa dela.
-
Não há nada mais a ser feito. Precisamos acabar com tudo isso. – Adriel disse
firmemente. – Invadiremos a mansão.
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