sábado, 10 de outubro de 2015

5 - 6 - 7 - 8 - 9

Cap. 5 – Primeiro Encontro

Larguei-a ali, acredito que não demorará em que seus familiares a encontrem. Caminhei lenta e intrigada, precisa de respostas, queria saber mais sobre tudo isso, o que aconteceria agora? E o anjo, morreria? Trocaria de protegido? E o demônio? Deveria estar só à revolta comigo. Por que seu sangue era tão doce? E as visões de Silas? Aconteceria mesmo? Eram tantas indagações que nem percebi o momento em que saí da floresta e estava a caminho de minha casa.
Estava de noite,e a lua brilhava, há essa hora as bruxas deviam estar na comemoração do primeiro dia do ano. Eu ainda não encontraria Christine para lhe contar que matei Annie, alias, acho que ela nem gostaria de saber, até onde eu sei, John criou um carinho por Annie, e acho que a quis ficar de olho e a observar de longe. Na esquina do bairro, avistei a casa onde deixamos Eric. A curiosidade me seduziu e eu entrei.
Senti algo inexplicável, era uma espécie de nostalgia, aconteceu alguma coisa ali comigo, eu só não conseguia lembrar, e isso me intrigava. Andei quintal adentro, observando cada detalhe, com muito cuidado, afinal, foi ali que Haboryn atacou Annie pela primeira vez. Avistei a figueira, e me fez lembrar-se de Bruno, acredito que há essa hora, Melissa tenha transado com ele e depois o matado. Ele era bem belo, Annie tinha uma tremenda sorte – sorri – agora está morta – sem querer gargalhei, e alguma coisa se mexeu dentro da casa. Na hora meus instintos se aguçaram e me virei rapidamente.
- Natasha?
Quando olhei vi o jovem Allan.
- Não se apresente mais assim, ou da próxima vez eu decepo seu pescoço.
Ele corou – Calma, eu só estava refletindo.
Nesse momento eu me senti estranha, como se eu me conectasse a ele, senti suas emoções e isso me fez ver coisas que não provem de mim – “Você que agora vive em mim e que sua juventude e vida jamais terá novamente.” – ouvi uma voz feminina, parecia que eu conhecia aquela voz, mas era velha e cansada demais para eu lembrar.
- Natasha! – Allan me tirou do transe – Você está bem?
Meu olhar lentamente o procurou e se fixou. - oh não, eu ajudei a pessoa errada, ele me enganou. Mas e Willian, como posso encontrá-lo? – Entrei na empatia novamente e voltei.
- Allan! Você o que?
Ele começou a chorar.
- Saia Natasha, eu ajudei a pessoa errada. Mas você não tem nada haver com isso. Vá embora!
Olhei repugnante pra ele, inclinei minha cabeça levemente para a direita e o observei chorar.
- Tem razão, chega de problemas.
E saí sem mais delongas, atravessei o portão retorcido e quebrado e sofri mais um ataque nostálgico. Agora eu vi aquilo antes de haver asfalto, no meio do mato, grandiosa, e um homem surgiu rapidamente na minha frente e parecia querer entrar em mim, a sua velocidade me trouxe lucidez e eu voltei. Parecia uma louca parada entre a casa e a rua. Balancei a cabeça para estar em mim novamente e segui em frente, fui para o Sparks. A fila hoje estava enorme, também pudera, hoje é sábado. Pensei em ligar para Kimberly, mas sinceramente, hoje eu queria tirar a noite só para mim, sem caça, sem amigos, só eu e um Dry Martini. Sentei confortavelmente no acento ao balcão e notei que havia trocado de garçom, um moço vistoso, atlético e despojado. Ele me fitou enquanto preparava outros drinks, e quando terminou veio até mim.
- Olá senhorita. O que vai pedir?
Olhei por alguns instantes, mordendo os lábios. Olhei para cima e disse: - um Dry Martini bem caprichado.
Ele concordou com a cabeça e estava sorridente. Retirou do freezer uma taça de coquetel. Pegou a coqueteleira com gelo, colocou vermouth e gin. Deu uma mexidinha e depois coou para a taça. Colocou uma fina casca de um limão e decorou com uma azeitona verde espetada no palito.
- Desde que comecei aqui, ainda não tive o prazer de vê-la. Ele disse sedutoramente.
Eu o fitei enquanto mordia a azeitona.
- Se soubesse que você trabalhava aqui, viria todos os dias – lhe pisquei o olho.
Ele sorriu empolgado. E eu olhei para o lado. Então reparou que alguém o chamava.
Tomando calmamente e charmosa o meu Dry Martini, alguém se esbarrou em mim e me fez derramá-lo. Olhei furiosamente o moço alto, branco, cabelos castanhos escuros e repicados até a altura das sobrancelhas, olhos profundamente azuis. Ele virou até mim e me encarou, parecia que todos os meus sentimentos haviam fugido, eu paralisei. Então se virou novamente e andou tão rápido que parecia correr. Deixei o dinheiro do Dry Martini e comecei a segui-lo.
Ele sentia alguns espasmos, como se me pressentisse. No final do Sparks esta a sala do gerente. Essa porta geralmente fica trancada, mas naquela hora ele só girou a maçaneta e ela se abriu. Comecei a temê-lo, que ser é ele, capaz de sumir com minhas emoções e ainda assim ser forte como um vampiro.
Atrás da porta tinha uma escada descendente, ele a seguiu, entrando em algum lugar escuro, como um porão. Esperei que ele sumisse de minha visão e adentrei. Na escuridão, meus olhos se aguçaram e eu o vi, a alguns metros de mim, comecei a caminhar mais sorrateiramente. Ele andava tão bem naquela escuridão, que agora tive certeza que não era humano, ou pelo menos, não um humano comum. Ele abriu outra porta, tudo num absoluto silêncio. Quando alcancei a porta que ele entrou, fiquei assustada, tinha corpos de pessoas desmaiadas no chão. Ele sozinho teria vencido todos, parecia ser um vampiro antigo, mais poderoso que Silas e John. Meu medo foi crescendo, transformando em pavor, mas controlei minha mente e prossegui.
Avistei mais uma porta aberta, ele parecia estar ali, subi pelo telhado e de cabeça para baixo observei toda a cena. O moço conversava com Djin, o dono do Sparks. Tentei ocultar ao máximo minha presença e comecei a observá-los.
- O que mandou fazer com a minha protegida!Demônio do inferno! – Berrou o homem agora explodindo em ira.
Djin o olhou incrédulo.
- Sinceramente Adriel. Não sei do que está falando.
Adriel o fitou como se fita uma pessoa sem credibilidade.
- Não seja cínico. Pessoas não morrem com uma mordida no pescoço por acaso. – Olhei- o meio que reconhecendo. É o anjo, o maldito anjo que protegia Annie. – comecei a rir baixo, mas por dentro eu explodia de excitação.
Ele continuou – Você mandou matá-la para satisfazer a vontade de seus demônios sem escrúpulo.
Djin havia se alterado, e sua voz soou cordas duplas.
- Já chega Adriel! Fora daqui, não sou obrigado a dar explicações a um anjo. Não tenho culpa se você não tem capacidade de proteger algum ser.
Adriel parecia ter sido tomado por ira, um sentimento tão humano e maligno, que eu nunca imaginei que um anjo pudesse manifestar. Mas ele foi envolvido por um brilho branco, então ele respirou fundo e se tornou uma aura branca, atravessou a parede a frente e flutuava quase que invisível pelo ar.
Corri de volta ao centro de dança, estava tão rápido que só um borrão podia ser visto. Eu precisava saber mais sobre o anjo, eu tenho cento e trinta anos e nunca tive a oportunidade de estar tão perto de um anjo, alias, nunca havia tido certeza que existisse um. Do centro de dança, olhei todos os lados e caminhei descentemente para fora. E para minha felicidade e excitação, a presença dele ainda era vista por mim. Passei a segui-lo.
Ele parecia flutuar tão tristonho, como se sua imortalidade agora não significasse mais nada, sua aura vagava triste e lenta, não havia mais nada para ele se preocupar, e aquilo parecia deixá-lo inseguro, incrédulo. Eu não sabia o que podia acontecer de agora em diante, mas talvez ele soubesse que aconteceria algo terrível demais, então eu deduzi que ele seguia para algum rumo sobrenatural, onde haveria uma condenação angelical, e eu não poderia perder aquilo de forma alguma. A excitação em meu corpo, a adrenalina me impulsionava a continuar seguindo com o máximo de cautela. Quando somos transformados, aprendemos que temos que ficar longe dos iluminados, por que eles podem facilmente nos destruir.
O anjo voou até o lado, em cima de uma pedra ele observava a imensidão do lago Gander. Ao seu final refletia a lua brilhando intensamente para ele. Agora se materializará; se tornou o homem que se esbarrou em mim, e seus cabelos roçavam no vento gelado que fazia. Suas vestes brancas acompanhavam as ondas que o vento produzia em seu tecido, e seu olhar estava fixo para o lago.
