Cap.
20 –
Ele rapidamente se levantou e suas asas
semi-abertas se fecharam.
- Te assustei? – Perguntei enquanto me
aproximava.
- Não se preocupe, eu ando um pouco
assustado mesmo – Ele sorriu sem ter intenção. Aproximei-me mais um pouco,
fiquei longe o suficiente para não desmaiar. Apesar de que se comparar aos
outros encontros sua luz parece mais fraco.
- Ainda preocupado? Será que o tormento
de um anjo nunca passa?
- Enquanto um ser humano existir;
acredito que não. Viver para livrá-los do mal.
- Isso ainda é muito novo pra mim. Mas e
o céu, lhe permite essas revelações a uma humana?
- Talvez sim, talvez não. Mas se pode me
ver, acho que tem coisas que você pode saber.
- O-obrigada. – Havia séculos que eu não
dizia essa palavra. Até gaguejei para falar.
Ele me olhou por um tempo e olhou aos
céus, a chuva estava cessando.
- Olha a ironia. Da ultima vez fomos
embora porque a chuva começará. Hoje nos encontramos quando a chuva cessará.
Seus pensamentos eram tão filosóficos e
às vezes futurísticos que me deixavam perdida.
- E seu protegido como está? – Perguntei
curiosa sobre Allan.
- Ele estava bem. Mas foi a um casebre
perto da onde você reside. E lá ele encontra o mal e aprende os segredos do
oculto.
- Oh! Sim, o casebre. Sei onde é. Dizem
que é mal assombrado por um espírito. – Seus olhos encontraram o meu.
- Sim. Um tão antigo quanto minha
formação. É um espírito querendo encontrar a luz, mas o meu protegido o conduz
para as trevas.
- Dizem que foi bruxaria. – O olhei
assustada para impressionar. Precisava confirma a história com alguém que não
pode mentir.
- Sim. Há muito tempo, uma bruxa o
aprisionou e seu corpo foi destruído com a ação do tempo. Ela ainda vive e pode
fazê-lo libertar para a vida eterna da alma. Mas isso implica na morte da
bruxa. Meu protegido age para ajudá-lo, mas conta com os poderes e a ação do
mal.
- Nossa. Tudo isso é tão assustador.
- Sim. – Ele sorriu.
- O que foi? – perguntei curiosa.
- Eu sei o que você tenta me esconder. –
Ele estava sorrindo, mas a noticia caiu com uma bola pesada em meu corpo.
- O que quer dizer? – Eu já estava
intrigada.
- Já te vi com meu protegido. – Meu
coração morto quase chegava a palpitar. Temi ficar histérica.
- Quem é seu protegido? – Estava seria
demais.
Ele me olhou, e seu rosto estava tão
sereno e angelical.
- Você já perguntou de mim para ele.
Allan, ele é meu protegido. Algumas vezes quando ele estava bem, era quando
estava com você. Ele a desenha em seus cadernos, às vezes fala sozinho sobre
você. Dizendo ser a única amiga dele.
Fiquei mais calma. Recebi a noticia em
choque. Nunca imaginei que pudesse despertar esse sentimento em alguém. Nos
últimos anos, o que mais eu despertei foi medo e repudia.
- Ele é adorável. Quando não quer se
tornar um mago negro. – Sorri. Porem, Adriel ficou sério. –Desculpa – Pedi ao
perceber que ele não gostou do comentário.
- Tudo bem. Você está certa. E acho que
você pode me ver porque tem uma missão comigo.
- Continua.
- Ajudar Allan. Com você ele é bom.
- Talvez tenha razão.
- Eu já sei como trabalhar com ele. E se
me apoiar e me ajudar, vencerá o mal e Allan estará liberto. Posso contar com
você?
- Claro que pode.
Ele sorriu – Tenho que ir. Allan precisa
de mim.
No segundo seguinte ele havia
desaparecido. Droga! Pensei comigo. Eu vim para fazê-lo pecar, para lhe
despertar sentimentos. Afastar-lhe cada vez mais do seu posto. No entanto lhe
acendi a paixão de ser anjo. Dei um soco na pedra onde ele estava. Ás águas do
lago Gander esbraveceram e suas águas se tornaram agressivas e me alcançavam.
Temi e afastei. Pouco a pouco ela foi tomando forma.
- Haboryn! – Gritei ao reconhecê-lo.
- O que você fez – Sua voz está dupla e
como som de águas de cachoeira. Cheguei a me apavorar. – Como deixou o anjo
surgir logo agora, Allan estava quase aprendendo. Traiu-me mais uma vez ruiva.
- Haboryn! Eu não tive como impedir.
- Não teve! Sínica. Não o faria cair?
- Ele me engabelou em sua conversa e
quando dei por mim ele partiu.
- Que isso não volte a se repetir.
Amanhã torne a estar aqui e faça os céus o repudiarem.
Confirmei com a cabeça e ele partiu. No
mesmo instante segui tão rápido para a mansão que parecia flutuar. Escancarei a
porta do meu quarto e me joguei sobre a cama apavorada. Um tempo depois, quase
amanhecendo eu fiquei imaginando como eu deixei isso acontecer, perder o
controle e me apavorar como uma mocinha indefesa. Esses sentimentos humanos que
correr em meu corpo graças à presença do anjo estão me enlouquecendo. Talvez eu
deva realmente afastar o anjo, fazê-lo cair, ou senão, eu não posso dizer o que
vai acontecer comigo.
Passei o dia todo em casa, refletindo, e
a noite eu voltei ao lago Gander para encontrar com o anjo. No entanto não o
encontrei. Temi ele estar com Allan, o que poderia significar sua vitória sobre
Haboryn e conseqüentemente meu enlouquecimento. Senti na pedra que o anjo
costuma estar. Olhei o lago e ele refletia a lua minguante.
Uma
mão tocou meus ombros e ao virar era o anjo, seus olhos prateados e seu sorriso
doce me fez tremer. Suas mãos quentes e brilhantes tocaram meu rosto que fervia.
Seus lábios tocaram meu pescoço e o fez cair pro lado, passei a mão em seu
tórax, meu toque gelado o fez afastar. Seus olhos viram os meus dentes e uma
fúria foi lhe tomando conta. – Annie! – Ele gritava... – Foi você!
- Oi moça. – Uma voz me fez voltar do
sonho acordada. Era um pescador, baixinho, gordo e trajava roupas de borracha.
Olhei diretamente nos olhos e sorri. – q-q-q-q – Ele tentou falar algo mais
gaguejou quando reparou em meus caninos. Pulei da pedra e parei bem atrás dele.
Rapidamente ele virou e tentou correr. Segurei-o e o empurrei, seu rosto bateu
de encontro às pedras do lago, aquele cheiro de sangue me fez ficar louca, meus
cabelos se intensificaram e parti rapidamente para cima dele. Ele conseguiu me
socar, fazendo cócegas em meu rosto, segurei seus braços com minha mão, e com a
outra afastei sua cabeça para o lado, então lhe cravei uma mordida, um sangue
de gosto amargo, então desisti. Debilitado e já sem força, soltei seus braços e
girei sua cabeça, depois joguei o corpo no lago. Aproveitei para dar um
mergulho e me lavar da impureza.
- Padrinho. É você que tá tomando banho
– Uma voz jovial eu ouvi se aproximando.
- Seu padrinho está aqui por perto com
minha amiga. Ele pediu para eu esperar você chegar.
- Quem é você? – Ele se aproximou um
pouco mais do lago, tentando me ver. Só que a neblina atrapalhava um pouco.
Lentamente eu fui saindo do lago e
retirando minha roupa. Quanto mais eu me aproximava, mais ele fixava seus olhos
em minhas curvas.
- V-Você é amiga do padrinho? – Ele perguntou
tímido.
Molhei meus lábios e mordi. – Sim, sou.
– Aproximei mais e lhe toquei o pescoço e ele arfou.
- Ta fria suas mãos – Eu sorri.
Ele até que é bonitinho, não tão alto,
moreno, cabelo despenteados, e vários pelos pelo corpo. Dei-lhe um beijo e ele
correspondeu, tentou ser tão intenso que pareceu ridículo. Puxei seu cabelo
abruptamente e interrompi o beijo, ele sorriu e lhe cravei os dentes. Um sangue
jovial. Suguei até estar satisfeita. Então joguei seu corpo no lago.
Fiquei no lago até enjoar de esperar o
anjo, resolvi ir atrás dele, pra ser mais especifica atrás de Allan, mas fui
caminhando dessa vez. Demorei um bocado para chegar a Gander. Fui direto à casa
de Allan, já era terça feira e ele iria à escola quando acordasse. Sua casa
estava escura e fechada. O seu quarto no segundo andar parecia estar com a luz
acesa, num salto fui até a sacada e bati na janela. A cortina se abriu e as
mãos de Allan estavam estendidas para ela, ele estava no chão, com as pernas
trançadas e uma vela sobre ele. Não demorou em que ele terminasse, molhasse os
dedos e apagasse a vela, então levantou e veio até mim.
- Natasha – Foi o que ele disse quando
abriu a janela para me receber.
- Oi Allan. Senti saudades.
- Eu também. Desculpe se fiquei um pouco
sumido. É que ando tendo muito trabalho a fazer.
- Pra Haboryn? – Perguntei curiosa.
- É, pra ele mesmo.
- Allan. Porque você não para com isso,
e começa a ser uma pessoa boa? – Perguntei tentando ajudar o anjo.
- É que eu faço isso por uma causa nobre
Natasha. No começo eu só queria ter poderes, e eu adoro o gato negro. Mas
depois que descobri que ajudei Haboryn, e que Will continua preso, eu sinto na
obrigação de ajudar Will, mesmo que por assim, eu tenha que estar com o
demônio.
- Mas e um anjo. Será que um anjo não
pode ajudar-lhe?
- Eu já pensei nisso. Mas Haboryn
desistiu do anjo. Ele diz que não precisa mais dele. Então cessei minhas
buscas.
Allan não sabia que era protegido por um
anjo. E Haboryn então o enganará. Todo o plano do demônio ta oculto pra ele.
Olhei em volta para dispersar, e notei a
sombra de Haboryn próxima a Allan e a mim. Então eu soube que teria que deixar
oculto, ou sua ameaça a Kimberly também se enquadraria a mim.
- O que você estava fazendo? Tudo bem se
não quiser responder.
- Estava invocando Haboryn.
- Óh! Eu atrapalhei?
- Não. Ele está aqui, só não posso vê-lo
ainda, mas sinto que esta me protegendo.
- Como assim protegendo?
