sábado, 10 de outubro de 2015

10 - 11 - 12 - 13 - 14

Cap. 10 –

Fiquei ainda por um tempo contemplando a lua e pensando na conversa com Melissa. Parece que ela havia derretido seu coração para compartilhar comigo. Que boba, como se alguma palavra proferida de sua boca significasse algo pra mim, o interessante e divertido é que pude perceber que ela tinha inveja de mim, logo ela porquem eu sempre vi muita altivez e autoconfiança. Uma gota de chuva caiu sobre meu rosto e me despertou, tratei de vestir o vestido e fui me despedindo do lago, ainda havia muita coisa que me intrigava e eu precisa descobrir rapidamente.
Passando pela floresta deparei com o cheiro pútrido da vitima de Melissa, e alguns flashes de nossa conversa avivaram em minha mente – “veúves negras”. Seduzir sua vitima e depois matar, ela é como Dãcan, e como vários outros vampiros que são adeptos do prazer dobrado. Não demorei a estar à esquina do bairro, o casebre desmoronando sempre buscava minha atenção, não resisti olhar, mas dessa vez, não havia gatos nem Allan, mas esse garoto estava em minha lista, e quando eu o encontrasse, talvez hoje ou amanhã no Spark’s, não sei se é sábado ou domingo que ele costuma frequentar, e então eu terei algumas respostas vinda de sua própria boca ou de seu sangue.
A figueira balançou fortemente suas folhagens, talvez fosse só o vento, já que daqui a alguns minutos a chuva cairia. Mas sei que aquilo me fez lembrar a noite em que entregamos Eric para Allan. Até hoje eu me pergunto o porquê disso tudo, mas as respostas não vão demorar em ser respondidas. E eu ainda vou saber o que Allan e Haboryn têm, alias, é agora.
Acelerei o passo e entrei no bairro, logo a primeira mansão foi onde parei. John estava na recepção com outro rapaz. Um tanto jovem e humano, pude sentir pelo cheiro, alto e cabelos castanhos, um pouco magro.
Toquei a campanhinha e John veio atender.
- Olá Natasha? Tudo bem – ele perguntou desconfiado.
- Sim, está tudo ótimo, gostaria de ver Christine, ela está? – Fui direto ao ponto, nunca me interessei em cordialidades com John, sempre direto ao ponto.
Ele abriu mais a porta e se afastou, permitindo assim minha entrada. O rapaz sentado no sofá me olhou envergonhado, percebi quando suas bochechas coraram, e me cumprimentou abaixando a cabeça, o cumprimentei da mesma forma e segui adiante. Fui até a cozinha e ela não estava, subi as escadas e a chamei em seu quarto, mas não a encontrei. - Onde ela está? Será que esta invisível? – Ri de meus próprios pensamentos. Então olhei pela janela de seu quarto e a vi dentro de um circulo de pedra no jardim nos fundos da mansão. Abri a janela e saltei dali mesmo. Quando meus pés tocaram o chão um trovão rasgou o céu e me fez acuar, de onde eu estava a uns três metros de Christine eu sentia as rajadas de vento de como se eu tivesse no penhasco do lago Gander. Tinham algumas velas entre o circulo de pedra, e permaneciam acesas mesmo com a ventania, só quando as gotas de chuva aumentaram a precipitação que elas então se apagaram e Christine fez um ritual para poder sair do circulo.
- Natasha! – Christine arregalou os olhos quando me viu ali.
- Te assustei? – perguntei debochando de sua expressão.
- Nunca mais faça isso! Ou da próxima vez pode ser que por acaso um raio parta o seu crânio! – ela disse cínica olhando em meus olhos. Apenas sorri.
- Senhora do tempo – comecei a sorrir – desculpa! Eu não aguentei.
- Entre, vamos ao meu quarto, já bem sei o que quer aqui – Seus olhos antes vidrados nos meus seguiram a direção da entrada da mansão, e isso os fez refletir luz como olhos de gato, me fez arrepiar.
Os lugares por onde agente passava pareciam tornar mais escuros, e Christine parecia refletir uma aura tão escura. Subimos as escadas e chegamos a seu quarto. Parece que toda energia foi descarregada ali, o clima ficou mais leve e ela sentou-se na cama, bateu a mão sobre o colchão e então eu sentei. Por um longo tempo ela apenas me observou, até que me senti confortável para falar.
- Christine. Minha velha bruxa. Andei visitando a casa de Annie e descobri algumas coisas interessantes.
- Prossiga minha menina. - Sua voz saiu doce.
- Sob o carpete estava todo material que ela usou no dia da invocação. Ou seja, ela não estava conjurando nada subjetivo, eu tenho certeza que Haboryn. E se naquela noite ela não tivesse conseguido conjurá-lo, eu teria sido morta pelo anjo.
- Quais eram os materiais Natasha?
- Um circulo, desenhado uma estrela de cinco pontas, velas vermelhas, etc.
Ela balançou a cabeça para que eu continuasse.
- Também tinha uma tira de papel que dizia “para se livrar vai ter que brincar”. Provavelmente escrito por Allan.
- Sim, Natasha, é notável que Allan, Annie e Haboryn tiveram muita ligação. Mas precisamos descobrir onde está esse ponto.
- Sim, e estamos cada vez mais próximo de descobrir todo esse mistério, talvez assim possamos até identificar onde o anjo está. Ela tinha um diário, e tem uma passagem onde ela diz que se lembra como num sonho do casebre, do gato negro e Allan.
- É! Ela não foi por acaso para aquela casa quando brincou com o copo. Estava tudo premeditado.
As abas da janela do quarto abriram fortemente numa rajada de vento e a água da chuva começou a entrar. Christine virou seu rosto levemente em direção e num olhar desconfiado ela só lançou um olhar e as fechou.
Christine ficou em silencio por alguns segundos, e aquilo me agoniou, toquei a para fazê-la voltar e me contar o que estava acontecendo. Então mais uma vez entrei em quadro nostálgico, eu era o seu olhar, um moço estava atravessando na minha frente, parecia ser a muito tempo, porque eu não via asfalto ou casas de luxo. E eu não consegui sentir sua energia e nem descobrir quem era ele.
- Natasha! – Christine chacoalhou meu corpo.
- Christine? Quem era aquele moço?
- Ninguém Natasha. Talvez ninguém interessante agora, temos que resolver o seu problema.
Entendi, é constrangedor ter uma pessoa que pode ver os seus pensamentos que mais significam para você, por perto. Então relevei e continuamos.
- Temos como descobrir mais? Eu não sei. Alguma coisa que nos leve até o passado?
- Sim Natasha, tem. – Ela levantou e foi saindo do quarto. Eu então a segui.
Segui-a até sair da mansão.
- Christine, aonde vai? Perguntei intrigada.
Ela não respondeu e seguiu a leves passos. Quando atravessava o portão de entrada do bairro ela colocou o capuz como se aquilo a protegeria de qualquer mal. A chuva caía intensamente e enormes rajadas de vento. Meus cabelos vermelhos se tornaram rubros e molhados por causa da chuva e da preocupação que eu estava passando. Uma ansiedade, eu nunca havia saido assim junto a Christine, parece que toda aquela história interessava mais a ela do que a mim. Estava tarde da noite e não havia ninguém nas ruas por causa da chuva provavelmente, e os que são do bairro, quando viam que Christine saia de sua mansão segurava forte seus amuletos como se a temessem mais que tudo.
Após a saída do bairro, não demoramos para chegar a nosso destino, a pequena casa da esquina.
- Christine. Me diz o que vamos fazer?
Ela me olhou com seus profundos olhos azuis, que até me lembraram os olhos do anjo.
- Natasha. Se estamos atrás de respostas, se há realmente uma ligação ou não entre Haboryn e Allan, precisamos investigar onde tudo começou, ou seja, o primeiro episódio de Annie.
Concordei com a cabeça e apurei meus sentidos, talvez eu entre em nostalgia e absorver algumas lembranças da casa. A chuva fazia lama no quintal todo da casa, da porta correu um rato nojento e o susto fez minhas presas surgirem. Caiu um raio e iluminou toda a casa, uma sombra se escondeu sorrateiramente no final do casebre.
- Você viu isso?! Perguntei assustada.
- Acalme-se vampira, a casa está acordando. – o que ela quis dizer com a casa está acordando. Pensei. – Está ficando de madrugada, e o mal da casa tem acesso a esse mundo, fique sempre rente a mim e avise sobre qualquer coisa. – Disse Christine erguendo as mãos.
Caminhamos até a figueira, parecia estar maior do que o era. A chuva parecia mais intensa e pesada ali. Christine agachou-se e passou a mão sobre a terra logo após a raiz, seus olhos reviraram e um trovão estrondou o céu, mais que rapidamente apurei minha visão e olhei para todos os lados, e vi e ouvi passos da sombra entrando na casa. Christine então se levantou.
- Tem um corpo aqui Natasha. – Ela disse, e no mesmo instante eu me lembrei de Eric, talvez esteja enterrado ai. – Um poderoso feitiço está sobre ele, é tal que nem eu possa compreender.
- Vamos desenterrá-lo? – Perguntei em duvida.
- Não viemos interferir em nenhuma magia, viemos descobrir ligações, e essa ligação tem haver com um antigo rapaz que morou aqui, ele só está querendo voltar.
- Você o conheceu? - Perguntei interessada.
- Não tanto quanto você Natasha. Ela respondeu olhando em meus olhos.
- O que quer dizer? - Perguntei novamente intrigada com tudo aquilo.
- Tem coisas de seu passado que você esqueceu, ou apagou porque não significava mais nada, e eu não sei se tenho autoridade para lembrá-la.
- Por favor, Christine? Eu preciso saber de tudo. – estava ficando impaciente, toda aquela palhaçada de me esconder às coisas já estava me enchendo.