Tudo isso é tão maravilhoso, eu me sentia tão humana o observando, o seu poder me alcançava e me dava uma liberdade tão grande, eu tive vontade de sorrir, de pular de alegria, mas controlava todas as minhas emoções para que esse anjo não me destruísse. Minha mente começou a produzir imagens aleatórias e confusas, comecei a sentir tudo de novo, eu estava tendo uma visão. - Oi Meg – Eu me vi humana e um homem chegava em casa, mas eu não o conseguia ver. Só ouvi sua voz. O anjo é tão perigoso assim, ele nos traz lembranças humanas que despedaçam nossos corações, eu estava confusa, não sabia mais se queria continuar ali tendo aquela experiência ao mesmo tempo maravilhosa e trágica. Meu momento foi abruptamente interrompido, o anjo começou a gritar, e é tão terrível, seu grito demonstrava tanta dor, eu quis me aproximar e confortá-lo, mas lembrei que eu poderia não mais retornar. Suas asas balançavam freneticamente e ele agarrava seu peito com tanta força, que me fazia ter flashes dele destrancando portas, me fez temer ainda mais. Parecia estar chorando, e eu sempre tive a imagem de que os anjos eram tão perfeitos que só nos trazia alegria e paz, que refletiam o que eles eram realmente, vendo este aqui me trouxe sentimentos intensos, curiosidade, dó e compaixão, sentimentos humanos que não existem em mim há muito tempo, nem mesmo quando fui humana eu o possuía.
Uma luz descendo do céu fez o anjo levantar. E essa luz me incomodava tanto, minha visão começou a escurecer e eu agucei minha audição para ouvir atentamente, meu corpo estava pesado, e fui obrigada a me apoiar no chão com as mãos para não cair. O brilho estava tão intenso, que eu não pude ficar com os olhos em sua direção, abri os olhos olhando para o solo e na sombra vi quatro asas, ou seja, um anjo maior que esse, provavelmente seu mestre.
Na sombra o anjo estava agachado com os joelhos dobrados, e uma perna ereta. O anjo de quatro asas posicionou sua espada no ombro do anjo.
- Anjo, tu não foste capaz de proteger uma humana, deixou que as trevas vos dominassem e olha o resultado de tudo. – Repreendia-lhe o anjo de quatro asas – Você deixou se envolver por ela Adriel! Anjos não possuem sentimentos, apenas protegem e cuidam a mando de Deus, está deixando de ser anjo, está recuperando sua essência humana. Como quer se comparar a humanos sentimentais? Não Adriel! Você não é Humano!
Adriel o fitou e com a voz alterada se expressou.
- Uriel! Peço perdão a Deus. Realmente me envolvi por ela, não pude protegê-la, e a quero de volta.
- Baixe seu tom Adriel – repreendeu Uriel – Quanto morto você viu voltar à vida? Ela está descansando agora, mas terá uma segunda chance Adriel. Um novo protegido, e seu desafio agora será não se deixar dominar pelas trevas e proteger seu incumbido. Se falhar, perderá sua condição e cairá.
Percebi que Uriel tinha ido não só pelas sombras, mas porque eu estava normal novamente, aquele peso havia sumido e então levantei, queria saber mais sobre sua reação. Adriel também não estava mais lá, provavelmente o Uriel o tivesse levado aos céus para lhe dizer quem será seu novo protegido. O fato é que Adriel realmente tinha se envolvido com Annie, e ele é tão meigo, tão bondoso, e o que ele sentia por ela, eu não consigo imaginar que alguém possa ter sentido isso por mim. Isso me traz tanta revolta, e tanta inveja de uma humana desinteressante. Eu sei que o anjo vai voltar, e quando ele descer a terra eu estarei esperando por ele, será meu como foi de Annie.
Meu celular tocou, é Silas.
- Alô? Natasha? Onde está?
- Estou chegando a casa, tenho uma noticia ótima. - Falei enquanto liberava um discreto sorriso.
Eu voltei para a mansão, usei de aceleração, acredito que estejam em uma reunião. As casas do bairro estavam todas com o fundo iluminado comemorando o dia mágico. Não me atentei aos detalhes e atravessei o bairro o mais rápido que pude. No hall de entrada, segui a escada da direita e fui para a sala de reuniões que estava com as portas abertas aguardando a minha chegada.
- Seja muito bem vinda Natasha. Sente-se – Disse Silas.
Sorri graciosamente e orgulhosa do meu feito eu sentei na cadeira ao lado de Silas.
Na sala de reuniões possuía uma mesa bem comprida, nela senta todos os vampiros da ordem. A Primeira cadeira é ocupada por Silas, o líder. Ao seu lado direito possui uma cadeira vazia que é destina a John Willer. A sua esquerda é onde eu sento. Ao lado da cadeira de John estava Dãcan, ao meu lado Kimberly, ao lado de Dãcan a Melissa, ao lado de Kimberly o Paul, um vampiro jovem, tem uma aparência bela, mas sem aprimoramentos, seus cabelos são despenteados e sua face se assemelha a um louco, um olhar vago e seus dentes sempre afiados. Ao lado de Melissa sua prole Lana, uma garota que aparenta seus dezenove anos, aparência meiga e doce, ela é uma estadunidense, baixa, magra e de belas curvas, cabelos lisos castanhos como a cor mel de seus olhos. Melissa a transformou e, eu lembro como se fosse hoje, ela havia se apaixonado por Dãcan, mas foi um amor sem vida, pois Dãcan é apaixonado até hoje por Melissa. E a frente de Lana e ao lado de Paul estava Julio, um vampiro de Roma, ótimo condicionamento físico, com músculos saltando em cada parte do seu corpo, cabelos curtos e negros, pele morena. Ele tinha uma habilidade de luta incrível, e Silas o recrutou na nossa ordem logo quando ele visitou Gander e lutou contra Dãcan. Esses são os vampiros da ordem e em que posição eles sempre sentam.
- Acho que estão todos aqui, com exceção de John, que nunca está. Começou Silas. E aquilo começava a me intrigar, eu nunca havia visto John ali, mas em toda a reunião ele insistia em dizer aquilo. – Natasha, eu acredito que você tenha completado o seu trabalho.
Dei um sorriso gratificante.
- Há algumas horas atrás mi lord eu a matei. O anjo e o demônio se enfrentaram e eu aproveitei a ocasião.
- Meus parabéns Natasha. Finalmente evitamos a nossa própria destruição.
- Acho que você demorou um pouco Natasha, mas estou grato pelo seu trabalho. Disse Dãcan sorrindo presunçoso.
- Eu creio que o trabalho do anjo ainda não tenha acabado por aqui Silas. Eu disse.
- O que quer dizer Natasha?
- O anjo recebeu uma visita dos céus que lhe deu uma nova chance, outra proteção, e quando o Lord me ligou, esse incidente estava acabando de acontecer. Terá mais um protegido, eu só não sei quem será.
Silas ficou pensativo por alguns instantes, e os outros vampiros estavam alvoroçados.
- Tudo bem. Ainda não consigo saber se esse será uma nova ameaça a nós, mas deixo você incumbida de mais uma missão, descubra quem é.
Eu concordei com a cabeça e a reunião acabou.

Capitulo 6 –

Na penumbra do meu quarto, estou sentada em uma poltrona no canto imersa as sombras, meus cotovelos estão apoiados nos antebraços do sofá, enquanto minhas mãos então entrelaçadas na altura do meu tórax, minhas pernas estão um pouco esticadas, meus olhos acompanham as figuras que as sombras desenham no teto.   Mais minha mente vaga, entre o doce sabor do sangue da humana morta há três dias, caída no chão, a chuva caindo sobre seu corpo inerte. A outra imagem é a dos profundos olhos azuis do anjo; O anjo. Será que o sangue de seu novo protegido seria tão doce quanto de Annie?
Passei o dia todo ali, me vangloriando sobre a morte de Annie, e visualizando os olhos do anjo, procurei imaginar onde ele estaria.
Tenho o dever de encontrá-lo e descobrir quem é seu novo protegido. Levantei-me andei lentamente até a janela e afastei um pouco as pesadas cortinas, ainda restavam algumas mesclas do sol, observei aquilo por alguns instantes logo me cansei, observar o por do sol era coisa de humanos patéticos e românticos, fechei as cortinas. Fui ao banheiro dei uma olhada no meu visual e sai do quarto, desci as escadas devagar, humanamente devagar, minha mão deslizava pelo corrimão. Ninguém no hall; suspirei.
Abri a porta da frente e me retirei. Cheguei ao portão e abri com o controle remoto, agora a noite cairá por completo. Será que o corpo já havia sigo encontrado? Não entendi por que eu me perguntava aquilo.
Estou um tanto desorientada, não sei exatamente por onde começar a procurar pelo anjo. Então caminhei, pra lugar algum talvez, era meu subconsciente que me guiava. Quando dei por mim, eu estava na frente da casa de Annie. Será que o anjo viria aqui?  Para poder se lembrar dela ou coisa assim? Não, pelo menos ele não estava ali.
Mesmo assim subi até a janela do quarto de Annie, alguém estava sentada na cama que era dela, era a criança, a irmãzinha dela. Ela abraçava um ursinho e uma foto, chorava baixinho, talvez pra não mostrar aos pais que sentia falta da irmã, que sairá como uma louca de casa e não voltará, e não voltaria, nunca mais.
- Onde você está? – ela disse entre os soluços.
- Morta, no bosque – respondi, mesmo sabendo que ela não me ouviria.
Gander é uma cidade pequena logo a encontrariam. Saí dali, continuar olhando a irmã da minha antiga presa não me levaria a lugar algum. Continuei caminhando pelas ruas quase que vazias de Gander. Humanos andavam despreocupados, sorridentes sem saber que há seres mais poderosos que eles, predadores, que precisavam deles pra sobreviver. Mitos era isso o que eles tinham. Sei que os humanos pensam serem os maiores predadores racionais, sei por que já fui uma.
Em um passado que é tão obscuros quanto os quantos da mansão, não me recordo desse passado, e assim eu continuaria sem me recordar de nada.
Caminhei por algum tempo. Sparks. Veio-me a boate na mente, segui pra boate, foi lá que o anjo esbarrou em mim, sabia que ele não estaria lá, mais mesmo assim segui em frente.