- Às vezes sinto algo que me enfraquece,
me torna mais pálido, digamos assim. Então chamo pelo demônio e me torno mais negro.
- Entendo.
- E você. Encontrou o anjo?
- Também parei as buscas. – Tive que
menti, com Haboryn por perto, era o melhor que eu podia fazer.
- Tem razão. Eu acredito que depois que
ele perdeu Annie, ele deve ter voltado aos céus. – Ele deu uma gargalhada. Eu o
acompanhei numa risada.
- Vamos dar uma volta, tomar alguma
coisa no Sparks?
- Claro. – Ele sorriu e se levantou para
trocar de roupa.
Acredito que ele me veja como uma mãe ou
protetora, melhor amiga, algo do tipo. O fato é que ele não tem vergonha de
mim. Tirou o short e colocou um jeans preto e uma cinta de rebite. Vestiu uma
camisa preta com uma caveira atrás e a banda Metálica na frente. Seu corpo realmente se formou muito cedo, ele
mudou muito, estava mais atlético, e seus olhos azuis só perdiam para os
prateados do anjo.
Descemos pela sacada, apesar de ser um
pouco longe, fomo a pé até o Sparks. O bar estava tranqüilo, sem muito
movimento. Até o dono Djin estava lá, mais um demônio em nossas redondezas. Mas
esse pelo menos não faz nada de tão cruel, só perverter os freqüentadores.
Talvez ele seja o grande responsável por não haver brigas e caças de vampiros
em seu bar. Todos o temem, afinal, é também um filho da serpente.
Eu e Allan sentamos rente ao bar. O
garçom, que por sinal bem bonito, se assemelha aos antigos, porte atlético,
branquinho, olhos verdes e cabelos castanhos e lisos.
- Dois dry martinis – Allan sorriu ao
pedir – Com cereja em vez de azeitona – e olhou pra mim sorrindo – Já saquei o
que você curte. – Retribui o sorriso.
- Tem alguma novidade? – Perguntei
puxando assunto.
- Tenho sim. Alias, eu queria até
encontrar você pra te chamar.
- O que é? – Perguntei curiosa.
- Vai ter um show da Metálica em
Calgary. É um pouco longe daqui, mas eu tava muito a fim de curtir. O que você
acha?
Eu sou fã da Metálica, assim como de
outras bandas gótic metal da atualidade.
- Allan. Eu adoro a Metálica. Vamos sim.
Eu conheço Calgary. Fica longe daqui, uns dois dias de viagem, sem falar que
temos que alugar um barco para atravessar o carro da ilha até o continente. Ou
podemos ir de avião. Mas fica tranqüilo, vamos dar um jeito de ir. Quando que
é?
- Vai ser daqui três dias, no dia cinco
de dezembro.
- Então, hoje mais a noite eu te procuro
pra gente combinar certinho.
Eu e Allan ficamos um bom tempo ali
tomando Martini e conversando. Depois fomos embora. Como estávamos perto da
mansão, fomos até lá, pegamos o carro e o levei pra casa. Depois vim sozinha,
subi direto para o meu quarto. Para minha surpresa, Haboryn estava lá, sua
sombra pregada na minha parede.
- O que foi agora? – Perguntei
entediada.
- Relaxa. Vim lhe dar os parabéns.
- Parabéns? Por quê? – Estava atordoada.
- Por ser tão prestativa com meu Allan.
No show, ele estará vulnerável a mim, e o anjo nem vai chegar perto. Também lhe
dar os parabéns por guardar o meu segredo.
- Allan deveria saber que é o protegido.
- Não. Ele não deve saber. Daqui uns
dias; nem ele mais estará a existir, e eu tomarei seu corpo.
Fingi um sorriso. Mas eu realmente não
quero perde-lo. A sombra sumiu e eu deitei na cama refletindo sobre o dia e
como faremos para ir a Calgary.
Cap
_ 21
Fiquei absorta em meus pensamentos por tempo suficiente pra decidir como
Allan e eu iríamos ao Show da Metálica, um pouco de diversão cairia muito
bem. Depois de pensar bem decidi que
iríamos de carro, o que daria aproximadamente dois dias e algumas horas até Calgary,
neste caso precisaríamos sair amanhã o mais cedo possível. Daria tempo
suficiente para encontrarmos um hotel para Allan se refrescar antes do Show.
Quem sabe eu desse um alô ao Derick,
pensei maliciosamente.
Logo eu iria me encontrar com Allan para
contar lhe minha decisão. Calculei mentalmente quantas paradas teríamos que
fazer para abastecer o tanque de gasolina e quanto dinheiro precisaríamos.
Dinheiro não seria problema, claro, eu poderia muito bem pagar as despesas
inclusive o aluguel do barco para atravessarmos.
De carro seria mais divertido do que a monotoriedade de se viajar de avião,
não há emoção alguma nisso, pensei divertida. Olhei para a janela, as pesadas
cortinas não me deixavam saber que horas eram, estive tão absorta em meus
pensamentos que não percebi o tempo passar. Isto é; se passou.
Procurei me levantar, quanto mais cedo
conversasse com Allan sobre o show melhor, de repente um pensamento me veio à
cabeça. Os ingressos! Será que Allan
teria comprado? É show da Metálica, provavelmente pessoas matariam pra
conseguir o ingresso, e caso Allan não tivesse comprado seria isso mesmo que eu
faria, sorri diante do problema resolvido, já descendo as escadas.
Eu não havia marcado local especifico
onde encontraria com Allan, disse apenas que o encontraria. Sai dos arredores
de meu bairro, andando como uma pessoa qualquer,não tava com tanta presa.
Passei por frente do velho casebre e sabia que Allan não estava ali, pois a
mesmo agora em começo de noite a casa era sinistra, mais hoje parecia apenas
mais uma velha casa abandonada. Não senti aquela velha sensação sinistra, ou
algo parecido. Decidi ir até a casa dele, caminhando a lentidão que eu estava
demorei pra chegar.
Quando por fim parei em frente da bela
casa, percebi que as luzes do quarto de Allan e da sala de estar estavam acesa.
Allan provavelmente estava em seu quarto, mais por algum motivo não quis subir
até o segundo andar e entrar pela janela. Caminhei até a porta. Apertei a
capainha duas vezes, antes de me afastar. Alguns segundos depois a porta foi
aberta por uma mulher esbelta e baixinha, provavelmente a mãe do Allan.
- Pois não?
- Oi, eu gostaria de falar com Allan –
eu disse com um meio sorriso a expressão da mulher se tornou dura antes de
dizer.
- Entre ele está no quarto – o sorriso
que ela esboçou em seguida não alcançou os belos olhos azuis – Pode subir é a
terceira porta a esquerda.
- Obrigada – eu agradeci sem jeito, essa
não era definitivamente minha palavra preferida do meu vocabulário, mais
ultimamente eu falava muito isso, pensei já virando o corredor. Contei as
portas sem perceber, e bati na terceira, não esperei que ele respondesse apenas
abri.
- Natasha? – ele parecia surpreso, Allan
estava deitado com um notebook em cima da barriga digitando algo, quando me
viu, fechou o notebook deixando o de lado e se sentou.
- Oi Allan vim falar com você sobre o
Show – eu disse entrando e fechando a porta atrás de mim.
- O que foi que você não entrou pela
janela? – ele disse zombeteiro, apenas dei de ombros – mais o que você decidiu?
- Nos vamos de carro – decidi ir direto
ao ponto – sairemos à manhã o mais cedo possível – De repente algo me veio a
cabeça, cabeça. Contei os dias da semana – Você vai ter aula – eu conclui de
pronto, não que isso fosse importante eu não me importava, e nem ao mesmo sei por
que disso ter passado na minha cabeça.
- Oras, não vou. O que são alguns dias
de aula comparados ao show da Metálica? – ele disse com evidente empolgação.
- Você tem toda razão, eu disse me
sentando na ponta da cama – mais me diga e os ingressos? Já está tão perto e
duvido que tenha sobrando.
- Ah sim, eu já os comprei pela internet
estão aqui, - ele alcançou o criado mudo e tirou de lá dois ingressos – chegou
hoje. – O que foi? – ele perguntou, acho que ele percebeu meu desapontamento,
queria tanto me divertir matando alguém para conseguir os ingressos.
- Não nada, eu apenas tinha idéias de
como comprar os ingressos na hora –
enfatizei o comprar, decidi que não contaria detalhadamente minhas idéias –
Mais como você já os tem... – dei de ombros.
- Tudo bem a que horas vamos sair
amanhã?
- As sete?
- É pode ser. – Conversamos durante
algum tempo sobre os dias que se seguiriam até o show, dizemos um para o outro,
quais as musicas preferidas, e como esse show seria de mais.
Mais tarde deixei Allan fazendo sua
mala, para os dias que se seguiriam. Voltei para mansão a fim de esperar pela
manhã seguinte, de certa forma eu estava ansiosa pelo show. A muito não me
divertia adequadamente.
Preparei uma pequena valise e deixei a
em cima da poltrona. Assim que virei às costas a porta se abriu.
- Pretende viajar? – Kimberly entrou no
quarto.
- Sim, vou até Calgarycom Allan.
- Para um show da Metálica – ela me interrompeu
completando minha frase. Virei a encarei, agora ela estava sentada no braço do
pequeno sofá. – Não precisa ficar com essa cara, ainda não leio pensamentos.
Kimberly se encarregou de me dizer. – ela sorriu.
Suspirei pesadamente, de certa forma ficaria
assustada se Kimberly começasse a ler os pensamentos alheios. Pelas horas
seguintes ficamos em meu quarto conversando, coisa que não fazíamos há algum
tempo. Ela sempre estava ocupada de mais com seu novo passa tempo predileto, e
eu sempre com Allan, procurando pelo anjo.
Agora, nesse instante conversando com
Kimberly, percebi que a velha expressão de tédio, não era a principal careta
que ela tinha, agora principalmente quando ela falava no livro a expressão de
tornava empolgante, feliz ao modo dela. Mais o modo como ela falava do livro da
magia, não era com detalhes, era como se ela quisesse compartilhar com alguém,
mais sem por todos os detalhes naquilo que era revelado.
As horas se passaram, e antes que o dia
clareasse Kimberly decidiu que caçaria, ela passava tempo demais acuda dentro
do próprio quarto. Uma hora ela precisaria se alimentar.
