sábado, 10 de outubro de 2015

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Cap 15 –

 Procurei por Allan novamente na escola, agora que eu sabia que o anjo o estava protegendo me aproximaria mais dele, até ter a absoluta certeza que eu teria que matá-lo.
Eu teria que matá-lo a realidade me fez parar. Matar o pobre garoto que sofreu tanto com a rejeição dos pais e que me comoveu. Eu sabia que não era pra sentimentalismo humanamente bom. Allan Schwartz tinha em mãos o poder de criar uma guerra entre raças, e isso não poderia acontecer. Será que Silas previu a chegada de Christine em meu quarto, me revelando tudo? Será que eu poderia guardar em segredo por tempo suficiente, pra eu me aproximar do anjo? Respirei fundo. Procurei me acalmar. Se Silas soubesse eu não poderia hesitar em matá-lo. 
Balancei a cabeça, tentando afastar esse sentimento tolo, talvez eu nem precise matá-lo. Caminhei pela manhã, fria, branca e nublada, envolvi meu corpo com meus braços, imitando algumas outras pessoas que por ali passavam. Não era tão cedo, então Allan deveria estar entre o intervalo de uma e outra aula. Caminhei mais rápido. Quando por fim cheguei à frente da escola onde Allan estudava, parei.  Como eu não havia percebido que Allan era o novo protegido? Tantas pistas o levaram a ele, perdi tempo imaginando ser a pequena Melody, já que a meu ver ela aprecia ser especial, mais não o anjo esteve o tempo todo por perto e não nem havia percebido. Como pude ser tão burra. Mais agora não importava. Será que eu o veria, ou ele não me deixaria? Procurei acalmar minha euforia.  Respirei fundo e voltei a caminhar, eu poderia facilmente pular os murros dos fundos como sempre, mais dessa vez não o fiz.
- Posso ajudá-la? – uma mulher baixinha, com cabelos castanhos, presos em um rabo de cavalo me abordou, provavelmente a monitora.
- Procuro pelo aluno Allan Schwartz – dei um sorriso cativante, ela também sorriu então disse:
- Venha comigo, por favor. – Não esperei que ela falasse de novo, segui-a. Seguimos pelo corredor central. Alguns alunos transitavam por ali e me olhavam com curiosidade. Os olhava e sorria- lhes sedutoramente. A mulher baixinha andava rápido em proporção de seu tamanho.  Quando chegamos ao fim do corredor, em uma porá ampla ela parou e apontou pro lado de fora. Segui com o olhar pra onde ela apontava. Em baixo de uma arvore estava Allan.
- Ali está ele, como sempre.
- Obrigada. – esperei que a mulher fosse embora, pra eu dar os primeiros passos em direção a ele. Eu estava animada, eufórica, por dentro.  Tentei controlar essa emoção, entes que Allan percebesse e acabasse me perguntando. Claro que sem nem o menor problema eu poderia mentir. Mais concentrada eu voltei minha atenção e ele.
Allan estava sentado encostado no tronco da arvore, com os joelhos perto do corpo, usando-os como escoro pra um caderno, que parecia de desenhos.
- Olá Allan. – eu disse, ele desviou o olhar do caderno e me fitou, sorri.
- Olá Natasha, sente–se aqui. – ele apontou pro chão ao seu lado. Assim que me acomodei ao seu lado, ele comentou:– Oh, seus cabelos, tão de uma cor mais viva do que a ultima vez. Está tudo bem? – claro que estava, pensei comigo mesma.
- Claro está tudo bem. -Eu sabia que as cores vivas de meus cabelos eram devido à minha excitação, de saber que o anjo poderia estar ali, do meu lado, olhando seu novo protegido.
- Posso saber a que devo a honra? – ele me perguntou.
Apenas dei de ombros
- Posso ver? – eu disse olhando pro caderno nas mãos dele. Ele sorriu e estendeu o caderno. Observei o primeiro desenho, parecia com Allan só que de certa forma mais velho, talvez fosse o irmão dele. Ele parecia feliz ali. – Você é talentoso.  Eu o elogiei, admirada com o talento de poder capturar a expressão do personagem ali retratado.
- É apenas um passa-tempo, desenho pessoas próximas, recordações minhas, e algumas recordações alheias. – Ele disse como se pensasse alto.
Na outra pagina um gato, o gato preto. Willian; pensei. Na pagina ao lado, uma criança moribunda, deitada no sofá, parecia desconfortável, um de seus braços estava estendido pra fora do sofá, perto dos pés do garoto uma mulher. Lembrei-me da historia que Allan havia me contado sobre a bruxa e do garoto que descobri ser Christine e Willian, devia ser uma recordação alheia como ele havia ressaltado.
Continuei a folhear as paginas, enquanto eu olhava os belos desenhos, Allan me observava. Ali em meio aos vários desenhos havia anotações, porem não as li.
Na ultima pagina havia o rosto de uma mulher, com olhos verdes, cabelos cacheados vermelhos, parecia que essa imagemera a imagem menos sobrenatural ali, pois ela estava serena, feliz. Fiquei olhando aquela imagem por mais tempo que o necessário, ao lado esquerdo estava escrito o nome Meg.
- Meg - disse num sussurro. Demorei alguns instantes pra conseguir desviar os olhos daquela imagem.  Era estranho ver aquele nome, e me ver ali. Eu sabia que aquela era minha imagem. Só não entendia por que ultimamente esse nome me perseguia tanto.
Quando consegui desviar meus olhos do desenho, olhei pra Allan, ele parecia um tanto sem jeito, tímido, não disse nada apenas deu de ombros e sorriu.
Olhei mais atentamente pra ele, apurando meus sentidos, tentando assim sentir a presença do anjo, que pelo visto, estava muito bem camuflada. De repente um som me fez desviar a atenção dele pro outro lado, era o sino.
- Preciso ir – Allan disse já se levantando.
- Claro, - eu disse entregando-lhe o caderno. - A gente se vê. – eu disse vendo–o se afastar.
Enquanto ele se afastava, senti algo de diferente, fiquei olhando as costas de Allan enquanto ele seguia pra dentro da escola, ele olhou pra trás e sorriu. Foi então que percebi uma pequena luz, atrás dele parada, a pequena e quase imperceptível luz não se moveu seguindo Allan, mais ficou ali parado e aos pouco foi tomando forma, parecia um homem, ele me olhava parecia curioso. Eu não tinha certeza que eu via aquilo, ou se estava sendo projetado em minha mente. Preferi pensar que eu o estava vendo.
Eu retribuí ao olhar,sem saber se ele olhava exatamente pra mim, ou se sabia que eu podia vê-lo. Pisquei duas vezes, e então a pequena luz com forma humana havia desaparecido, procurei com o olhar por alguns instantes, mais não o encontrei. Suspirei desanimada.
- Já é um avanço. – nessa nossa relação turbulenta, pensei comigo mesma.
Caminhei lentamente até a saída da escola, de longe pude perceber que a monitora me olhava, então voltei e a olhei dei um sorriso um tanto malévolo em sua direção. Percebi que ele arregalou de leve os olhos e sua respiração se acelerou.
Ela podia muito bem pensar que eram coisas de sua cabeça, já que estamos já bem distantes uma da outra.
Suspirei, uma nova questão tomou conta da minha mente. Como o anjo protegia seu protegido?  Será que ele sobrevoa sua cabeça vinte e quatro horas por dia? Ou ele, andava atrás dele como um amigo imaginário? Será que o protegido tem um contado direto com ele? Ou será que o anjo se materializa em seu ombro direito nas horas de aflição e lhe sussurrava conselhos, como nos desenhos?
- Acho que essa ultima possibilidade não é muito plausível – disse enquanto caminhava, ainda era cedo não tinha muita coisa pra se fazer. Eu não podia ficar pendurada na janela da escola de Allan, a luz do dia, qualquer um poderia me ver. E de modo algum me passaria como aluna professora o que fosse. Esperaria até que ele saísse da escola, seria mais fácil. 
Mais o que fazer enquanto o tempo não passa? Ficar na mansão? Trancada em meu quarto?  Não havia um lugar que eu gostaria de ir, o Spark’s seria uma boa opção se não fosse tão cedo e ainda estar fechado.
Talvez eu devesse planejar sair com Allan, pra algum lugar que os humanos costumar gostar, como alguma lanchonete. Silas provavelmente gostaria de saber por que da minha aproximação com ele, já que ele já havia dito que era pra eu ficar esperta ficar longe do demônio. Que estava com Allan.  Faltavam algumas horas até que Allan saísse da escola, será que ele iria pra própria casa, ou pra casa abandonada?  Antes que ele saísse da escola eu o chamaria, talvez pudéssemos conversar. 
Quem sabe eu veria o anjo sentado ao lado dele. Com os lábios a sussurrar nos ouvidos de Allan pra que ficasse longe de mim. Era uma possibilidade.
Resolvi por fim que iria para a mansão. Talvez esperar que o tempo passasse o mais rápido possível. Meu quarto não foi o suficiente pra mim, não consegui ficar parada, precisava me mover, minha euforia estava me deixando nervosa. Procurei me concentrar eu não podia me mostrar tão eufórica, a ordem ali reunida acabaria me especulando. Então me concentrei, eu precisava de um tempo claro, já que meus cabelos me denunciavam. Droga - pensei.
Caminhei silenciosamente pela mansão, pelo menos assim eu pensei até ouvir a voz melodiosa misturado com seu pesado sotaque Frances.
         - Olá Natasha. – respirei fundo e me voltei para ela.
        - Olá Mellisa,como vai?
        - Muito bem obrigada, - ela disse com um belo sorriso nos lábios.
      Virei-me pra sair, mais antes que eu pudesse virar as costas, ela percebeu meu movimento e me deteve.
        - Alguma novidade Natasha? – eu sabia muito bem ao que ela se referia, o sorriso fácil nos lábios de Mellisa me fez pensar duas vezes antes de responder, podia ser que Silas tivesse tido alguma visão e contado pro resto da ordem, mais decide não confirmar nada, que pudesse ter acontecido.
       - Infelizmente não. Mais logo, logo terei. –disse com um meio sorriso. Ela apenas acenou com a cabeça, antes de disser.
       - Provavelmente ira contar para ordem se você tiver alguma novidade, não? – às vezes o pesado sotaque dela me irritava.
       - Claro, provavelmente contarei primeiro a Silas. – dizendo isso virei às costas e sai do campo de visão dela. O que ela queria?
O tempo passou rápido, enquanto eu rodava a mansão procurando o que fazer ninguém mais me abordara fazendo perguntas estúpidas.
  Quanto por fim desistide tentar me distraí, fui até o hall, pela fresta da pesada cortina, vi que já era quase à hora de Allan sair da escola, sai da mansão. Mesmo estando terrivelmente nublado eu sabia que já era (meio- dia), pois eu podia sentir os raios solares tentando se infiltrar por entre as pesadas nuvens.
Enquanto caminhava pra me encontrar novamente com Allan, involuntariamente passei a mão no meu pescoço, buscando pelo colar que Kimberly havia me dado, como proteção contra Haboryn.  Agradeci mentalmente por estar com ele, já que eu não sabia quando ele poderia aparecer, ou se Adriel seria forte o suficiente pra deixá-lo longe do possessivo demônio.
Cheguei à escola e esperei até que os alunos saíssem. Fiquei encostada a sombra de uma arvore, observando o portão, não tive que esperar muito logo o sinal tocou. As pessoas saiam apresadas dali, observei atentamente cada rosto que passava por mim, esperando ver Allan para abordá-lo. Logo o vi vindo sozinho, ele se destacava dos demais já que se vestia todo de preto, ele andava divagar com a cabeça baixa.  Quando ele ultrapassou os limites da escola, corri até ele, como alguns humanos ainda estavam por ali, resolvi atuar um pouco.
         - Allan – chamei-o e então acenei, corri humanamente devagar parei um pouco e olhei pros dois lados, antes de voltar a correr de encontro com ele. Ele sorriu ao me ver.
- Você parece bem normal fazendo isso.
       - Eu sou normal– eu disse enfatizando o ‘sou’.
      - Você daria uma ótima atriz. – ele disse brincando.
      - Não é pra tanto, também né - eu disse enquanto caminhávamos.
     - Imagina as atrizes morrendo de inveja de você, já que provavelmente os galãs cairiam aos seus pés. – eu ri. Ainda rindo respondi.
     - Talvez, - dei uma pausa – se eu tivesse um sotaque Frances, e tivesse cabelos negros, lindos olhos azuis – eu disse descrevendo Mellisa, ele percebeu e sorriu.
     - Acho que não, você é linda com esses cabelos singularmente vermelhos. – eu ri, parecia que ele admirava mesmo meus cabelos. Antes que ele pudesse dizer qualquer comentário tratei de disser?
       - Esta com fome?  - mudei de assunto drasticamente. Ele acenou com a cabeça afirmativamente.
      - Mais o que vamos comer exatamente? – ele disse com um olhar desconfiado.
     - Comida, talvez coisa melhor como um belo lanche, isso vai depender pra onde vamos.
          - Acho que sei onde podemos ir - ele disse. Sem conseguir conter minha curiosidade perguntei:
          - Aonde vamos?
         - A lanchonete Snake. Lá tem ótimos lanches. - seguimos o caminho todo conversando animadamente. Enquanto conversávamos minha mente imaginava o anjo ao lado de Allan.
 Eu não sabia se o anjo estava ali, não conseguia senti-lo mesmo com meus sentidos apurados, senti a total felicidade de Allan e isso talvez fosse um bom sinal da presença angelical. Não demorou muito até chegarmos ao Snake, eu já havia freqüentado ali, não quanto freqüento o Sparks.  Ali era um lugar onde se podia relaxar, comer as porcarias que os humanos costumavam comer. O Snake era conhecido pelos seus ótimos lanches, pelo seu Milk Shake delicioso, era o que diziam pelo menos, não costumava irali para comer.
         O Snake além que ser uma ótima lanchonete contava com uma lan house anexa.
- Antigamente eu costumava matar aula e vir aqui. Fartava-me, às vezes ia pra lan house. – Allan comentou quando nos acomodamos em uma das mesas.Um garçom veio nos atender deixou os cardápios e foi atender outra mesa. Logo o garçom voltou.
       - Já escolheram?- ele perguntou com um grande sorriso nos lábios. Depois que Allan fez seu pedido o garçom me fitou.
      - Hã, desculpe, não vou pedir nada, eu já me alimentei. – Allan não pareceu se importar.
 Continuamos conversando agradavelmente, pouco tempo depois o garçom voltou com os pedidos. Allan se afastou um pouco do encosto da mesa para que o garçom o servisse, ele contemplou seu pequeno banquete de guloseimas. Antes que ele começasse comer ele bebeu um longo gole do seu refrigerante, como para se aquecer pro primeiro round da comilança. Sorri diante de tamanho apetite.
Allan era apenas um adolescente precoce, pois ele aparentava ser mais velho tanto fisicamente quanto mentalmente, mais às vezes ele parecia apenas uma criança. Enquanto ele comia conversávamos, às vezes ele falava de boca cheia olhando pro próprio prato, não que me importasse. Aproveitei enquanto ele comia pra observar-lo. O anjo estava ali. Só não podia vê-lo. Por que ele não aparecia pra mim?
     - Algum problema? - Allan me perguntou de repente
     - Não, por quê?
     - Nada – ele disse olhando o lanche em suas mãos e depois pro prato, antes de voltar a fixar os olhos no pedaço de sanduíche em suas mãos e disser:- é que notei que você ficou um tanto distante de repente. Sorri.
- Imagina, impressão sua. Só estou esperando-o comer. Ficar melhor pra conversar não é? - Ele concordou com um aceno de cabeça enquanto terminava de comer.
- Já volto, vou até o banheiro – eu disse já me levantando.
 Entrei o banheiro e me olhei no espelho, passei a mão em meus cabelos, arrumei os antes de voltar. Quando aos poucos me aproximei da mesa, vi que Allan olhava pro seu lado esquerdo. Observei-o, não vi ninguém naquela direção, que pudesse prender-lhe a atenção. Mais atrás dele um homem estava em pé com os braços cruzados, com a postura reta, apenas sua cabeça baixa, olhando pra Allan, que nada dizia ou fazia. Resolvi me aproximar. Senti-me um pouco tonta, mais nada muito serio. Respirei fundo e continuei a caminhar.
    - Já pedi a conta.  – ele parecia alheio ao homem atrás dele, não consegui tirar meus olhos dele, de repente ele olhou pra mim. Eu o fitei, eu sabia que Allan não o via, mais o modo como ele me fitou de volta com curiosidade. Sua cabeça pendurou pro lado, seus lindos olhos cor de prata, se fixaram mais em mim, ele olhou pra trás, eu ainda o fitava, foi então que ele se inclinou a cabeça pra frente. Sustentei o olhar, eu queria que ele soubesse que eu podia vê-lo.
      - A conta senhor – disse o garçom, pisquei e Adriel havia sumido. Pelo menos eu não o via. Olhei em volta e não o encontrei. Eu esperava que ele soubesse que eu podia vê-lo.
Allan disse que precisava ir embora, não protestei, depois que o garçom chegou com a conta Allan insistiu em pagar, mais eu o persuadi do contrario.
- Além do mais fui eu que convidei – eu havia argumentado.
Agora eu o estava acompanhando até a casa de seus pais. Pela primeira vez imaginei Allan como um adolescente normal, olhando a bela fachada de sua casa. Tão diferente da casa abandonada que ele costuma se abrigar.
Despedimo-nos e fui pra mansão.  Eu gostaria de contar as novidades pra Kimberly, mais temi que alguém pudessenos ouvir, por isso nem ao menos a procurei.
                                                                                                                            