Não tinha quase ninguém, era cedo de mais, algumas pessoas bebericavam alguma coisa no bar. Segui o exemplo dos outros, fui até o bar e sentei-me. O mesmo barman na noite em que o anjo esteve ali veio me atender.
- Boa noite senhorita- ele sorria sedutoramente, retribui o sorriso. – O que gostaria de beber?
- Um Dry Martine bem forte dessa vez.
- Em um instante.
Observei-o fazer a bebida, os mesmos processos, retirou do freezer uma taça de coquetel. Pegou a coqueteleira com gelo, colocou vermouth e gin. Deu uma mexidinha e depois coou para a taça. Colocou uma fina casca de um limão e decorou com uma azeitona verde espetada no palito. Dessa vez ele colocará mais álcool.
Beberiquei minha bebida, não senti gosto algum. Não conseguia apreciar a bebida. O movimento na Sparks era pouco. Os barmen eram muitos pra quantidade de clientes naquela hora.
- Que bom que a senhorita vem sempre ao Sparks, assim vou ter por que vir trabalhar.
- Venho sempre que quero beber um Dry Martine – pisquei pra ele, ele sorriu.
- Pena que não é todos os dias. – ele apoiou os cotovelos na bancada, se aproximando.
- É que gosto de outro tipo de bebida – pisquei pro barmen, umedeci os lábios com a língua então continuei – mais sempre que possível estou aqui, é um ótimo lugar pra conhecer pessoas novas.
Conversei com ele por algum tempo, logo as pessoas começaram a aparecer e ele teve que trabalhar. Minha mente não se concentrou na conversa com o barman. As respostas saiam automaticamente. Olhei as pessoas que entravam as que saiam. Sabia que o anjo não estaria ali, mais mesmo assim resolvi ficar mais um pouco.  O tempo passou rápido depois que as pessoas começaram a aparecer, permaneci sentada, dessa vez com as costas encostada ao balcão. Olhando pras pessoas que se aglomeravam.
Suspirei, levantei-me retirei o dinheiro, e deixei sobre o balcão.  Sai pelos fundos da boate. No mesmo beco escuro e úmido, ouvi um uivo, então olhei pra trás, tinha um homem e uma mulher os dois se beijavam. Ele desabotoava a blusa dela, ela tentava segurar as mãos dele, em vão. Então com uma das mãos ele, segurou as duas dela em cima da cabeça, enquanto beijava seu pescoço, e terminava de desabotoar sua blusa.
Não fiquei ali, para saber no que aquilo iria virar.  Continuei andando. A mulher parecia gostar, talvez só não quisesse que fosse ali, mais o azar é todo dela. Contornei a esquina do Sparks, passei por frente, havia uma pequena fila.
Caminhei para a mansão, no caminho fiquei imóvel em frente à casa abandonada, olhando a enorme figueira. Um movimento na porta me vez prestar atenção nas coisas na minha volta. Fiquei alerta, era só o gato preto. O gato me fitou, por alguns instantes, não dei importância pra aquilo, mais o gato parecia saber exatamente o que estava fazendo, me fitando com aqueles olhos amarelos. Olhei novamente, pra casa. Então dei as costas pro gato que sinceramente me intrigava, e pude escutá-lo miar. Continuei andando. Só parei no portão da mansão, me olhei no espelho, não tinha expressão alguma. Nada.  Peguei o controle que estava em meu bolso, abri o portão.
Dessa vez não quis caminhar corri. Abri a porta rapidamente e corri pro meu quarto, Melissa estava no hall, mais não olhei pra ela. Só segui em frente.

Passei o resto da noite, em meu quarto ouvi algumas musicas folheie alguns livros, sem realmente lê-los. Deixaria a leitura dos livros por conta de Kimberly.  A madrugada passou rápido demais. 
Depois que o sol nasceu o dia não quis passar rápido, talvez estivesse de pirraça comigo. Mais eu não me importava. Não tinha o que fazer. Não exatamente.
Eu não tinha idéia por onde começar a procurar pelo anjo, ou quanto ele receberia um novo protegido. Mais eu não ficaria parada. Não mesmo.
Quando o sol se pôs peguei meu carro e sai, não dei volta alguma em Gander fui diretamente pra inter com a estadual.  Poucos carros passavam por ali. Eu transitava pelos poucos carros acima dos limites de velocidade. Logo eu estaria na cidade mais próxima Appleton, mais não era lá que eu queria parar. Enquanto dirigia pude ver a lua, era época de lua cheia, ela parecia maior que o normal, de tom amarelado.
Ao longo do caminho eu observava as arvores passavam como vultos, como se elas estivessem em movimento em vez do carro.  Durante a noite toda estive no volante, sem pausa, alem do que eu não pararia enquanto a noite não se tornasse dia. Mais um pouco estaria em Glenwood.
Quando os primeiros raios de sol surgiram no horizonte eu ainda estava na estrada. Os raios de sol não penetravam os vidros do meu carro.
Chegando à cidade, tinha um outdoor escrito.
“Bem vindos a Glenwood”.  Eu sabia onde encontrar diversão nessa cidade. Procurei por um posto de gasolina, onde estacionei e esperei que o frentista viesse me atender.
Não tive que esperar muito, ainda bem, pois não estava com muita paciência. Abaixei o vidro o suficiente pra dizer exatamente o que eu queria.
- Enche o tanque, por favor – minha voz saiu sexy e sedutora.  Entreguei a chave ao frentista.
- Pra já senhorita. – ele respondeu. Não demorou muito e ele trouxe a chave novamente, paguei e dei a partida no carro.
Eu procurava por uma casa grande e antiga.  Dirigi devagar pelas ruas da cidade de Glenwood.
Glenwood é uma cidade pequena, com muito poucos habitantes; literalmente. Muito menos que Gander.
O lugar era praticamente deserto. Poucas pessoas circulavam por ali, mães seguravam a mão de seus filhos, elas olhavam pros dois lados da rua sem movimento antes de atravessar.
Sai do centro da cidade e fui pro bairro mais afastado. Era lá que eu encontraria a casa de meu velho amigo; Derick.
Derick era um vampiro velho não tão velho quanto Silas. Só alguns anos mais velho que eu .Conheci-o depois que fui transformada.  Logo depois de ter a certeza que minha fera interior havia sido controlada, graças aos ensinamentos de Silas. Derick era mais que um amigo naquela época. Silas me ensinou a me controlar, mais com ele tive outras experiências. Experiências deliciosas por sinal.
 Parei em frente ao portão. Apertei o botão o interfone. Alguns segundos depois alguém falou.
- Quem é?
- Natasha, Derick. O que aconteceu com sua câmera? – ele riu.
- Oh Natasha há quanto tempo- o portão já se abria- entre, por favor. 
Acelerei o carro e entrei. Logo atrás o portão se fechava com um rangido baixo.  Parei em frente a casa, fiquei olhando a majestosa e antiga casa. Meus olhos seguiram em direção a porta, ela se abria e Derick saiu.  Um largo sorriso malicioso se formava nos lábios dele. Correspondi ao sorriso.
-Natasha- ele estendia os braços em minha direção- venha até aqui – então corri em direção do abraço de meu amigo. Os Braços fortes envolveram meu corpo com força. - As câmeras de segurança estão em ótimas condições, eu só queria ter certeza que era você mesma. Faz muito tempo que nos não nos vemos.
- Olá Derick – fingi um sorriso sem graça.  Ele era um vampiro muito bonito, olhos castanhos cor de mel, tinha o corpo atlético, forte, ombros largos, cintura estreita e pernas longas e musculosas. Ele costumava acompanhar a moda. Vestia-se casualmente, camisa regata branca e uma calça jeans. – Você sabe o quanto eu sou egoísta e só penso em mim mesma. – eu ri.
- É eu sei. – ele ainda me abraçava. Então em afastei, olhei pros olhos castanhos cor de melpor alguns instantes. Então ele deu espaço e disse.
- Entre. Seja bem vinda; Novamente.
Meu olhar vagou pelo interior da casa. Nada mudará. Havia uma escada central que dava pro segundo andar. No Hall havia duas portas do lado esquerdo e duas do lado direito. A primeira do lado direito dava acesso à cozinha, a seguida era o escritório de Derick. Do lado esquerdo a primeira porta dava acesso ao jardim a segunda  era a passagem dos empregados. Ainda no primeiro andar, ao lado da escada havia mais duas portas uma de cada lado. Uma dava acesso a sala de jogos e a outra pra uma academia particular. Ele dizia que nessa cidadezinha os meios de distração são escassos.Eu logo me sentei. Em um longo sofá.
- Aceita um pouco de vinho? – Derick me perguntou.
- Claro- eu sabia que ele tinha dois tipos de vinhos ali, vinho para as visitas humanas que ele recebia com freqüência pra matar seus prazeres sexuais e para aquelas visitas como eu; vampiros.
- Então o que esta acontecendo? – ele me entregou a bebida. – O que você anda fazendo pra aquele seu mestre que nunca mais a vi? – dei um gole na bebida.
- Ultimamente ando muito ocupada, indo atrás de humanos com proteção angelical e que demônios também estão interessados – Ele começou a rir, ele olhou pra mim e percebeu que eu permanecia seria. Então perguntou atônito.
- Você esta falando serio?  - balancei a cabeça afirmativamente. – Me conta?  Não tenho muita adrenalina por aqui.
 Comecei a relatar os acontecimentos dos últimos dias, foi então que percebi que minha vida se voltará totalmente para a humana. Eu não fazia nada mais alem de segui-la, vigiá-la. Tudo por que não queria uma guerra entre as raças.