- Vamos continuar Natasha, quando encontrarmos e voltarmos para casa eu prometo te contar tudo sobre o passado. – Eu não estava convencida, mas sempre soube estabelecer prioridades, mas não deixarei isso passar, na próxima oportunidade ela me falará tudo.
- Vamos entrar na casa – Eu disse decidida.
Ao entrarmos, o barulho da chuva caindo sobre o teto me fazia doer os ouvidos, é muito úmido, e há goteiras por todo canto. Christine retirou o capuz e sua expressão estava mostrando um grande desafio a frente.
- Não preste atenção em nada que ver ou ouvir. Tudo pode ser usado para lhe confundir. – Christine falou sussurrando para mim.
Entramos numa espécie de cozinha, bem pequena, fogão a lenha, vasilhas quebradas de barro, e um balde com água. Dentro da balde com água havia muitas fezes de ratos e morcegos. De repente senti alguma coisa tocar em mim, uma mão gélida que fez girar rapidamente, no entanto não havia nada. Christine também não estava mais comigo, e temi gritar para chamá-la, já que ela mesma havia sussurrado para mim há um minuto atrás. Atravessei a cozinha e sai numa espécie de salinha, havia um sofá, parecia muito antigo, com espumas saltando das costuras rasgadas. Passei por ali atenta a procura de Christine e parecia ter visto alguém sentado, quando olhei bem não havia nada. Alguma coisa passou pelas minhas pernas e me assustou, soltei um grito abafado e olhei, não havia nada. Eu estava apavorando sozinha ali. Atravessei a sala e saí numa espécie de quarto e para minha sorte, Christine estava ali. Segui junto a ela para outro cômodo, que parecia também um quarto, só que maior.
Respirei profundo e de repente Christine sentou-se no chão úmido e nojento. Pensei emtocá-la, mas ela começou a encolher a pernas próximas do seu rosto e abraçou-se, começou a balançar para frente e para trás.
- Christine – Surrei seu nome.
Seu olhar buscou minha voz e ela me encarou de um modo tão estranho, sua feição como de uma criança indefesa.
- Christine, tudo bem? – Comecei a desesperar.
Um relâmpago iluminou toda a casa e por alguns segundos tive a impressão de ter visto um rapaz ao seu lado. O gato negro entrou e passou entre minhas pernas e eu “congelei”. Christine abriu as pernas e o gato se aproximou dela, começaram a trocar caricias.
- Sabe o que aconteceu comigo aqui vampira? – Christine me perguntou numa voz tão inocente.
- O que está dizendo? Levanta daí? – Eu disse impaciente.
- Ela roubou tudo que eu era. Eu a amava! Mas tinham tantas forças agindo comigo. - Ela disse começando a derramar lagrimas.
Concentrei minha mente e mantive o foco.
- Quem é você? - Eu perguntei agora mais calma.
- Sou Willian – Ela disse e abaixou a cabeça. – Não se lembra de mim?
Fechei os olhos por alguns instantes, mas não conseguia saber onde o conheci, apesar de que seu nome não me era estranho.
- Sinto muito! Mas não sei quem é você.
- Vampira! Afasta-se, fica longe dela e de Haboryn, os dois vão levar você a destruição. – ela me disse com os olhos arregalados.
- O que quer dizer? E Haboryn, o que Allan tem haver com ele? – aproveitei a oportunidade para perguntar. Talvez fosse isso que Christine queria que eu fizesse.
- Haboryn é mal com Allan e o está enganando, mas eu não posso mais alcançá-lo, o demônio me proibiu. –sua voz foi sumindo a medida que mencionava a frase, Christine deu um suspiro e voltou em si.
- Descobriu o que queríamos Natasha? - Ela me perguntou atenta.
- Talvez até mais do que queríamos – Respondi com um leve sorriso.
Christine tomou a frente e fomos saindo da casa, olhei novamente para trás e o gato havia sumido. Na porta da frente da casa havia uma cobra, marrom. Eu assustei e dei um salto para trás. Christine novamente agachou-se e tomou a cobra para consigo e então voltamos para a mansão.
Na porta de sua mansão Christine se virou para mim.
- Natasha. Acho que foi informação demais por essa noite, agora tenho muita coisa para fazer.
- Não Christine tem questões que você pode me responder.
- Talvez sim, mas hoje não é mais a noite apropriada para isso. Mantenha o foco em encontrar o anjo ou o demônio, ou talvez o próprio Allan. Uma hora você terá todas as respostas de que precisa.
Afirmei com a cabeça, eu ainda não estava totalmente convencida, mas senti que precisa deixar as coisas acontecerem, tenho informações bem precisas, agora só preciso calcular como agir. Então voltei para a mansão, tudo que aconteceu na casa pareceu tomar muito a noite, já estava muito tarde e não demoraria a amanhecer.







Cap 11 –

Como previsto, a madrugada chuvosa e cheia de mistérios, de perguntas sem respostas precisas, se tornou dia. Pude ver da janela de meu quarto, por uma pequena fresta da pesada cortina, que ainda chovia, a chuva estava fraca, mais ninguém se atrevia sair naquela garoa.  A não ser aqueles que precisavam mesmo. O tempo mudaria. Logo toda aquela água se transformaria em neve. As crianças sairiam com os pais pra brincar de guerra de bola de neve, fazer anjos com os corpos de encontro ao chão gélido. Além dos famosos bonecos de neve.
Mais dessa vez eu nãoirei ficar em meu quarto, olhando a deprimente brancura da neve, tenho tanto a fazer. Como procurar pelo anjo, procurar responder as respostas pra todas as minhas perguntas. Talvez Allan saiba de alguma coisa ou talvez não.  Fechei novamente as pesadas cortinas, não tinha nada que me interessasse lá fora, além do que é dia. Dei as costas pras cortinas, e fui em direção a minha enorme cama, quase sempre sem nem uma serventia, deitei-me. Eu precisava pensar. De certo modo eu estava cansada, mais ainda muito determinada.  
Eu tinha certeza que eu só me sentia cansada, pelas descobertas de ontem, minha mente me prega peças com a imagem de Allan na casa, Melissa me conta uma historia, depois tudo àquilo que aconteceu na casa. Eu precisava refletir.
- Willian? Willian? Esse nome me é familiar mais eu não consigo me lembrar quem é. Como?
‘Sabe o que aconteceu comigo aqui vampira
Ela roubou tudo que eu era. Eu a amava! Mas tinham tantas forças agindo comigo.Vampira! Afasta-se, fica longe dela e de Haboryn, os dois vão levar você a destruição.  Haboryn é mal com Allan e o está enganando, mas eu não posso mais alcançá-lo, o demônio me proibiu. ‘
As palavras de Willian me vieram à mente.
- Eu não pretendia ficar perto de Haboryn, literalmente.  Eu apenas procuro pelo anjo. – ao dizer isso percebi que eu estava fora do que realmente importava Haboryn por algum propósito queria vir a terra o que levaria a nossa raça a uma guerra, e ele precisa do anjo pra isso.  Era isso.
Fiquei ali por algum tempo, pensando no que Willian havia me dito, quem era ela, eu tinha que ficar longe de Haboryn, mais e ela quem poderia ser? Suspirei, agora tenho mais mistérios do que respostas.  Não percebi o tempo passar, minha cabeça tentava colocar todas as informações em plena ordem, o que eu não consegui. Tem muita coisa faltando, espaços a serem preenchidos.  E não seria ali em meu quarto que eu encontraria as respostas que eu precisava.
Ainda era dia e eu não queria sair na luz do sol, por mais que por causa da chuva e da neve que logo cairia, o céu estava nublado. Ouvi uma batida, olhei pra porta. Outra batida.
- Entre.- eu disse. A porta se abriu e Kimberly entrou, ela segurava um livro, sua capa estava virada de encontro ao corpo, não pude ler seu titulo.
- Faz tempo que eu não me alimento, será que você não quer ir comigo?  - fiquei quieta, apenas observando–a. Ela sentou se na cama. – algo a preocupa? – ela me perguntou.
- Vamos caçar Kimberly, assim que escurecer preciso distrair-me. - Ela apenas concordou com a cabeça.
- Não vai me dizer o que a preocupada.
- O de sempre Kimberly. O de sempre. –suspirei, sentei na cama, com as penas cruzadas, meu corpo um tanto curvado pra gente. A expressão de tédio de Kimberly às vezes me irritava mais por mais que a expressão dela sempre fosse à mesma, ela era uma linda vampira. Talvez ela tivesse a cara que tem de tanto ler esses livros.
- Você não encontrou o anjo?
- Não, mais o senti.
Ficamos ali por algum tempo conversando, contei-lhe algumas coisas mais não tudo.  Se eu contasse ela não entenderia. Mais tarde ela saiu do meu quarto e eu continuei ali, esperando pela noite, esperando para a caçada, isso talvez me distraísse. Talvez.
O pensamento de que logo me alimentaria não desviou meus pensamentos, dos enigmas que me rondavam, e talvez toda minha raça.
Levantei-me com esse pensamento. Sai de meu quarto, caminhando pela mansão pelos lugares usados pelos serviçais. Caminhei e encontrei com alguns que nem ao menos ousaram me olhar. Não me importei continuei andando, segui reto, e depois virei a direita, no extenso corredor não havia ninguém, a não ser eu mesma, andei de vagar ali, de repente escutei o barulho de uma porta ranger, eu parei aguardei, ninguém entrou ou saiu de lugar algum, andei mais alguns metros, e uma pequena fresta de uma porta se abriu pra mim, fiquei de frente pra porta e segurei a maçaneta, abri lentamente, a sala era totalmente escura e a poeira que pude sentir, simbolizava que ninguém entrava ali a um bom tempo.