Cap 16 -

Outros dias se passaram depois daquele dia com Allan, (quase duas semanas, pra ser exata já que hoje é quarta feira) no decorrer desses dias continuei a vê-lo, mais sem qualquer nova aparição do anjo, a todo momento me senti enjoada, o que significava que o anjo o acompanhava, mais não se mostrava totalmente. Talvez Allan devesse correr algum tipo de perigo ou tentação do mal, para que o anjo tomasse uma forma humana. Como no dia em que o vi no bar do Sparks, logo após a morte de Annie.
        Procurei conter minha ansiedade com relação de contar a Kimberly, que vira o anjo. Pois alguém podia nos ouvir, pensei em Melissa, já que ela estava tão interessada em saber quem era o novo protegido. Então preferi não arriscar, deixando assim meu dia a dia com Allan entre mim e meus pensamentos. Em meu quarto deitava de bruços em minha mansão, com meus braços envoltos de um travesseiro, perdi-me em pensamentos.
          O tempo passava rápido com Allan, era divertido conversar com ele, sabia claro que não deveria me envolver emocionalmente falando, eu não podia me apegar ao pobre garoto, ou à triste historia dele. Às vezes me vinha à mente, a possibilidade de qualquer momento Haboryn tomar conta do corpo dele. E quando esse pensamento passava em minha mente inconscientemente eu levava minha mão até o colar em meu pescoço.
           Respirei fundo, trocando de posição na casa ficando agora de costas pra cama. Precisava focar meus objetivos, e um deles não era sentir afeição por um garoto que provavelmente teria que matar. Talvez me sentisse emocionalmente humana por causa da constante aura angelical, o que seria uma boa desculpa. Tudo por causa do anjo, seria mais fácil conviver comigo mesma quando a culpa não caísse sobre meus ombros, era mais fácil ver as coisas quando caia por sobre outros ombros.
          Levantei-me da cama, caminhei até a porta, peguei meu casaco que estava ali perto e sai, a muitos dias eu não caçava e já sentia muita sede. Percebi isso quando sai com Allan pela ultima vez, me imaginei mordendo seu pescoço, para assim tomar-lhe o sangue. Então resolvi que era hora de voltar a me alimentar, antes que eu voasse no belo pescoço do protegido, antes do tempo.
         Sai do meu quarto arrumando meu casaco e fechando a porta atrás de mim.  Passei pelos corredores sem qualquer presença dos outros integrantes da ordem. Caminhei a passos longos, chegando rapidamente ao portão, abri-o com o controle. Enquanto caminhava procurei pensar em um bom lugar onde eu pudesse caçar. Repassei alguns lugares, até que por fim decidi ir a algumas das florestas a caminho de Glenwood.
        Com o passar dos dias o clima, foi se tornando mais agradável, agora os flocos de neve não enfeitavam mais a paisagem, agora se podia ver a terra, a grama verde. Corri o mais rápido que pude, não demoraria muito até eu encontrar um casal se amando na floresta.
        Como previsto não demorei muito até em uma bela floresta, com altos pinheiros, estrategicamente enfileirados. Percorri a floresta, perto da estrada, havia uma pequena trilha, onde casais costumavam se embrenhar quanto tinham presa. Percorri o caminho todo caminhando, havia um carro sim, pois vi as marcas frestas de pneus de carros, caminhei com o corpo ereto, com as mãos enlaçadas nas cotas.
        Não muito longe da estrada um casal se beijava de modo frenético, enquanto ele a cariciava nas partes intima dela. Ela usava uma bela saia, o que facilitava o contato íntimo, ela estava em pé encostada-se à parte da frente do carro enquanto elea segurava firmemente, investindo cada vez mais rápido contra ela que gemia de prazer, caminhei em direção do casal sem o menor ruído.
        Olhei pro chão, vi um pequeno galho seco e pisei nele, o barulho foi suficiente, para que o casal desviasse a atenção, toda pra mim, percebi que a mulher corou de modo violento enquanto o homem me proferia um monte de palavrões. Continuei passiva, imóvel no mesmo lugar, o homem continuava com seus variados palavrões enquanto os dois tentavam se recompor. Respirei fundo imaginando que eu podia fazer com que a morte dos dois fosse como um acidente de carro, a estrada estava escorregadia, o que ajudaria muito na farsa.
         Voltei minha atenção no casal agora recomposto, a mulher agora escondida atrás do homem, ainda estava vermelha como um pimentão. O brilho da lua pouco penetrava na escuridão da floreta.
         - O que você quer? – perguntou o homem furioso. Em um segundo corri até ficar cara a cara com o homem.
         - Vocês! – eu disse olhando nos olhos do homem que teve um sobressalto, a mulher gritou; se afastando um pouco do homem, que também dava um passo para trás.  O homem fitou-me, meus olhos se tomaram outra tonalidade. Meus cabelos se tornavam mais vivos. Sorri diante do medo iminente nos olhos da mulher que agora estava encostada no tronco da arvore. Isso me vez sorri e mostrar minha presas. Ainda com meus olhos fixos nos do homem, vi a mulher saindo lentamente, tentando não chamar minha atenção, ela começou a correr, sorri e num segundo fui atrás dela, deixando o homem estático para trás.
         Parei na frente dela, que caiu sentada, ao trombar com tudo em meu corpo, e soltar um grito assustado. Ela tentava se mover ainda sentada para trás, caminhei de vagar conforme ela se afastava. Abaixei e pegue-a pelo pescoço alvo, sufocando-a. Seu rosto começou a ficar vermelho, suas pernas se debatiam.
        - Solte-a – gritou o homem se aproximando, não liguei pro aviso, apenas trouxe o pescoço pra perto de minha boca, cavei-lhe os dentes em sua clavícula sugando rapidamente seu sangue. Percebi de imediato, que o homem se aproximava enquanto me alimentava, e com um pedaço de pau, ele acertou-me nas costas, o que nem ao menos senti.  Terminei com a mulher e me virei lentamente pra ele, enquanto jogava o corpo pra longe, assim que o homem percebeu que a mulher estava morta e ele seria o próximo sua respiração se alterou. E ele saiu em disparada em direção do carro, deixei que ele corresse, limpando meus lábios do excesso de sangue. Quando ele chegou ao carro, fui atrás dele, ele tentava dar a partida, suas mãos tremiam, e com dificuldade ele conseguiu ligar o motor, nesse instante eu estava na janela do carro dele, abri arrombei a porta jogando-a longe. Ele se voltou pra mim.
         - O que é você? – sua voz saiu, entrecortada, peguei-o pelo pescoço tirando-o do carro, antes de responder.
        - Talvez, seu pior pesadelo. – minha voz saiu sedutoramente calma, gravei minhas presas no pescoço sugando-lhe a vida.