- Mais valeu a pena, o sangue dela era tão doce, que valeu apena. – eu terminava de relatar o ocorrido dos últimos dias. Derick ficara um tanto intrigado, curiosos ao saber das possessões.
- Gostaria, sinceramente de ter presenciado isso. Mais então agora você está atrás desse tal anjo, pra descobrir o novo protegido e saber se ele é ou não uma ameaça a nossa raça.  Que vida – ele finalizou entusiasmado. Ele se levantou num pulo, parecia um adolescente.
- Vai ficar por aqui, não vai?  Gostaria que ficasse. – ele piscou pra mim malicioso.
- Você continua o mesmo. É claro vou ficar essa noite por aqui.
- Vamos, vejamos um quarto pra você. –
- Que tal um pouco de malhação, uma luta de jui jidso - propuz já seguindo pra sala em questão. Ele me seguiu, logo estávamos lá. Antes que eu pudesse fazer as formalidades, ele me atacou.


Rindo, subimos ao segundo andar. Lá havia muitas portas, a maioria suítes, uma delas era uma biblioteca. A ultima porta do lado direito era a suíte dele, nunca entendi o porquê dele usar justamente aquela suíte.   
- Ao quarto de sempre? – ele me perguntou malicioso, apontando pro próprio quarto.
- Acho que vou ficar com outro – eu disse. Não sei dizer ao certo mais pude ver um mescla de decepção no olhar dele. Então sorri – só enquanto merefresco. Então ele concordou.
- Escolha.  - Abri a primeira porta a minha frente. Um imenso quarto. Com uma enorme cama no centro, todo desenhado, como antigamente.
- Perfeita.
____________________________________________________
Enquanto eu dirigia de volta á Gander pude perceber o quanto era bom rever Derick, o resto da noite fora divertida, tivemos tempo de contar o que acontecia com cada um.  O tempo passava rápido com ele. Durante todo o outro dia, outro passatempo tomou conta.  Meu lado sexual, não sabia exatamente se controlar com Derick, ele sabia exatamente o que minha mente pervertida queria.
Ao chegar a Gander, passei em frente ao cemitério local. Um tumulto me chamou a atenção, então estacionei o carro. E fui averiguar o que acontecia. Um padre rezava, pedindo que a pobre alma seguisse ao encontro de Deus, confortando a família ali presente. Pessoas choravam desesperadamente. Algumas diziam algumas palavras em homenagem à pessoa morta. O sussurro de dois homens me chamou a atenção.
- É coitada, ela foi encontrada no bosque pelo guarda florestal. Ela já estava ali há algum tempo pelo que a pericia disse. A policia está investigando. – dizia um cara baixinho, corpulento.
- Sim, mais esse não é o único caso, encontraram também um homem, lembra-se. Até onde sei os dois tinham as mesmas características que os levaram a morte; sem sangue. E também foi encontrado no bosque– disse o outro rapaz, algunscentímetros mais alto e mais magro que o outro.
- Será um caso de serial killer? – perguntou o baixinho.
- Acho meio improvável. Coitada da pobre Annie.
Foi então que voltei meu olhar para as pessoas em volta do caixão, que já estavam sendo abaixado, pude ver a criança, a irmã de Annie, jogando um rosa. Seus olhos estavam vermelhos, como todo o rosto. Como a rosa que acabara de jogar. Ela se sentia sozinha, sei por que também me senti assim. Seus sentimentos eram tãointensos que me atingiram assim que pus meus olhos nela.



Capitulo 7 –

Levantei assustada da cama. Há uns segundos atrás eu estava com os olhos arregalados olhando para o teto e pensando no anjo e em Annie. Mas alguma coisa se aproximou e fez um ruído com dupla voz, e era quase nítido que gritava meu nome.
- Quem está ai? – eu perguntei intrigada e assustada. É um sentimento que não gosto, me causa repugna, e agora ódio.
Ninguém respondera, tive medo de estar sozinha, agora eu precisava aliviar minha tensão, extirpa esse medo que eu não posso ter, fui atrás de Christine.
Descendo as escadas encontrei com Paul parado no centro do hall. Isso me incomodou, passei devagar por ele e o fitando para ver suas reações, ele estava imóvel.
- Paul? – Ele virou lentamente seu rosto sem expressão lateralmente para mim.
- Algum problema Natasha? Sinto tanto cheiro de medo que chega a me impulsionar – ele falava enquanto sua cabeça apontava sucintamente para minha direção e suas asas do nariz balbuciavam.
Medo? – Uma voz doce e incrivelmente sedutora surgiu descendo as escadas em minha direção; Melissa vinha esbanjando toda sua sensualidade e seu sotaque frances. – Medo Natasha – ela repetiu.
Tentei não dar ouvidos e continuei em meu rumo, abri a porta com tanta força quanto fechei. Os dois estavam me enojando e aquele jogo que os dois criavam um em sintonia do outro chegava a quase enlaçar como teias. Tive que manter o foco.
Toquei a campanhinha e não demorou a Christine surgir. A sua aparência tão meiga chegava só com o avistar de seu rosto me confortar. Tive algumas lembranças, de quando fui humana, Christine parece não ter envelhecido nada, e eu a sempre procurava, eu nunca me recordei exatamente o porquê, mas ela me disse que era para confortá-la de meus distúrbios humanos.
Meu olhar estava vago enquanto visualizava o passado, a mais de cem anos atrás. E Christine se manifestou para me fazer voltar.
- O que me trás a honra de sua visita minha amiga? – Ela disse toda formal como se pertencesse à outra época, o que é de fato.
- Como de praxe Christine. Problemas! Parece que nunca acabam, mesmo quando se é imortal. – ela sorriu.
- Entre, vamos conversar no quintal.
Eu hesitei. – Se não for muito incômodo, eu gostaria que fosse em seu quarto, me sinto mais confortada.
- Sem problemas. - Ela sorriu novamente.
Ao entrarmos, parecia estar tudo como antes, e o sofá me lembrava de Annie chorando e John ao seu lado. Mas hoje, nem John estava ali. A curiosidade me tomou conta.
- E John? Aonde esta?
Ainda olhando para cima e subindo as escadas, Christine não se sentiu coagida ao me responder.
- John foi averiguar o pedido da carta.
Subimos a escada e deparamos com um grande corredor, quase como o nosso só recheado de quadros de todas as épocas, John e Christine estavam em alguns deles, todos com suas diferenças, cabelos de outro estilo, roupas de outras épocas, etc.
- É um hobby meu e de meu irmão. É uma forma de passar a imortalidade. Ali sou eu no barroco, ali no romantismo, e assim por diante.
Entramos em seu quarto, magnífico, bem amplo, pintado de azul escuro e púrpura. Uma cama enorme com cortinas em vermelho descendo entre a armação. Frigobar ao seu lado, um sofá de descanso roxo e uma televisão de parede.
Christine se sentou na cama e me convidou a se juntar. Ao sentar ela disse: - Conte-me o que te atormentas.
Suspirei. – Christine. “arranhei” a garganta. – Eu não consigo mais me entender.
- Continue – Christine pediu.
Olhando baixo eu suspirei. – Minha vida só se resume em Annie e o Anjo. Eu não consigo mais pensar em nada, tudo me faz lembrá-los, está sendo perturbador.
- Foi você quem matou Annie? Não?
- Sim. - Suspirei. –
Christine olhou friamente para mim com seus olhos arregalados e azuis.
- Talvez seja só culpa.
- Mas eu nunca senti isso antes, eu mato há séculos. Por que agora eu sentiria remorso por outra qualquer que passou em minha vida?
- Natasha! Sejamos francas, é a primeira protegida que você mata.
Eu abaixei a cabeça tentando colocar as idéias no lugar.
- É, acho que tem razão. Hoje parecia que um fantasma estava me atormentando, surrou meu nome e sumiu tão rápido que minha percepção não pode avistar.
Christine me fitou incrédula e continuou.
- Sinceramente não acho que seja. É só sua consciência trabalhando na sua culpa. Tente esquecer o que passou.
Suspirei, mas dessa vez muito profundo.
- Eu não consigo Christine. O anjo agora é minha prioridade, Silas quer que eu o encontre e saiba quem é seu novo protegido e então descobrir se é uma nova ameaça.
- Mas será que essa procura pelo anjo é algo só de Silas? Será que você também não está obcecada por ele?
Não respondi, e fizemos uns instantes de silencio.
- O anjo me causou algumas lembranças que eu não preciso mais. Talvez por que ele é puro e bom, e por alguns instantes me tornou humana. Mas ele me intriga, me faz querer saber mais.
- Você como vampira tem suas fraquezas, os anjos são inimigos pra vocês, é natural que eles atuem em suas fraquezas, é normal que causem confusões e despertem sentimentos curiosos, mas como você sabe, eles podem destruí-los num único golpe.
- É eu sei – Eu estava tão doce novamente. – Mas eu o quero Christine, quantos vampiros tem o privilégio de ter esse contato com um anjo? Muito poucos, e eu fui escolhida, e o quero para mim, quero que seja meu anjo, como foi de Annie.
- Essa sua obsessão e inveja podem acabar com você. Há quanto tempo não te peço para controlar-te, mas parece tão difícil Natasha. – Sua voz doce quase me convenceu.
- Eu gostaria de saber o que está realmente acontecendo comigo, é um feitiço, é um poder angelical ou demoníaco, eu preciso saber o que ta me causando essas reações. Acho que o anjo me lembra muito você sabe quem.
Christine fechou os olhos e estendeu suas mãos a mim. E eu fechei os olhos. Não demorou muito e Christine tossiu para chamar minha atenção.
- O que viu? -Perguntei ansiosa.