Pisquei duas vezes, meus olhos se adaptaram a escuridão do aposento, era um tipo de biblioteca. Ainda na porta abri mais um pouco o suficiente pra que eu pudesse ficar entre a porta e o corredor. Estranho uma biblioteca em um corredor sem portas a não ser essa que pelo visto se abriu sozinha, pensei.
- Vamos Natasha, antes que comece nevar –antes que eu pudesse por fim entrar e dar uma olhada ouvi a voz de Kimberly as minhas costas.  Virei rapidamente. Fechei a porta.
- Você sabia dessa porta aqui?- ela não respondeu me olhou como se eu não falasse nada.
- Já é quase noite, eu sei que você tem que fazer outras coisas antes que a neve descida cair então vamos?– decidi que depois eu voltaria pra ver o que tinha naqueles livros que deveriam estar escondidos.
- É tenho outras coisas pra fazer mesmo. Vamos.
Como ela poderia saber que eu estava ali, claro pelo meu cheiro, mais por que ela não me respondeu sobre a biblioteca? Talvez fosse ali que ela pegava esses livros dela. Era só o que me faltava ela sentir ciúmes desses livros, pensei. Mesmo assim mais tarde eu voltaria e veria o que tinha naquela biblioteca.
Saímos da mansão, não pretendíamos ir muito longe, por isso resolvemos ir a pé.
- Vamos até a parte decadente da cidade? – perguntei.
- Claro naquele lado da cidade ninguém sente falta de ninguém, vamos. –terminando de dizer isso Kimberly disparou, correu entre as sombras que as arvores e a noite escura fazia. Sorri e a segui.  Ao entrarmos no bairro que mais se assemelhava a umpequeno povoado, diminuímos a velocidade. Entre algumas pessoas de ‘bem’ ali viviam prostitutas, pequenos ladrões, vendedores ambulantes, contrabandistas, de tudo um pouco.
Muitos de nós e até mesmo viajantes vampiros que esporadicamente passavam por aqui, resolviam vir até aqui, diziam que era pra ajudar a cidade contra os maus feitores. Toda vez que eu ouvia isso eu ria. E como eles, Kimberly e eu resolvemos dar um limpo por aqui. O bairro decadente e quase esquecido pelo resto da cidade estava pouco movimentado àquela hora, era cedo, acabara de escurecer. Seguimos na rua principal, sem ao menos disfarçar que estávamos aqui, alguns desses maltrapilhos sabem de nossa existência, ou suspeitam. Algumas prostitutas nos olhavam com nojo, como se fossemos rivais. Alguns homens nos olhavam com devido respeito, outros com medo, e é claro tinha aqueles que nos olhava com desejo.
Na primeira encruzilhada, nós viramos à esquerda, seguimos reto, em um beco escuro, e fedido, pude ouvir com total clareza gemidos e gritos de prazer. Olhei pra Kimberly e ela sorriu, seguimos em direção ao som silenciosamente. Uma mulher de cabelos curtos e mal cuidados estava em cima do capo de um carro, com as pernas em volta do quadril de um homem, mal vestido e sujo. Ela se agarrava a ele com força, enquanto ele investia contra ela. Falava palavras definitivamente nada carinhosas.
- Você fica com o homem que eu fico com a mulher. – assim que acabei de proferir as palavras, o casal se voltou e nos encarou. Sorri para os dois sem mostrar minhas presas já à mostra, fui me aproximando. O homem começou a proferir palavras obscenas, enquanto a mulher dizia que só aceitava homens.
- Não queremos seus serviços. – Kimberly disse num tom patético debochando da mulher.  Então em uma velocidade sobrenatural Kimberly avançou em pra cima do homem, puxou–o pela camisa, jogando de encontro ao murro. Eu me aproximei da mulher que agora gritava histericamente. Antes que mais alguém pudesse ouvir seus gritos eu pulei em cima dela, tampei-lhe a boca, com uma das minhas mãos. Ela esperneava deitada em cima do capo do carro, eu a imobilizei facilmente. Eu vi o horror nos olhos dela quanto viu minhas presas, antes que eu pudesse mordê-la senti o cheiro fresco de sangue, olhei pra trás Kimberly ainda não se alimentara mais o homem tinha um corte profundo na cabeça, devido ao baque contra o murro. Voltei minha atenção a mulher, que ainda tentava gritar puxei-lhe seu pescoço de lado e a mordi, suguei-lhe o sangue lentamente. Seu sangue não era dos meus preferidos definitivamente. Não era exatamente saudável. Levantei a cabeça assim que terminei, limpei meus lábios ainda em cima do corpo já sem vida. Levantei e deixei o corpo ali mesmo, Kimberly já  se levantava, ergueu o corpo e o colocou dentro do carro, e fez o mesmo com a prostituta. Por mim eu deixaria como eles estavam.
- Não foi uma das minhas melhores refeições, mais é melhor do que nada – Kimberly disse olhando pra mim, ela limpava os lábios rosados.
- Não foi mesmo, nem chegou perto. Vai querer mais algum? – perguntei. Ela apenas balançou a cabeça negando. – Então vamos.
- Vamos. – dessa vez eu segui na frente, correndo na velocidade sobre-humana pela qual fomos privilegiados. Saímos do bairro em questão de segundos.
- Tudo bem se você voltar sozinha - perguntei a Kimberly.
- Não tudo bem, eu sei que você tem coisas pra fazer. – acenei com a cabeça e tomei direção diferente a dela. Eu precisava vê-la  eu precisava sentir o anjo perto dela, precisava verificar se ele, tinha ido vê-la. Eu tinha que senti-lo novamente. Com esse pensamente eu corri mais rápido. Não demorei muito a chegar à janela do quarto de Mellody, ela dormia, com a expressão calma e sem preocupação.Será que o anjo está por aqui, como esteve com Annie todos aqueles anos sem que eu pudesse senti-lo. Abri a janela, devagar, sem fazer barulho, e entrei no quarto, fiquei observando-a, cheguei mais perto da cama, apurei meus sentidos, ela estava imersa a um sono profundo, ela sonhava, era um sonho feliz, apurei um pouco mais meus sentidos e vi, a pequena menina correndo por um lindo gramado, ao longe em baixo de uma arvore uma cesta de piquenique alguém corria atrás dela, sorrindo.   Rindo com a irmã mais nova, era Annie. Foi então que percebi que não era apenas um sonho e sim uma lembrança. Era só isso que a pequena Mellody tinha agora lembranças.
- Olha o lado bom, você tem o anjo. – eu disse baixinho, ela se moveu, fiquei imóvel escondida nas sombras. Eu não tinha certeza que o anjo a estava protegendo, eu precisava ter total certeza disso.
- Meg – eu a ouvi murmurar ela disse o nome pelo qual ela me chamava da vez em que estive na casa. Ela ainda dormia, eu estava camuflada nas sombras ela não podia saber que eu estava ali. Fiquei em pé vigiando-lhe o sono durante algum tempo, não o suficiente para vê-la acordar no meio da noite, como acontecia com outras crianças.
Sai dali, já era tarde, uma boa hora pra ir até o Spark’s o lugar deveria estar movimentado já que hoje é domingo que a neve ainda não caíra. Passei a mão em minha roupa, tentando ao Maximo alisá-la, a sombra de uma arvore perto do Spark’s.
- Ótimo- eu disse avaliando meu trabalho. Passei a mão em meus cabelos, e fui em direção do Spark’s, olhei a fila, Allan não estava ali, entrei na boate, dessa vez não fui até o bar, segui em direção oposta onde ficavam vários sofás e poltronas, onde eu podia ver a pista de dança. A boate estava cheia, vasculhei o lugar com o olhar e não vi quem eu procurava.
Olhei para o bar o ultimo barman com quem eu falei da ultima vez não estava mais ali, talvez tivesse sido despedido, ou morto por um de nos. O que acontecia com freqüência. Sorri. Pessoas mortas em Gander não era uma coisa tão incomum. Vivemos ali por muitos anos, sem sermos percebidos, e assim continuaria.
A noite passava de vagar e eu logo desistiria de ficar esperando-o. talvez Haboryn soubesse que eu estava atrás dele, e me queria longe dele, já que eu matei a outra humana. Talvez o demônio pense que eu sou uma exterminadora de protegidas pelo demônio. Não seria arriscado de mais.  Desisti de ficar ali, levantei-me e fui dar um volta geral no salão de dança.
Andei entre os humanos bêbados, alguns me paravam dando em cima de mim, em outra ocasião eu poderia até parar e dar um pouco de atenção seduzi-lo e levá-lo a qualquer lugar onde eu poderia, me divertir com ele e depois matá-lo, ou só matá-lo. Ou deixá-lo vivo. Tanto faz, isso dependeria muito. Da ocasião. Hoje eu não tava afim, tinha acabado de me alimentar e esses humanos poucos poderiam ser capazes de me satisfazer. Poucos são capazes, o Derick, por exemplo, já é bem profissional nisso. Eu poderia visitá-lo mais frequentemente assim que tudo isso terminasse. Se isso terminasse claro.
Continuei a andar, pelo salão, os flashes usados davam efeito de eu estar andando em câmera lenta, e as pessoas pareciam dançar em câmera lenta. Allan definitivamente não estava ali.  Eu começava a achar que minha teoria estava certa Haboryn talvez o impedisse de se aproximar de mim. Suspirei.
Sai do Spark’s desta vez pela porta da frente. Segui para mansão. Caminhando com os braços em volta do meu corpo. Observei o céu, disfarçadamente farejei o céu. Agora não demoraria muito para neve em fim cair. Os dias seguintes seriam assim. Voltei a mansão.