Fui até o banheiro assim que amanheceu,
tomei um banho e vesti-me rapidamente. Coloquei uma mini saia e uma blusa
colada e comprida. Arrumei meu cabelo em um rabo de cavalo olhando-me no
espelho, eu estava casual. Pronta para uma viaje longa. Peguei certa quantia em
dinheiro e um talão de cheques por precaução. Peguei minha valise do mesmo
lugar que havia deixado a noite passada. Sai do quarto desci as escadas e fui
direto para garagem. Coloquei minha valise na porta malas e assim que fechei
Mellisa estava encostada na porta do meu carro olhando-me.
- Algum problema? – perguntei com
evidente desdém – você não deveria estar dormindo?
– sorri com falsa simpatia.
- Aonde vai? – ela perguntou com o
carregado sotaque
- Ao show da Metálica – resolvi responder,
eu sabia que ela não gostava dessa banda –está a fim de ir? – provoquei.Ela fez
uma careta de desdém.
- Non mesmo – Deu as costas pra mim e
entrou na mansão. Não dei muita importância para o ocorrido, apenas contornei
meu carro e entrei, abri a garagem com o controle remoto e dei a ré. Sai
tranquilamente pelas ruas quase desertas. Rapidamente cheguei ao meu destino.
- Vamos? Allan estava na frente de sua
casa com uma pequena mala em uma das mãos.
- Oh sim, vamos. – ele disse com
evidente entusiasmo. Abri a porta malas e coloquei a mala dele ao lado da
minha.
- Pegou tudo o que precisa? - perguntei
abrindo a porta do carro. Allan entrou no mesmo instante em que eu já dava a
partida. – os ingressos?
- Peguei. - ele disse tirando os
ingressos do bolso da jaqueta. Parece que vou continuar apenas nas minhas
idéias, pensei comigo mesma. Dei a partida no carro, fiz a volta e segui em
direção a saída de Gander. Assim que atingi a inter com a estadual acelerei.
Allan segurou se disfarçadamente no banco e arrumou o cinto de segurando.
- Nessa velocidade vamos chegar a um dia
e meio no Maximo. Isso é; se chegarmos – observou Allan menos apreensivo. Meus
lábios se curvaram em um meio sorriso.
- Relaxa, chegaremos bem – pensei em
falar vivos, mais essa não era a palavra exata para definir como
chegaríamos. Allan com toda certeza
chegaria muito bem, Haboryn muito menos Adriel não permitiria que algo
acontecesse com ele, ele era valioso de mais para os dois lados. De certo modo
mais valioso para Haboryn que pretendia usar seu corpo para andar pela Terra. – Calgary é do outro lado do mapa do Canadá.
Claro que vamos chegar a tempo. Mais temos que ver cada parada, quanto tempo de
cada uma.
- Claro, mais...
- Quer que eu diminua a velocidade – eu
o olhei com um sorriso
- Não tudo bem. Apenas espero conseguir
ver a Metálica. – ele sorriu de volta, dando de ombros.
- Veremos. - ele relaxou um pouco, mais
ainda podia sentir sua tensão. – Logo você vai se acostumar. – Agora ele olhava
pra o lado de fora da janela fechada. Verifiquei se o aquecedor esta ligado,
estava. A temperatura esta agradável. Senti pelas sensações do corpo ao meu
lado. As arvores ainda ostentavam as
pequenas gotas do orvalho da noite passada.
Peguei um cd da Metálica ‘Death Magnetic’ o cd deste ano, arrumei no cd player para tocar. Aumentei
o volume o mais alto que os tímpanos humanos de Allan podiam suportar. Allan
voltou se de imediato já começando a cantar a primeira musica do álbumThat Was Just Your Life.
- Vamos
praticar todas as musicas - eu disse animadamente. Cantamos as musicas sem
errar ou esquecer as letras, conversamos e demos boas risadas. Conversamos
muito sobre as letras de cada musica, nos familiarizando com cada letra,
durante quase todo trajeto. Depois do termino do cd Allan cochilou.
- Allan – eu
o acordei – assim que paramos no posto de gasolina Glenwood.
- Hum – ele
fez um som com a garganta despertando. – Não acredito que já chegamos.
- Não
chegamos, estamos em Glenwood você
dormiu. Não quer alguma coisa? – ele passou a mão pelo rosto bem feito, depois
nos cabelos em desalinho.
- Vou comprar
algumas coisas. – ele saiu do carro. Eu o segui. Falei rapidamente com o
frentista e pedi dois galões de gasolina, caso precisássemos e não tivesse nem
um posto por perto.
- Vamos? –
Allan perguntou voltando com as mãos cheias de sacolas e pelo cheiro
guloseimas. Abri a porta malas e arrumei os galões ali. Afastado de nossas
coisas.
- Vamos sim, mais antes vamos passar na
casa de um amigo meu. – eu sorri piscando um olho. Ele apenas concordou com a
cabeça entrando no carro, deixando as sacolas no banco traseiro. Entrei no carro e dei a partida. Allan comia
um pacotinho de biscoitos e bebia um refrigerante. Segui para as ruas que eram
tão conhecidas para mim. Até encontrar com a bela casa, grande e majestosa. Os
portões estavam abertos então segui sem ao menos me importar em comunicar minha
aproximação. Estacionei em frente à casa.
- Quem mora aqui? – Allan perguntou
saindo do carro.
- Derick – eu respondo subindo as
escadas, Allan vinha logo atrás de mim. Apertei a campainha.
- Vamos ao show da Metálica? – eu disse
com um belo sorriso nos lábios assim que Derick no seu estilo casual abriu a
porta. Ultimamente eu falava muito sobre o show da metálica. Derick olhou
avaliativamente para Allan dos pés a cabeça.
- Eu fiquei sabendo desse show mais
tenho uma festa para preparar neste mesmo dia. – ele ainda olhava pra Allan. –
Entrem – agora ele me fitou afastando se para nos dar passagem. Entre primeiro
e logo em seguida Allan estava ao meu lado.
- Derick este é o Allan.- eles trocaram
um breve comprimento com a cabeça. Allan observava a casa, parecia
impressionado. – Allan segue por aquele corredor é a terceira porta a direita –
Allanprecisava de alguns minutos para suas necessidades humanas, ele balançou a
cabeça em confirmação e se foi.
- O que pretende com o humano, Natasha?
– Derick perguntou assim que Allan sumiu de nossas vistas, segui para o sofá
sentando-me. Eu sorri acomodando-me no
sofá.
- Vamos apenas ao show. Oras! – Derick ergueu
uma das sobrancelhas.
- E depois pretende gastar um pouco mais
de energia e recuperar-las lanchando-o? – ele disse serio. Eu ri com vontade da
observação maldosa.
- Não Derick, eu não vou fazer nada com
ele, este é o garoto do qual falei. – Neste momento a expressão aborrecida se
iluminou em compreensão.
- Então este é o garoto. – ele disse
olhando em direção ao corredor onde Allan havia sumido – bem ele não parece
exatamente um garoto, Natasha, Além do que ele parece ser bem apetitoso.
- Não Derick, nem pense nisso – Agora
ele voltara à atenção a mim, eu tinha uma leve impressão que em uma próxima
festa Allan seria convidado a ser o prato principal da noite de Derick.
Não era sempre que eu procurava ‘proteger’ um
humano de outro vampiro, normalmente eu era a primeira a arquitetar um plano
para uma plena e satisfatória diversão.
- O que? Não passou nada por minha
cabeça. – ele disse fingindo se de desentendido. – Ele parece bem à vontade –
ele observou. È claro que ele se referia a ficar por perto de vampiros,
ostentando tanta confiança.
- E esta, ele já é bem familiarizado com
o mundo que os mortais desconhecem.
Allan já voltava. Caminhava em nossa
direção com passos largos e decididos. Antes mesmo que ele pudesse dizer algo,
ofereci como se eu fosse à dona da casa.
- Não quer alguma coisa? – bati a mão ao
meu lado no sofá pra que ele se sentasse.
- Não obrigado. – ele disse sentando-se.
– Mais podemos ir quando quiser.
- Claro, temos um longo caminho até
Calgary. E não podemos perder tempo –
levantei e fui até Derick, beijei lhe o rosto. – Já vamos.
- Fique mais um pouco – ele segurou meu
braço – quer dizer fiquem. – ele se alto corrigiu.
- Você tem uma festa pra preparar e nos
um show para ire pouco tempo para chegar.
Despedimo-nos sem mais de longas e Allan
agradeceu a Derick, que nada disse apenas nos levou a porta, fechando a assim
que entramos no carro.
Cap
_ 22
Depois que deixamos a propriedade Allan ficou
em silencio. Não quis incomodá-lo.
Dirigi no constante silencio o que estava me deixando inquieta. Na hora do almoço perguntei.
- Com fome? Podemos parar em algum lugar
assim que encontramos.
- Não, estou bem – ele disse pegando
outro saquinho de biscoitos e comendo. – Por que você quer parar em algum
lugar? – ele perguntou colocando outro biscoito na boca. Mastigando o sem
presa.
- Não, não haverá outras paradas além
das necessárias – eu disse desviando meus olhos da estrada e sorrindo pra ele.
Voltei a atenção para a estrada. O sol estava alto lá fora, amanhã fria, tomara
lugar para uma tarde fresca e com leves brisas. Apertei um botão, que
automaticamente o vidro do lado de Allan se abriu, ele encostou a cabeça na
porta, seus cabelos esvoaçavam com o vento.
- O que você pretende fazer depois que
tudo isso terminar – fiz a pergunta de repente. Ele voltou a atenção pra mim.
Encolhendo se um pouco no banco.
- Não sei. Não tinha pensado nisso. –
ele respondeu pensativo – é uma boa pergunta. Deixei muitas coisas em segundo
plano depois que Willian apareceu na minha vida. Na verdade nunca tive certeza do que faria ou
se faria. Não sabia se estaria preso ou morto no dia seguinte.
- Entendo – limitei-me em dizer. O
episódio da morte do irmão talvez o limitasse em suas escolhas futuras.
Conversamos sobre o futuro durante horas sem perceber que o tempo passava tão
rápido. Antes do entardecer voltei a ligar o som dessa vez coloquei o primeiro
cd da Metálica. Assim que o cd acabou, dirigi por mais algum tempo até
encontrar uma lanchonete, onde Allan comeu algo que recuperasse de verdade suas
forças. Ele teve seus momentos humanos antes de seguirmos viagem.
- Minha vez de escolher o cd. – Allan
falou já com a porta cd nas mãos. Dessa vez ele pegou um cd do Marilyn Manson,e arrumou para tocar. Ele
cantava as musicas baixinhos de vez em quando empolgava ecantava a plenos
pulmões. Eu ria disfarçadamente para não deixá-lo sem jeito.
A noite começou a ficar fria, então
voltei a fechar os vidros e voltei a ligar o aquecedor. Agora o transito estava
mais parado o que me permitia acelerar mais do que eu já estava. Allan estendeu
o braço e pegou uma manta que estava o bando traseiro e se cobriu.
Não demorou muito e ele adormeceu. O
sono era profundo e ele resmungava algumas coisas, talvez fosse pelo
desconforto da posição em que ele se encontrava, com as pernas encolhidas de
encontro ao corpo, com o pescoço caído de lado encostado no vidro. A manda
cobria as longas pernas até o pescoço.
Procurei me concentrar na estrada. Com certeza ele acordaria dolorido e doido
para dar uma volta e se esticar. A
estrada estava calma e silenciosa, a não ser por alguns poucos humanos que se
arriscavam a uma hora dessas em estradas tão perigosas. Qualquer descuido por
parte deles seria seu fim. Já era de madrugada tarde de mais para humanos
estarem acordados atrás do volante. Caso eles pegassem no sono.
Mais se eles queriam correr riscos à
vida eram deles e eu não tinha anda a ver com isso. O caso é que seria um ser
humano a menos, para se tornar futura refeições para nos de minha raça, pensei
dando de ombros.
O restante da noite transcorreu
calmamente. Minha atenção se desvia da
estrada escura, apenas quando Allan de modo inconseqüente se mexia tentando se
acomodar melhor no acento. Devia ser por volta de umas oito da manhã quando por
mim Allan despertou, ele se contorceu tentando esticar o corpo.
- Logo poderemos descer, para você poder
esticar as pernas.
- Tudo bem – ele disse bocejando.
***
-
Ainda temos algum tempo. – Eu disse tranqüilizando Allan assim que entramos no
quarto de hotel. Não fora difícil encontrar um hotel. Agora Allan terminava de
secar os cabelos com uma toalha. Eu o
observava. O mais difícil talvez tenha sido alugar um iate de ultima instante, mais com um pouco de persuasão consegui
que o dono nos atravessasse junto com meu carro. O resto do caminho, fora
tranqüilo, e agora eu via Allan terminar de se arrumar.
Eu já havia tomado banho e me arrumado.
- Vamos? – ele perguntou.
- Claro. – vi Allan pegar os ingressos e
guardar no bolso da jaqueta abotoando á logo em seguida. Saímos do hotel e
foram em direção do show tão almejado.
***
A fila para o show estava imensa, e
Allan parecia muito empolgado com tudo. Eu me contagiava com ele. O evento foi
em Pengrowth Saddledome, quase como um estádio
dedicado aos grandes shows. Demoramos um tempão para atravessar a fila, como
Allan havia comprado os ingressos, não se atentou nos melhores lugares. Havia
muita gente, e eu e Allan furamos o publico e ficamos bem pertinho. As luzes
azuis se ascenderam e o som da guitarra começou a tocar. A primeira musica foi
uma das mais fantásticas. Eu e Allan nos entreolhamos e o que se via é o
balançar de nossos lábios, mas entendemos um ao outro, quando falamos o nome da
musica: All Nightmare Long.Estava
incrível, eu viajando em cada parte da letra incrível. A musica fala de mim,
por todo pesadelo, é o nome da musica, e em alguns trechos diz: Pois nós... o caçamos sem piedade, o caçamos
por todo pesadelo.
Todo mundo estava
nostálgico, e tanta gente do nosso lado. Eu notei que havia um que roubava
minha atenção, seus olhos pareciam brilhar, e não parecia ser uma pessoa
estranha. Às vezes acho que tenho um imã para seres sobrenaturais. Voltei minha
atenção para o show, o guitarrista parecia dar sua alma para o som, e eu
fechava os olhos e curtia aquele momento. Por uns instantes até havia me
esquecido que Allan estava do meu lado. Abri os olhos e o vi pulando ao meu
lado muito feliz.
Notei que algumas pessoas
próximas de nós haviam sumido. Tentei ficar mais alerta, estava ficando
estranho já. O rapaz bonito dos olhos brilhantes saiu abraçado com uma garota e
ainda assim me encarando. Balancei a cabeça desacreditada e voltei minha
concentração ao show, ele estava tocando Sad
But True (Triste mais verdade).
Allan parecia curtir muito,
notei quando voltei a olhá-lo. Virando-me para o show, vi que o rapaz saia com
mais outra e continuava a me encarar, como se eu fosse a próxima e tivesse que
esperar minha vez. O som da guitarra se intensificou, chegou o refrão, soltei a
minha garganta e levantei meus braços, é como se eu soltasse todo meu estresse,
me aliviasse por alguns minutos.
Hold my breath as I wish for death. Oh please
God, wake me (Prendo a respiração enquanto desejo morrer. Oh Deus, por favor
acorde-me).
- Allan. Essa musica é
perfeita... – Falei sozinha, pois quando virei para a direção de Allan ele não
estava. Uma fúria tomou conta de mim, eu sabia que é o rapaz que não para de me
olhar. Tenho que encontrá-lo, Allan não pode se perder.
Mas aonde procurar, todas as vezes que
ele sumiu com alguém foi pela minha direita, vou seguir essa direção e
alcançá-lo, antes que Allan vire algum de seus lanches. Caminhando, comecei a
sentir Haboryn, e não sei se é minha imaginação, mas algumas sombras parecia
ser ele, comecei a andar mais rápido, temendo o pior, poderia ser obra de
Haboryn. Quando dei por conta eu não estava mais atrás de Allan, mas sim
fugindo do demônio. Parei num pequeno galpão, bem próximo ao show. Allan estava
na minha frente, totalmente estático. Na frente de Allan o rapaz dos olhos
brilhantes, sua mão direita em frente ao rosto de Allan.
- O que você está fazendo? – Perguntei
irada.
- Não se lembra mesmo de mim Natasha? –
Ele estava sínico.
Aproximei-me e mentalmente fui chamando
a presença do anjo.
- O que você está fazendo com Allan?
Responde imbecil.
- Sou Bruno. Lembra de mim, amigo de
Eric, namorado de Annie! – Sua expressão foi mudando, ele parecia estar com
muita raiva.
- Bruno, Annie? – Fingi de desentendida.
- Não seja patética. – Ele saltou em
cima de mim, como um vampiro recém transformado, me deu um golpe no rosto e eu
voei contra a parede, e me sustentei nela.
Eu desci da parede e ele viera com toda
a velocidade, um recém transformado é rápido e forte, mas esquivei de seus
ataques, e arranhei seu peito, ele urrou de dor. Pulei para trás. Sua
concentração fora toda para mim que ele se esqueceu de Allan que se recuperou
do transe e começou a gritar, a fazer movimentos inúteis, desesperados. Bruno
então voltou para Allan, deu uns passos para trás e lhe socou, Allan caiu
desmaiado no chão. Aproveitei sua guarda baixa e o ataquei, ele caiu como um
gato no chão, eu afasto e uma luz invade o local, como um raio; tento me
afastar ao máximo, já quase tendo certeza do que se tratava. Paro para olhar
para trás e Bruno está estático com uma expressão estranha, parecia sentir o
nada, um vazio existencial, e de repente ele vira pó! A luz se materializa, é o
anjo.
- Venha até mim Natasha. – Sua doce voz
me chama. Por alguns segundos eu temo, mas não sustento o temor e me entrego.
Ele se ajoelha próximo a Allan e pedi
para eu buscar ajuda. Encontro um segurança e ele me ajuda a chamar uma
ambulância. Nós três entramos na ambulância, mas só eu e Allan éramos vistos.
Durante o trajeto, Allan permanece desacordado. No hospital eu e o anjo ficamos
juntos na sala de espera.
- Sempre é tão fantástico encontrar
você. – eu disse de repente. Eu falava
baixo, pois sabia que eu era a única que podia vê-lo, e algumas pessoas
transitavam pela sala de espera. Ele me olhou com o seno franzido.
- Como assim fantástico?
- Não sei exatamente como explicar, é
apenas a sensação que tenho, é sempre muito bom te ter por perto. – eu tinha
plena consciência de que o que eu havia acabado de dizer não fazia muito
sentido. – como será que está Allan?
- Bem, apenas desacordado – foi à voz
que ouvi ao meu lado. – se quiser vê-lo, só aviso que ele ainda dorme, mais a
qualquer momento pode despertar. – O medico me mostrou em que quarto Allan
estava e segui na direção apontada, Adriel vinha logo atrás de mim, invisível
aos olhos humanos.
Entramos em um pequeno quarto onde deveria
ter uma porta, tinha apenas uma cortina, que puxei para o lado, voltando a no
lugar logo em seguida. Allan estava deitado em uma cama, coberto até o tórax,
ele usava o pijama do hospital. Percebi que ele não estava sendo dopado,
aparelho algum se prendia a ele. Estava todos afastados próximo a parede.
Sentei-me e uma poltrona ao afastada no canto oposto de onde Allan dormia,
Adriel permaneceu em pé ao seu lado, observando-o.
- Ele está bem – eu disse, tentando de
alguma maneira tranqüilizar o anjo que até então parecia tenso. – ele apenas
dorme – repeti as palavras do medico.
- Sei que ele está bem – ele suspirou abaixando
a guarda – mais sinto que quase o perdi.
- você não pode ficar se corroendo por
um sentimento que já não existe. Ele está aqui e está bem.
- Se eu não tivesse ouvido seu chamado,
aquele vampiro podia tê-lo matado, não apenas ao Allan, mas como você também. O
que seria inaceitável. Não posso perder outro protegido, e nem a única humana
que pode me ver e ouvir. – de certo modo, me senti feliz ao saber que ele não
desejava minha morte. Mais saber que era apenas por eu poder senti-lo, ver e
ouvi-lo, me deixou deprimida. Procurei afastar esses sentimentos todos. Não
importava.
- Esta tudo bem agora, - foi à única
coisa que consegui dizer. De repente percebi que por algum motivo e talvez
minha sorte Adriel não estava ao lado de Allan no momento em que enfrentei o
vampiro recém transformado. Não teria como explicar o que acontecera ou ele
mesmo tiraria as próprias conclusões, que na verdade não era uma bela humana
que o via, e sim uma imortal, uma vampira.
- Ele corre mais perigo do que imaginei.
– ele disse para si mesmo, um humano pelo qual eu me passava ao lado dele não
teria ouvido o pequeno murmúrio. Fiquei em silencio apenas observando a postura
tensa a minha frente. Queria que ele
apenas parasse com aquilo, Allan estava bem, ele tem que se preparar para o que
vem a seguir, pensei comigo mesma. Resolvi que era hora de por fim no pesado
silencio que se formou.
- Ele apenas queria
poderes – eu disse – Logo Will apareceu em sua vida, e logo em seguida
Haboryn. – Adriel suspirou, desviou a
atençãodo leito de Allan e me fitou.
- E esse fora o erro dele, humanos não
existem para terem poderes, muito menos poderes negros – ele disse baixinho. As
palavras podiam parecer bruscas mais sua voz ostentava uma dose de
ressentimento, mas ao mesmo tempo certa compreensão.
- É, mais os humanos sempre querem
mais do que podem ter. Cobiçam cada vez mais. Não é culpa dele – Eu não
precisava defendê-lo, Adriel já o fazia para si mesmo. Ele era apenas humano e
normalmente humano cometem erros.
- Eu sei – ele disse voltando se para o
leito.
- Certa vez ele me dissera que queria
ajudar Will, mais descobriu estar ajudando Haboryn, e agora ele sente se
obrigado em ajudá-lo mesmo que para isso ele tenha que estar ao lado errado. –
Eu tinha plena consciência que não poderia dizer certas coisas a Adriel, como a
suposta destruição dele. Um pesaroso silencio se formou-se por alguns instantes
antes que Adriel voltasse por completo e se aproximasse de mim, abaixando se em
minha frente.
- Que bom que você estava com ele –
ele disse por fim – caso contrario, aquele ser maligno teria matado-o. – Engoli
o seco caso Allan tivesse morrido teria sido minha culpa, pois fora eu que
pusera um fim na vida de Annie, fora eu com ajuda de Kimberly que levamos Eric
e Bruno para o fim que cada um deles tivera. – Obrigado por ter me chamado –
ele disse fazendo me desviar meus pensamentos. Ele sorria abertamente pela
primeira vez na noite. Um sorriso que lhe chegavam aos belos olhos juvenis e
cheios de vida.
- Era para ser divertido – eu sorri
timidamente, com uma timidez que eu não sentia.
- Allan apenas se envolveu com as
coisas erradas – ele disse levantando se.
- E você sente se mal por não fazer
nada, por não conseguir tira-lo disso de uma vez por todas. – preferi
transformar minha pergunta em uma afirmação, eu olhava firmemente para os belos
olhos que me hipnotizavam. Adriel abaixou a cabeça por um momento antes de
erguer o olhar.
- Allan precisa querer para que eu
consiga tira-lo de uma vez por todas de tudo isso, mas cada vez mais ele quer
mais poder para conseguir ajudar a alma aprisionada. - Se Haboryn estivesse nos
ouvindo estaria feliz, por saber que seu recipiente estava cada vez mais
envolto em meio às trevas. – Will, precisa dar um fim na bruxa que o
aprisionou, caso contrario – ele deu de ombros – Allan nada poderá fazer. –
Christine acabaria com Allan caso ele tentasse de alguma maneira feri-la. Por
mais que Allan tenha Haboryn ao seu lado Christine tem anos de experiência ao
seu. – E essa busca por poder torna-se cada vez mais perigosa. – Haboryn não
ajudaria Allan nesse sentido, ele não queria nada de Allan a não ser oseu belo
corpo para poder desfilar pela Terra, como qualquer outro, o que já contava
muito. Fazendo seja láo que ele pretende fazer.
-Tenho certeza que ele sabe disso – eu
disse olhando para o leito onde Allan estava.
Seja lá o que o demônio previa para Terra Allan era muito importante
para ele, e não deixaria que nada acontecesse com ele. Eu sabia o que eu
queria; poder, e ao lado de Haboryn eu podia conseguir, mais eu queria ao anjo,
para tê-lo em minha cama. De uma maneira ou de outra eu o teria, pensei
visualizando os belos olhos. Allan dormia de modo sereno, como se nada houvesse
acontecido, como se apenas ele estivesse em um sono profundo.
Cap
23 –
- Falando sozinha Natasha? – Allan
perguntou abrindo os olhos. Desviei minha atenção ao leito, Allan me olhava
tentando de levantar. Levantei-me e fui ajudá-lo. Adriel ficou radiante diante
do despertar do protegido, sorriu e se tornou invisível, aos olhos de Allan e
aos meus.
- Não Allan, é apenas impressão sua.
Como se sente?
- Minha cabeça, está latejando um
pouco. – ele disse com a mão na cabeça. – O que aconteceu? – ajudei-o a se
sentar de uma vez.
- Lembra do Bruno? Pensei que Melissa havia
dado um fim nele, maisinfelizmente me enganei, ele foi transformado em um
imortal, e veio trás de vingança. – disse de uma vez, sabendo que Adriel não
estava mais ali, e que não podia me ouvir.
Assim que terminei de relatar os fatos ocorridos, Allan balançou de leve
a cabeça como para absorver os acontecimentos. Omiti o momento em que Adriel
apareceu e destruiu o vampiro recém transformado, Haboryn havia dito que o
destruirá uma vez.
- Que ótimo, perdemos o show. – ele
disse saindo da cama, o fato de ele ter ficado preocupado em ter perdido o show
me fez rir. – cadê minhas roupas?
- Não tenho idéia. – voltei a sorrir
comigo mesmo. Logo teria que responder uma chuva de perguntas. Allan procurou
suas roupas enquanto o observava, ele as encontrou em um armário próximo, se
vestiu sem se importar com minha presença ali.
-Melhor irmos antes que apareça alguém
- ele disse abrindo a cortina de uma vez só para o lado, ele parecia um
fugitivo, olhando para os dois lados antes de seguir em frente.
- Relaxa Allan, você já
teve alta, apenas esperei até que você acordasse.
- O que?
E eu achando que era o momento de agir que nem aos atores dos filmes,
quando eles querem sair do hospital sem dar explicações a policia. – Allan
endireitou o corpo e esperou que eu ficasse ao seu lado para podermos seguir em
frente.
Assim que saímos do hospital seguimos
para o hotel, felizmente pudemos curtir boa parte do show. Durante todo o
trajeto Allan cantarolou algumas musicas da Metálica. Chegamos ao hotel,
entramos em nosso quarto Allan jogou se na cama enquanto eu fiquei em pé
encostada ao parapeito da janela.Allan acomodou se nos travesseiros, esticou as
longas pernas cruzando os tornozelos. Ele esticou o braço e pegou um
travesseiro do seu lado e o colocou em baixo da cabeça, de modo que pudesse
olhar-me melhor.
- Então pode me contar detalhadamente o
que aconteceu? – suspirei, passei a mão por meu cabelo.
- Bruno apenas veio atrás de vingança – eu
disse sentando-me em uma poltrona estiqueio corpo acomodando-me.
- Ah, apenas isso? O que aconteceu? Lembro-me apenas da ultima musica que ouvi e
depois não me lembro de mais nada.
- Bruno, ele tinha um poder, o dele era de
hipnose, ele te deixou em transe. – Ele ergueu as sobrancelhas. Suspirei,
decidi que era melhor que contasse tudo de uma vez – Eu o havia percebido, vi
que alguma coisa nele me intrigava, a transformação deixava difícil de definir
o que era exatamente. Percebi que algumas pessoas sumiam de nosso lado com ele,
e logo ele voltava para encontrar outra visita, em um momento ele me fitou,
procurei ignorar. Mas em um momento eu estava absorvida na musica, não percebi
que você havia sumido. Então fui atrás de você assim que percebi. Fui à direção
em que vi Bruno desaparecer com as outras vitimas. – respirei antes de
continuar – Encontrei-o com você sob seu poder, ele disse que viera atrás de
vingança de quem matara sua Annie, as coisas de sempre. Lutamos e por um
momento você voltou a si, depois ele o atacou você caiu desacordado, por isso
você foi parar no hospital
- E o Bruno?
- O matei – preferi mentir. Sentindo bem
ao fazê-lo. Levantei-me com um sorriso – Com fome? Posso pedir alguma coisa pra
você enquanto você se limpa. – ele suspirou e afundou a cabeça nos
travesseiros. Pensei que por um momento ele diria que não tinha fome. Mais me
enganei.
- Eu quero um hambúrguer. – ele disse por fim olhando-me com um
sorriso. – toda essa historia me deixou com fome. – Ele se levantou em um
salto. – Vou tomar banho. – Esperei até que ele entrasse no
banheiro. Fui até a cabeceira da cama,
onde em cima do criado mudo estava o telefone, disquei o numero da recepção.
Logo fui atendida. Fiz os pedidos, diante da confirmação desliguei o
telefone. Levantei-me da cama onde
estive sentava enquanto falava ao telefone, fui até a janela e as abri,
sentando-me no parapeito, encostei minha cabeça na veneziana. Eu já não ouvia o som das musicas da
Metálica.
Do outro lado da porta ouvi o barulho
da água caindo, pelo menos ele não cantarolava debaixo do chuveiro, pensei
rindo. Voltei minha atenção pro lado de fora do hotel. Alguns carros
transitavam pelas ruas, ali pelas redondezas, sem parar no hotel. Allan saiu do
chuveiro com uma toalha enrolada na cintura. Com outra toalha ele secava os
cabelos, que agora pareciam revoltos. Algumas gotas dos cabelos de Allan
desciam persistente pelo tórax bem definido, acompanhei a gota com um sorriso
até ela sumir em sua cintura, absorvida pela toalha. Por sorte ele está ocupado em secar os
cabelos, caso contrário teria me pegado observando o belo corpo.
- Minha vez. – eu disse pegando minha
valise. Alan jogou a toalha que estava usando para secar os cabelos em um
canto. Antes de dizer.
- Já pediu?
- Sim. Logo vai chegar. – Entrei para o banheiro, tirei minhas
roupas, liguei as torneiras da banheira. Decidi que tomaria um banho longo de
banheira em vez um de chuveiro. Assim que a banheira encheu-se na quantidade
ideal, entrei. Deixei todo meu corpo submerso, antes lavar meus cabelos. Fiquei
submersa por tempo suficiente, para minha mente vagar, não para muito longe.
Fiquei submersa por mais tempo que qualquer humano pudesse ficar. Minha mente se perdeu por alguns
instantes, fechei os olhos e visualizei o belo corpo enrolado apenas com a
toalha de banho. Os pensamentos obscenos que tomaram conta de minha cabeça me
fizeram imergir, buscando ar, mesmo não precisando dele.
Allan era apenas um
garoto com um corpo mais evoluído. E esses pensamentos não se encaixavam entre
ele e eu. Percebi que se continuasse ali parada minha mente voltaria a ter
fantasias com o adolescente do outro lado da porta. Pus-me de pé rapidamente
esticando o braço para pegar a toalha próxima e me enrolar nela. Sai da
banheira peguei outra toalha e enrolei em meus cabelos. Desenrolei-me da toalha
e sentei-me na borda da banheira estiquei uma das pernas e a sequei lentamente,
fazendo o mesmo com a outra perna, quando terminei passei a secar meus braços e
cada parte do meu corpo. Tirei o pino que segurava a água da banheira
deixando-a escorrer. Levantei-me enrolando-me na toalha, abri a porta,havia
deixado minha valise em algum canto do quarto. Ao mesmo tempo em que sai do
banheiro Allan abria a porta para o serviço de quarto que trazia nossos
pedidos. Desenrolei meus cabelos da toalha terminando de secá-los com outra
toalha totalmente seca, olhei para porta o garçom entrava no quarto com um carrinho,
me fitou por alguns instantes e depois ao Allan que ainda estava sem camisa, e
com o zíper das calças aberto. Pude ver um pequeno rubor na face do jovem garçom.
Assim que Allan fechou a porta eu comecei a rir. Allan seguia em direção ao
carinho sem se importar em fechar o zíper.
- Qual a graça? – ele perguntou abrindo
uma das bandejas.
- Você não percebeu a vergonha no rosto
dele? – eu disse indo em direção a minha valise para pegar minha escova.
- Para dizer a verdade não. -O que já era
de se esperar, pensei comigo mesma.
- Acho que pedimos toda essa comida por
termos que recuperar as energias supostamente gastas. – sai do banheiro já
escovando meus cabelos.
- Como assim? – Allan
olhou pra mim, sentei-me na cama penteando meus cabeços.
- Ele me viu sair do
banheiro apenas de toalha, você não teve a decência de fechar seu zíper, seus
cabelos estão úmidos... – decidi que não terminaria a sentença, apenas olhei
para cama de modo sugestivo. – nesse momento percebi o brilho de compreensão
nos olhos de Allan. E pela primeira vez o vi ruborizar violentamente.
- Ah. – foi o único som
que ouvi sair da boca de Allan.
- Por sorte você não se
parece com um adolescente – eu ri alto. Peguei minha valise e entrei novamente
no banheiro. Vesti-me rapidamente, uma roupa confortável o suficiente para
passar a noite. Sai deixando minhas coisas no banheiro. Allan comia sentado em uma mesa redonda ao
canto. Um pesaroso silencio se formou em torno dele, enquanto comia em
silencio. Já era tarde para ele comer tanta coisa. Sentei-me no parapeito da
janela, e lá em baixo agora algumas pessoas andavam, outras cambaleavam,
falando alto, provavelmente estavam bêbedos. Uns segurando aos outros,
procurando equilíbrio na pessoa errada, já que os dois estavam prestes a cair.
- Você já se envolveu
com homens normais? – Voltei minha atenção a Allan que segurava o lanche perto
do rosto, o modo inclinado como a cabeça dele estava deixava seu rosto nas
sombras. Fiquei um pouco surpresa com a pergunta.
- Sim, claro. Às vezes
me divirto antes de matá-los. – Allan
ficou tenso por alguns segundos – Mais por que da pergunta? – perguntei
voltando minha atenção as pessoas berrando do lado de fora.
- Não, apenas
curiosidade. – Aquilo era mentira pude sentir, mais ignorei. Não o forçaria a
dizer qualquer coisa, além do que de certa forma, acho que não gostaria muito
da resposta.
- Cansado? – perguntei
do nada. – Melhor dormir, se você quiser podemos dar uma volta na cidade antes
de voltarmos a Gander.
- Claro, seria ótimo.
Mais não estou cansado, acho que dormi de mais no hospital. – Logo ele
dormiria, ele parecia abatido.
Allan se levantou da
mesa, ficando em pé por alguns minutos, antes de levantar a cabeça e vim em
minha direção. Os belos olhos azuis tentaram percorrer meu corpo vestido com a lingerie,
sem ser notado. Mais ele fora flagrado por meus olhos felinos, ergui uma
sobrancelha. Ele encostou se na parede ao lado da janela de costas para o mundo
lá fora.
- Como é? – ele olhou
diretamente para meu rosto – Como você se sente ao matar uma pessoa? – eu
sorri. A pergunta saiu baixa e tímida.
- Me sinto bem. – ele desviou os olhos dos meus por alguns
instantes parecia assustado – è da minha natureza Allan, para mim isso é
normal.
- Todos preparam suas
presas da mesma forma? – ele voltou a me encarar.
- Não, muitos preferem
sentir o prazer sexual nas veias de sua presa. Outros como eu preferem, sentir
o gosto do medo. Muitas matam por matar,
não pela sede.
- E você? Mata por matar ou pela sede?
- Pelos dois. Hoje ando ocupada de mais pra sair matando por matar, hoje mato por causa da
sede. – eu disse zombeteira enfatizando o ‘ocupada’. Allan moveu se inclinando se sobre o
parapeito, encolhi uma de minhas pernas deixando a outra no chão, deixando
espaço para que Allan pudesse ocupar o espaço necessário. – o que você sentiu
quando percebeu ter tirado a vida do seu irmão? – aquela definitivamente não
era hora nem lugar para falar sobre isso, mais já que estávamos falando em
sangue.
- Não sei exatamente como me senti, sei que
senti medo depois, raiva ódio antes. Senti que mesmo assim, mesmo ele estando
morto, eu não era bem vindo naquela casa. Não sou e nunca serei. – ele era como Caim, matara o irmão por
inveja. Inveja do amor que os pais depositavam apena no filho mais velho. – De
certa forma ainda dói, dói menos, mais ainda dói.
- Logo, logo você não
sentira mais nada. Tudo não terá passado de meras lembranças. – afaguei os
cabelos já secos de Allan. A imagem dele como um ser imortal veio-me a mente.
Talvez ele fosse mais que apenas um recipiente, que Haboryn usaria.
- Será que estão voltando do show? – ele
apontou as pessoas nas ruas com um gesto de cabeça.
- É provável.
Ficamos ali naquela
mesma posição conversando sobre o show, ou a parte em que pudemos curtir. Até
que Allan bocejou, seus olhos se tornaram cada vez mais pesados. Logo ele
desistiu e deitou se na cama. Faltavam poucas horas para a alvorada, quando por
fim ele adormeceu. Fiquei olhando as estrelas sumirem com a chegada da manhã e
antes que a Luz pudesse atingir a janela fechei-as, fechando também as
cortinas. Allan dormiria durante boa parte da manhã. Fui até sua bolsa. Por
sorte ele trouxera o notebook. Liguei-o. Procurei por noticiais do show da
noite passada. Nada que o horário pudesse ajudar, mal amanhecera.
Decidi que procuraria
um próximo show, quem sabe esse fosse menos emocionante e mais divertido. Não
encontrei muita coisa, apenas show’s sem certeza. Não seria do quarto já que a
qualquer momento Allan podia despertar. E não esperaria mais para podermos ir
embora.
- Natasha? – já era quase nove da manhã
quando Allan despertou. Rolou na cama, ficando sentado esfregando os olhos.
- Bom dia – eu disse
abrindo uma bandeja com um café da manhã caprichado. Antes eu havia desistido
de ficar no quarto, vesti-me efui dar uma volta pelo hall do hotel, aproveitei
e fiz o pedido do café da manhã para Allan. Eu ainda voltara a tempo de receber
o garçom com o carrinho de comida.
- Bom dia ele me respondeu de volta –
Levantou olhou rapidamente o café e foi ao banheiro. Logo ele voltou, havia lavado o rosto, agora
mais corado. Ele voltou a espiar o café da manhã apenas beliscando uma ou outra
coisa.
- Sem fome?
- É, parece que sim. – ele sorriu sem graça.
- Pois eu estou sentindo um pouco de fome –
sorri do modo perverso. Ele pareceu
ficar nervoso por alguns segundos mais relaxou logo. - Quando você estiver
pronto me avisa sim. Peguei minha valise e a deixei fácil. Logo Allan desistiu e comeu uma omelete.
- Vamos? – Allan já havia se limpado e agora
trajava roupas diferentes das da noite passada. Usava uma calça jeans escura,
uma blusa preta que contrastava com a pele alva. Finalizando o lookele vestiu uma jaqueta preta de
couro. Peguei minha valise e abri a porta, sai e esperei que Allan me seguisse.
Descemos as escadas em silencio. Não precisávamos ir até a recepção nossa
estadia já estava pago e acertado, meu carro já nos esperava em frente ao
hotel.
Peguei a chave com o
manobrista. Entrei no carro, esperei que Allan jogasse as malas na porta malas
e entrasse. Então dei a partida e saímos.
Como dito demos algumas voltas pela cidade, paramos em algumas lojas,
compramos coisas que não precisávamos. Algumas roupas e sapatos que vi em
vitrines, coisas fúteis que eu já tinha sobrando. Entramos e saímos e algumas
lojas antes de seguirmos até a inter com a estadual.
- Temos dois dias longos e monótonos de
viagem. – eu disse de repente deprimida. Allan esticou o braço e ligou o cd
player, arrumou um cd da Metálica.
- Já que perdemos boa parte do show. – ele
disse enquanto a musica começava. – desviei meu olhar da estrada um tanto
movimentada o olhei sorrindo.
- Espero que tenha outros show’s, e que
sejam mais perto de Gander. – eu disse ainda sorrindo mais voltando minha
atenção para estrada.
Durante todo o dia de viajem, conversamos e
ouvimos e ouvimos de novamente os cd’s da Metálica, e alguns outros. Quando por fim a noite caiu aumentei a
velocidade, Allan apertou o cinto de segurança.
- Não custa prevenir – ele disse brincalhão
ao perceber que eu o vira segurar se firme no acento. Ainda era cedo, e ainda
havia vários carros, e eu os deixava para trás. As horas passavam e Allan
demorou a dormir. Alegava ter dormido de mais. De vez em outra ele cochilava,
acordando em seguida para voltar a cochilar. Sorri ao ver os olhos pesados de
sono durante a madrugada. Quando por fim Allan adormeceu, pisei o acelerador.A
movimentação da estrada era pacata, ótima para poder pisar no acelerador sem
medo
As poucas paradas que fizemos nos
permitiu alguma vantagem em relação ao tempo. Logo Allan gostaria de se
levantar e esticar as pernas, quando acordasse. Provavelmente estaríamos na
estrada quando isso acontecesse nesse caso ele teria que esperar até
encontrarmos pelo menos um posto de gasolina perdido em meio à estrada, ou algo
parecido.
****
- Está entregue – eu disse assim que
chegamos à frente da casa de Allan, duas noites após termos saído da Calgary, a
viajem fora tranqüila sem muita emoção ou novidades. A não ser por uma
garçonete oferecida que flertou com Allan em minha frente. A mulher era alguns
poucos anos mais velha que ele. Usava um decote insinuante, e passava a todo o
momento mostrando as belas pernas. Allan ficara nervoso ao ver ela se inclinar
e mostrar o inicio dos seios. Eu tive que segurar o riso para não rir dela. Era
patético ver o que ela estava tentando fazer. Por mais que ela fosse bonita,
Allan era de mais pra ela.
Em algum momento, ele me olhou como se
pedisse ajuda, sorri, então limpei a garganta de modo que ela desviasse a
atenção para mim. Ela ficou olhando-me
estática por alguns segundos, sorri de modo sedutor, antes de dizer.
- Algum problema com sua coluna? –
perguntei mexendo meu Milk shake com o canudinho.
- O que? – dei um sorriso de lado.
- É que você fica a todo o momento se
inclinado em cima dele. – eu disse ainda com um meio sorriso. Ela pareceu
envergonhada por um momento. Logo ela endireitou o corpo e disse.
- Vão querer mais alguma coisa? – Eu
balancei a cabeça negativamente então ela se foi a passos largos. Assim que ela
sumiu de nossas vistas perguntei:
- O que? Não gostou dela?
- Não é isso, ela é bem bonita. É que –
ele deu de ombros – sei lá - ele
finalizou com um suspiro.
- Você precisa se divertir. E caso queira
podemos ficar aqui por mais algumas horas, sem problema algum. – Olhei em volta
– posso me divertir também. – Ele
engoliu em seco. Voltou à atenção ao Milk shake que tomava antes de dizer.
-
Quem sabe em uma próxima. Agora ela não vai voltar mais aqui. – ele sorveu um
pouco do Milk shake. – ela deve achar que você é minha namorada. – eu ri.
- Não se preocupe, mesmo que ela tenha
pensado isso, ela não se importaria de tê-lo na cama dela. – eu pisquei pra
ele, que sorriu timidamente.
Agora eu voltava para mansão. Talvez eu
conversasse com Melissa, ela sabe muito bem que seus filhos devem ficar por
perto até aprenderem algumas pequenas regras.
Capitulo 24
Cheguei
à mansão num instante, e nesse mesmo intervalo de tempo eu alcancei o quarto de
Melissa. Bati na porta por três vezes e então se abriu. Melissa estava deitada
com sua tapa olhos, seu quarto um breu.
-
Não precisa fingir. Vampiros não dormem. – Falei ironicamente.
No
mesmo instante como num piscar de olhos ela estava sentada encostada na armação
da cama. Elevou seu braço sedutoramente e retirou a tapa olho, seus olhos azuis
brilharam.
-
Algum problema Natasha? - Seu sotaque irritante pareceu da mais ênfase em suas
palavras.
-
Que história foi essa de criar um vampiro e o deixar à solta?
-
Do que você esta falando? – Ela se fingiu de cínica.
-
Poupe-me Melissa. Sabe muito bem do que estou falando.
-
Enton refresque minha memória
Natasha.
Eu
já estava perdendo minha paciência, ela e seu jeito esnobe me enojavam.
-
Bruno. Lembra agora? Do rapaz que trouxemos para você se alimentar no dia em
que marcamos para matar Annie?
-
Oh! Oui! Lembro-me agora. Mas eu o
matei Natasha. Depois de sentir todo seu suor corporal em minha pele fria.
Olhei-a
por alguns instantes, tentando acreditar em como ela é tão fácil para criar uma
mentira.
-
Então o que você me diz de eu encontrá-lo num show da Metálica em Calgary?
-
Oh! – Seu rosto tentou mostrar uma falsa surpresa.
-
Cínica. Diga-me a verdade?
-
Qual verdade na Natasha. O real ou a que você quer ouvir?
-
Não me provoca Melissa. Você não conhece o que sou capaz de fazer? – A fitei
por uns instantes – Como sou burra. Em Calgary!
-
O que quer dizer Natasha?
-
Para! Já Chega de Cinismo, abre o jogo. Eu vou pra Calgary e coincidentemente
encontro o Bruno por lá, como que destino. Foi tudo uma armação.
Melissa
sorriu. E no mesmo instante eu estava do lado dela.
-
Revele-me. – Eu estava furiosa e não vi a tapa que tentei deferir em seu rosto,
só que seus braços também foram rápidos e me bloquearam.
-
Nunca ouse tentar tocar em mim vampira. - Sua voz saiu calma e ameaçadora.
-
O que você tem haver com tudo isso Melissa – Desci minha mão e tentei acalmar.
-
No dia em que Kimberly o trouxe até mim ele suplicou para continuar vivo, mas eu
e Dãcan só o queríamos matar. Armamos toda a cena romântica para relaxá-lo,
tirar o medo do seu corpo. E ele estava tão belo. Eu comecei flertá-lo, a
tocá-lo, o beijava com vontade, e sua pele me induzia a mordê-lo, mas eu queria
resistir e aproveitar mais. Quando Dãcan percebeu que era só eu que
aproveitava, que o havia esquecido literalmente ele sentiu ciúmes. Puxou-me
pelas costas e me arremessou, Bruno voltou a sentir medo e ele irou-se mais
ainda, então lhe deferiu um golpe no rosto, Bruno parecia que não ia mais
sobreviver. Então sai do quarto e Dãcan o deixou ali para morrer no sofrimento.
Eu realmente não me importava, mas Bruno me significava alguma coisa e eu tive
que voltar. Naquela mesma noite eu retornei.
-
Continua. Mas me conte tudo, não quero mais que me esconda nada. – Disse quase
adivinhando as ultimas palavras.
-
Enton non me interrompa – Ela sorriu
– Bruno estava um pouco tremendo e eu pensei no que poderia ser feito,
transformá-lo não ia ser uma boa, eu já tinha minha pupila, a Lana. Mas um
vento entrou no quarto e me disse algumas coisas que me alegraram me falou
sobre poder, sobre deixar de ser submissa, sobre ser rainha. Então entendi o
que eu estava perdendo estando aqui, e essa voz me pediu para transformar
Bruno, porque ele poderia ser útil mais tarde.
-
E aonde você o deixou durante todo esse tempo?
-
Eu o escondi aqui na mansão, fora Dãcan e suas tentativas, ninguém visita o meu
quarto. A non ser em situações
especiais como hoje, não é mesmo?
-
Então continua.
-
Eu o transformei e o guardei aqui, o fiz viver de diablarie, eu o fazia tomar meu próprio sangue, mas suas narinas
sentiam o sangue doce dos humanos embaixo e isso às vezes o enlouquecia.
-
De quem era a voz que você ouviu? – Perguntei intrigada.
-
Por favor, Natasha. Você sabe de quem estou falando.
-
Haboryn!? – Perguntei surpresa.
-
Em pessoa. Ele mesmo, e senti que teria mais futuro ao lado dele, do que de um
bando de vampiros falidos.
-
Mas e sua lealdade a Silas?
-
Silas. Você sabe mais do que eu. Ele já esta enlouquecendo, non da mais pra confiar e conviver. A
sua morte é iminente.
-
Então você e Haboryn estão juntos. Agora me explica porque Bruno em Calgary.
-
Haboryn quer enfraquecer o anjo, para conseguir atravessar esse mundo. Para
isso ele precisa que o anjo perca mais um protegido. Enton pediu que eu enviasse Bruno para matá-lo. Mas enton Haboryn descobriu que Bruno é
hipnótico, enton sabia que ele
poderia ajudar a drenar o poder do anjo. Mas você atrapalhou tudo e o deixou
irado.
-
Já tenho que ir. – Falei ainda zonza com todas as informações.
-
Non tem nada para me falar Natasha? –
A deixei falando sozinha e parti. Fui para o meu quarto, precisava colocar as ideias
na cabeça.
Meu
quarto parecia tão mais espaçoso, deitei em minha cama, como uma adolescente
confusa. E todas as minhas decisões anteriores, todas as minhas duvidas
antigas, parecia que aquilo nunca iria acabar. Tentei lembrar-me da noite em
que fui transformada, quando Silas em trouxe a liberdade. Eu jurei que tudo
seria diferente, que não me apegaria a mais ninguém, que me tornaria uma
assassina cruel, que o medo me alimentaria. No entanto eu me entorpeço de
sentimentos que eu pensei terem extinguido de mim. Alguns flashes de quando eu
era uma recém-transformada às vezes invadem minha mente, e quando eu vigiava um
rapaz até os dias de sua morte. Depois o anjo, Haboryn, Allan. Não, porque eu
simplesmente não o mato! Não preciso temer o filho da luz nem o filho da
serpente. Mas quando seus olhos prateados me encontraram. Eu senti um tipo de
nostalgia, como se eu já vivesse aqueles olhos. O seu fervor em proteger Annie,
Allan, e agora a mim. Eu o desejo, eu quero sua proteção, seu eu, seu corpo,
mas seus olhos sempre desviam de mim, nunca estão aonde eu quero, e isso me enfurece.
Olhe para mim anjo, me deixe fazê-lo sentir amado, Annie e Allan são as mesmas
pessoas, só o faz sofrer e nunca te dão nada em troca. Lembra-se, sou eu, a
humana que te vê.
Não
consegui, os meus pensamentos estavam me massacrando, então levantei da cama
furiosa, peguei um ganso de cristal em minha cômoda e o atirei contra a parede
e gritei. Um ódio estava me corroendo, e o que mais me enojava era me sentir
humana novamente. Parecia que pensar no anjo, estar com o anjo me trazia tais
sensações, mas perto dele eu gosto de me sentir assim, mas quando estou longe
eu quero que se estirpe, que sumas essas inúteis sensações. E Allan, que
pensamentos foram aqueles, na verdade que ação eu tomei, em outras
circunstâncias ele seria apenas mais uma vitima sexual, não hesitaria em me
entregar a ele. Mas eu consegui controlar minha libido, às vezes até confundo o
que sinto, amigos, por favor, eu não posso ser amigo de ninguém, amante,
porque, porque eu hesitei. Sentir todo seu corpo evoluído no meu era o meu
desejo naquele instante, mas preferi ficar e pensar no anjo. No doce anjo dos
olhos prateados. É com ele que eu quero amar, é sentir seu desejo angelical
transformando em desejo sexual e me amando entre as pedras e o lago Gander.
Talvez Melissa esteja certa, é Haboryn que eu devo estar, ao lado de quem
ganha, de quem pode me trazer satisfação. O que ganho estando junto ao anjo?