Christine suspirou. – Senti uma energia negativa sobre você, o que seria comum sobre qualquer vampiro, mas essa é diferente, ela cheira a enxofre.
- O que quer dizer? Estou sendo dominada por um demônio? Perguntei incrédula e quase em torpor de fúria.
- Acalme-se Natasha. Não é o que está pensando. Essa energia denuncia a atividade de um demônio em sua vida. O fantasma que você sentiu não era só uma alma desencarnada, mas uma manifestação espiritual do inferno.
Fiquei estática por alguns segundos digerindo toda aquela informação.
- Então o Haboryn ainda esta por perto. - Conclui.
- Creio que sim. Mas a pergunta é: Por quê?
- Não Christine – falei orgulhosa de minha conclusão. A questão não é por que. Essa é a prova de que o anjo possa estar por perto novamente, se Haboryn quer a energia do anjo para atravessar nosso mundo num corpo físico, ele precisa do anjo, que consequentemente esta por perto.
Christine fez uma afirmação com a cabeça e eu sorri. Agora mais esperançosa que nunca. Ela parecia saber mais do que aparentava, mas com o tempo ela me diria, sempre foi assim e confio nela. Mas o fato é que o que eu precisava saber ela já disse. Agora como agir era a questão.
- O que você realmente pretende Natasha?
- Encontrá-lo, ele é o fator mais importante pra mim agora. Sinceramente não to preocupada em saber quem é ou será seu novo protegido, eu quero é encontrá-lo.
Estava à noite e despedi de Christine e fui para o lago Gander. Exatamente no lugar em que o encontrei aquela vez. Parece que ela havia acertado no lugar, bem tranquilo e arejado. Sentei ali e comecei a jogar pedrinhas na água, cada vez mais aumentando a velocidade e a fazendo quicar cada vez mais longe, numa velocidade sobre humana.
- Maldito Anjo! – Gritei rasgando toda minha vontade – Apareça!
Mas nem um sinal, ele parecia não ouvir-me, e aquela angustia estava me matando. Levantei tentando me controlar. Olhei a imensidão do lago e me joguei. Estava tão gélida como minha pele, águas escuras naquela escuridão e ninguém por perto. As nuvens tapavam o brilho das estrelas, parecia que iria chover, mas não aconteceu. Mergulhei por muito tempo, eu sempre gostei de estar em rios, em lagos, principalmente os muito gelados, me lembrava o que eu era, a minha frieza, meu calculismo, me tornava vampira novamente. Sai do lago triunfante, convicta de meus pensamentos, agora meus sentimentos estavam em ordem novamente eu podia ser eu. Balancei meu corpo compulsivamente, eu estava elétrica, e disparei como um raio para casa.
- Porque tanta pressa minha querida? Perguntou Silas que se encontrava a frente de seu escritório.
- Silas! – Minha voz saiu assustada.
- Algum problema? Ele perguntou intrigado.
- Só consegui mi achar novamente mi lord. Eu disse sorrindo.
- E onde você estava perdida?
Suspirei. – Digamos que o anjo tenha me levado com ele, mas agora eu me encontrei.
- O que quer dizer?
- Que ele me fez perder a identidade e com seu poder quase me fez esquecer o que o sou. Mas me encontrei e agora ainda mais perigosa que antes.
- Vigie seus pensamentos minha cara, os Iluminados e os Filhos da Serpente são muito astutos, cuidado com o que pensa e com o que vê, eles podem enganar seus pensamentos. Travar ou enganar seus sentidos.
- Eu sei Silas, eu sei. Hoje mesmo fui confundida.
- Haboryn te odeia tanto quanto o anjo, e não acredito que serão bonzinhos com você. O que aconteceu hoje é só uma premissa do que esta por vir. E nessa fome voraz entre todos, você é por agora o prato principal.
- Tomarei cuidado mi lord. Posso subir agora.
- Não. - Sua voz ainda que séria foi calma. – Melissa e Paul me falaram sobre sentir cheiro de medo vindo de você. Desde quando anda tendo sentimentos humanos Natasha?
Suspirei e por alguns segundos me deu vontade de ter destruído Melissa e Paul hoje mais cedo quando tive oportunidade.
- Eu ouvi meu nome vindo de cordas duplas, me lembrou muito Haboryn. E aquilo eu confesso me assustou, aprendemos a temê-los Silas, e quando eles estão tão próximos como este demônio, eu o temi como se fosse uma humana frágil.
- Tudo bem Natasha. E eu a aconselho a realmente temê-lo, por que é perigoso, talvez ele não possa te atingir agora, assim, diretamente, mas se o próximo protegido do anjo for avistado por ele primeiro do que conosco e não darmos tempo de matá-lo, ele irá preencher um corpo humano e então nos destruirá.
Subi pensativa em suas palavras, ele de fato estava correto, mas eu não conseguia me preocupar com aquilo, o anjo me afetava por inteira, era ele quem eu queria ver agora. Subi ao meu quarto e procurei por uma roupa quente, mesmo que eu não sofria tanto com esses efeitos climáticos, os humanos não precisam saber disso. Sempre gostei de estar na moda, minha rival é Melissa, mas seu próprio dom é sensualidade, então desisti de competir com ela. Vesti um vestido xadrez com mesclas de xadrez não convencional, todo preto e acinzentado, sedas com algodão. Deixei meus cabelos vermelhos vinho soltos, calcei luvas de couro compridas, meias compridas e botas pretas de couro e salto. Dei uma ultima olhada no espelho, dei uns tapas no cabelo e peguei minha bolsa bege e desci as escadas da mansão.
Kimberly estava na sala e me viu quando eu abria a porta da entrada.
- Aonde vai Natasha?
- Vou para o Spark’s bebe alguma coisa.
- E precisa ir tão chic, hoje é quarta-feira, não tem nada de tão especial lá, só um bar comum.
- Hoje é noite de caça para mim, quero surpreender quando for assustar.
Ela voltou seus olhos a seu livro, como se não fosse interessante o que eu havia dito. Nem me abalei, hoje nada abala minha convicção. Sai da mansão e do bairro atraindo todos os olhares do bairro, desfilando a cada passo. Entrei no Spark’s e fui direto ao barman que estou de olho há algum tempo.
- Que bom que voltou cedo. Ele disse entusiasmado.
Sorri.
- Vai querer o de sempre? Ele perguntou fazendo uma expressão tão infantil, apreensivo em ouvir minha resposta.
Olhei dentro dos seus olhos e disse: - Mas dessa vez substitui a azeitona por cereja.
- Pode deixa. Ele foi animado preparar minha bebida.
O movimento hoje não estava tão grande, então tivemos muito tempo para conversar.
- Meu nome é Rodrigo e o seu?
- Sou Natasha. Disse prolongando o ‘asha’ de forma sedutora.
Após o fechamento do bar eu e ele fomos dar uma volta por Gander. Ele me pagou um sorvete no centro da cidade e depois eu o conduzi até o lago.
Ele sorriu e foi tirando a camisa, mostrando seu corpo másculo e atlético.
- Algumas vezes eu sou o gogoboy do bar. – eu sorri e o deitei no leito do lago. As águas tapavam um pouco seus pés e ele arfava. Provavelmente o frio. Não demorei com ele, corri minha língua pelo seu corpo, transformando o frio em prazer. Quando ele me tocava, ele gemia.
- Se-se-seus cabelos-os estão t-tão ver-vermelhos. Foi a ultima coisa que ele disse batendo o queixo.
Cravei-lhe uma mordida no peito e ele gritou de dor, passei a língua e o ferimento se abriu ainda mais, fui direto ao seu pescoço, sentindo sua artéria pulsar, localizei-a com praticidade e o mordi, suguei seu sangue e matei minha vontade. Após o joguei dentro do lago e voltei para mansão agora completamente satisfeita.



Capitulo 8 –

Mais um dia sem noticias. Faz uma semana que Annie morreu e eu ainda não consegui localizar o anjo. Ele provavelmente não está mais aqui em Gander.
Estiquei meus braços procurando por um mapa que estava em cima da minha cômoda ao lado da cama. Ao localizá-lo trouxe até mim e abri. O título é Newfoundland & Labrador é o estado em que estou. Procurei a localização das cidades vizinhas, Appleton e Glenwood eu já havia visitado e não tinha sentido a presença do anjo, então resolvi seguir agora uma rota contrária. As cidades de Middle Brook, Gambo, Glovertown.
Decidi, essa seria as cidades que eu irei procurá-lo hoje, e se não encontrar já tenho minha rota, vou para St. John's a capital do estado. Então levantei de minha suíte, observei o clima, estava com nuvens negras, não demoraria em a chuva precipitar. Fiquei indecisa quanto se esperaria que a chuva caísse, ou se eu iria embaixo de chuva mesmo. O medo não era uma de minhas referencias, então procurei ignorar esse meu pensamento, peguei um casaco preto em meu closet e desci as escadas.
Kimberly estava na sala de estar. Resolvi dar uma parada e conversar, fazia tempo que eu não me dava a esse luxo. Ela estava deitada no sofá segurando seu livro, parecia estar na metade.
- Sobre o que tanto lê Kimberly? – Seus olhos reviraram e pararam em mim.
- Sobre futuro Natasha. Sobre futuro. – ela repetiu.
Por alguns segundos eu só a observei, seus olhos fixos no livro. Levantei do sofá e a fitei novamente.
- Ta a fim de ir comigo á Middle Brook? - Perguntei sem tanta esperança.
Ela levantou um tanto entediada, fechou seu livro e foi subindo as escadas. Acho que entendi a sua expressão então sai da mansão. Localizei meu carro na garagem e tive uma surpresa, Kimberly estava do lado do carro. Desliguei o alarme e o abri. Kimberly então entrou. Fiz a manobra e sai da mansão.