Entrei e fui direto ao corredor, onde eu encontrara a porta esquecida. No corredor havia uma criada. Eu estava a frente da onde deveria estar a porta. Mais não tinha nada ali, a empregada limpava alguma coisa no chão. Olhei pra frente e pra trás não tinha porta alguma, será que eu havia trocado os corredores?  Voltei até a entrada daquele corredor, caminhei de novo em linha reta a empregada  já se levantava e se preparava pra sair. Olhei pros os lados do corredor. Dessa vez um metro da onde eu havia parado, vi uma pequena saliência na parede me aproximei e lá estava a porta, dessa vez não hesitei abri de uma vez, antes de entrar olhei os dois lados do corredor não tinha ninguém, entrei e encostei a porta.
Meus olhos buscavam se adaptar a escuridão ali. Quando isso aconteceu algumas tochas presas na parede se acenderam, o que me fizeram assustar. Respirei fundo e segui, nas prateleiras, havia livros de todos os tipos empoeirados. Livros de autores conhecidos como William Shakespeare, que até eu mesma já ouvira falar. Outros livros eram antigos de mais, talvez fosse de quando Silas nasceu, renasceu não sei.
Tinha também encostado perto na parede um enorme quadro, daqueles que são encontrados nas casas de antigamente na sala principal, o retrato da família ou do líder da família, o que fosse. Esse quadro era de uma linda mulher ela trajava um vestido, comprido  com um lindo espartilho ela estava sentada em uma cadeira de madeira, com pose de uma verdadeira dama. Parecia feliz. Não tinha assinatura.
Outro quadro estava assinado como Leonardo não pude ver o resto do nome estava apagado, dessa vez eu não estava curiosa pra saber o nome do autor daquele quadro. 
Voltei minha atenção as prateleiras de livros, eram exatamente três prateleiras frente e verso de livros.  Mais o que mais me chamou a atenção, foi que perto de uma janela afastado de todas as outras coisas, em  cima  do que parecia um pedestal de madeira, sua extensão era quadrada, em cima era como um livro aberto. Cheguei mais perto, o livro que deveria estar ali não estava mais, só à mancha de poeira estava lá, cobrinha principalmente nas beiradas o que mostrava que o livro era bem grande e  estava aberto em certa pagina. Pelo visto alguém o havia retirado recentemente. E para ele estar onde esta parece que é importante.
Observei  o pedestal vários mais uma vez, e voltei minha atenção nas outras prateleiras, eu não encontraria nada de interessante ali eu tinha certeza, o que talvez pudesse ser bem interessante, era o livro que estava no lugar especial.
Sai da sala, qualquer dia eu voltaria pra ver se o livro voltara. Talvez Kimberly o estivesse lendo, por que pelo que tudo indica ela conhecia muito bem esse lugar.
Voltei ao meu quarto. Abri as cortinas, e os primeiros flocos de neve começou a cair.



Cap. 12 –

Os flocos de neves caíam tão maravilhosamente que me fez até ter lembranças humanas. Eu era filha única e meu pai sempre me levava para brincar de neve no quintal, eu lembro que eu corria, no começo como agora parecia uma chuva fraquinha, eu estendia as minhas mãozinhas que naquela época eram quentes e vermelhas por causa do frio, e então sentia os flocos gelados me dando prazer. Mas ficava divertido mesmo quando caía em forma já de bolas de gude e as de ping-pong. Caíam nos meus cabelos ruivos e brilhavam, era como um conto de fadas. Quando eu tinha que voltar pra casa para não adoecer eu observava a neve da janela do meu quarto, lentamente o verde se tornava branco, revestidas de alvura, tudo resplandecia. Ai no outro dia eu saia e corria com meu pai, as outras crianças, fazia anjinhos na neve, era tão lindo e feliz.
Lembrar de neve, conto de fadas e anjos, isso que era pra ser nostalgicamente feliz me trás a realidade, lembro do maldito anjo e de Annie. Agora a neve atrapalhará minhas buscas, crianças têm até certohorário para estarem nas ruas e o cuidado é dobrado, até para se alimentar se torna mais difícil. De um lindo conto de fadas, tornei minha vida um duelo de seres perigosos, agora eu vivo da morte de outras pessoas que sonharam como eu, e a procura de um anjo, como aqueles que eu fazia na neve e tanto admirava.
Minha cabeça perdida em investigações sem resultados, em vez de resoluções eu encontrava cada vez mais mistérios, talvez eu ficasse boa nisso e me especializasse – ri de meu pensamento – ou talvez eu pegue realmente gosto pela coisa e então eu comece a matar só depois que resolvesse o caso da vida de alguém – Ri mais alto ainda.
Precisava de respostas, mas toda vez que recorria à velha bruxa, sempre encontrava mais mistérios, e como da ultima vez, cada vez mais assustador. Eu preciso ficar longe de Haboryn, e quem sabe aquela bruxa não utiliza dos poderes do próprio.
Aquela frase soou em minha mente: ‘Haboryn é mal com Allan e o está enganando, mas eu não posso mais alcançá-lo, o demônio me proibiu. ’
Se Haboryn e Allan estão juntos, e eu já tive a comprovação, a pergunta é por que. Se eu bem entendo, o demônio estava com ele para alcançar Annie, mas como Annie morreu, porque os dois estariam unidos? É lógico, Allan sabe quem é o novo protegido, e Haboryn o está usando para chegar ao anjo, mas pregou peças e tentou me enganar e desviar do foco, seus malditos poderes, agente nunca sabe quando ele os usa, até quando caímos em si, e descobrimos que fomos enganados pela serpente. Allan é o foco, mas preciso fazer isso sem que Haboryn descubra. Mas como? Vou atrás de Allan hoje, como é segunda, ele provavelmente está na escola. Espero que ainda não esteja fechada por causa da neve, ainda é breve, parece como uma chuva de verão.
Desci a escadas do meu quarto, a mansão está tão silenciosa, sem ranger, sem barulhos de conversas ou de movimentação. Parece que não tem ninguém.
Voltei ao quarto salubre e abandonado que bem parece uma biblioteca. O livro ainda não estava lá, ao tocar na poeira que ele deixará meus sentidos foram ativados. Eu vi Kimberly, ela olhou para os lados e sorrateiramente pegou o livro. Então voltei da visão, comecei a sentir medo e adrenalina, talvez fossem os sentimentos de Kimberly naquele momento.
Sai da biblioteca e procurei por Kimberly em seu quarto, mas para minha surpresa estava vazio, a janela estava toda esbranquiçada da pequena camada de neve que caía adentro pela janela aberta. A cama desarrumada. Então toquei o lençol e vi Kimberly deitada com o livro aberto sobreposto em seu abdômen. Seus olhos fechados e uma leve brisa esvoaçavam seus cabelos rosados. Aos poucos seu corpo foi levitando, e uma leve brisa contornava todo o seu corpo. Voltei em mim, agora temerosa, Kimberly está estudando magia, e aquele livro é o seu guia.
Desci com passos um tanto longos, e, a sala outrora vazia, agora está desfrutando da presença irritante de Dãcan.
- Porque a pressa vampirinha ruiva? – Ele perguntou num tom de deboche.
- Dãcan. – Pausei em seu nome – Você conhece a biblioteca escondida em um dos becos da mansão?
- Porque a pergunta Natasha? – ele perguntou intrigado. Geralmente nunca me chama de Natasha, senti que o assunto era restrito.
- Pelo seu tom; já sei que conhece e sabe coisas que muitos de nós desconhecemos.
Dãcan desviou o olhar e deu uns passos pelo hall, atravessou até chegar à sala de estar, então se sentou num sofá. Eu o segui e sentei logo à frente.
- Há um tempo – ele começou – antes mesmo de conhecermos você, aqui era um esconderijo, morávamos em outra casa, bem menor que essa, mas alvo de investigações, da igreja para ser mais especifico, então tínhamos um lugar que era como uma fortaleza para nossos segredos era aqui, antes de se transformar numa mansão. Silas sempre procurou por poder, foi sedento por instrumentos que o tornasse mais poderoso, seu amigo era John Willer, e com Christine, John se tornou tão poderoso que ultrapassou os poderes de Silas que havia sido transformado antes de John. Tentando compensar essa injúria, Silas buscou caminhos que o fortalecesse, então montou aos poucos uma biblioteca vasta e cheia de segredos do oculto, mas infelizmente ele nunca conseguiu usufruir o poder que esses conhecimentos proporcionam, alias, nem ele, nem eu e nem Melissa, que fomos os primeiros, os que ajudaram na construção de nossa mansão. Silas descobriu que existem vampiros que tem predisposição para o caminho oculto, e outros não. Assim nem todos poderiam seguir essa linhagem de sangue místico. E então ele abandonou a biblioteca lá embaixo, suja e selada.
- Mas esse selo foi rompido, uma vampira conseguiu quebrar as trancas e usufruir o poder e nela foi ativada a semente mágica. – Eu disse desafiando-o.
Ele me encarou presunçoso e em seguida sorriu.
- Tenho a certeza de que essa vampira não é você. A magia não despertou em mim, quanto mais numa vampira tão patética quanto você.
Fechei minha expressão e logo em segui sorri ironicamente.
- Realmente Dãcan, não fui eu, mas porque não tive oportunidade, talvez eu nem queira a ter. Kimberly superou seus poderes patéticos e exagero de personalidade.
- Kimberly! – Ele praticamente gritou o nome dela. – a mais nova vampira do clã, a estúpida e, inocente Kimberly. – Seu rosto estava inexpressivo.
Num instante ele sumiu e eu sentei. Silas deve odiar John, deve ter uma inveja, ele parece ter sido sempre melhor que o lord. E sonha um dia John submeter-se a sua liderança.
Levantei atordoada, nos últimos dias ando descobrindo tanto coisa, tantos segredos, misticismos. O anjo e o demônio trouxeram a tona segredos que eu jamais imaginei ter existido. Passei pelo hall e fui surpreendido por Silas.
- Olá Natasha. Como estás? – Ele perguntou com seu sotaque e forma colonial e culta.
- Estou bem mi lord. E você?