                                                 ***

          Depois que terminei com o homem, coloquei-o no carro, e junto com a mulher. Amassei a lataria do carro em lugares estratégicos. Simulando um acidente de carro perfeito. Fui para Gander assim, que terminei o serviço, agora eu andava pela avenida central, as ruas eram bem iluminadas, apenas com um ou duas lâmpadas dos postes com defeito.
         Já era tarde, então as ruas estavam desertas, o que me permitia andar no meio da rua sem qualquer perigo. Para os carros e pedestres; claro. – brinquei, com as mãos nos bolsos da calça justa. Caminhei sem qualquer preocupação já que ainda era de madrugada e eu pretendia passar o resto do dia dentro da mansão.
        Nesses últimos dias em que estive com Allan, foram poucas as vezes que senti o anjo. Nunca mais tive uma visão, apenas o senti, o que me deixava enjoada. Já Haboryn, não mais tomou conta do corpo de Allan enquanto eu estava junto o que era bom, já que eu ainda não respondera a sua proposta.
       Na verdade havia me esquecido, depois que Silas disse que eu não devia me deixar levar pelas palavras de um demônio. Eles podiam ser bem persuasivos. Afastaram esses pensamentos, o amanhecer ainda não se aproximava, e não se tinha muita coisa pra se fazer, o Spark’s seria uma boa opção se eu não soubesse que não teria praticamente ninguém, logo a manhã de quinta-feira chegaria, obrigando com que todos os humanos levantassem e fossem para seus devidos trabalhos. Allan teria que ir para escola, na semana em que fui vê-lo na escola, depois de mais alguns dias o fiz matar aula, nos divertimos, longe dali. Fomos até o cinema, nada de mais. Coisas que os humanos gostam de fazer. Allan sabia da minha condição de vampira, mais isso não o incomodava, nem ao menos sentia medo de mim, o que era bom, já que não ocuparia meu tempo tentando ganhar a confiança dele, com isso também.
     De uma maneira singular as coisas iam muito bem. O anjo parecia não se mostrar presente, no dia a dia de Allan, ou melhor ele apenas se camuflava de maneira que eu não pudesse senti-lo. Mais alguma coisa me dizia que logo, o sentiria e que alem dele Haboryn também tomaria forma. Essa semana Allan se mostrou muito ocupado, e eu não precisava segui-lo para saber que ele andava procurando pela proteção da casa abandonada para testar a magia negra que aprendera.
     Voltei para a mansão antes do amanhecer, passei a manhã e o dia todo na mansão, incerta do que eu deveria fazer, Kimberly veio ate meu quarto assim que Melissa sairá da mansão, conversamos mais não disse nada que acontecera nos últimos dias, diria depois.
      Em meio a alguns silêncios ela me perguntava se estava tudo bem, eu dizia que sim e mudava de assunto, perguntava-lhe como estava sua vida de ‘bruxa’, ela ficava excitada enquanto falava as coisas novas que aprenderá com o livro, cada dia ela focava em algum tipo de aprendizagem referente o livro que ela pegará na biblioteca. Ninguém parecia se incomodar com o novo robb de Kimberly, pelo menos aqueles que sabiam. Às vezes via os olhares que Dancã lançava a ela, já que ele não foi muito receptivo com a descoberta que a mais nova vampira da ordem, tinha aptidão a magia. 
 A noite cairá logo, o que eu não esperava. Passei pelos corredores da mansão, ao passar pela porta do escritório de Silas ouvi-o.
      - Natasha- sua voz era passível atrás da porta, antes que eu pudesse abrir a porta ouvi murmúrios na porta principal. Depois que reconheci a voz de Derick, entendi por que Silas havia falado meu nome.
      Ele tinha visto Derick chegando, e a visita era exclusivamente minha, de repente percebi que teria muita coisa para fazer nessa noite. Dei um sorriso um tanto malicioso, antes de ir em direção a porta de entrada.
      No hall Derick, conversava com Melissa, que se insinuava sedutoramente para ele, enquanto Dancã rosnava baixinho no topo da escada, ao passar por ele, ele sussurrou.
      - É melhor tirar logo esse seu amiguinho daqui. – ele rosnou
       - Não vai me dizer que esta com ciúmes – disse rindo. Eu sabia que eles podiam nos ouvir, mais não dei muita importância, já que quem se passaria por idiota ali, seria Dancã. Desci as escadas rindo.
      - Natasha – Derickcumprimentou-me abrindo os braços.  Passei por Melissa, ignorando-a. Derick me abraçou e me beijou nos lábios. Quase não me agüentei ao ver a expressão de raiva que dessa vez Melissa não conseguiu conter,pela sua expressão ela não iria gostar de dividir Derick, ainda mais comigo. Dancã no topo da escada apertava com força o corrimão da escada, enquanto um leve sorriso curvava-se em seus lábios. Sorri descaradamente para Melissa antes de sair do hall abraçada com Derick, que dizia:
        - Já que você nunca mais foi me ver, eu vim para te mostrar que eu ainda existo. E que depois daquela sua ultima visita, você não vai se livrar de mim tão cedo. - ele acrescentou maliciosamente. Eu ri. Os braços fortes de Derick envolviam minha cintura, e senti minhas costas queimarem.
        -Te garanto Derick, que não quero. – eu disse sumindo de vez a visão dos outros. – Podemos ir para outro lugar –eu o olhei maliciosamente antes de acrescentar – acho que essa mansão esta cheia demais.
Era a primeira vez, que Derick me visitava na mansão. Seria bom tê-lo ali, de vez enquanto.
         - Claro, aonde vamos – Derick concordou, me puxando de encontro ao seu corpo.
         - Logo você vai descobrir. – pisquei para ele, subimos até meu quarto para pegar meu casaco, Derick entrou por ultimo e fechou a porta, olhei pra ele assim que percebi seu olhar malicioso, ele se aproximou de mim com incrível velocidade, segurando firmemente minha nuca enquanto me beijava. Derick era um ótimo amante claro, além de ser um grande amigo. Mais às vezes sentia que Silas não era um dos seus maiores fãs. Nunca cheguei a perguntar para nem um dos dois se existia alguma inimizade, já que eu não iria querer escolher entre um ou outro, além do que, tudo poderia ser fruto da minha imaginação. De repente Derick se afastou, me deixando ali, com os braços pendurados ao lado do corpo. Abri os olhos e ele esboçava um sorriso com a porta aberta.
       - Vai ficar ai parada, ar de sonhadora, Natasha? – ele riu.
       - Eu devia socá-lo, isso sim.- eu disse rindo enquanto me encaminhava para a porta – e provavelmente se eu ficasse ali, você me carregaria para fora.
      - Você me conhece bem. – saímos e ele fechou a porta trás de mim. Kimberly passeava pelo corredor quando saímos, ela sorriu.
      - Olá Natasha, Derick. – ela deu um aceno, com a cabeça um tanto cortes para Derick, eu apenas dei um aceno com a cabeça, enquanto ele levantou a mão e com dois dedos moveu a mão no ar. Percebi que ele iria falar alguma coisa, mais antes que ele pudesse Kimberly sumiu. Provavelmente se ocuparia com seu livro. Será que ela se alimentara nos últimos dias? Não importa Kimberly já é bem grandinha. Disse pra mim mesma. Saímos da mansão, não precisávamos de um carro para chegar ao hotel que pretendia. 
         - Kimberly está diferente - Derick comentou assim que saímos da mansão, ele parecia um tanto cauteloso.
        - Mais está. – eu sorri ao confirmar. – é que agora ela tem um novo robb - eu disse em tom de confidencia. – bem interessante por sinal.
        - Algum humano espetacular?- ele brincou. Olhei pra ele rindo.
       - Na verdade um livro – eu disse, ficando em silencio logo em seguida.
       - Um livro – ele repetiu, olhando pro nada. – que tipo de livro – ele me olhou curioso. Ergui a sobrancelhas, indecisa se falava ou não.
      - Magia – disse por fim, eu ia acabar contando a ele, tudo o que aconteceu nos últimos dias, e isso claro estaria incluído, ele era um bom confidente, além de eu confiar nele.
     - Magia.
     - Será que dá para parar de me repetir como um papagaio? – eu disse parando abruptamente no meio da rua. – Eu ia te contar os acontecimentos dos últimos dias, claro – eu disse antes que começar a andar novamente – mais antes apreciaria um pouco de diversão. – ele riu alto.
    - Desculpe – ele disse ainda rindo – não pude controlar minha curiosidade.
    - Tudo bem, vou te contar – suspire. – mais antes vamos pelo menos nos acomodar no hotel, sim. – ele concordou.
   Chegamos rápido, fiz um cadastro, deixei pago e subimos, Talvez ali fosse o hotel mais luxuoso da pequena cidade.  Entramos no quarto, tirei meu casaco e me sentei na cama.
    - Logo após minha visita, vim para Gander, como você sabia muito bem eu estava atrás do anjo...
     - E não esta mais? – ele me interrompeu – eu o fuzilei com o olhar.
      - Você não me deixou terminar, deixou? – ele balançou a cabeça negando. – como eu ia dizendo, eu estava e ainda estou atrás do anjo. Satisfeito?  - suspirei. – Eu já não sabia onde procurar, então eu resolvi sair dessa cidade, mais antes, em meu quarto na mansão eu pude ouvir sussurros, que chamava pelo meu nome. Era o demônio – percebi que ele me interromperia novamente mais dessa vez não deixei – pode ser que você não acredite, mais vai. Ele falava meu nome, o que me deixou com medo claro, já que devemos temer os filhos da serpente. – tomei um pouco de ar. – depois que estava mais calma, resolvi que não ficaria parada e pretendia sair da cidade em busca do maldito anjo, mais acabei por senti-lo aqui em Gander, ainda não sabia quem poderia ser seu protegido, então pensei em Mellody..
      - Mellody ? – ergui uma sobrancelha ele se calou.
      - Sim , Mellody, irmã de Annie, a garota que eu havia matado que era protegida pelo anjo. – ele acenou com a cabeça, mostrando que se lembrava dessa historia. – Fui visitá-la, mais o que descobri não era que ela era a protegida, mais sim que ela não é uma humana ‘normal’ – eu enfatizei o normal – Ela sabia do anjo e do demônio, mesmo tão criança ela sabia. Descobri que o demônio começou a ir atrás de Annie, depois de uma brincadeira com o copo. – resolvi não dizer que ela me chamara de Meg. Fui embora sem muitas respostas, apenas mais mistérios. Depois vi, ou pensei que vi Allan, que me ajudou com Erick e Bruno, um amigo deles, na velha casa não muito longe da mansão. Ele parecia sombrio entrei na casa e ele não estava. Nesse mesmo dia Melissa – sorri e pisquei um olho pra ele, que suspirou e desviou o olhar com um leve sorriso nos lábios – ela me veio com uma conversa, muito estranha, a gente mal se fala e ela me veio contar a historia da vida dela – disse de modo debochado.
      - E é interessante? – ele me provocou.
      - É; não vou dizer que era um tédio.  – disse com indiferença. – mais isso não é importante, uma noite saí com Christine, e é ai que as emoções começam, tive muitas revelações, e mais alguns mistérios. Aquela velha casa esconde muitos segredos e um deles envolve a própria Christine, um gato que se chama Willian. – percebi que ele ficou sem entender, então resolvi já que eu havia começado contaria tudo de uma única vez. – quando fui até a casinha com Christine, ela teve uma, recebeu do gato certas recordações, que eu pude ver.  Havia uma mulher idosa, um homem todo ensangüentado, essa mulher lhe ofereceu alguma coisa que ele bebeu e logo em seguida ela o estava sugando, quer disser sugando a vida dele, o homem havia se transformado em garoto e era assim que ela continuava sempre jovem e bela. Mais em vez de matá-lo de uma vez, ela teve piedade de suas suplicas eaprisionou na forma de um gato,gato que eu havia dito que se chamava William, o gato dizia pela Christine de forma enigmática, eu não sabia que a mulher era Christine, ele disse que eu deveria tomar cuidado com ela. – suspirei, com todo esse mistério, sem saber onde o anjo estava, eu não tinha muito que fazer, então um dia na mansão sem muito que fazer, andei pelos corredores da mansão, foi ai que encontrei uma biblioteca, um tanto sinistra, poeira e teia de aranha era o que não faltava, mais um livro sim, percebi que o livro principal faltava, já que ele estava em um pedestal, sozinhoEsse livro é o novo hobby de Kimberly, descobri depois que fui atrás dela no quarto e ela não estava mais tive uma empatia, Dancã apenas confirmou.  Não achei nada de tão drástico nisso, mais acho que Dancã não gostou muito – eu ri. – Logo depois me encontrei com Allan, que era a minha única pista do anjo, tive uma surpresa, ao encontrá-lo ele estava possuído por Haboryn, que me fez uma proposta. Passou por minha cabeça aceita-la não vou negar; mais Silas me abriu os olhos – Derick que até então estava em silencio soltou o ar.
      - que bom que você o tem, para protegê-la de futuras besteiras. – ele disse ironicamente.
      - Sou como uma filha para ele é claro que ele me protege. – ele apenas concordou com a cabeça, saindo do encosto da janela e indo se sentar na poltrona.
     - Posso saber exatamente qual foi essa propostas?
     - Ele disse que eu seria ótima para ficar ao lado dele, que se eu o fizesse ele me daria o anjo. Mais ele não quer que eu mate o protegido. – disse com indiferença-
      - Continue- ele gesticulou com a mão
     -Depois dessas propostas, me encontrei novamente com Allan, mais dessa vez era ele mesmo. Que me contou a historia da vida dele, um historia de inveja, rancor. Ele matou o irmão, acredita? – eu disse baixinho, Derick soltou uma exclamação pela garganta.
     - Não é de se estranhar que um demônio está atrás dele. – ele ironizou. 
     - Enquanto conversávamos, pensei que o irmão dele poderia ser o protegido até ele me dizer que estava morto. - suspirei. - Só depois de algum tempo, descobri que Christine era a mulher idosa que aprisionara Willianem forma de gato, ela mesma me revelou, e foi ela que me disse que Allan era o novo protegido.
      - E você acreditou nela? – eu sabia que ele me perguntaria isso.
      - Claro!O que ela fez foi me fazer ver, o que estava ao meualcance, sim,por que tudo estava na minha frente mais eu não vi, eu não pude sozinha montar os quebra-cabeças, o tempo todo eu estive ao lado do anjo sem saber, sem ter plena consciência que ele estava do meu lado. – quanto percebi as palavras que eu havia dito tratei de emendar – já que eu começava há ficar algum tempo com Allan. – ele ergueu uma das sobrancelhas.
      - Sei – ele se limitou em disser, e se levantou, tirou a camisa esporte que usava, vindo em minha direção.
      - Depois que descobri que Allan era o protegido, senti a aura angelical do anjo, – sussurrei – uma ou duas vezes, o que é bom – minhas palavras foram abafadas pelo beijo que se seguiu.
       - Você anda cheia de mistérios, o que me parece ser estressante - ele disse beijando meu pescoço, enquanto se inclina sobre mim, deitando–me na cama.
                                                  ***
  Durante as horas que se seguiram, e a manhã seguinte, permanecemos no quarto.
    - Definitivamente, entre quatro paredes nosso caso exala perdição- ele disse rindo em algum momento da noite, logo depois lhe mostrei como exalava muita perdição. Conversamos em algumas partes desse tempo, e assim que a noite caiu, ele disse:
    -Devo ir, eu estava indo caçar quando passei por aqui. Faz algum tempo que não faço uma bela festa em minha casa. –eu o olhei.
    - Então quer dizer que aquele pago de ‘ já que você não vai me visitar eu venho pra lhe mostrar que existo’, era apenas para manter as aparências. – eu ri, arrumando minhas roupas espalhadas pelo quarto.
     - O claro que não.  Eu vim para vê-la.
     - Sei – limitei-me em dizer. Vestimos-nos e saímos do quarto. Acompanhei-o até a saída de Gander. Antes de nos despedirmos ele disse algo, que passaria depois para ver me. Não esperaria muito. Eu precisava voltar para minha realidade e encontrar Allan, sentir o anjo por perto.
      Pensei que poderia encontrar Allan no Sparks, fazia diasque não o via. Já que era final de semana, provavelmente ele estaria lá, quando cheguei, comprovei a mim mesma que estava errada. Allan não estava ali, não senti o seu cheiro, o que significava que há muito tempo ele não passava por ali.  Mais eu sabia onde poderia encontrá-lo.
    Não pensei duas vezes sai do Sparks e fui até a velha casa abandonada, fiquei estática em frente à pequena e decadente casa. Olhei pra ela em duvida se eu entrava ou não. Vi o gato preto, Will, andando de um lado para o outro, miando. Apurei meus sentidos, ele parecia angustiado. 
       Mais logo fui obrigada a desviar meus olhos na direção da janela, e descobri o porquê da angustia de Willian. Allan estava na janela, com o belo rosto sem expressão, seu olho totalmente negro. Haboryn. Como eu havia previsto, não demorou muito para que ele voltasse o possuir o corpo do rapaz. Agora ele olhava para mim com a expressão seria; a única coisa que se podia ver nitidamente era o rosto pálido, já que no interior da casa estava escuro, e Allan não costumava usar outras roupas além das pretas.
      A velha cortinha balançou assimque ele a soltou e saiu da janela. Willian ainda andava de um lado parao outro na frente da porta.
Não sabia exatamente o que fazer, mais não podia ficar ali, apenas observando enquanto Haboryn arquitetava seus planos. Claro que ele apenas o possuía, ainda não tomava forma para poder ficar permanentemente na Terra como eram seus planos. E fazer-me algum mal, mais mesmo assim de certa forma eu o temia. Eu deveria temê-lo, como deveria temer o anjo, mais com o anjo a situação é diferente, eu o queria por perto, bem perto de preferência.
     Meus olhos vagaram pela velha casa. Senti-me tonta quando meus olhos passaram rápido de mais pela casa. Quando dei por mim, senti um forte mal estar, esperei perder os sentidos mais não aconteceu. Respirei fundo e olhei para o alto da velha casa. E lá no alto o anjo, sobrevoava, parecia desesperado. E com certezaestava já que seu protegido estavasob o domínio do filho da serpente. Não entendi o porquê ele não fazia nada.  Por que ele não arrombava a porta como fizera uma vez no Spark’s. Sua aura estava mais forte pude sentir. Talvez ele não conseguisse talvez Haboryn fosse mais forte. Alguma coisa fazia com que o anjo não pudesse alcançar Allan, provavelmente alguma obra do demônio.
Adriel parou de sobrevoar a casa em movimentos circulares, olhou para certa direção, se foi.









Cap 17

 Não tive tempo para pensar, segui-o. Os sons que eu ouvia pareciam de uma criança choramingando. Suas assas batiam pausadamente. Segui-o me sentindo mal, mais não parei por causa desse mal estar, continuei até que ele parou no penhasco do lago Gander.
 O brilho de suas asas ofuscava meus olhos, me deixando com dificuldade para vê-lo melhor. Ele caminhava de um lado para o outro, dizendo coisas que eu não compreendia aquela distancia. Meus ouvidos zumbiam. Resolvi me aproximar silenciosamente.
-Não consigo protegê-lo durante a noite, principalmente quando ele pratica magia negra dentro daquela casa. – ele suspirou desanimado. – não pretendo perder outro protegido, mais não posso fazer mais nada, pelo menos por enquanto – ele dizia com uma voz chorosa.
Eu o observei durante algumas horas, ele continua a se movimentar de um lado para o outro, em um momento ele sentou na beira do penhasco, suas assas se movimentavam lentamente, como se procurasse abanar o nada. 
 Respirei fundo, antes de mostrar que eu estava ali, era uma boa oportunidade de me aproximar dele. Dei um passo, pisando em uma folha seca, Adriel desviou a atenção para mim, apenas olhou com atesta franzida, mais voltou a atenção para o penhasco, parecia que eu não era ninguém, o que me deixou com raiva; continuei me movendo, até ele, que dessa vez me olhou sua cabeça pendurou para a direita, parecia curioso, uma criança curiosa.  Enquanto me aproximava, eu olhava fixamente para aqueles olhos cor de prata.
À medida que me aproximava, tinha a sensação que eu iria desmaiar, eu não podia, não agora. Ele se levantou e num segundo ele estava na minha frente seu rosto a poucos centímetros do meu. Pude sentir sua respiração. A minha se alterou de tal modo, que dessa vez pensei que ia mesmo desmaiar, mais Adriel, se afastou, foi para a direita do meu corpo eu o segui com o olhar, depois ele foi para trás de mim, e continuei a segui-lo, ele parecia estar testando minha visão.
 Ele deu a volta completa em torno de mim. Comecei a ficar angustiada de repente. Ele nada falava, e eu estava paralisada com a bela visão. Mais não podia perder essa chance.
      - Olá – eu disse simplesmente. Seus olhos se arregalaram. Ele continuou em silencio pelos minutos seguintes, quando pensei em voltar a falar ele me interrompeu.
       - Você pode me ver? – ele perguntou com um meio sorriso. Ele estendeu a mão para tocar meu rosto, mais eu me esquivei antes que ele pudesse me tocar. Eu ainda não tinha idéia se era assim que eu poderia ser destruída. Mais fiquei tentada em descobrir.
       - Eu posso. – eu disse virando-me para olhá-lo, sua expressão se iluminou, diante da minha confirmação. Sorri timidamente eu não sabia o que viria a seguir.
       - Você deve ser uma humana diferente, divinamente especial – ele disse eufórico, ele parecia uma criança diante de uma nova descoberta. Quando ele dissera humana percebi que ele não sabia da minha real situação. Mais já que ele pensava que eu era uma mortal deixaria estar, já que eu não saberia sua reação ao saber que sou uma imortal.
       - Talvez, eu seja mesmo. – eu sorri agora mais calma. Respirei fundo, eu ainda não tinha me acostumado com a proximidade do anjo, eu esperava que com o tempo, esse mal estar passasse, pois agora eu pretendia passar algum tempo mais com o anjo.
       - Você é. – ele olhou em volta – Não vejo outros mortais, está sozinha? Claro; ele esperava outros humanos comigo, já que numa hora dessas, humano nem um vinha até o lago.
       - Sim estou sozinha. É que euresolvi segui-lo. – resolvi dizer a verdade sobre isso. Ele soltou uma pequena exclamação.
       - Nem ao menos havia percebido sua aproximação - ele sorriu; mais seu rosto se tornou um tanto dolorido antes de dizer: - talvez eu estivesse absorvido em meus pensamentos. – o belo rosto se contraiu em uma pequena agonia. Então ele se afastou.
       - Aonde você vai? - perguntei tentando não parecer desesperada.
       - Preciso ir ajudar meu protegido. 
       - Protegido? – eu precisava deixá-lo ocupado, não pretendia deixar que ele sumisse novamente, eu não tinha idéia de quando ele poderia voltar.
       - Sim, meu protegido, ele está em perigo. – ele disse com a testa franzida.
        - Como assim, em perigo? – eu sabia muito bem do que e de quem ele estava falando.
        - Desculpe-me você é uma humana não deve saber que o mal encarnado existe. Não deve ter uma confirmação. È melhor para vocês que vivam na ignorância. – as palavras eram bruscas mais seu tom tonalizava tristeza.
       - De certa forma os humanos sabem os perigos do mundo, já que nos mesmo temos nossa parte maligna. - Dessa vez ele me olhou, seus olhos estavam um pouco arregalados. Eu não me sentia humana, eu era superior a isso.
      - Você tem razão, os humanos podem ser perigosos. – ele silenciou-se. 
      - Nunca antes um humano o viu como eu o vejo? – ele se aproximou sorrindo.
      - Não, nunca.
      - Nem mesmo seu protegido?
      - Ele não pode me ver, sei que pode me sentir, minha aura, a força que lhe dou; ouvir alguns conselhos que lhe dou, mais humano nem um nunca pode me ver. – ele começou a andar – Você foi à primeira humana, o que me leva a pensar que você é algum ser divino – ele estancou a poucos centímetros de mim e de uma hora para outra ele disse: - preciso ajudá-lo.
     Dessa vez não pude impedi-lo. Ele se foi, antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa. Mais eu sabia pra onde ele iria; protegido dele precisava desua ajuda, e agora Allan estava envolto de trevas na velha casa abandonada. Não tinha idéia do que o anjo poderia fazer, já que antes ele já não tinha conseguido nenhuma vantagem sobre Haboryn.
       Eles poderiam lutar como aconteceu na noite da morte de Annie, e eu não poderia perder isso por nada. Segui até a velha casa abandonada. Não havia nem ao menos um sinal visível do anjo, mais ele estava ali. Willian que antes miava em frente à porta, agora não estava mais por perto. Provavelmente Allan estaria bem, Haboryn não queria o mal de Allan, ele precisava dele, para seu fim maligno.
       Um flash da minha conversa com Haboryn veio de repente a minha mente. Eu ainda não tinha consciência que Allan era o novo protegido, mais Haboryn sabia, já que quando eu disse que pretendia matá-lo assim que descobrisse quem era ele se mostrou um tanto irritado. Depois o modo como suas palavras me persuadiram ao contrario, ele é um demônio não deveria ficar surpresa com seus métodos de persuasão, alem do que ele pretendia matar o anjo. Com a destruição de Adriel eu não precisaria matar Allan, mais eu não queria a eliminação do anjo.                
    O perigo eminente que temo é o protegido, ou o que ele possa fazer com esse poder que inconscientemente ele tem nas mãos é o que preocupa a mim e a Silas.
 Allan é só mais um instrumento, um mago negro, um agente, o meu representante na terra. Por enquanto o meu portal, até que eu encontre com o anjo. Mas me responda. O que você quer com o anjo?
As palavras de Haboryn ainda eram nítidas. Ele precisava da ajuda do anjo para vir a Terra? Mais como ele faria para o anjo ajudá-lo, que meios ele usaria para tal? Adriel nunca ajudaria o mal a encarnar na Terra, ou ajudaria?
    De alguma maneira o anjo estava envolvido, consciente ou inconscientemente ele ajudaria Haboryn a se infiltrar na Terra, e os planos dele para depois disso? Depois que ele não precisasse mais do anjo e de Allan, isso se um dia ele fosse desistir de Allan. E o que eu queria com o anjo? Eu apenas o queria, pra mim, para que eu tivesse a mesma proteção que Annie ter o amor que ele demonstrou pela pequena humana.   
    Na casa não havia movimentação, sem sinal de Will, de Allan do anjo. Era apenas mais uma casa abandonada, a levebrisa movimentava a pequena cortina. Eu não sabia dizer se alguém ainda estava ali dentro. Então resolvi verificar. Passei rapidamente por cada cômodo, com a sensação que de uma hora para a outra, Allan ia aparecer como Haboryn e me abordar, eu não estava preparada pra tal, não agora. Senti-me angustiada dentro daquela pequena casa, que de certa forma era parte da vida de alguns conhecidos.
     Mesmo sem Haboryn, Willian e Allan ali, aquela casa tinha algo de místico, de sombrio.
   Já eram madrugada, provavelmente umas cinco da manhã, já que parecia que os primeiros raios de sol não esperavam a hora se sair do horizonte. Dei uma ultima olhada para a velha casa, e segui para a mansão.  Talvez Allan já estivesse em casa, o anjo deve ter conseguido alcançá-lo.  Infelizmente eu não tinha idéia de quando poderia ter outra oportunidade com o anjo. Espera que logo, cheguei à mansão. Sentindo-me cansada, talvez eu tenha ficado tempo de mais perto do anjo. Não me importaria em me sentir assim depois que visse o anjo, era um preço baixo para se pagar pela sua presença.
Entrei em meu quarto, senti um cheiro familiar, olhei para minha janela e estavam aberta, as pesadas cortinas se movimentavam de um lado para o outro lentamente.
    Em um canto obscuro de meu quarto Derick se encontrava sentado em uma poltrona com um sorriso malicioso nos lábios.
    - Nossa quanta rapidez. – eu disse entrando no banheiro sem me importar com a presença dele ali. – Deu tempo para uma de suas festinhas? – eu disse rindo. O som da minha voz saíra abafado já que eu estava dentro no banheiro com a porta fechada. Mais ele podia ouvir-me muito bem, e eu a ele, ouvi sua risada zombeteira. Sai do banheiro enrolada em meu roupão por baixo apenas meu lingerieDerickestava no parapeito da janela.
     - Não fiz festa alguma, apenas fui a uma. Eu apenas pretendia me alimentar. – ele deu de ombros. Fui até a janela e as fechei, logo amanheceria e não queria o sol me incomodando, não estava totalmente recuperada da recente proximidade com o anjo. Derick segurou uma de minhas mãos. – Mais você não voltou para casa depois que me deixou, voltou? – Ele sabia que não. Já que quando ele chegou, eu não estava aqui e pelo cheiro em meu quarto ele podia muito bem saber disso.
     - Não. – resolvi responder assim mesmo, soltando minha mão do contato. - Era começo de noite, você não esperava que eu ficasse aqui dentro dessa mansão a noite toda ou esperava. – fui em direção a minha cama e me sentei.
     - É claro que não. – ele se aproximou – mais você parece estar se sentindo mal. – ergui as sobrancelhas. Com certeza eu estava mal. Mais nada disse. Dei a volta na cama, tirando meu roupão de banho e jogando-o longe, deitei-me na cama e me cobri. Pretendia descansar mesmo queapenas por alguns instantes, eu precisava das minhas forças para poder me aproximar novamente do anjo.
     - Eu estou bem, relaxa. – eu bati do lado oposto da minha cama. Ele se sentou. – pretende passar a noite aqui, ou no quarto de Melissa. – eu o provoquei.
     - Eu pretendia voltar para Glewnwood mais acabo de mudar de idéia. – ele tirou a camisa, afastou os lençóis da cama e se deitou. – E vou ficar com você, quem sabe mais tarde eu vá para a cama de Melissa. – ele riu quando lhe dei uma cotovelada na lateral do seu corpo. Eu não me importaria de Derick ter outras diversões, nem mesmo com Melissa.
      - Com certeza ela vai te receber nua e de braços abertos, - me acomodei melhor – ela deve ser mais que uma ninfomaníaca. – esperava que ela não estivesse atrás da porta ouvindo nossa conversa. Ele riu, e o silêncio caiu sobre nos por alguns instantes, nesse meio tempo, fechei os olhos e me concheguei mais nos braços de Derick.
      - Esteve à procura do anjo? – a pergunta veio de repente.
      - Sim, - suspirei – estive. Ali não era o melhor lugar para contar a ele o que acontecera. – sinto que estou perto – eu limitei a dizer.
        Atrás das pálpebras fechadas eu me via a imagem do anjo, era como se eu estivesse revivendo aquele momento. Mais agora eu não sentia o mal estar, eu me sentia quente. No fundo eu queria que ele tivesse me tocado, queria ter sentido os dedos em meu rosto, queria saber se eram frios ou quentes. Sentir o contato dos dedos longos percorrendo meu corpo.
       Era estranho ter esses tipos de pensamentos em relação a um anjo, um ser que às vezes nem ao menos parecia real. Era estranho pensar nele enquanto eu tinha um corpo forte, rígido, real ao meu lado, ao meu alcance, minha disposição. Não queria penar no anjo enquanto estivesse nos braços de Derick, que mais que um grande amigo era umgrande amante.  Talvez eu apenas pensasse no anjo com outras intenções, visto que Derick nesse momento percorria meu corpo com as mãos, explorando-me. Coisa que o anjo jamais poderia fazer. Ou podia? Haboryn disse que eu podia ter tudo ao seu lado, e se talvez eu desejasse ter o anjo como tenho Derick. Não. Eu não podia pensar em aceitar a proposta de me juntar ao demônio. Mesmo assim como eu poderia ter o anjo como eu quero, sendo que o filho da serpente pretende destruí-lo.  Era tão tentador pensar na proposta do filho da serpente, quando eu poderia de certa forma ter o belo anjo comigo.
      Meus pensamentos aos poucos foram se tornando cada vez mais confusos, as imagens difusas, Derick não me deixava pensar, explorava meu corpo com as mãos hábeis, enquanto ele beijava meu pescoço, senti suas presas roçando meu pescoço, logo sua boca procurou a minha, e quando a encontrou depositou um beijo febril, feros. Ele interrompeu o beijo. Mais suas mãos ainda me exploravam.
    - E o que você pretende fazer quando, por fim encontrar o anjo. -era uma boa pergunta, que veio de surpresa. Encarei-o.
    - Boa pergunta. Eu precisava pensar no meu próximo passo, eu não podia ficar sem saber o que fazer como aconteceu nessa noite. – Eu não tenho idéia. 

                                             ***
       Dois longos dias se passaram desde o dia em que estive com o anjo no lago Gander. Derick não foi embora resolveu que ficaria mais um pouco, o que não me incomodou já que os dias que se seguiram eu não tive ‘noticias’ do anjo. Era bom ter Derick em minha cama, em vez de sair em plena luz do sol atrás de Allan, era bom espairecer um pouco se divertir. Mais seria bom rever Adriel.Mesmo que eu ainda não tivesse idéia de como seria esse novo encontro.
       Assim que o sol deixou que a noite tomasse conta dos céus, sai com Derick e lhe contei o que havia acontecido naquela tarde.
    - Por que não me disse quando perguntei? – foram às palavras um tanto bruscas. Eu achava que era obvio o motivo, mesmo assim respondi.
      - Pensei que fosse obvio. Eu não quero que ninguém na mansão saiba.
      - O que? Silas está enferrujado e não prevê mais as coisas? – suspirei resignada me afastando.
      - Se previuminha proximidade com o anjo, ele não tocou no assunto. E se ele chegar a me perguntar depois, por que omiti esse fato, direi qualquer coisa – dei de ombros – que seja coerente, claro. - não sei se podia chamar isso de discussão, mais logo Derick tratou de esquecer-se do assunto, e me fez esquecer também, por pouco tempo. 
    Já era hora de rever o anjo, já fazia dois dias, e depois que eu pude ver aqueles olhos cor de prata tão perto de mim, não esperaria muito mais para vê-los de novo. Não mesmo.
    Sai da cama, assim que a noite cairá, eu estavadeterminada a ver o anjo esta noite, os últimos dias eram difíceis eu sair durante a luz do sol, Allan estava na escola, Derick estava na cidade, tirando a parte que eu estou evitando andar em plena luz do dia, precisava de muita força pra estar na presença do anjo. Talvez fosse apenas minha força de vontade que me impedira de desmaiar na presença da aura angelical a duas noites atrás.
   - Vou embora hoje. –Derick interrompeu meus pensamentos. Apenas sorri.
   - Tudo bem, se você quiser posso te acompanhar até a inter com a estadual. Que tal?
   - Ah, você não vai espernear, pedir para que eu fique? – ele disse com uma falta indignação. Eu ri.
   - Oh sim, claro. È melhor você ir mesmo por que suas humanas devem estar morrendo de saudades de suas festinhas. – eu brinquei. – relaxe, irei visitá-lo. – eu não estava mentindo, assim que tivesse tempo, assim que tudo estivesse acabado eu iria ver Derick.
   - Melhor eu me deitar para te esperar, não. – revirei os olhos.
    - Além do que você pode muito bem voltar a Gander, Melissa vai adorar revê-lo. – ele se levantou com um suspiro e no outro segundo ele já estava totalmente vestido.
   - Talvez Melissa tenha mais hospitalidade. – ele parecia dizer com a intenção de me fazer ciúmes.
   - Talvez. – respondi indiferente. –Vamos – eu disse assim que terminei de me arrumar – tenho uma busca para terminar.
     Saímos do quarto, levei-o até o local combinado, e nos despedimos. Sem olhar para trás voltei para Gander, mais precisamente para casa de Allan. Olhei rapidamente a casa, Allan estava em seu quarto em um canto com um livro nas mãos.  Não consegui ler seu titulo. Talvez fosse algum livro sobre magia negra, ou ele estivesse apenas lendo algum livro de escola e tentando ser um garoto normal, o que seria difícil, com a vida turbulenta que ele levava, com um passado tão sombrio. Allan se levantou marcou a pagina que parou e jogou o livro em cima da cama. Pegou seu sobretudo negro e saiu do quarto. Ouvi seus passos nas escadas, ele estava saindo.  Ele passou pela sala, seus pais mal o olharam e nem ao menos demonstraram curiosidade em saber onde o filho estava indo, ele parecia como um estranho ali.
  Outros pais provavelmente barrariam o filho, perguntaria aonde iria, com quem e quando voltaria, mais com Allan era diferente. Allan não olhou em direção dos pais, provavelmente não queria ver a falta de amor nele. Saiu de casa com passos largos, indiferente com o resto do mundo. Talvez por isso ele não tenha me visto.
   Ele deveria estar acostumado com tal situação. Eu esperava que ele fosse para a velha casa abandonada, mais não dessa vez ele seguiu para o Spark’s, enfrentou a fila e entrou, segui-o. Quando entrei, ele estava sentado em uma mesa ao longe no canto, com um copo de Wisk entre as mãos girando o copo de modo entediante.
   Resolvi que era hora de intervir. Fuiaté o bar e pedi umdry martine, era impressionante como cada vez que eu vinha até o Spark’s o barman era diferente. Mais sempre todos bonitos e corpos atléticos. Esse era o perfil do barman do Spark’s, atraente. Assim que me meu dry martine ficou pronto agradeci e me aproximei de Allan.
   - Sozinho? – Allan levantou a cabeça e um belo sorriso curvou em seus lábios.
   - Olá, Natasha. Sente-se – ele disse apontando para a cadeira a sua frente, não hesitei, sentei-me.
    Ele ficou em silencio, por alguns instantes, mais antes que eu pudesse tomar a palavra ele disse:
    - Você sumiu. – a afirmação me pegou desprevenida.
    - Ah – tomei um gole do meu martine – estive um com visitante nesses últimos dias. Mais não faz tanto tempo assim. – sorri.
   -Você tem razão – ele voltou a olhar seu copo. – pareceu dias de mais – ele sussurrou um humano normal provavelmente não ouviria com o barulho da musica, mais eu ouvi.
    - O que você disse? – perguntei achando seu ultimo comentário estranho.
    - Nada – ele voltou a sorrir. Conversamos animadamente, falamos de algumas pessoas que dançavam por ali, e dos barmen, que cada semana era um diferente. Allan disse que ele já havia percebido isso antes quando ele vinha sempre ao Spark’s. E concordou comigo era estranho a troca de barman, talvez o que eles tinham de atraentes eles tivessem de incompetência. Um defeito normal hoje em dia.
     Nossos copos ficavam vazios com freqüência, voltávamos a enchê-los, depois de alguns poços Allan começou há ficar um pouco alegre demais, o que demonstrava que estava bêbado, eu ria das coisas que ele falava sem pensar. Em alguma hora da noite Allan se levantou em um pulo.
   - Tenho que ir – sua voz saiu lenta e pesada – que horas são.
   - Não tenho idéia – respondi de pronto, já era de madrugada.  – Vem eu te levo – eu disse rindo, quando ele quase tropeçou. 
  Caminhamos em silencio até a casa dele, o silencio dele era mortal, eu havia feito ele se apoiar em mim, seu rosto estava serio e seu olhar vazio. Olhava sempre em frente sem se importar com as coisas ao seu redor.
    - Ta tudo bem Allan? – perguntei assim que chegamos à frente da casa dele. Ele desviou a atenção e olhou diretamente para mim.
    - Hum, sim ta tudo bem. – agora ele parecia mais controlado.
    - Quer que eu entre com você? – ele ergueu as sobrancelhas. – Pra te ajudar a subir as escadas, sei lá. – sorri.
    - Ah, ta tudo bem, não precisa obrigado. – dei de ombros.  Ele começou a caminhar para a porta, esperei até que ele entrasse. Assim que o fez uma luz acendeu no mesmo cômodo, o próprio Allan havia acendido.
  Os pais dele não desceram correndo querendo saber o que acontecera para o filho estar naquele estado. Allan sabia se virar sozinho. Ouvi o barulho da tranca, então a luz voltou a se apagar. Esperei que a luz do quarto dele acendesse mais não aconteceu, deve ser apenas se jogado na cama, como um morto - vivo.
    Sai dali, era quase de manhã quando decidi dar por fim ao dia, ou melhor, a noite de minhas buscas pelo anjo, que a noite foi mais um momento de diversão com Allan. Mais antes dos raios do sol por fim decidissem atingirem e inundar a terra com luz; fui até o lago Gander, a muito eu não me banhava nas águas gélidas. Eu precisava daquilo.                   Assim que cheguei nãodisponibilizei demuito tempo para analisar as águas profundas. Apenas tirei minha roupa e fiquei apenascom o pequeno lingerie. Mergulhei. A temperatura para mim não importava. Apenas o contado a água com meu corpo, enquanto nadava. Não demorei muito dessa vez. Sai logo da água. Vesti-me rapidamente. Mais antes que eu pudesse terminar de me secar movendo rapidamente meu corpo. Escutei um barulho e fui até uma arvore próxima. Fiquei em baixo de sua sombra camuflada, esperando pra ver quem era a uma ora desses ali, no lago.
     Quem se aproximava não vinha por terra vinha voando por entre as arvores. Adriel. Assim que o vi sai da sombra da arvore, mais permanecendo por perto do grande tronco. Adriel percebeu minha presença, olhou para mim e no outro segundo ele estava no galho da arvore um pouco acima de minha cabeça, um das mãos segurava um galho mais acima, fazendo com que o corpo iluminado ficasse pendurado e seu rosto a poucos centímetros do meu. Definitivamente ele não tinha noção do limite da aproximação.
  - Olá – ele me comprimento com um sorriso radiante.
  - Olá – respondi devolvendo-lhe o sorriso.
   - Ainda pode me ver. Que bom. Pensei que pudesse ser passageiro. – ele disse como para si mesmo, entusiasmado.
  - Pensou que... – tentei procurar uma palavra adequada. – meu dom fosse apenas por aquele momento? – eu ri. Ele apenas assentiu.
   - Não é exatamente normal um mortal ver um anjo, não como você me vê. Às vezes os mortais podem nos ouvir, comunicar de modo indireto com seus protetores - ele disse em tom de confidencia, aproximando um pouco mais o belo rosto ao meu.
     - Como está seu protegido hoje? – perguntei do nada, o rosto dele pareceu endurecer, mais ainda sorria.
     - Protegido – ele disse apenas. – por que você vem para cá à uma hora dessas? – a pergunta era inocente. Tive que pensar rápido.
     - Gosto de caminhar, antes do nascer do sol. – eu não estava trajando roupas de caminhada, mais não era de exercícios que eu estava falando.   Ele não fez comentário algum sobre minhas roupas parecia alheio a isso.