Na saída de Gander, pela rota um eu virei a esquerda e prossegui.
- O que vamos fazer exatamente em Middle Brook?
Arfei. – Vamos procurar pelo anjo.
Kimberly virou rosto até mim e o caiu pro lado.
- Ainda atrás do anjo? Mas Annie já não está morta?
- É, está. – Minha voz saiu entediada
– Só que o anjo ainda nos ronda, e Silas me incumbiu de descobrir onde ele está e quem é seu novo protegido.
Kimberly arfou.
Estávamos ao lado do lago Gander quase que a viajem toda, foram quarenta e oito quilômetros, não demoramos mais que meia hora. Quando chegamos aMiddle Brook a chuva caiu. É uma cidade pequena e também ao lado de um lago. Estacionamos o carro num posto de gasolina e entramos numa loja de conveniências.
- Que sorte em Natasha.
- Só se concentre Kimberly. Tente sentir alguma energia maior.
O caixa da conveniência só nos olhava, esperando para fazermos nosso pedido.
- Você já procurou lá mesmo em Gander?
- Acho que se estivesse lá sentiríamos.
Kimberly me fitou por alguns instantes – Talvez não, há quanto tempo ele não estava lá protegendo a garota e agente nunca percebeu que ele existia.
Ela tinha razão, o anjo poderia estar bem embaixo de meu nariz e eu não o encontraria, teria que ser mais especifica em minhas buscas. Peguei as chaves em cima da mesa da conveniência e levantei.
- Vamos Kimberly.
- Pra onde? - Ela perguntou intrigada.
- Vamos voltar pra Gander. Agora vou ser mais seletiva na minha busca.
Entramos no carro e voltei, gastei um tempo menor na volta. Deixei Kimberly na mansão e sai com o carro. Fui à casa de Annie. Algumas memórias invadiam minha mente, a irmã de Annie me sentindo o que acontecia com sua irmã no dia da morte, as vezes ela encarava coisas que não estava ali. Ou seja, ela é uma garota em potencial que precisa da proteção de um anjo. Aqui em Gander a chuva também se precipitara e estava chovendo. Com esse tempo, estariam todos em casa a essa hora. Estacionei meu carro a uma esquina da casa de Annie, então prossegui a pé. Estava andando calma e intrigada com a irmã de Annie. Passando pela sua casa notei que os pais de Annie e sua irmã estavam na sala, sentados no tapete e se aquecendo na lareira. Os pais estavam um do lado do outro, abraçados, seus pensamentos pareciam estar bem distantes. A irmã de Annie andava pela casa toda, como se fosse um mundo cheio de descobertas. Observai por mais um tempo e toquei a campainha. A mãe de Annie se levantou e abriu a porta.
- Olá. – ela cumprimentou intrigada.
Eu a fitei por alguns instantes, eu ainda não havia reparado na sua semelhança com Annie. Parecia que eu estava vendo Annie um pouco mais velha.
- Desculpa – sorri – É que eu o meu carro quebrou ali na esquina e com essa chuva eu nem tive coragem de ligar para um mecânico. - Fiz uma expressão confusa.
Ela me olhou desconfiada – Entre menina, antes que você pegue um resfriado.
Lentamente eu fui entrando, um pouco constrangida por estar molhada. O casaco ensopado, molhando todo o carpete. O pai de Annie levantou ao me ver, a mãe dela estava lá em cima buscando uma toalha para mim. Não demorou em que chegasse. Sequei-me com a toalha, deixei-a muito encharcada.
- Nossa; você realmente está muito molhada – Disse incrédula a mãe de Annie. Ela nem desconfia de quem convidou para a sua casa. Minha pele não absorve água, então a toalha fez todo esse trabalho. – Obrigada – conclui.
- Tome essas roupas, era de minha filha, talvez sirva em você. O banheiro é logo ali à direita. – Balancei a cabeça afirmando.
Reparei que as roupas eram de Annie, quando fui as vestindo eu me senti tão ela, até imitei seus gestos patéticos e infantis. – Vai anjo me salva da vampira – eu disse baixinho e logo sorrindo.
Quando voltei à sala, a mãe de Annie me olhou emocionada, seus olhos se encheram de água e o seu marido a abraçou. Sua irmã continuava andando sem rumo.
- Me desculpe – A mãe de Annie disse enquanto eu me aproximava.
Eu sentei ao lado dela.
- Você está tão parecida com minha filha. – ela disse vertendo lagrimas.
- O que houve com ela? – eu perguntei com cinismo.
Ela chorava soluçando e seu marido respondeu: - Ela faleceu, faz apenas uma semana, ainda não superamos.
- Meus pêsames. Eu disse abaixando a cabeça e segurando um riso.
- Tudo bem. – Ele disse. – Perdoe-nos, você veio aqui por acaso e se depara com essa cena.
- Não se preocupe nada acontece por acaso.
Fizemos algum tempo de silencio e a irmã de Annie se aproximou de mim.
- Oi Meg – ela disse inocentemente, mas aquilo pareceu perfurar meu coração.
A mãe de Annie sorriu. – Ó Melody, o que faríamos sem você para nos alegrar. Disse a mãe de Annie agora mais animada. – Perdão, como é mesmo o seu nome?
- Sou Natasha. Desculpe, eu nem me apresentei.
- Eu sou Helen Blake e meu esposo Ken Blake. E minha filha Melody. E tive outra filha, Annie.
Aproveitei o fio da meada e perguntei: - Annie do *CPG, o colégio particular de Gander?
- Sim, lá mesmo. – Ela disse triste.
- Óh! Meu Deus! Eu a conheci estudei lá com ela. Tão querida a Annie. – Baixei a cabeça, tentando fingir tristeza.
- Só um momento –a Srª Blake se levantou.
Não tardou em voltar com um álbum de fotografias. O Srº Blake e eu nos aproximamos de Helen para ver, e Melody também. Havia varias fotos de Annie, sempre muito alegre, em algumas, definitivamente esnobe. Suas amigas não ficavam para trás, seguiam cada escolha e tendência de Annie. Chegava a me enojar.
Melody pós um dedo numa foto embaçada, e em cima da cabeça de Annie ela disse: - Anjo mamãe. – Parecia que ninguém tinha dado credito ao que ela disse, mas eu pude sentir o que ela dizia, era mesmo o maldito anjo.
- Sim Melody. Sua irmã era um anjo e hoje esta lá – ela apontou seu dedo para os céus.
Eu apertei sua mão tentando confortá-la e ela se assustou.
- Minha filha, você está gelada! Não quer que eu mande lhe preparar um chá?
- Não Helen. Obrigada.
- Você nunca tinha vindo aqui antes não é? Perguntou o Srº Blake.
- Não. Eu conhecia e conversava com Annie, mas não éramos melhores amigas.
A Srª Blake se levantou e me convidou a subir.
- Venha conhecer o quarto de Annie. – A chuva já estava bem rala e eu já podia fingir ligar para o mecânico. Até o presente momento eu ainda não consegui sentir as energias do anjo, talvez ele realmente não estivesse presente ali.
No quarto de Annie, estava tudo conversado como quando ela era viva, pôsteres de cantores que ela adorava; bilhetinhos, seu material na cômoda, seu computador, tudo estava em perfeita ordem. O que chamou minha atenção foi que ali naquele momento eu senti a presença nauseante do anjo, e parecia sumindo cada vez mais. Então tive certeza, ele não precisa ser da Melody, mas estava ali por que sentiu saudades.
- Pode ficar a vontade Natasha. Eu vou sair e deixar você sozinha.
- Obrigada Srª Blake.
Quando ela saiu deixei com que minha curiosidade se manifestasse. Procurei por tudo ali, seus materiais sua gaveta. Quando andava de um lado para o outro notei que havia coisas embaixo do carpete, cuidadosamente eu retirei o carpete. Ainda estava ali, tudo o que Annie tinha usado no dia de sua morte, os riscos no chão, velas, etc. tudo que ela usou no ritual para expulsar Haboryn ainda estava ali. E isso me fez lembrar nitidamente do dia em que a matei, e o gosto doce de seu sangue quase me fez derramar saliva. Então recoloquei o carpete.
No seu material havia um papel que dizia: “ Para se livrar vai ter que brincar”. E no mesmo papel um estrela de cinco pontas de cabeça para baixo estava desenhado.
Eu também encontrei o seu diário, e lendo notei algo muito suspeito:
“Acordei hoje cedo, eu não consigo me lembrar muito da noite passada, mas tem algumas imagens que estão me deixando preocupada. Um casebre com muros quebrados e portão retorcido, gato negro. Você acredita que até com aquele gótico da escola eu sonhei. É acho que só foi sonho. Uma linda mansão e um casal lindo moravam lá. Pareciam fadas. Eu e Bruno voltamos...”
Coloquei a mão sobre aquela parte e fiquei refletindo, parecia que ela estava adivinhando o seu futuro nesse sonho. Folheie algumas paginas a procura de algo interessante.
“Estou até agora apavorada, se não fosse por uma garota do cabelo vermelho, eu não sei se chegaria inteira em casa. Eu vi um rosto cheio de sombras no espelho do banheiro da escola. Alguma coisa seria esta acontecendo comigo, aquele bilhete dizendo ‘copo que da voltas, copo entre números, copo entre letras, copo do diabo, copo que possui copo que tormenta, brincou comigo, aguente as consequências’. Tudo por causa daquela maldita brincadeira do copo.”.