Ele me olhou alguns instantes – Não parece estar bem. Tem certeza?
- Só estou atordoada. A procura pelo anjo andou me estressando um pouco.
- Cuidado com o que descobre Natasha, nem tudo pode ser real, seu olhar não é mais o mesmo comigo. Começo a achar que esta muito próxima de Christine. Tome cuidado com ela, você pode confiar em seus poderes, mas ela não confia em você.
- Obrigado Silas. Agora tenho que ir. – Falei enquanto lhe dava as costas.
Finalmente sai da mansão, e caminhei pelo bairro, os mesmo rostos imbecis de sempre, a mansão de Christine estava toda com o jardim florido de tundra, e pela janela de vidraça pude ver o caldeirão fervendo líquidos transparentes como água. Pensei em parar e conversar com ela, mas estava com pressa, já estava quase sendo à hora do intervalo na escola de Allan. Não demorei em chegar lá. Allan estava na sua classe, sentado no fundo, sozinho, todo vestido de roupas negras, maquiagem pesada e gótica, lápis negro, sombras vermelhas sangue, pulseiras e gargantilha. Seus olhos enegrecidos, seu corpo, mas bem formado como um adolescente adulto está realmente belo, diferente daquela criança que nos procurou para ajudá-lo com Eric. Fiquei na espreita esperando o intervalo, o sol baixo graças à pequena chuva de neve. Quando o sino tocou, todas as crianças e adolescentes saíram, Allan foi o ultimo a se levantar, sua inexpressão me deixou aflita. Atravessou o corredor e foi indo para trás da escola, segui com os olhos e alcancei sorrateiramente quando virou a curva e meu olhar se perdeu. Quando o procurei, lá estava sentado embaixo de uma mangueira na escola. Estava só e inexpressivo. Uma ventania chacoalhava as folhas da arvore, e sua intensidade foi aumentando, os ventos foram ganhando força e velocidade, os cabelos de Allan esvoaçavam e suas vestes iam para lá e para cá. Allan pareceu conversar com alguém, sua boca gesticulava palavras, mas mesmo aguçando meus sentidos eu não pude ouvir. Decidi interromper, mesmo mediante a todos os perigos que essa atitude me traria. Avancei alguns passos e como num passe de mágica a ventania se desfez, Allan suspirou e engoliu seco. Seu rosto rapidamente me achou, seus olhos estão fixos nos meus; e, totalmente negros. Seu rosto inexpressivo se tornou uma face obsessiva e curiosa.
- Allan? – Perguntei em duvida se realmente era ele.
- Sabe que não é. O que quer Natasha? – Sua voz saiu com cordas duplas.
Olhei seria para ele. Agora Haboryn vai esclarecer minhas duvidas, sei que num corpo mortal ele nada pode fazer contra mim.
- Me diz o que você realmente quer de mim? – Perguntei intrigada.
- Eu a criei – Sua voz calma e dupla. Olhei sem entender – Você é uma vampira, instrumento do mal. Desde o primeiro transformado, lá eu estava, e dele partiu toda a criação de destruidores até chegar a você.
- Poupe-me demônio. – o repreendi desacreditada.
- Natasha. Você é uma vampira de muitas qualidades, seria ótima se estivesse comigo.
- O que quer dizer? – Perguntei intrigada.
- Juntos podemos realizar todos os nossos desejos. Diz-me, o que você quer? – Ele perguntou persuasivo.
- Eu quero o anjo. Pode me dá-lo? – O desafiei.
- Certamente que sim. Agora entendo porque sempre atravessa meu caminho. Estamos à procura do mesmo ser.
- E o que Allan tem a ver com tudo isso?
- Allan é só mais um instrumento, um mago negro, um agente, o meu representante na terra. Por enquanto o meu portal, até que eu encontre com o anjo. Mas me responda. O que você quer com o anjo?
- Quero matar o seu protegido! – Falei quase gritando de euforia.
- Não! – Os cabelos de Allan se levantaram levemente, e uma repentina e rápida ventania surgiu e desapareceu. – Não há precisão.
- Eu tenho meus motivos. – Eu disse ainda que acuada.
- Eu sei o que você teme. Mas não se preocupe, eu destruirei o anjo, assim ele não terá mais quem proteger. Sendo assim, nada do que você teme poderá acontecer. Concorda? – Sua voz agora mais nivelada e dupla.
Ele realmente tinha certa razão, e agora sabendo que me posso beneficiar se atuar junto a ele. Já procurei tanto o anjo e não o encontro, e, ele parece esta tão perto de encontrar. Quem sabe não é uma boa juntar-me a esse inimigo.
- Você tem razão – Falei sem transmitir segurança.
- Agora vá Natasha. Saberá noticias quando eu achar que é à hora. Posso te dar mais força, poder, tudo o que quiser, comigo você poderá ter. Será a mais bela, a rainha se assim desejar.
Então parti, parecia que meus mistérios começavam a se solucionar, eu talvez tenha subestimado o inimigo, mas quem sabe não é a coisa certa.
No final das contas que resultado se obtém, posso me considerar filha de Haboryn? Uma vez que ele é o mal encarnado, e sua essência é a mesma essência daquele que fez nosso mestre assassinar seu irmão, a mesma essência daquele que se deitou com Lilith e daquele que despertou o poder do amado mestre Caim. E se é, eu posso ser quem quiser ao lado de Haboryn, posso fazer minha mente imaginar e num estalar de dedos ele pode fazer, nem Christine poderá me deter, a sua deusa pagã é só mais uma peça de xadrez onde Haboryn é o jogador.
Mas o que ele quer de mim? Se minha alma já é sua, o que ganha estando comigo?
Fui lentamente para minha mansão, meus pensamentos voando nessas questões, na proposta de Haboryn. Eu sei que me beneficiaria muito, mas em troca de que. De fazer o que já faço, ou seja, matar. Ou o que mais ele quer de mim?
Cheguei ao casebre, do mesmo estado, agora mais esbranquiçado por conta da neve. A figueira estava imensa e branca, ao seu redor em terra, continuava limpo e sem vestígios de mudança de tempo. Adentrei a casa e sentei embaixo da figueira. Essa casa começa a me soar como um lugar familiar, eu talvez tenha perdido da memória, mas acho que já estive aqui antes. Sorrateiramente o gato negro surgiu, ele vinha cauteloso, então estendi minhas mãos frias e o acolhi.
- Quanto mistério você significa pra mim – Comecei a refletir e ele miava. – Annie começou aqui, a perecer nas garras de Haboryn, foi aqui que ela se deparou com todo o sobrenatural. Conheceu John e Christine, você, e o estranho Allan. Agora eu estou a procura de um anjo e seu protegido para dar o mesmo fim que dei a Annie. Se tudo partiu daqui, pode ser que com o novo protegido também comece. Mas Allan é o único que sempre vem aqui, alem de mim e Christine. – Soltei o gato e levantei.
Entrei na casa a procura de qualquer coisa que me levasse a um suspeito. Mas ela parecia intacta desde a ultima vez em que vim aqui. Os sofás ainda mais danificados pela ação do tempo. Havia flocos de neve por todos os lados, buracos no teto, e as paredes e o chão estavam tão úmidos. Dejetos de ratos e morcegos forram todo o local. Atravessei a sala e cheguei ao quarto que outrora havia sido palco daquela possessão. Tive alguns flashes, mas controlei meus sentidos. Voltei uns passos e segui até a cozinha, ela estava diferente de antes, mas arrumada. A balde com água que outrora estava sobre a pia quebrada, não estava mais lá. Passei pela porta da cozinha que leva ao quintal. O chão forrado de neve, somente em volta da figueira estava intacto. E embaixo dela, a balde estava lá, me aproximei cautelosa, e nada aconteceu. Olhei na balde que estava cheia de água, toquei sorrateiramente com minha mão e nada aconteceu, parecia estar normal, parecia ser só uma balde com água. Então relaxei e sentei no chão, acomodando minhas costas na arvore. Os cipós da figueira estavam tão próximos de mim que eu quase me sentia sufocar. Os sons que o vento e a neve produziam ao passar pelas folhas da arvore estavam bem mais audíveis daqui debaixo.
Um barulho aguçou meu sentido para a direção. Allan vinha todo trajado de preto. Atravessando o portão e olhando fixamente para mim veio rumo a minha posição.



Cap. 13 –

Levantei e me apoiei na arvore. Seu rosto sempre inexpressivo me deixou acuada, não sei qual será sua reação, e se é ele mesmo ou o demônio.
- Olá Natasha. – Sua voz saiu tão serena, quase pude ver um sorriso brotar de seu rosto.
- Allan? – Perguntei confusa.
Ele sorriu. Eu nunca o havia visto sorrir antes; e seus olhos, os seus olhos estavam azuis.
- São lentes? Porque são, estão muito boas, até parece serem seus de verdade.
Mas uma vez ele sorriu e logo se sentou. – Estas são as cores originais de meus olhos Natasha. Eu costumo usar lentes negras, peguei um apego por tudo que é escuro e místico. – E você; são vermelhos mesmo ou você os tinge?
- São assim mesmo – sorri – já foiruivo bem claro antigamente, então dependendo de cada situação, ele se torna mais ou menos intenso o vermelho.
Ele me analisou por alguns instantes – posso tocar? – ele perguntou, e com a cabeça eu confirmei. Então suas mãos tocaram meus cabelos. – Eles são bem macios, eu nunca imaginei que vampiros pudessem parecer tão humanos.
- Alguns perdem sua essência, e deixam que a besta tomem conta por completo. Outros tentam ao máximo acalmar a frenesi e se tornar mais humano possível.
- Como John – ele complementou.
- Sim. Como John. – fizemos uma pausa – você o conhece?