Cap. 18 –

Olhamo-nos por um tempo. Ele sentou numa pedra e suas asas por alguns segundos se estenderam e então em seguida se acalmou, acoplando em suas costas. Radiava, eu ficava impressionada com toda aquela beleza.
- Você não parece nada bem. – eu finalmente falei.
Seus olhos prateados pareceram penetrar minha mente e me deixou zonza por uns instantes.
- Você tem razão, desde quando pisei no solo da terra eu vi tudo que eu nunca imaginei ver, eu senti coisas que eu pensei serem próprias do ser humano, me põe a prova tudo que eu sou; e isso chega a me ferir tão intensamente, que às vezes penso em desistir de tudo e voltar aos céus. Se é que me aceitariam novamente. – Ele abaixou a cabeça, mas rapidamente olhou para a lua que estava escondida entre as nuvens.
- Sua vida parece tão fácil, não é? – Minha pergunta sai sem sentido, mas só me dei conta depois que fiz; estar perto do anjo me transformava; fazia-me sentir mais humana, mais confusa, e era tudo tão impressionante, eu estava ao lado da pessoa que eu tanto procurei nos últimos tempos. Eu não sei como agir ou me comportar. Um ser que eu devia temer pela minha própria vida ou morte!
- Quando se está onde eu estou todas as coisas materiais perdem o sentido, minha vida se resume em proteger alguém.
- Eu compreendo, desculpe pela pergunta. – tentei ser mais cordial possível.
- Não se preocupe. – ele sorriu; tão lindo que por uns instantes me paralisou olhando-o. – Tudo bem? – ele perguntou sorrindo e balançando sua mão diante do meu rosto.
- Oh! – voltei a mim e sorri. – Seu protegido deve dar muito trabalho.
- Sim. Ele dá, mas tem outros problemas que me entristecem. – Meu sangue ferveu, por um instante pensei que ele descobriu o que sou.
- Anjo. Eu sou uma reles mortal, cheia de problemas. Mas você, um anjo. Que problemas teriam um anjo tão belo?
- Eu falhei com uma antiga protegida. E ela me faz muita falta. – ele abaixou a cabeça.
- E isso é um problema? – perguntei confusa.
- Sou um anjo. Tenho que controlar meus sentimentos. – ele me olhou tristonho. E ele então me fez lembrar-se de mim mesma, sou uma vampira, não uma humana, tenho que abolir meus sentimentos.
- Como é seu nome? – perguntei curiosa.
- Adriel.
- Adriel. Porque se culpar?
- Ela estava sobre minha jurisprudência, e eu permiti que o mal a alcançasse e tirasse sua vida. – seus olhos pratas agora brilhavam.
- O que você podia ter feito? – perguntei intrigada. Afinal, está parecendo que ele não notou que eu estive no crime.
- Ela brincou com as trevas, e numa batalha a força dela estava do outro lado, e prendeu-me, eu não consegui quebrar, e quando enfim venci as trevas, ela estava morta.
- Você fala de Annie? – seus olhos arregalaram e ele se aproximou. Por uns instantes senti uma grande tontura, meus braços amoleceram e eu cedi um pouco pra trás ofegante.
- Você a conheceu? – ele perguntou expressando grande interesse.
- Sim, já conversamos algumas vezes. – menti pra ele.
- Ela era tão adorada, não é mesmo? – Ele sorria a cada palavra. E isso me enojava, cada vez que falava de Annie, uma raiva crescia dentro de mim.
- Sim. Ela era. – sorri. – Mas é passado Adriel, você tem alguém novo para se preocupar, se ocupar sua mente com Annie, perderá mais um.
- Você tem razão. Mas esse é ainda pior que o outro. – Seu rosto se desviou e voltou a olhar o céu.
- Porque diz isso? – perguntei curiosa. Também olhei para o céu, parecia que ia chover.
- Ele brinca com o oculto. E toda vez que o encontro, eu entro num ninho maligno e mais uma vez uma batalha espiritual. Ele não se decide no que seguir, eu acho que internamente o bem e o mal também batalham.
- Nossa. Eu retiro que disse; sua vida não é fácil. – o olhei fixamente – mas se ele é oculto, ele deve-te ver não é mesmo?
- Não, não. Mas vê a outra entidade, até permite-o em seu corpo.
- Que horror. E como você faz? – eu estava muito curiosa, para entender tudo isso em Allan e Adriel. E feliz pela derrota que Haboryn sofre diariamente.
- Às vezes quando chego a casa, a entidade evita confronto e sai.
- Então, se você estiver o tempo todo com ele, o demônio nunca vai se aproximar.
- Talvez sim.
- E porque você então não fica o tempo todo. – o olhei e retribuiu.
- Eu dependo dele para estar o tempo todo, quando seus pensamentos o afastam do Criador, também me afastam dele.
- Entendi – abri a boca sem querer, quando tentei absorver as informações. Ele riu. – o que foi? Perguntei assustada.
- Você fez uma careta engraçada. – riu mais ainda.
Os primeiros pingos da chuva começaram a cair, já estava de madrugada. Os ventos estavam bem fortes e gelados, meus cabelos esvoaçavam.
- Acho melhor eu levar você pra casa. Se não vai acabar adoecendo. – ele disse me encarando.
- Acho que próximo de você eu não adoeço não. – sorri.
Ele levantou e estendeu suas mãos. Ele parecia tão mais iluminado. Temi tocar-lhe e ser desintegrada. Ele me olhava sorrindo.
- Não precisa – o olhei com a expressão de eu consigo me virar. Então levantei sozinha.
- Desculpe. Não quis lhe passar isso. – ele estava todo assustado, parecia uma criança que não sabia muito bem o que fazer.
- Tudo bem. – sorri e ele retribuiu confuso.
Adriel me acompanhou até o bairro onde moro. Quando passamos pelo casebre, ele cerrou os dentes. Eu entendi o porquê, então nem fiz objeção.
- Então é aqui que você mora? – ele perguntou intrigado.
- Sim. Tem algum problema?
- Talvez sim. Sinto muita energia ruim saindo daqui.
- Eu não converso com ninguém, sou só eu e minha mansão.
- Entendo. Preciso voltar agora. – o olhei fixamente, ele retribuiu, seus olhos prateados piscaram e ele se foi.
Estava em choque, entre na mansão sem nem olhar para os lados e subi até meu quarto. Eu estive com o anjo que eu tanto procurei, e por alguns minutos ele me protegeu, do lago Gander até o bairro eu foi agraciada pela presença do anjo. Senti-me tão humana e frágil e ele foi tão homem e protetor. Os céus deviam estar me odiando nessa hora. Preciso achar uma forma de sempre estar com ele. Afinal, é tudo que eu sempre quis, não haverá um vampiro para se contrapor a mim, Melissa vai estar soterrada em minha fama e privilégio. Dancã vai engolir aquele orgulho e a pequena magia de Kimberly vai se tornar pó se assim eu quiser e meu anjo fizer.
Deitei na cama e pensei em Christine. O que ela faria se soubesse que agora tenho um anjo protetor. Mas primeiro tenho que contatar Allan, pois se eu estiver próxima dele, o anjo também estará próximo de mim.
Limpei por alguns instantes minha mente e levantei. Fui até a janela e abri à persiana. A chuva estava forte em Gander, e hoje provavelmente já era domingo.
O Anjo rasgou o céu, a chuva lhe desviou o caminho. Aqui de cima o vi pousar em frente minha casa, com suas lindas asas, ele notou que eu o observava, seus olhos prateados encontraram os meus; então ele voou até mim, graciosamente e delicado, parecia parte dos ventos, quando enfim me alcançou, seus olhos brilhantes foram substituídos pelo vermelho sangue, sua forma se alterou e Haboryn surgiu sorrindo para mim.
Então despertei, quando notei, eu estava tocando a cortina e olhando a chuva que caia em Gander. Sonhei acordada, estar com o anjo me fez tão humana que pude até sonhar. Dei alguns passos e sentei em minha cama, eu estava impressionada e me sentindo frágil, emocionalmente humana. O que está acontecendo comigo, cadê o meu instinto, sou uma caçadora, uma vampira implacável e sem piedade, não uma reles e frágil mulher encantada por um ser fantástico que nem ao menos pode me tocar.
Deitei e comecei a imaginar o meu sonho, mas sem Haboryn por perto.
Com as janelas abertas, ele entrou em meu quarto, o temendo corri para a cama e me deitei.
- Não temas – Sua voz doce me hipnotizou. Quando dei por mim ele estava próximo aos meus pés, do lado da cama, me olhando em pé e com suas asas esticadas. E um belo sorriso no rosto. Lentamente o edredom foi deslizando por mim até ser arremessado da cama. Eu estava de camisola de seda vermelha. Suas mãos me assustaram quando fizeram menção de tocar meus pés. Mais uma vez ele repetiu ‘não temas’, então permiti, meu coração morto acelerava em meu peito, e uma ansiedade interna chegava a me corroer. Suas mãos finalmente me tocaram, houve a transformação, me tornei humana novamente, meus cabelos ruivos, minha pele quente novamente, e esquentava a cada toque, ele alisou minha perna então fiz uma leve abertura...
- Natasha – Uma voz fúnebre me fez “despertar”. Virei o rosto de lado e então vi quem eu não queria encontrar. Haboryn.
- Sonho com o anjo e acordo ao lado do demônio.
- Tá achando ruim Natasha?
- O que quer comigo Haboryn? – Perguntei quase gritando. – Se puder se afastar, eu ficaria mais tranqüila.
Haboryn estava com uma sombra em minha parede. Ficou estático por alguns segundos.
- Não temas. – Foi como meu pensamento, mas sua voz saiu sombria. – Sabe que não posso tocar em você.
- Talvez seja por isso que esteja tão tranqüila. – Forcei um sorriso.
- Vejo que descobriu o protegido do anjo. – sua voz inalterada.
- Desgraçado! – Gritei. – Você sabia o tempo todo, foi mentiroso e dissimulado.
Ele sorriu – Natasha, não poderia lhe entregar o ouro antes do sacrifício.
- O que quer dizer?
- Você queria matar o protegido, se eu lhe entregasse você com certeza o mataria.
- Não tenha tanta certeza Haboryn.
- O fato é que agora o anjo eu o fiz encontrar o anjo.
- De novo Haboryn, você me enganou uma vez, e já basta. Eu procurei o anjo intensamente durante semanas, se eu o encontrei, foram por mérito próprio.
- Quando eu atordôo a mente de Allan com magia negra e maus pensamentos, o anjo não aproxima. Como acha que permiti que Allan fosse melhor em seus pensamentos para atrair o anjo até você?
- Pare! Adriel já me contou que quando se aproxima você foge como um gato assustado.
Ele sorriu – Acha mesmo?
- Ele é um anjo, e diferente de você ele não pode mentir – sorri o provocando.
- Não o digo que mentiu. Mas afasto para lhe dar essa impressão, faço Allan atraí-lo então me afasto para evitar confrontos desnecessários. Você como já está intima dele, sabe melhor que eu o quão ingênuo é o anjo.
- Não é ingênuo, só tem preocupações diferentes das nossas.
- Não tente enganar a si mesma. Você deve estar adorando fazer o papel de Annie – Rangi os dentes – Mas por quanto tempo, vai chegar um momento que você sentirá que ele não é o bastante pra você, vou é algoz, fogosa, adora perigos, e o anjo só pode lhe oferecer paz e mansidão.
- Já chega! Fora da minha casa Haboryn. – Começou a me irritar.
- Una-se a mim. Destruirei o anjo e serei Allan. Lado a lado terá que tudo o que quer. Pensas que não sondo vossos pensamentos. Sei que imagina ser imbatível com o anjo, mas não é tão simples, você nunca tocará nele, nunca poderá dizer a verdade, e Annie mesmo morta estará sempre acima de você.
- Chega! – Gritei com toda força.
A porta abriu bruscamente, e conseguinte a janela recebeu rajadas de vento e abriu fortemente trazendo a chuva em meu quarto. Kimberly entrou com seus cabelos rosados e segurando um frasco.
- O que foi Natasha? – Kimberly perguntou desesperada.
Olhei para a sombra e ela seguiu meu olhar e encontrou. Haboryn ornamentado na parede.
- Se preferir, apenas derrube o anjo. O que quero é ele longe de Allan. Como você que o quer perto de ti. Se me ajudar terá sua recompensa.
Kimberly destampou o frasco e jogou o liquido na parede. A sombra foi lentamente desaparecendo, como um fogo ao se extinguir numa folha de papel. Mas antes de partir totalmente ele deixou uma mensagem: - EGO exsequor quisque quis mihi probo. lamia rosy será prothoplastus terminus em minhas mos.
- O que ele disse? – perguntei inquieta para Kimberly.
- É latim. Ele disse que vingará todo mundo que lhe fez mal, e eu serei a primeira a morrer. Como se eu me preocupasse com ameaças.
- Longe dos filhos da serpente. Lembra.
- Eu saberei me defender quando ele vier. Isso se vier. O que conversaram?
- Ele quer que eu me una a ele, para destruir o anjo e vim para a Terra.
- Então você tem que conseguir manter o anjo cada vez mais fortalecido.
- Isso mesmo – a voz acolhedora de Silas atravessou o quarto e o vi na porta. – Matamos Annie e ele encontrou Allan. Se matarmos Allan ele provavelmente encontrará outro e nossa luta nunca terá fim, temos que destruir o demônio. Demônio tal que não podemos tocar.
- Mas o anjo pode. – conclui.
- Exatamente – Compreendeu Kimberly – Se convencer o anjo do mal que cerca Allan. Se mostrar que ele deve matá-lo, não teremos mais que preocupar com Haboryn, então não haverá guerra e tudo acabará bem novamente.
- E eu poderei estar com o anjo e Allan. – Conclui sorrindo.



Cap. 19 –

Já faz vinte e quatro horas que estou em casa refletindo sobre minha conversa com Kimberly e Silas, e também sobre a com Haboryn. Qual realmente seria vantagem pra mim, os dois lados me parecerem bem saboroso. Com o anjo serei amada, protegida, e terei uma vida feliz, porem cheios de mentiras e medos, arriscando minha própria morte. Com Haboryn terei uma vida de glória, tendo tudo acima, como teria com o anjo, porem, eu viveria uma vida menos mentirosa, mas com o mesmo medo de morrer a qualquer momento, fora o medo de estar sendo traída, ou dele se enjoar e me usar até onde precisa e ai detonar comigo. Às vezes eu só queria encontrar uma pessoa eterna como eu, que vivesse toda a eternidade junto a mim. Derick é uma boa pedida, se ele não fosse tão sem vergonha. O Allan também se não fosse tão problemático e ligado inteiramente com Haboryn e Adriel.
A madrugada passou com as corridas de meus pensamentos, havia amanhecido e o sol estava brilhando, nem parecia que há alguns dias atrás a neve encobria toda a cidade. Levantei da cama, sai do quarto e desci as escadas, fui até o escritório de Silas. Bati três vezes na porta e nenhuma voz se ouviu, tentei abrir a porta e estava trancada. Temi ter acontecido alguma coisa, subi rapidamente para o segundo andar, para o quarto de Kimberly, abri a porta e ela estava meditando junto aos raios do sol, toda aquela luminosidade doíam meus olhos e incomodava minha pele.
- Kimberly. O que está fazendo? – Perguntei transtornada.
Seus olhos abriam expressando seu tédio e desapontamento. – Meditando. – Foi sua resposta única.
- Sob a luz matina do sol? Não acha que está arriscando demais? – a olhei intrigada.
- O que você quer Natasha? Vá direto ao ponto.
Olhei-a entediada.
- Kimberly. Gostaria que você fosse comigo até o casebre.
- Você está bem. Faz tanto tempo que não me chama.
- Talvez porque eu nunca encontro você? – Sorri sarcástica.
Kimberly levantou-se e seguimos. Descemos as escadas e no hall eu perguntei: - Sabe onde está todo mundo?
- Como assim? Provavelmente encurralados em seus quartos escuros, protegendo-se dos raios solares.
- É verdade. – sorri desacreditada com meu esquecimento. – É que às vezes eu esqueço que somos sós nós duas que podemos andar durante o dia – sorri novamente.
- O que exatamente você quer encontrar no casebre Natasha?
- Eu quero descobrir mais sobre o demônio, sobre Will, sobre Allan.
Passamos em frente à casa de Christine, pensei em parar e chamar Christine para ir comigo, mas minha confiança nela caiu muito desde quando descobre todas as coisas que ela omitiu-me. Então seguimos o caminho e não demoramos a encontrar o casebre.
De dia parecia só uma casa velha com o portão detonado. Passeamos no quintal. Kimberly apontou com o dedo o local onde ela matou Eric, e sorriu. Paramos na arvore.
- Eu ainda não entendi bem o que você veio procurar. Se é que tem o que achar aqui.
- Calma Kimberly, dá ultima vez foi um fantasma que se manifestou. Mas na verdade busco por lembranças.
O gato negro surgiu na área de serviço, a alguns passos de nós, perto da balde velho. Kimberly e eu nos entreolhamos e eu fui até ele bem devagar. Ele sentou e me esperou, sentei ao seu lado e ele pulou em meu colo, senti uma repulsa no começo, mas senti que ele sentiu o mesmo, que irônico, talvez minhas mãos geladas incomodaram-no. Comecei a alisá-lo, e ele arfava. Kimberly apenas observava, minha cabeça começou a pesar e meus olhos se abriram e fixaram a minha frente.
Eu entrei na casa, com passos leves, parecia estar flutuando. Parei na divisória da cozinha com a sala e vi Allan e o gato. Parecia não me notar, eu já começava a entender o que estava acontecendo.
- Will. Eu vingarei você. Primeiramente Christine que lhe fez ser assim. Quando eu a vencer, então derrotarei o Enganador.
Então retornei, eu estava acariciando minhas pernas.
- Natasha. Está tudo bem?
- Agora está quase tudo tão claro. Acho que sei o que Will quer com Allan.
- Como assim? Explique-me melhor. – Kimberly perguntou confusa.
- Will só quer vingança. E está usando Allan para conseguir isso, quer destruir Christine.
- E o que você vai fazer! Está ficando louca! Não acredito que pensa em ajudar?
Gargalhei – O meu problema é só Haboryn, o que eu quero comigo é o anjo. Allan pensa que Haboryn vai ajudá-lo, mas demônios não são confiáveis. Preciso o fazer acreditar em mim, preciso fazê-lo afastar de Haboryn, tornar o demônio mais vulnerável pode aumentar as chances do anjo destruí-lo.
- Tem razão. – Kimberly concluiu.
- Hoje me encontrarei com o anjo no lago Gander. Mas antes quero ter uma conversinha com Christine.
- Quer que eu vá com você?
- Não precisa Kimberly, dela eu me dou sozinha.
Na casa de Christine, Kimberly seguiu para sua mansão e eu toquei a campainha. Christine abriu a porta, trajava um vestido leve de cor azul marinho. E uma fita azul amarrando seu cabelo.
- Olá Natasha. – sua voz melodiosa me deixou um pouco nostálgica.
- Quanto tempo.
- É mesmo. A sua busca incessante pelo anjo já acabou?
- Sim. Já o achei, mas ainda temo algumas coisas que podem acontecer.
- Como o que? Alias, entre. – ela afastou e permitiu minha entrada. Havia uma bacia branca no meio da sala de estar. – O que é, perguntei curiosa.
- É uma bacia com água salgada e a pedra água marinha. Hoje é dia de Posseidon, e isto é um ritual de homenagem. É bom, nos ajuda a controlar as emoções.
Sentamos no sofá.
- E John, onde está?
- Foi resolver uns problemas e outra cidade. Ele ficará fora alguns dias.
- Mas são problemas dele mesmo? – Perguntei provocando.
- O que você realmente quer aqui Natasha? Seja direta. - Christine ficou seria.
- Estive no casebre hoje.
- Então – Ela falou sem delongas.
- Will me revelou mais coisas. Você precisa destruir Haboryn. Antes que ele o destrua.
Christine me olhou incrédula.
- Foi isso que ele te revelou?
- Não bem isso. Mas da pra entender que é.
- Natasha. Will é só um espírito vingador, que nunca me perdoou pelo erro que cometi mais de um século atrás. Haboryn é só um demônio, e como todos os outros demônios enganam e traem.
- Você não o teme? – Perguntei intrigada.
- E porque o temeria? Não sou uma vampira. Sou uma bruxa, e tenho poderes suficientes para mandá-lo para o inferno se ele tentar alguma coisa. E Will, pobre garoto, eu posso destruí-lo a qualquer momento, só ainda não o fiz, porque tenho esperança que alguém possa salva-lo.
- Então porque não destrói Haboryn de uma vez por todas?
- Ele não é ameaça pra mim Natasha.
- Quem é você? Você sempre quis ajudar as pessoas. Já parou pra pensar que pode ser uma ameaça a John?
- Já. E sei que não é. Essa guerra não é nossa, vampira. É tudo um acordo entre eles, Haboryn não quer destruir os vampiros, se os vampiros são a fonte para seu poder. Vampiros são as pontes das almas para o inferno.
- Mas Silas... – Christine me interrompeu.
- Natasha. Silas está louco, sempre esteve. Só vocês ainda não perceberam.
- Já chega Christine. Já que se sente tão protegida assim, eu não vou mais importar com você.
- Isso Natasha. Quem mais precisa de ajuda aqui é você, que anda comprando confrontos que podem lhe destruir. O anjo não é seu, e cedo ou tarde você entenderá isso e arrepender-se-á por tudo que fez. O demônio só quer o seu dom de matar ativo. É besteira você acreditar que é alguém importante nesse confronto de titãs. É só mais uma arma. Uma tola arma.
- Talvez você tenha razão. Eu acho que estou me apaixonando pelo anjo.
- Apaixonar? Você uma vampira. Natasha! Chega de ilusões. Que se apaixonar. Você apenas inveja o que foi Annie. Para de querer uma vida que não é sua.
Fiquei chocada com suas palavras. E o pior é que ela tinha razão. Eu estava no meio de um confronto que não era meu, arriscando minha própria vida eterna para ter uma vida que nunca foi minha, e que eu não podia esperar que fosse.
- O que eu devo ambicionar é uma eternidade de glórias.
- É exatamente o que você precisa. – Concluiu Christine.
Senti saudades de conversar com ela, eu havia esquecido o quanto ela clareava minhas idéias.
- É o que Kimberly está fazendo. É o que John faz; Silas, Dancã, Melissa, entre outros vampiros da ordem. E só eu iludida com uma vida que não pode ser minha. Você tem razão Christine, a partir de hoje vou trabalhar mais por mim. E já sei como começar.
- O que pretende fazer Natasha? – Christine perguntou intrigada.
- Só aguarde. Você vai saber no momento certo.
Sai da mansão de Christine e fui pra a minha. Já estava à tarde, e algumas nuvens surgiram no céu, o tempo havia mudado, parecia mais fresco, talvez chovesse mais tarde.
Eu vou fazer o que Haboryn me pediu. Já minha eternidade é condenada mesmo, estando com Haboryn vou continuar fazendo o que faço e ter uma vida de glorias. Ou seja, vou fazer o anjo pecar.
Fui até a mansão e entrei no meu quarto. A porta se abriu e Silas entrou. Eu estava de camisola vermelha.
- Olá Natasha – Eu estava atordoada por tudo que aconteceu hoje cedo, mas a voz de Silas me fez acalmar. – Posso saber o que se passa nessa cabecinha atordoada.
- Sim mi lord. – sorri.
Silas sentou.
- Tomou alguma decisão?
- Talvez sim. Acho que me iludi por estar com o anjo, e a emoção me fez quase falhar.
- Eu entendo. Estar entre o anjo e o demônio.
- É isso mesmo, eu não quero estar entre nenhum e nem outro, na verdade, eu não preciso estar. Essa briga não é minha.
- Como assim – Sua voz se tornou mais seria.
- Vou abandoná-los. Essa briga não é nossa.
- Está delirando? Lógico que é. Sem o que, todos nós morreremos. E a minha visão Natasha?
- Você já pensou ter errado. E outra, aquela visão foi com Annie, agora tudo é diferente.
- Não minha querida. Se fosse, outra visão surgiria para me avisar.
Parei por uns instantes o observando. Estava a minha frente uma pessoa que eu não queria pensar assim, mas eu o estava vendo como uma pessoa que sempre fracassou na vida. Por isso indigno de minha confiança.
- Se eu me juntar a Haboryn...
- Estará morta! – Silas me interrompeu.
- Não, terei uma vida de glorias.
- Você ainda acredita no demônio? – Ele me olhou incrédulo.
- Não nele. Mas em mim, sei o que quero e vou batalhar por isso.
- E viver uma vida inteira de medos? É isso que você quer para sua eternidade.
- Talvez sim. Mas matando Haboryn eu não ganharei nada, pelo contrario, poderei até perder. Pois com ele posso ganhar de tudo.
- Esta caçando um jeito de se destruir. Você é valiosa demais pra mim Natasha. Não gostaria de perdê-la, mas não posso intrometer em suas decisões. Faça o quiser, cansei de me importar. Mas saiba que não terá meu apoio nem proteção. Está sozinha nessa.
Apenas o olhei incrédula com suas palavras, e sua saída pareceu tão longa. A chuva começou a cair e suas gotas tocavam a janela fazendo grande algazarra.
Vou ao lago hoje, encontrar Adriel, quero pedir alguns conselhos e tentar fazê-lo pecar para Haboryn aproveitar e vim a este mundo.
- Pensando em mim? – Uma sombra surgiu em minha parede. Sua voz nefasta foi logo reconhecida. Haboryn.
- Sim demônio. Senti saudades. – Ele sorriu.
- O que vai fazer? – sua voz saiu com cordas duplas.
- Vou fazer o anjo cair.
- Fazê-lo pecar?
- Sim. Quero estar com você...
- E eu contigo minha vampira – ele me interrompeu. – Tenho grandes planos para nós dois.
- Então aguarde que eu também tenho. Dar-nos-emos muito bem juntos.
- Tenho certeza que sim.
Haboryn desapareceu. Provavelmente esta com Allan. Esperei a chuva acalmar um pouco então sai da mansão. Dancã estava próximo do hall quando me viu sair, mas não deu uma só palavra comigo. A praça estava vazia, e alguns pingos ainda caiam. O casebre estava normal, apenas molhado. Caminhei o mais rápido que pude para o lago. Se Haboryn estiver com Allan, Adriel estará no lago.

Aproximando-me do lago notei as grandes asas abertas sobre a pedra alta próxima ao lado. Os cabelos repicados e molhados pela chuva. Tentei me aproximar sem fazer barulho, mas aqueles olhos prateados me encontraram.

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