Annie então tinha mexido com o mal, e Haboryn então veio, mas tudo parece muito vago, eu sinto que alguma coisa ainda esta faltando nesse quebra cabeça. Eu sei que Haboryn precisava de Annie por causa do anjo, mas como ele encontrou Annie, tudo isso ainda não faz sentido. Folheie mais algumas paginas e vi o nome de Alan.
“Eric passou mal hoje quando foi visitar Leide em nossa escola. E Allan estava conversando com ele minutos antes de tudo acontecer. Quando fui conversar com ele, parecia ter jogado uma indireta em mim, parecia saber das coisas sobrenaturais que estão acontecendo comigo.”.
Depois de mais algumas paginas as datas se perdem, Annie não estava mais viva para escrever. A Srª Blake bateu na porta em seguida abriu. Eu coloquei o diário no lugar e sentei na cama.
- Tudo bem criança?
- Sim Helen, obrigada. Eu só estava aqui pensando, no quanto ela era legal com todos. – então levantei.
Helen me abraçou e descemos juntas para a sala.
- Essa hora o mecânico já deve ter vindo e arrumado o carro.
O Srº Blake me olhou.
- Muito obrigado pela hospitalidade e por dividir seus sentimentos por mim Srª Blake,
- Tudo bem Natasha. Muito obrigada por me aturar essa tarde. – então sorrimos.
Abracei todos eles, inclusive Melody.
- Fica longe deles Meg. – Melody disse com uma voz tão doce.
- Mel! É Natasha, não Meg. – Disse a Helen. E eu sorri.
Tenho que ir. Levantei minha mão e acenei, peguei meu carro e parti para a mansão. No caminho fui refletindo sobre tudo que li, mas não consegui encontrar nexo nas palavras e na cronologia em que Annie escrevia. E o nome de Allan me incomodava, ele esteve presente na vida de Annie, mas o que ela tem a ver com ele querer o corpo de Eric naquela noite. Essa história está muito mal contada. Tenho que encontrar o anjo e Haboryn, os dois me trarão muitas respostas.
Estacionei o carro na garagem e entrei. Kimberly está no mesmo lugar de outrora. Com seu livro misterioso.
- Encontrou o anjo? – ela me perguntou não tirando o olho de seu livro.
- Ainda não. Mas encontrei varias coisas que me deixaram intrigada.
- Posso saber o que é? – ela fechou seu livro com um dedo dentro e me fitou.
- Ainda não. São só hipóteses, mas adorei a sua dica de procurar melhor aqui em Gander. Por que eu o senti, e sei que está por perto.
Ela sorriu e voltou a ler. E eu subi para o meu quarto, imersa em meus pensamentos. Agora já estava à noite, e minha mente funciona melhor.
Cap 9 –

Parei por um instante; o que aquela criança sabia. Como ela sabia deles. Não, ela não podia saber. Ou podia? Porque ela me chamara de Meg? De uma coisa eu sabia, ela sabia que Annie, sua irmã era protegida por um anjo. Fiquei intrigada por alguns minutos, aquela humana é especial; conclui. Mais logo meus pensamentos tomaram outros rumos. O anjo estava em Gander, eu o senti, ele está por perto, perto de mim. Para me proteger dos demônios como ele fez com Annie. Um sorriso curvou-se em meus lábios. Fiquei parada por alguns instantes com um sorriso idiota no rosto com os olhos no chão.
 Era começo de noite. Gostaria de ver como a lua estava nesse instante. Mais não em qualquer lugar, quero vê-la do lago Gander. Olhei para a janela, rajadas de ventos frios batiam na janela fazendo as pesadas curtinhas balançarem. Não esperei nem mais um minuto, pulei a janela, não estava a fim de ser civilizada e passar pelo hall, onde os outros estavam. Corri o extenso jardim, pulei o muro sem a menor dificuldade. No caminho Allan povoou meus pensamentos, se Allan era amigo de Annie, seja lá o que for, porque ele nos ajudaria?  Por que o humano nos ajudaria com os outros dois humanos, Erick e Bruno. Eram perguntas demais, coisas que preferia responder depois. Depois que eu encontra-se oanjo e seu novo protegido.
No caminho passei pela casinha abandonada alguma coisa me induzia a olhar aquela velha casa. Olhei a enorme figueira, depois meu olhar seguiu para o telhado, o gato não estava lá, como das outras vezes, ele não estava nem na frente, nem ao menos na porta como de costume  continuei a vasculhar a casa com o olhar, não tinha movimento na casa, vasculhei mais uma vez com o olhar a pequena e decadente casa  foi então que vi na janela velha, um rosto pálido, olhos azuis vivos e amarelos me olhavam, Allan e o gato.
 Boa parte de Allan estava escondida pela velha cortinha, seu corpo era escondido pela parede, só vi seu rosto bonito e pálido. O gato estava no parapeito da janela, com o pequeno corpo todo á mostra, a frente da cortina enquanto Allan se escondia atrás dela, o gato miou, eu pisquei. Quando voltei a olhar eles não estavam mais lá. A cortina se movia lentamente. Do nada eu saí correndo, em direção da casa não sabia o que disser a me ver cara a cara com Allan, não tinha a melhor idéia do por que eu estar querendo entra nessa casa, mais segui em frente sem conseguir voltar atrás nessa decisão. Entrei sem a menor dificuldade como se eu fosse esperada, o que era impossível.
Vasculhei a casa rapidamente em cada pequeno e decadente cômodo. Allan e nem o gato estavam ali. Fui aos fundos da casa, não havia ninguém. Farejei e não senti a presença alguma era apenas eu ali, como podia ser? eu acabara de ver o gato e Allan, eles não poderiam desaparecer assim, a leve brisa vez com que o mato dos fundos da casinha move se, era só o vento, pensei. Comei a pensar que minha mente me pregava peças, voltei para o interior da casa, fiquei parada no centro de um dos cômodos,definitivamente não havia ninguém. Fiquei ali por alguns segundos olhando em volta então corri pra fora. Pensei que essa seria uma boa cena para um filme de terror. Fora da casa comecei a caminhar quanto pisei o asfalto, pude ouvir um miado.
Fiz mais uma pausa, antes de seguir pro lago Gander. No caminho fiquei pensando no que eu havia visto na velha casa, ou o que eu não havia visto. Fui até a casa de Annie, visitar a pequena Mellody, a criança que a meu ver era especial e merecia proteção.
Ela estava em um quarto que supus ser o dela, pois era repleta de brinquedos, ela brincava sem energia, talvez por estar sozinha. De repente ela parou e olhou para a janela, eu me camuflei rapidamente, escondendo meu corpo na parede ao lado da janela, não podia ser, ela não podia saber que eu estava ali.
Respirei fundo, antes de voltar a espiá-la.  Ela continuava a brincar mais agora seus lábios se moviam, como se ela falasse em nome das bonecas. Percebi que ela só brincava como uma criança qualquer, mais eu sabia também que essa não era uma criança como as outras que já vi.
Recuei, já havia adiado de mais minha ida até o lago Gander.
___________________________________________________
O céu estava sem estrelas. No lago Gander, sentei-me no penhasco, de modo que eu pudesse ver o lago, as arvores enfileiradas, como se alguém as estivesse plantado estrategicamente, para que sua atenção estivesse na lua. Que agora estava limpa,sem nuvens, apenas refletida na água.
A lua esta tão grande e tão baixa parecia querer tocar as águas negras do lago. Talvez algo a impedisse, talvez alguma coisa pudesse acontecer com ela ou com as águas, como uma vampira que é tocada por um anjo. Ri de mim mesma, definitivamente eu não podia sair pensando um absurdo desses, nada poderia acontecer com a lua nem ao menos com a água. Mais um anjo tocar uma vampira, seria o azar dela, o meu azar nesse caso.
 Mudei o rumo da minha mente. Ali na beira do penhasco, podia ser estanho, ou até mesmo desconfortável, para qualquer humano, seja pelo frio que fazia, ou pela altura. Mais pra mim era só mais um lugar.Resolvi me levantar, olhei as profundas águas, e comecei a tirar meu vestido, deslizei uma alça do vestido depois a outra, assim o vestido apenas escorregou do meu corpo.
Dei um passo e deixei meu vestido pra trás, então mergulhei. As águas podiam ser frias, mais nada que meu corpo já gélido não pudesse suportar, eu podia ficar inerte, por muito tempo.
Continuei a mergulhar, até que meus pensamentos voltavam- se ao anjo. Minha mente projetou um sonho, um sonho acordado, daqueles que se imagina, e quer que um dia aconteça. Em meu sonho acordado, fiquei olhando para aqueles olhos azuis profundos, como no dia em que nos vimos no Spark’s, seu rosto bem perto do meu, ele parecia querer me tocar, mais eu o impedia, não estava pronta para descobrir o que poderia acontecer comigo, ele meprotegia sem saber que fora eu quem matara sua amada Annie. 
A maneira como ele me olhava era tão doce tão meigo e sem maldade, que me senti sufocada e enjoada e um tanto maravilhada ao mesmo tempo. A proximidade com o anjo me deixava tonta, mais sinceramente eu não me importava eu estava bem, eu poderia suportar sua aura cheira de luz por mais algum tempo. Eu sabia que devia ficar longe dele e temê-lo, mais era tão difícil. Eu não sabia o que era sentir isso,protegida, eu não sabia como era ter um olhar meigo e muito menos doce.   Mais tudo aquilo era perfeito por que agora ele cuidava de mim. Ele não dizia nada, só me olhava, com curiosidade, foi então que ele abriu a boca. Nem uma palavra saiu a princípio, como se ele escolhesse as palavras. Mais a voz que eu ouvi, quando as palavras por fim saiam, não era a voz linda que imaginei que eu queria para essa cena, mais sim uma voz dupla, que me fez estremecer, ao mesmo tempo seu lindo rosto se tornava cheio de raiva e agressivo. Seus olhos azuis antes meigos agora enegrecidos demonstravam o total ódio. Uma coisa que pensei que os anjos não tinham.