- Sim, quando ele veio salvar Annie naquela noite onde tudo começou. – um vento mais intenso passou por entre a arvore e me fez desabrochar meus sentidos. Ele pode está bem agora, mas quem garante que de uma hora para outra ele não se torne Haboryn.
- Não precisa ficar com medo Natasha – ele me olhou sorrindo – É apenas eu, Haboryn não está aqui.
- O que quer dizer?
- Que Haboryn, como você sabe é um demônio, mas existem momentos em que ele pode me tornar um hospedeiro, se assim eu posso me auto-chamar.
- Acho que entendo. – disse confusa.
- Eu travo uma luta constante entre o bem e o mal em meu coração, em minha vida, as vezes sinto que não vou agüentar.
O olhei sem entender. Talvez no fundo eu sabia exatamente o que se passava na vida dele, eu não consigo me lembrar muito bem, mas acho que já tive essa guerra interna dentro de mim, escolher a paz ou perigo, e acho que por isso me transformei. Isso também me lembra a mim mesma, só em outra situação, escapar do bem e do mal para livrar minha espécie, tantos fardos.
- Porque você escolheu viver dessa maneira, servindo o mal?
Seu sorriso se apagou.
- Tudo o que eu mais queria era a aceitação dos meus pais. Nada do que eu fazia em casa era certo; minha mãe só sabia me julgar e me acusar. E meu pai por outro lado, só virava as costas pra mim, seu orgulho era meu irmão mais velho, ele estava ao lado do meu pai para onde é quer que meu pai fosse. Festas, jogar sinuca, ver os jogos, tudo, o meu pai sempre o chamava. A minha dizia que isso um dia aconteceria comigo, quando ficasse mais velho e tivesse idade, mas eu sempre me senti mais responsável que meu irmão, que eu poderia estar no lugar dele, ser como ele e até melhor. Mas eles não enxergavam isso. Nunca tive amigos na escola, me chamavam de estranho, quando criança eu tinha um amigo imaginário, os outros meninos riam de mim, mas eu nem importava, pois sempre que eu queria brincar o meu amigo surgia. Mas eu cresci, e ele desapareceu, aos poucos fui entendendo, o meu amigo imaginário era o meu guardião, o meu mestre espiritual. Comecei a buscá-lo, internet, google, onde eu encontrava sobre guia espiritual eu baixava e lia. E essa minha fascinação pelo oculto foi crescendo.
- Então tudo começou por causa da inveja? – Eu perguntei interrompendo-o, e lhe dando tempo de respirar.
- Sim. Às vezes a inveja nos instiga a crescer, o problema é não consegui parar.
- Continue – estava demasiadamente interessante, eu quis ouvi-lo.
- Muito bem – Ele respirou mais uma vez – Realizei inúmeros rituais, mas parecia que eu não conseguia fazer nenhum deles. Comecei a ver vultos, a sentir presenças. Contei a minha mãe e ela me repreendeu, quis me levar para igreja, eu concordei. As coisas lá em casa estavam melhorando, com esse novo “dom”, a minha família começou a prestar mais atenção em mim. O meu irmão começou a ficar com medo, ele era dois anos mais velho que eu, e a minha inveja começou a me mobilizar, para lhe dar sustos. No final ele sempre me batia, mas eu sorria quando o deixava apavorado. Meus pais notaram alguns comportamentos que eles achavam inaceitáveis. E numa discussão entre os dois eu ouvi a frase que carrego até hoje, por onde quer que eu vá. ‘O seu filho é um estranho, você devia ter cuidado melhor dessa aberração. ’ O meu pai havia dito em alto e bom som, parecia que queria que eu ouvisse a frase. A discussão havia sido aberta, e ninguém queria ter sido o culpado por ter criado uma aberração – Lagrimas desceram da face de Allan, sua voz estava tremula, e ele teve que fazer uma pausa.
Eu o olhava fixamente, eu nunca imaginei que ele garoto inexpressivo carregasse tanta dor e magoa. Para mim Allan não passava de um riquinho procurando alguma coisa pra fazer.
- Você deve estar tendo pena de mim não é? – ele me perguntou controlando seu choro.
Tentei ser fria – Cometo crimes a todo o momento Allan, não se iluda achando que tenho pena de alguém.
- Ótimo! Por que eu não suportaria que tivessem pena de mim – Alguma coisa nele já me lembrava Haboryn, pois a figura doce do menino de agora pouco estava sumindo. – No outro dia, meus fingiam que nada havia acontecido, e aquilo fervia em meu sangue. Eu já havia feito muitos feitiços para fazer com que meu irmão não fosse tão amado pelos meus pais, mas ele parecia ter um anjo por perto. – Na hora meus sentindo refletiram, agora tudo começa a fazer sentido. Allan e Annie, Haboryn, é lógico, ele está atrás do anjo que está com o irmão de Allan. – Na mesma noite desse outro dia, eu peguei uma faca na cozinha, eu estava determinado a matá-lo. Fui até seu quarto, estava com a porta aberta e o computador ligado. Coloquei a faca nas costas e entrei. Meu irmão estava dormindo, tirei o computador da tomada, para que nenhuma luz atrapalha-se meus planos. Ergui a faca ao máximo que eu pude e então cravei em seu peito. O sangue rapidamente tomou conta das minhas mãos. Eu senti no chão ao lado da cama aos prantos. O meu irmão ficou buscando vida, tentando respirar, ele estava agonizando e eu também. Com o barulho meus vieram de encontro, estavam horrorizados. Talvez nunca imaginassem essa coragem que eu possuía. Chamaram a ambulância que tentou salva-lo, mas no caminho meu irmão não estava mais vivo. Meu pai e minha mãe tinham ido com ele para o hospital, eu aproveitei a situação e tentei fugir, arrumei umas roupas na minha mochila e parti. Mas a policia me abordou, horas depois. – Ele parou um pouco e me olhou, eu estava em estado de choque, primeiro por toda essa coragem, e depois porque meu “teto” havia desabado, achei estar com uma pista, e não estava. – Em casa meu pai quase me matou de tanto me bater. A minha mãe só sabia chorar, ela não dirigiu uma só palavra para mim. Foram sete dias de tormento, meu pai estava frio e minha mãe fingia que eu não existia. Após a missa de sétimo dia, que a situação foi melhorando. Começaram a me levar em psicólogos, psiquiatras. Mas eu já não estava com problemas, o meu único obstáculo era meu irmão, e mesmo depois de morto ele fez com as fracas ligações entre meus pais fosse totalmente desfeitas. Eu sabia que não era mais aceito por eles. A noticia não vazou, ninguém mais ficou sabendo, alguns colegas começaram a ter dó de mim, até me procuravam para que eu desabafasse, mas eu não podia, se não confessaria que o culpado era eu. E ai, do dó viria o desprezo e a raiva. Esquivei todos eles por dois anos, até que fugindo do psicólogo na escola eu encontrei esse casebre, que muito me chamou a atenção.
O tempo estava passando bem rápido, estava a tarde e apesar de eu estar embaixo da figueira, o sol ainda conseguia arder minha pele. Soltei um grunhido e Allan percebeu. – Quer entrar Natasha? – fiz um gesto afirmativo. Entramos e nos sentamos nos sofás fedidos e estragados.
- Estou aqui falando e falando, mas me veio uma pergunta. Antes de continuar, gostaria que me respondesse.
- Pode perguntar – O fitei intrigada.
- Porque o sol não há destrói?
- É por isso que meus cabelos são vermelhos, de alguma forma quando fui transformada, eu ganhei essa resistência, o sol chega a me incomodar, mas não me fere muito.
- Hum! Todos da ordem são assim?
- Não! Só eu e Kimberly. Agora chega de perguntas e continue.
- Tudo bem. –Quando entrei aqui e me sentei na área da frente. O meu estado de humor mudou. Parecia que alguém me dava energias. E de repente um gato negro surgiu, e eu o chamei. Pulou nos meus braços e eu o confortei. Fiquei refletindo, eu o invejava, vivendo entre os seres da noite, tudo o que eu mais queria. Visitei o seu bairro, e vi Christine mexendo o seu caldeirão, notei que eram verdade os boatos que diziam que lá era mágico. Também fui assustado por Kimberly. E fugindo de medo o gato me deu um chamado e eu voltei pra cá. O gato pulou em meus braços novamente – Allan então sorriu – e seu ronco batia em sincronismo com meu coração. Uma voz distante me fez deduzir seu nome. Willian! Foi então que tudo começou.
- O que aconteceu a partir daí? – eu perguntei muito curiosa.
- A policia me localizou e eu tive que voltar pra casa. Mas desde então comecei a visitar sempre a velha casa. O Willian se comunicava comigo através do gato, às vezes me mostravam imagens. – Quando ele falou das imagens, me fez arrepiar.Lembrei de quando eu e Christine viemos aqui. – Willian queria voltar à vida normal, então se sabe que Will é o gato negro. Em troca, Will me tornaria um verdadeiro bruxo, um mago das trevas. Como aquele dos desenhos e da minha imaginação. Então aceitei ajudá-lo. Ele me ensinou a arte das trevas e os dons das trevas. Então ele me pediu que fosse atrás de Eric.
- Porque o Eric? – ainda muito intrigada com toda a história.
- Eric estudava arqueologia, e descobriu no estagio um artefato mágico, que lhe concede a carnalidade. Ele pode sair de seu corpo e estar em outro ou voltar ao seu quando quiser. Mas ele nunca imaginou para que servisse, fez suas buscas, mas não surtiam resultados, então fez como um amuleto. Will havia pedido ajuda ao inferno, e o demônio havia lhe mostrado o artefato, mas lhe ensinado a ativar. Para isso Will teria que lhe ajudar, atrair Annie até a casa para que ele sugasse a energia do anjo e viesse para terra no corpo dela.
- No corpo dela! Então é por isso que ele tanto me odeia, eu desperdicei essa oportunidade dele. – Mas agora quer me ajudar, por quê? Pensei.
- E Will precisava de mim para isso. Numa festa brincamos com o copo, e criamos uma ponte com o demônio. E ele seguiu Annie, e a conduziu até aqui. Mas infelizmente John e Christine a salvaram. E eu tive que pensar em outro plano. Eu já estava me apavorando com tudo, o demônio chegava a me assustar inúmeras vezes, e Will já não era o mesmo. Tentei abandonar tudo, mas já estava muito tarde. Então Will me fez algumas revelações. Como de quem de fato o fez estar onde está.
Meus olhos brilharam, terei algumas revelações, sem mistérios dessa vez. O sol estava baixo, e a escuridão já tomava conta da sala.
- Ele me levou para um dos quartos do casebre. Lá ele passou entre minhas pernas e quando pisquei os olhos, eu já estava vendo uma realidade antiga. Will estava todo ensangüentado, batendo fortemente nessa casa, mas ela não era assim como está, estava conservada e bonita, com um belo quintal. A figueira ali atrás era uma mangueira cheia de frutos. Uma velha abriu a porta. ‘- Entre criança. Entre. ’ Ela havia dito para Will. ‘- O que teme meu caro rapaz?’ ela perguntou. ‘ - Umdemônio senhora, ele esta tentando me matar’. E naquele fim de tarde a velha curou seus ferimentos, ele estava ofegante. Ele queria falar mais do seu passado, mas ela o interrompia. Então o sentou numa cadeira. Will estava demasiadamente fraco para realizar qualquer ação. Ela lhe trouxe um chá afirmando que aquilo o melhoraria muito depressa. – ‘Eu enganei o amor da minha vida. Não me deixe morrer, preciso salva-la. ’ Ela afirmou com a cabeça e ele tomou o chá. A velha recitou alguns versos mágicos e trouxe uma faca. Will se assustou e temia o que viria acontecer, mas sentiu completamente sem forças, só seus olhos estavam lúcidos naquele momento. Ela cortou seus pulsos e tomou seu sangue. Aos poucos ela foi se tornando cada vez mais jovem, e ele foi morrendo, a medida que cada gota caia no chão ele morria e ela se tornava mais jovem. Quando o processo em fim estava completo ela disse: - “Você que agora vive em mim e que sua juventude e vida jamais terão novamente.” – Mas sua voz conseguiu quebrar parte do encanto, e ele pedia clemência, ela então viu um gato negro que por ali passava, então o aprisionou. ‘E que através dele, assim como eu, você viva para sempre. ’ Foram suas ultimas palavras antes de sair e o deixar.
- Uma velha se tornou jovem?
- É. Parece confuso e um pouco fantástico, mas foi assim que aconteceu, há muito tempo atrás. Então eu senti que Will precisava de ajuda, que assim como a minha vida, a dele também era muito trágica. Mas tudo seguiu um caminho diferente. Atraímos Annie, mas ela mais uma vez foi salva, e em seguida você a matou. Depois consegui trazer Eric, mas Haboryn se recusa ensinar Will, ao menos que eu lhe de um anjo.
- Terá que desistir disso tudo Allan. Porque se eu descobri-lo primeiro que você, matarei o protegido.
Allan me olhou friamente. Já havia anoitecido, e, quando percebi que sim, tratei de me levantar.
- A noite está chegando, e temo que daqui a pouco não possa mais ser você. Diga a Haboryn que ainda não tenho a resposta. Mas que estou pensando intensamente.
Então dei as costas a Allan e parti. Deixou ali na sala suja e misteriosa. Voltei para a mansão. Pensei em para lá em Christine, mas realmente não sei se possa mais confiar nela, foi como Haboryn me disse, eu confio nela, mas ela não confia em mim. Agora que está a noite, a neve está mais intensa. Tudo está embranquecendo, e essa visão me trás nostalgia de uma infância que eu nem tenho mais lembrança.
A mansão estava vazia, atravessei o hall e fui ao escritório de Silas. Dei dois toques e voz singela e pacificadora surgiu – Entre.
Dentro da sala estava Dãcan e Melissa, seus rostos não estavam muito felizes. – Vocês estão dispensados, quero conversar a sós com Natasha. – Eles passaram entre mim me ignorando e então eu sentei.
- Algum problema mi lord? – Comecei a ficar ansiosa.
- Não, mas creio que você tem um bom motivo para vim conversar comigo. Não é?
- Lord, estive hoje com Allan no casebre.
- Sim. Eu havia previsto isso – ele me interrompeu.
- Ele me contou muita coisa, os planos de Haboryn e de Will. Assim como nós estão à procura do protegido do anjo.
- Você tem alguma pista de quem possa ser? – Ele me olhou fixamente.
- Ainda não, sei que está próximo, e na escola onde Annie estudava, porque hoje de manhã ele surgiu através de Allan. E estão muito seguros que já tenham encontrado. Eu tenho quase certeza que Allan sabe quem é, só preciso segui-lo.
- Muito bem. Mas esqueceu um detalhe, Allan está sob o poder de Haboryn. Você terá que vigiá-lo, mas tomando muito cuidado para que Haboryn não perceba.
- Silas. Haboryn me fez uma proposta. – Silas me olhou intrigado. – Ele me disse que pode destruir o anjo, assim não terá ninguém para ele proteger, assim não terá nenhuma ameaça.
- Mas que tola Natasha. Deixe de ser ingênua, se ele destruir o anjo ele vem para esse mundo. E então o mal será pior, você acha que o Poderoso se contentará assim, mandará novos anjos, e saberá de nossas intromissões. Então tudo estará perdido.
Ele realmente estava com a razão. Pedi licença e segui para o meu quarto.



Cap. 14 –

Dois dias se passaram, resolvi me isolar em meu quarto. Eu sei que parece um pouco entediante passar dois dias apenas refletindo. Ainda mais para mim que não preciso dormir. Mas pelo menos esses últimos dois dias foram meus dias de paz. Não fui atrás do anjo, mesmo sabendo que tenho que encontrá-lo. Nem tive noticias do demônio, mesmo sabendo que tenho que lhe dar uma resposta. Allan me tocou muito com toda sua história, desde que me tornei vampira, eu não tive outra vida a não ser caçar, matar, me divertir com as presas. Sempre egoísta demais, mesquinha demais. Nesses últimos dois dias me fez ver quem eu realmente sou. E eu que aconteceu com minha vida, eu costumava ser tão serena, eu era a ruiva que cuidava de seu marido santo. Comecei a sorrir, eu costumava me questionar o tempo todo com as questões da vida, eu sempre achei que não merecia o homem que eu tinha. O trai e ganhei o dom da vida eterna. A neve ainda caia do céu, estava tudo tão branquinho, as pessoas estavam se vestindo bem, agora devia ser umas quinze horas, olhando aqui da janela, vejo pessoas saindo de suas mansões, de suas casas nos bairros vizinhos. Uma vida tão normal e patética, uma vida que já foi minha e que eu repudiei em troca de um grande amor assassinado. Silas! Grande Silas foi quem me salvou e me deu o dom. Não sei se devo saudá-lo ou amaldiçoá-lo, se eu estive com minha vida medíocre, eu estaria bem, tudo estaria em paz, cuidaria de problemas que hoje são meros caprichos comparados aos que tenho que passar. Provavelmente teria um filho, não, uma filha, chamaria Meg, eu gostaria que ela fosse como Mellody, tão doce e esperta.
Allan. Volta e meia ele ronda meus pensamentos, será que está pensando em mim como penso nele. Pobre rapaz, usado pelos desígnios do mal, aprendeu a arte negra e agora está preso com o demônio. Aquela vez o ser me disse que Allan está só sendo usado, se eu puder fazê-lo enxergar o mal que está fazendo e se juntar a mim, então todo meu trabalho estaria resolvido. Ele me contaria onde está o anjo e eu mataria o seu protegido.
Bateram na porta, observei atentamente logo após dizer entra. Kimberly adentrou meu quarto e veio até mim.
- Ainda está presa a este quarto Natasha? Conta-me o que está acontecendo.
Sorri. – Não há nada. Só estou armando planos para encontrar o maldito anjo.
- Não quer ajuda. Ou já chegou a alguma conclusão? –  Sua voz saiu tão doce.
- Cheguei sim. Lembra de Allan?
- Sim. O Gótico.
- Esse mesmo. Há alguns dias atrás eu estive com ele. Na primeira vez ele estava possuído, Haboryn habitava sua matéria e me fez algumas propostas. Mas já descartei essas idéias, Silas me fez abrir os olhos. Na outra vez, Allan estava tão sereno, nem parecia o mesmo gótico que conhecemos naquela noite. E ele me contou tudo que aconteceu.
- E? – Ela perguntou curiosa.
- Ele é só mais uma peça, tá sendo usado para fazer o mal. E receio que eles estão mais próximos na minha investigação do que a mim mesma.
- E porque não os segue? – Perguntou sugestiva.
- Talvez porque Allan carrega consigo um demônio, e certamente saberia que eu estava o seguindo.
- Não se você pudesse bloquear essa ação demoníaca. – Seu rosto pareceu tão malicioso.
- O que quer dizer? – Perguntei intrigada.
- Não precisa fingir. Dãcan me procurou esses dias. Eu sei que você sabe que estou estudando magia.
- Alias muito bem lembrado. Que história é essa?
- Não é hora para isso Natasha. Não perca o foco. Eu sei como fazer que o demônio nem sequer descubra que você está bem próximo as costas dele.
- Uma fórmula. Ou algo do tipo?
- Quase isso – ela sorriu – Um talismã.
Kimberly retirou de seu pescoço uma corrente de ouro e um pingente de dente.
- Use-o. Isso bloqueará essa percepção de Haboryn.
Kimberly levantou-se e partiu. Deixou-me ali sem mais explicações. Agora teoricamente tenho um aval para perseguir Allan. O nome desse garoto está se tornando tão nostálgico. Agora não restava outra saída a não ser buscar respostas com Christine.
Tomei um banho rápido. Passando o sabonete, fiquei com meus pensamentos em Allan. Cheguei até ter alguns pensamentos pervertidos, me repreendi, preferia pensar em Derick dessa maneira. Ao sair do banheiro e adentrar o quarto, uma rajada de vento fez com que a janela abrisse e neve adentrasse. Corri e a tranquei. Senti por alguns instantes a presença de Christine, mas ignorei ao fechá-la.
- Esse é o amuleto feito por Kimberly? – A voz sabia de Christine se materializou logo atrás de mim.
Ao me virar, e rapidamente me cobrir com a toalha, eu vi que Christine sentará na cama e analisava o meu talismã em suas próprias mãos. Na hora passei a mão em meu pescoço e não o senti. Um sentimento horrível tomou conta do meu ser, me fez ter medo. Olhei-a apavorada.
- Contenha-se Natasha. Sou eu. Seria pior se fosse você sabe quem. – Sua voz sabia cortou minha fala.
Sentei na cama ainda recuperando.
- Anda muito assustada. Tem alguma coisa que queria falar?
Respirei profundamente e a encarei.
- Eu estava pensando em você agorinha mesmo! – Minha voz saiu um tanto alterada.
- Eu sei. Por isso estou aqui. Faz algum tempo que não há ouvia pensar em mim. Desistiu de meus conselhos, logo depois de tantos anos vampira.
- Não é isso Christine. Eu só estava em meu quarto refletindo. – Tentei equilibrar minha voz, para sair serena.
- Há quem você quer enganar? Será que não sabe que sei o que se passa nessa sua cabecinha desde que era uma criança.
- São os seus mistérios Christine. Sempre que procuro você, só volto com mais mistérios, e nada de soluções. – Agora eu estava perdendo o controle.
- Criança. Meus mistérios lhe ajudaram a pensar em solucionar vários outros mistérios que o cercam. Consegue ver? – Sua voz serena.
Realmente havia muitas coisas que estavam solucionando, mas atribuía isso a vinda do Anjo e do Demônio em minha vida.
- Eu não tenho certeza se vieram mesmo de você essas soluções.
- Nunca foi de duvidar de mim, esteve de encontro com o demônio minha filha?
- Talvez eu tenha tido, mas não é por isso Christine. Quantos segredos você ainda carrega se recusa a me dizer?
- Sim criança. A muitos segredos, que eu só poderei revelar quando chegar o momento certo.
Sentei cansada dessa batalha. Ofeguei e a encarei. Christine estava com o mesmo olhar e a mesma expressão, como conseguia ter tanta paciência e mansidão.
- Eu estava me aprontando para ir atrás de você.
- Sim minha filha. Continue.
- Estive com Allan, com Haboryn e agora a pouco com Kimberly. São tantas questões, tantas informações, que eu precisava desabafar com alguém. Com você.
- Há uns dias atrás fui até a escola onde Allan estuda. Ele estava com uma aparência pesada, e depois de uma grande ventania. Haboryn tomou seu corpo e me fez uma proposta. Ele quer que eu não mate o protegido do anjo, quer que eu me junte a ele e ganhe mais poder.
- E o que ele ganha com isso? – Christine perguntou séria.
- Eu também não sei.
- Então não seja ingênua menina. Algo de você ele terá mais tarde. Mas em uma coisa eu concordo com esse demônio. Você não tem que matá-lo.
- É preciso. Senão haverá guerras e destruição. Por causa de uma criança com promessas. Por favor, Christine, até você que é tão sabia tem que reconhecer os planos de Silas.
- Natasha. – Ela estava mais séria. – Silas é um inimigo da ordem. Se ele teme uma guerra é porque suas visões já lhe mostraram a morte. Assim como mostraram para mim a morte dele. Esse protegido está nos planos do Supremo, sendo assim, só tem coisas boas para trazer a nós.
- E se a coisa boa a trazer não é a nossa morte?
- Se for. Temos que aceitar o fardo. Se essa é a vontade Dele. Temos que acatar. E outra. Se Haboryn o quer vivo, o que pode significar?
- Sim. Um demônio não estaria do lado do bem. – Agora fiquei mais confusa. Christine realmente me deixa mais mistérios, mas em compensação me faz ver ângulos que eu não enxergava.
- Não concorda.
- Sim. Mesmo que eu tenha que deixá-lo vivo, eu preciso saber quem é. Alias a mais coisas que queria descobrir com você.
- Estou aqui para isso.
Respirei fundo e comecei.
- Allan me contou outro dia que Will queria proteger o amor da sua vida. Pareciam estar sendo perseguidos pelo demônio. E numa casa, na verdade a casa da esquina ele encontrou uma velha que o curou e depois sugou sua juventude e o prendeu no gato.
Christinederramou lagrimas no lençol. Eu a fitei. Agora estava fazendo sentido. A velha que sugou a vida. Ou seja, uma velha bruxa.
- Foi você? – Perguntei ainda tentando entender. Senti um grande choque. Christine quem sempre esteve comigo, conhecia tanta coisa que estava a minha volta. E jamais nem sequer ousou me falar.
Naquela época você ainda era jovem Natasha. Estava casada. Fui pouco antes de você despertar para eternidade. Haboryn já rondava por Gander a procura do homem santo que era protegido por um anjo. Will era um forasteiro em nossas terras. Veio sendo usado por Haboryn para seduzir a dama e então fazer o santo pecar. Contudo quando ele havia conseguido. Só lhe restava à morte, o demônio não precisava mais dele em Terra. Will havia apaixonado pela dama e fugindo com ela das garras do mal, encontrou outra tribo maléfica. Sua dama havia se ferido e ele teve que correr para depois vim salva-la. Minha casa estava bem próxima, e todos sempre me conheceram por ser curandeira. Ele então me procurou para lhe curar e curar a sua esposa. Eu estava velha demais, precisava recuperar minha juventude. As fadas haviam me ensinado um feitiço do glamour, que sempre me deixaria jovem. Mas em compensação um ser humano seria sacrificado. Isso me igualava a John, e me fazia sentir tudo que ele sentia quando tinha que matar para sobreviver. Mas eu pecava mais, eu matava por estética, e por tabela também sobrevivência.
- Você foi egoísta! – Gritei a frase. Eu estava enraivecida, parecia que muitas de minhas qualidades humanas estavam aflorando.
- Não se esqueça do que você é. Vampira! – a ultima palavra entrou rasgando meus ouvidos. Tive que me conter, eu fui recuperando a minha identidade, afinal, mato por diversão, o que me faz diferente dela. Lembrei de Melissa, agora vejo que se parecem.
- Eu sei que fui muito egoísta. Mas eu amo a vida imortal. E Willian era só um forasteiro, talvez um desgraçado, já que fui usado pelo demônio. Então lentamente fui roubando sua vida e sua juventude. Mas perto do fim, ele me disse que queria salvar sua amada, então eu vi que seu coração podia amar. Então lhe dei a chance de viver como um gato, só que não sabia que sua alma ficaria presa na minha antiga casa. Ele então não pode sair dali, e jamais soubera o que aconteceu com sua amada.
- Isso foi cruel – comecei a rir.
- Não teve graça Natasha. Eu condenei um jovem a uma prisão eterna.
- Então naquele dia, que invadimos a casa, o ser falava de você. Era Will. Ele dizia que a amava e que você era má.
- Sim. – lagrimas escorreram ainda mais. – ele estava certo, Natasha, eu fui má e egoísta.
- E porque você só não desfaz o feitiço?
- Se fosse assim tão fácil. Vai alem de minha sabedoria. E as fadas não querem me ajudar, elas dizem que eu mudei o poder dessa magia. Agora ninguém sabe que fluxo irá tomar.
- Então Haboryn surgiu na vida dele? – Perguntei já entendendo como tudo começou.
- Sim. Haboryn surgiu e lhe prometeu sair dali. Mas ele queria primeiro encontrar um anjo. Will então conheceu Allan e então acredito que você já conheça toda a história.
- Sim. Will usou Allan para achar Annie e entregar a Haboryn para que Haboryn sugasse a energia do anjo e viesse a esse mundo e trouxesse consigo Allan.
- Exatamente. Mas o que você ainda não sabe é com quem está o anjo.
Intriguei e a fitei colocando minha cabeça de lado.
- O que quer dizer? Você sabe onde está?
- Tem certeza que depois de tudo que você soube, ainda não conseguiu descobrir?
- Seja prática! – Gritei batendo as mãos no colchão.
Christine sorriu.
- Natasha. Minha ingênua vampira. O Anjo protege Allan!
Meus olhos arregalaram. A notícia desceu rasgando.
- Estou muito surpresa. Como eu não havia percebido, ele quer Allan, não para encontrar o anjo, era para estar com anjo. E ele não me disse que estava com Allan porque eu disse que mataria o protegido. É por isso que hora Allan está sereno, ora possuído.
‘Que Haboryn, como você sabe é um demônio, mas existem momentos em que ele pode me tornar um hospedeiro, se assim eu posso-me auto-chamar. ’
Pensei. Agora entendo o que quer dizer. Tem mais.
Eu travo uma luta constante entre o bem e o mal em meu coração, em minha vida, às vezes sinto que não vou agüentar.
- A batalha que ele disse travar é entre Adriel e Haboryn. Que tola eu fui.
Christine tomou minha atenção tossindo.
- Agora não tenho mais porque estar aqui. Já vou indo Natasha.

Olhei-a inexpressiva e sem palavras. Christine levantou e me entregou o talismã. Depois abriu a janela e desapareceu. Permaneci estática em meu quarto. Acho que agora eu já sei o que fazer.

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