Proteção? E do que me adiantaria, sou uma vampira e sei muito bem me proteger.
Silas havia me advertido sobre tudo, mas eu teimei. Minha voz esta alta, não
conseguia suprimir minhas palavras em apenas pensamentos, tive que expor ao
alto no meu quarto. Sentei na cama tentando acalmar. O sol ultrapassava a minha
janela e algumas sombras se projetavam no chão do meu quarto, eram três
sombras, e as três me lembravam Haboryn, Adriel e Allan. Gritei furiosa mais
uma vez e joguei meu travesseiro no chão, e a sombra projetou-se sobre ele.
Então levantei irada e fechei à persiana e deitei novamente agora no escuro.
Precisava estar sozinha, quieta e sóbria.
O
meu silencio durou por horas. E alguns momentos eu quis arranjar um forma de
suicidar. Ou de me tornar humana novamente e vive livre de todas essas
confusões, ou só a antiga Natasha, cruel e assassina.
Da janela brilhou uma luz prateada,
a persiana estava aberta e essa luz se projetou em meu protetor iluminado. E
sua voz doce dizia: - “Venha a mim Natasha que serei seu amante protetor.”
Outra luz vermelha se aproximou e iluminou meus cabelos ruivos. Ela também se
projetou, em Haboryn, e nele havia chifres e cauda. E sua voz dupla dizia: -
“Venha a mim Natasha que serei seu amante destruidor”. Uma pequena sombra
estava no chão entre Haboryn e Adriel, sua cabeça emergiu do solo, é Allan e
ele ficou entre os dois e na frente, e sua sombra refletia os dois seres.
Apaguei
meus pensamentos e gritei: - Anjo porque entrou em minha vida? Porque me fez
amar e ser humana? – Soquei a parede. – Demônio, porque surgiu e me fez amar o
poder e a conquista? – Gritei o mais alto que pude – Allan foi você quem os
trouxe até mim!
Meus
gritos e socos foram abafados por uns toques suaves na porta do meu quarto.
-
Entre.
Silas
veio lentamente ate o meu leito e se sentou ao meu lado.
-
O que esta acontecendo Natasha?
-
São eles Silas – Minha voz pareceu desesperada. – Silas então me abraçou e me
trouxe a seu peito. Eu pareci ouvir Melissa dizer que eu era a preferida dele.
-
Eu sei Natasha. Mas se acalme e exponha o que esta acontecendo.
-
O anjo me traz tantos sentimentos humanos, e Haboryn me faz querer o que todo
vampiro sonha.
-
Nunca vos disse que seria fácil enfrentar tudo isso. Mas minha tarefa foi para
que você destruísse os protegidos do anjo. Consegue se lembrar? – Sua voz calma
me fazia seguir o ritmo.
-
Sim. É claro. Mas Haboryn e o anjo conseguem me persuadir tão bem quanto você.
-
Natasha. Não tento persuadi-la, mas se tivesse executado o que eu pedi, estaria
longe dessa dificuldade. Provavelmente o anjo já não estaria aqui, e Haboryn
não poderia mais vir até nosso mundo.
-
Eu sei que tem razão. Mas perto dos dois, parece que sentimentos humanos brotam
em mim, compaixão, temor e insegurança.
-
Basta! – Sua voz saiu tranqüila, mas decidida. – Sabe o que tem que fazer para
acabar com isso. Matar Allan é só o que precisa fazer para acabar com todo esse
tormento. Sem o anjo, sem o demônio, a sua vida como sempre foi.
Eu
me afastei e segurei firme suas mãos atrás de apoio.
“O que eu quero é a destruição de
Christine, e se estiver comigo, John também cairá.”
Ouve
isso no instante em que apertei sua mão. A voz era dupla e lembrava muito
Haboryn. Será que Silas também esta do lado dele.
-
O que está tentando fazer? – Perguntei tendo certeza que ele não ouvira o que
ouvi.
-
Como assim? – Ele me fitou alguns instantes.
-
Eu simplesmente vou me afastar de todos, e viver minha vida sem os três. O que
tiver que ser, será.
-
Natasha, não faça isso, você é marcada por eles, evitá-los só irá deixá-los com
mais raiva.
-
Porque se preocupa tanto? – O fitei desconfiada.
-
Porque eu a amo; como um pai ama uma filha.
-
Não me convenceu o que está por trás de suas palavras Silas. Não minta pra mim.
Estou cansada de mentiras, de falsidades, de joguinhos.
-
Não estou te entendendo filha. Você nunca havia falado assim comigo antes. –
Ele estava preocupado, mas seu rosto não expressava nada. E isso só me
irritava.
-
Talvez porque antes você não havia me dado motivos. O que você quer com
Haboryn? – Foi como se ele tivesse ouvido pela primeira vez esse nome, ele
estava confuso.
-
Não sei o que esta dizendo?
-
Eu sei que vocês conversaram. E ele disse que quer a destruição de Christine e
se você o ajudar ele destrói John.
-
Está enlouquecendo Natasha. Nunca troquei uma só palavra com esse ser. Alias
minha única ponte com ele é você. – Estava tão sincero, que me irritava ainda
mais, eu já mais desconfiaria de meus instintos.
-
Não tenho tanta certeza assim. De uns tempos pra cá, o que vocês mais sabem
fazer são esconder coisas de mim, e ta vindo a tona tudo que vocês fizeram,
tudo que ocultaram está se apresentando.
Os
olhos de Silas embranqueceram e fui obrigada a ficar quieta. Ele fica assim por
alguns instantes e então me fita.
-
Aconteça o que acontecer, saiba de quem sempre esteve ao seu lado, de quem a
protegeu, de quem a libertou, e escolha o caminho certo.
-
O que está dizendo. Conte-me o que viu?
-
O futuro Natasha é sempre uma caixinha de surpresa, se eu contar o que vi, ele
certamente mudará. E essa mudança nem sempre é a boa. Mas fica o legado, se
fizer alguma coisa que me ire, tenha a certeza que eu não hesitaria em
destruí-la.
-
Não me ameace Silas. – Tentei me manter firme, mas recebi toda aquela
informação com muito peso. Ele nunca havia sido tão duro comigo.
-
Até mais. – Sua cabeça balançou e ele levantou, segui com os olhos cada passo
até a porta. Ele a abriu e me encarou por mais um tempo, eu estava perplexa.
Então fechou a porta e me deixou ali estática.
Fiquei
refletindo em suas palavras, ainda não acreditando no que ele me dissera. Como
é domingo, resolvi espairecer a cabeça, hoje não estava sendo um bom dia.
Esperei anoitecer mais um pouco e fui para o Sparks. Usei um vestido preto
tomara que caia e um salto alto da mesma cor. Eu estava pesarosa, então arrumei
um colar de ônix. Então parti, desci as escadas; má e sedutora. Dãcan e Paul
estavam lá embaixo e assoviavam quando passei por eles. Fui até a garagem e
peguei meu carro, atravessei o portão, minha mente estava má essa noite. Não
demorou até que eu cheguei ao Sparks. Comprei meu ingresso e entrei, geralmente
domingo não tem muita gente, mas hoje, parecia que todos quiseram espairecer a
cabeça tomando umas e fazendo sexo. Sentei numa poltrona próxima ao bar e pedi
meu clássico Dry Martini. Tomei sedutoramente olhando o novo garçom, mas hoje
não será ele quem eu quero. A musica foi trocado, e não havia muitos góticos.
Prestei atenção na letra de uma.
“O
cúpido apertou o meu bumbum. Você quer amor ou fama? Esse é o jogo do amor!”
Personalizei-me
nessa letra. Então levantei para dançar. No gingado, acompanhando as batidas
pop da musica, meus cabelos ruivos esvoaçavam e ficavam intensos, não tinha
como não chamar atenção de alguém. Meu destino foi ao centro da pista, dançando
entre diversas pessoas estranhas e familiares ao mesmo tempo. Um rapazinho
loiro, cabelos compridos e olhos verdes me chamaram atenção. Aproximei-me e ele
se contagiou, dançando comigo nem percebia o perigo que se é estar comigo.
Tocou em minha cintura por cima do vestido e ainda não notará minha frieza, fiz
questão de mostrar, toquei sua nuca, e por alguns instantes sua boca tremeu e
ele arfou. Aproximou-se mais para falar algo em meu ouvido, então beijei seu
pescoço e ele já não sabia mais o que estava sentindo.
-
Você é fria. Será que posso esquentá-la?
-
Será um prazer.
Dançamos
mais um pouco e saímos do Sparks.
-
Aonde pretende me levar? – Perguntei entusiasmada.
-
Entre no carro que eu já te mostro.
Entrei
em seu carro prata. No caminho ele foi tocando minhas pernas geladas.
-
Está com frio docinho?
-
Talvez um pouco com medo, afinal, não conheço você.
-
Relaxa gatinha. Você não vai se arrepender de sair comigo.
-
Eu tenho certeza que não. – Fitei-o e pisquei um olho direito.
Paramos
perto de uma floresta, parecia ser perto do lago Gander.
-
Podemos ficar aqui, depois nos lavar no lago.
Toquei
entre suas pernas e senti seu volume. Então o beijei, suas mãos tocaram meus
seios, e depois de um instante ele parou.
-
Aconteceu alguma coisa?
-
Não. Eu só acho que agente deve ir pro banco de trás. – Então fiz como ele
queria. Deitei lá no fundo e ele veio por cima de mim. Sua mão dentro do meu
vestido alisando minha perna. Ele me olhou sorrindo. Peguei sua mão e avancei
mais para dentro, ele tremeu e arfou.
-
Nem acredito que estou aqui com você. Você é tão linda.
-
Então aproveite cada segundo. – Então mostrei meus dentes. Ele arregalou os
olhos e tirou rápido sua mão de mim e afastou batendo a cabeça no carro. Eu
sorri. Talvez eu quisesse experimentar o doce sangue excitado, mas hoje eu
queria o medo, para representar esse medo interno que senti.
Ele
tentou abrir o carro, mas estava atordoado demais para conseguir. Toquei sua
perna e ele entendeu o porquê de eu ser tão fria.
-
Não vai doer nada. Eu prometo.
-
Por favor! – Ele me pedia descendo lagrimas de seus olhos – Deixe-me ir embora.
Aproximei-me
mais e ele tentou resistir, segurei seu dois braços e ele desceu, fiquei por
cima dele.
-
Invertemos não é mesmo.
Então
lhe cravei uma mordida no peito. E ele gritou, e eu sorri. Encontrei seu
pescoço e sua veia pulsando gritando meu nome. Então lhe dei a mordida final e
parti.
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