- Você matou minha Annie- foram às palavras cheias de ódio que saíram de sua boca, nesse instante, eu emergi na superfície, buscando ar, mesmo sem precisar dele. Meu sonho acordado, meu lindo sonho com o anjo se tornara um pesadelo graças à voz do demônio.
Mais essa parte eu não imaginei, era como se alguém a tivesse projetado em minha mente. Procurei sair da água, nadei até uma margem mais baixa, e fiz a volta correndo até onde eu havia deixado meu vestido. Minha mente estava me pregando peças, eu não precisava sentir medo. Voltei a me concentrar, respirei fundo. E então voltei a sentar-me na beira do penhasco.
Um vento gélido vez meus cabelos esvoaçarem, e mudar minha atenção para os enormes pinheiros em volta, eles moviam as longas pontas sincronizada mente, de um lado pra o outro. Então pude ver a mesma aranha se agarrando em suas teias, para não cair. Outra rajada de vento a fez se desequilibrar, e me fez arrepiar também. Pude ouvir meu nome sendo sussurrado, mais procurei ignorar, então olhei nas águas escuras lá em baixo. Respirei fundo e fechei os olhos, com outra rajada de vendo escutei meu nome, dessa vez bem do meu lado, no meu ouvido direito precisamente, passando lentamente pro ouvidoesquerdo, como se alguém estivesse atrás de mim, com a boca em meu ouvido. Como um amante, clamando por sua amante.
Olhei em volta, não tinha ninguém, não senti presença alguma, nada, só os ventos batendo em minha pele insistentemente.
- É isso é apenas o vento - Procurei me acalmar, não tinha nada nem ninguém ali. Ou tinha? Não senti a presença do anjo por muito tempo, nem do demônio. Eles definitivamente sabiam exatamente com se camuflar.
 Mais o que um anjo ou um demônio queria com uma vampira? O demônio talvez quisesse se vingar já que para algum propósito ele estava atrás da humana agora morta. Ele tinha planos pra ela com certeza, que foram impedidos por mim.
- Com a ajuda da luz divina do anjo. - disse de um modo debochado e em voz alta essa ultima parte.Ouvi alguns passos na floresta dessa vez não me preocupei, sabia exatamente quem era.
- Falánd suzinha Natasha? – disse Melissa, rindo de modo debochado, vindo em minha direção. O sotaque francês me fez ter certeza que é ela.
- É o que parece, não é? – respondi com outro pergunta. Ela apenas sorriu. Ela me encarava, fixei olhar igualmente. – Estava se alimentando é? – ri, eu podia sentir no sangue fresco, além do que, uma gotícula de sangue tinha manchado a roupa de grife de Melissa.
- É eu estava aci per perto quando vous ouvi. -Voltei a olhar pras águas escuras.
- Transo com ele, não é? – eu ri.
- Ella, dessa vez. – voltei minha atenção pra ela, ela exibia um sorriso. Ela falava serio. Revirei os olhos.
Então ela se sentou do meu lado.   Não olhei pra ela, não sabia o porquê dela estar ali, ela sabe muito bem que não gosto dela. E esse sentimento é recíproco.
- Ainda escutando odiable sussurrar seu nom? – ela me provocou.
- Bem que você gostaria que acontecesse com você, não é mesmo. Para que Silas venha falar com você. Para que ele te de atenção. Não é mesmo – olhei pra ela, sorrindo com nojo. Sua expressão séria me confirmou que eu estava certa. Ela desviou o olhar.
Ela ficou ali parada por alguns instantes, talvez não soubesse como revidar uma coisa um tanto incomum para Melissa. Durante os momentos de silêncios continuei com meu sorriso de vitoria nos lábios, olhando pro belo perfil dela.Mais logo o silencio se foi, suspirei lamentando por isso.
-Já percebeu o quanto interessante son as aranhas, asveúves negras pra ser mais précisa. Elas son mes préféridas.
- Claro, é nela que você se espelha, sua pervertida. Parece inofensiva, mais possui um veneno fatal, mata o macho logo após usar a abusar dele, ou dela. Já que você sente prazer em abrir exceções. 
- Ella mâta o macho logo depois de copular. – ela continuou como se eu não tivesse dito nada. – Antes de eu ser transformada, eu tinha um noivo, eutive que ir embora, deixá-lo, eu o queria, queria o sang delle pra mim. Mais eunon queria matá-lo. Fiquei desaparecida por longtemps, mais nonfoi suficiente pra mim me contrôler, então eu tive queretourné, em uma nuite escura, sem lune, sem estrelas, apenas uma tempestade caia sobre mes ombros.Eu bati à la porte da casa de mon noivo. Elle même me atendeu, non tinha mais pessoas nacasa. Elle me abraçou et me beijou, fazia questions de mais,eunon conseguia me concentrar em nem une, eu via e sentia o sang correr rápido em suas veines, me chamando, mais me contrôlé.En relação àsquestions non respondi nem uma. Meusang fervia pelo dele.  Los beijos, cada vez mais mélancolique, mais voluptueux (voluptuosos) moi deixavam cada vez mais excitada. Elle me puxou pra dentro e me levou pro andar de cima da casa dele, em um dos quartoselle m’a deu une toalha. Elle ainda moi encarava, ainda esperava que eurésponse as ses milliers de questions então décidé tirar minhas roupas, queria que ele esquecesse asquestions, não podia répondre ele jamais me viu nua.
Faz muito longtemps, e naquela época, as mulheres não podiam ficar a sós com rapazes, même que esse fosse seus noivos, você sabe. Mais eu sempre quis ficar a sós com ele, sempre tive um lado pervertido, onde eu imaginé moments libertinos – ela fez uma pausa e me olhou. Eu a encarava. Seus olhos mudaram de direção e se fixaram em seus pés que balançam-Quand elle me vit totalmente nua, elle me perguntou o que eu estava fazendo, eucontinué com a bouca fechada, sem répond–loeu apenas me aproximei dele, o beijei, mais ele me impelia pra disant dizendo que era erroné. ‘ O que vous impede? Euquero seu fogo nessa nuite humide e fria. ‘ foram exatamente essas palavras que eu disse, fazendo com que elle monbeija-se, fazendo com que elle conhecesse m’a corpo apenas com o toque de sus mãos. Ai elle cedeu, fizemos sexo, no chão. Talvez tenha sido selvagem de mais, foi mais de une vez, em varias posições différentes. – ela riu.
- Poupe-me dos delates sórdidos. – eu disse erguendo uma das sobrancelhas. Ela revivia esses dias exatamente como na hora, pois eu sentia a paixão dela.
- Estávamos no auge da passion, quando cravei mons dentes em sua clavícula, eu ia transformá-lo, mais fui fraca de mais, no começo elle non sentiu nada, mais depois elle começou a sentir la dor e se debatercontra mim. – ela fez uma pausa. Não quis interrompe-la.
- Estava quase amanhecendo. – ela respirou profundo, eu continuei em silencio, queria ver onde isso ia acabar -la excitation no sang dele era tanta, que eunon consegui parar, depois que elle começou a se debater; a espernear eu o machuquei ainda mais. Quando eu vi era tard de mais, quando me levanté, meu corpo estava ensangüentado do sang dele, e o corpo deleestava inerte no chão, sem vida. Eu gritava, eu chorava sem que as lágrimas escorressem. Sai correndo deixei-o ali. Quando entrei na floresta, quando o nascer do soleil estava próximo, eu vi une aranha, uma veúves-negras ela se alimentava daquele que eu supus ser o homme, fiquei um tanto... – ela parou parecia querer escolher a palavra certa – um tanto choqué, ao perceber o que euacabara de faire.  Não sei depois de quanto tempslo corps fora encontrado, jamais olhei pra trás. Procurei encontrar, unecrypte, une caverna o que fosse eu era nova de mais não podia ficar exposés ao soleil.  E a partir daí eucontinué a matar, depois de utilisé sexuellement.
- Por que você me contou isso Melissa?
- Non sei. Deu-me vontade de vous contar. Mais o caso é que los humains, les vampires que encontrei ao longo du temps, aqueles que eu quis eu tive, eu sempre fui considéré muito linda, desejada. – mais quanta pretensão; pensei. Mais esperei que ela continuasse- Non vê?  Quando Silas apareceu, me recrutou, eu o quis. Mais nada aconteceu; nada. Só foi você aparecer que... – ela não continuou. – Elle parece ‘gostar ‘ de vous, á quer perto dele. Coisa que jamais aconteceu comigo.
Sinceramente eu queria rir. Mais continuei seria. Passiva.
- Eu nunca tive nada com Silas, ele é só um pai pra mim, podemos dizer assim. Foi ele que me transformou, ele que me ajudou a me controlar. Ele me vê como uma filha só isso. – ela balançou a cabeça negando.
- Non é bem assim. Ela disse se levantando. 
Ela deu as costas pra mim, observei-há por alguns instantes, mais logo voltei a minha atenção a lua. Ouvi seus passos mudos. Ela parou, olhei pra trás e ainda de costas pra mim ela disse:
- Alias começo àpenser que vous estáun tanto paranôica em relação aodiable. - ela parou de falar– e se tornando um tanto obcecado par esteange.

- Isso a seu ver, mais a meu ver está tudo sobre controle. – eu tentava mentir pra mim mesmo. Eu sabia disso, mais não queria que Melissa tivesse razão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário