Cap 30
Olhei
fixamente para o casebre que tanto me intrigou nos últimos tempos. Eu sentia
que era ali que partirá todo o meu passado que era ali que eu descobriria todos
os segredos. Adentrei temerosa sobre o que eu poderia encontrar. Olhei a casa
pelo lado externo e voltei minha atenção para figueira. Uma pessoa estava lá,
sob um capuz negro, pequena demais para ser Allan, me aproximei vagamente e a
toquei.
-
Mel – Falei assustada.
-
Oi Meg. – Ela sorriu.
Eu
estava abismada, o que Melody fazia ali? E ela parece tão à vontade, há quanto
tempo está junto a eles? Estou surpresa.
Ela
levantou.
-
Vamos Meg. Pra dentro, a neve já vai chegar. – Ela dizia num tom tão inocente,
que chegava a me assustar. E eu ainda estava perplexa. A acompanhei para dentro
do casebre.
Entramos
pela cozinha, um balde de água estava sobre a pia disfuncional. Mel ligara o
fogão à lenha e havia duas cadeiras próximas, uma ela estava sentada, na outra
tocava com as mãos para eu sentar.
-
Mel. Porque está aqui? Seus pais sabem?
-
Porque tantas perguntas? – Ela sorria. O lindo sorriso de uma adolescente que
ela é.
-
Aqui não é pra você. Eles são pessoas más.
-
Acha que não os conheço Meg. A conheço a tanto tempo quanto você, acho que até
mais.
-
O que quer dizer? – Perguntei intrigada.
-
Existem tantos mistérios. Mas chegará a hora que você saberá de tudo. Mas por
enquanto coma, estou preparando uma sopa para nós.
Um
vento frio fez a porta bater e quase apagar o fogo.
-
Óh! Com licença. Deixe-me fechar a porta. – Ela disse se apressando para fechá-la.
Falava como uma senhora de idade.
-
Quantos anos tem Mel?
-
Tenho 12, amanhã a meia noite e uma eu completarei meus treze anos e enfim
estarei pronta. Tenho que me alimentar até lá e preparar meu corpo para
receber.
Suas
ultimas palavras me atingiram como faca, me fez pensar que talvez ela fosse o
receptáculo de Haboryn. Temi ao pensar assim.
-
Receber o que? – Mais que depressa eu perguntei.
-
Sou uma bruxa Meg, uma jovem bruxa, e aos trezes anos começa minha iniciação.
Allan prometeu me tornar tão poderosa quanto ele.
-
Mel. Está tarde, seus pais devem estar te procurando. – Tentei trazê-la a esse
mundo, ela parecia aérea demais.
-
Não se preocupe, Haboryn me disse que eles estão doentes, num hospital. – a
ultima palavra me lembrou de Eric, a enfermeira loira que ele dizia poderia ser
muito bem a mãe de Mel.
-
Temos que ir.
-
Não. Não temos! – Ela alterou a voz, e seus cabelos esvoaçaram.
-
Melody. Controle-se.
-
Quem é você? Você invade o templo, é acolhida e ainda quer dar-me ordens. – a
casa parecia ranger.
-
Acalme-se – Comecei a temê-la.
Ela
sentou-se próxima ao fogo.
-
Já está quase pronto. – Ela sorriu novamente.
-
Mel. Não confie neles, só querem usar-te. Sabe desse dom que tu tens. Mas terá
que saber como usar, em que lado deve usar.
-
Já chega Meg. Não quero ouvir mais nenhuma palavra.
-
Você a ouviu Natasha. – A voz máscula de Allan adentrará a porta.
-
Allan. – Sussurrei seu nome, ele parecia tão bem.
-
Está pronto Allan. O que devo fazer agora? – Mel perguntou entusiasmada.
Ele
a olhou por uns instantes; parecia orgulhoso. – Beba e depois de a árvore. –
Ela fez o que ele pedirá e saiu satisfeita.
-
Porque ela Allan? – Perguntei revoltada.
-
Ela procurou a mim. Ela tem o chamado em suas veias, é uma bruxa nata.
-
Mesmo assim, isso não lhe da o direito de condená-la assim. Ela é como um anjo
e você a entrega de bandeja ao demônio.
-
A vida não é justa. Algumas pessoas cometem erros às vezes até sem saber. Tenho
que certeza que compreende. – Ele piscou os olhos pra mim.
-
Não, eu não compreendo. Você estava tão sereno, então nessas ultimas vezes que
nos vimos você se tornou outra pessoa. Cadê o Allan que queria se libertar,
salvar quem ele mesmo condenou?
-
Ele não existe mesmo. E você também vai deixar de existir Natasha. Daqui uns
dias só serei eu e Will e Haboryn.
-
E isso é atrativo pra você? Ver todas as pessoas que amou sendo condenadas e
mortas. Eu já passei por isso, mas não tive uma escolha, mas você tem. E está
fazendo a pior. Christine é uma bruxa, tem poderes como os que você anseia, e
ela não vendeu a alma a ninguém pra conseguir, ela poderia te ensinar.
Ele
gargalhou – Você não sabe nem a metade sobre ela.
-
Então me conta. Porque todo mundo só me enche de mistérios, mas ninguém se
submete a contar-me.
-
Vai embora Natasha. As coisas por aqui ficarão ainda mais negras.
-
Eu não irei sem você. Venha comigo e traga Mel.
-
E seremos uma família feliz – Ele zombou.
-
Para de ser infantil Allan. Você já viu o quanto de gente você esta colocando
em risco, quantas pessoas você prejudicou.
-
Do que está falando vampira. Quantas pessoas você matou! E não me venha dizer
que foi para sobreviver, porque nós dois sabemos que não.
-
Mas era uma situação diferente.
-
Para você tudo isso é diferente. Mas já se perguntou se pra mim é? Porque não
é. Eu respirava anjos e demônios Natasha. Eu sempre quis estar entre eles, e
agora estou. Você não vai me tirar daqui.
As
madeiras da casa parecem ranger com mais força, as chamas da fogueira começaram
a ficar sem direção e meus cabelos começaram a esvoaçar, como se tivessem
aberto a porta e deixado entrar todo o vento gélido dessa noite de neve.
-
Allan. Pare, esta me assustando – Eu dizia enquanto um leve sorriso lhe tomava
a face.
Alguns
móveis tremiam, as facas tintilavam. Quando de repente as chamas se extinguiram
e junto à imagem de Allan. Apenas seus olhos negros brilhavam naquela escuridão
e meus cabelos que estavam vermelho sangue.
-
Como sempre Natasha. Está na hora e no lugar errado. – A voz com cordas duplas
tomaram a acústica do ambiente.
-
Haboryn – Sussurrei temendo o seu nome.
-
Mais uma vez face a face minha doce cavaleira.
-
Por favor, Haboryn. Cesse seus planos, retorne ao seu mundo, vamos impedir tudo
o que esta se transformando.
-
Nessa guerra. Como seu mestre louco previu?
-
Haboryn.
-
Não temas Natasha. Junte-se a mim, ainda há tempo. Olhe o que fiz com Allan, o
tornei poderoso, dei a ele o que ele sempre quis.
-
Mas a troco de que? Você lhe tirou o que ele mais tinha de valor. Sua alma.
-
A glória é na Terra, e isso ele possuiu.
-
E você fez tudo por causa de uma vingança.
-
Não é só isso Natasha. Possuo muitas mentes, e elas trabalham em conjunto,
talvez seja perplexo demais para que entenda. Mas a vingança não é a única que
me motiva e nunca será um único motivo para qualquer demônio.
-
Quando me tornei vampira, eu prometi que nada mais me importaria; que eu
passaria a minha eternidade sem mais me apegar a ninguém me tornei frio e o
sofrimento nem mais existia. Mas Annie trouxe com ela todo o meu passado que
ainda está num véu, trouxe o anjo que trouxe sentimentos novamente, me fez
apegar com varias pessoas e me tornou humana e patética novamente. Tudo que eu
temia a mais de um século retornou abalando as minhas estruturas.
-
Não precisa ser assim – Suas cordas duplas por alguns instantes pareciam me
fazer arrepiar. – Siga a mim e terá uma vida de glórias e sem sofrimentos.
Aliviarei seu fardo, será melhor do que a Natasha, e, Meg será uma pagina
definitivamente virada.
Suas
palavras me entorpeceram por uns instantes, mas por mais que eu desejo a vida
que ele me propunha, o anjo parecia ser mais atrativo que ele. Um clarão
iluminou o casebre. Meu corpo queimou e eu então soube quem é. Fiquei dentro da
casa e observei pela janela. Allan/Haboryn saiu da casa. O gato negro correu
pelas minhas pernas e saltou na janela. Assim como eu ele quis observar o que
aconteceria. Já estava quase no momento em que Mel completará seus trezes anos
e o Cristo seus dois mil e nove anos.
O
clarão ganha forma, se torna o anjo, mas seu brilho não está mais tão intenso,
o sinto muito enfraquecido. Mas o pouco da sua luz faz as sombras recuarem,
nesse momento eu percebi que Allan mostrava mais sombras que uma pessoa comum.
Procurei por Melody, mas não a encontrei.
-
Allan. Abandone as trevas e una-se a luz. Pois nela você encontrará a
verdadeira paz, a verdade e a vida.
-
Por quanto tempo. Eu ouvirei o chamado novamente e meu sangue vai ferver para
vasculhar o oculto. – Sua voz retornará. Tive certeza que é o Allan e não
Haboryn.
-
Confie no Único Acima, ele ajudará você a controlar seus desejos, e com o
passar do tempo eles não mais persistirão e você então obterá a vitória.
-
O que está acima é semelhante ao que está embaixo. O que faz mal não é quem eu
siga, mas sim minhas atitudes.
-
E quem você segue não lhe faz fazer coisas ruins? – O anjo estava tentando ser
calmo, mas era visível sua apreensão.
-
Isso não interessa mais. Alias, eu nem sei porque ainda se importa. A minha
alma pertence à Haboryn.
A
luz do anjo se tornou menor, e sua expressão tomou uma forma irada. A palavra
Haboryn parecia cravar-lhe com muita dor.
-
Todo aquele que se arrepender de seus pecados e dizer que o maior de todos é o
Único Acima. Então ele será salvo.
-
Já chega! – Allan gritou e uma ventania tomou conta, retirou muita neve que se
acumulou rente ao muro.
-
Eu não lutarei contra você Allan. És meu protegido.
As
sombras em volta de Allan pareceram ganhar vida própria, moviam de um lado para
outro. Sua expressão se tornou ilegível.
-
Meu protegido? – Ele surrou ainda perplexo.
-
Estava nos planos do Único Acima. Você tem uma grande missão, como Annie teve,
mas foi perdida por causa de quem você segue.
-
E porque ele me escondeu isso.
-
Porque é o que ele mais sabe fazer. Iludir, mentir. Ele só te usou, como faz
com todos, e você sabe do que eu estou dizendo.
As
sombras pareciam lutar para não desprender do corpo de Allan.
-
Está mentindo pra mim. – Ele disse olhando para o chão.
-
Allan. Olhe para mim, sou um anjo. Realmente acredita que eu esteja mentindo?
-
Porque Haboryn? Por quê? Estava-se comigo, porque pediu para que eu procurasse?
Porque pediu para Natasha ajuda-lo? Você me destruirá?
-
Ele esta aqui Allan. Mas não se manifesta, é covarde. Ele usou a todos como
instrumento de sua vingança.
-
Ele me fez forte, ele me deu poderes.
-
Ele despertou seus poderes. Mas de outra forma você cederia?
Allan
tampou seus ouvidos, e seus olhos nos mostravam que ele travava uma batalha
interna e Haboryn parecia persuadi-lo.
-
Renuncia-te o mal e segue a Luz Allan. – Adriel gritava.
As
sombras pareciam-no puxar de um canto para outro, ora pareciam querer
desprender-se e sair correndo, ora parecia lutar para continuar com ele.
-
Eu não tenho nada mais a perder. Minha alma é dele, não quero viver uma vida
patética freqüentando lugares tediosos.
-
O que está dizendo. Precisa reconhecer a verdadeira glória.
-
A minha verdadeira glória é aquela por qual eu lutei e enfim alcancei. Se suas
atitudes são ou não más. Não me importam mais, quero lutar ao lado de quem me
deu esses poderes, não de quem me abandonará e agora quando tudo está perdido
Ele vem querendo me ajudar. Agora é tarde. Diga a Ele anjo, que já me perdeu. –
As sombras agora estabilizaram, Haboryn venceu o confronto interno e esta a um
passo de vencer a luz e vim a Terra. E eu, estou aqui impotente, sem nem torcer
por um lado, esperando a decisão final nesse camarote de horrores.
-
Se essa é a sua decisão. Muito me entristece não me resta mais escolha.
-
O que vai fazer. Matar-me?
-
As coisas comigo são claras, não a nada oculto que eu não possa revelar-lhe.
-
Estou todo ouvidos anjo.
-
Eu tenho duas vertentes. Ou permito-me ser derrotado e o mal encarna em Terra.
Ou eu esforço-me para vencer a batalha e matar-te.
Adriel
o olhou entristecido. E Allan lhe retribuiu com um sorriso.
-
Se só tem essa escolha. Receio que tome logo uma decisão. Porque para mim só
existe uma vertente. Derrotar-te! – As sombras se exalaram e começaram a tomar
conta de todo solo. O anjo fecha os olhos e sua luz parece expandir, o casebre
se divide entre luz e trevas. Will caminha pela janela de um lado para o outro.
E eu temo ser vista por Adriel e toda minha mascara cair. E Mel, aonde ela
esta?
Cap. 31
O
anjo foi enfraquecendo, parecia não receber mais a luz da fonte, as trevas aos
poucos foram lhe retirando a luz, até que ela localizasse apenas em volta dele.
Suas asas bateram e ele fez vôo. Parou a um metro do chão. As sombras sobre a
terra alcançaram a sombra projetada do anjo e o pegou. Estava nítido que a
energia dele estava sendo sugada e ele sabia disso. Ele podia sentir, seu corpo
projetava alguns espasmos. Allan sorria e parecia estar a cada minuto mais
potente. Num segundo seguinte o anjo cai no solo enfraquecido, parecia não agüentar
mais, sua vitalidade era nitidamente enfraquecida, sua luz quase não existia, e
suas asas estavam manchadas. Ele levantou enfraquecido e foi para trás da casa.
-
Se escondendo anjo. Achei que isso seria mais divertido – Allan zombava. – É
por isso que caíra, pelo seu próprio protegido perderá sua luz.
Allan
vai atrás do anjo e num segundo seguinte é arremessado até onde estava. O anjo
aparece com mais brilho.
-
Não fugirei mais. E nem tenho mais escolha senão matar-te.
Ele
gargalhou. E depois pareceu zonzear. O anjo o olhava fixo. Allan tentou mover
os braços, mas se sentiu prezo.
-
Solte-me anjo maldito.
Allan
gritara, e seu grito ensurdecia a mim, as sombras a sua volta balançavam em
varias direções. Os cabelos do anjo esvoaçavam e seus olhos pratas estavam
fixos e sedutores. Suas asas bateram e uma poderosa corrente de ar atingiu
Allan que fora arremessado contra a figueira. Notei que suas sombras ainda
estavam ligadas, e o anjo mostrava o nítido cansaço.
Allan
levantou passando o dorso da mão na testa e sorrindo. O vento do anjo deixou um
rastro de terra amostra, a neve fora arremessada também. Uma ventania voltará,
mas esta era pesada, carregada de magia negra, a neve se intensificara.
-
Anjo! Limito-te com meu poder, que é negro como esta noite. Conjuro tua energia
e liberto meu mentor. A sua fraqueza será a liberdade. – Allan proferia as
palavras enquanto suas mãos faziam gestos chamativos. O anjo tentou voar, mas
seus pés estavam presos ao chão, ou as sombras.
-
A luz que habita em mim se intensificará, seu poder negro será banalizado e se não
vos arrependerdes irá ao submundo com seu mentor.
-
Ainda não conseguiu aceitar. Por que de nada mais pode fazer, preso em meu
encanto e perto de morrer.
-
Escolheu o caminho errado e tem um preço a pagar, como o anjo que lhe protegeu,
é meu esse dever. Vou ter que lhe ensinar.
Da
cintura do anjo uma bainha apareceu, sua mão esquerda foi tão rápida, retirou a
espada e cortou o elo com as sombras. Suas asas bateram e o anjo voou. Allan
arfou e desejou voar, o anjo desceu empunhando sua espada na direção de Allan.
Quando se aproximou, Allan mergulhou nas trevas e apareceu atrás com um corte
no braço.
-
Anjo maldito. – Allan vociferou. As sombras “enlouqueceram”, pareciam ganhar
vida própria. Apressaram a alcançar o anjo e o pegou por costas. Suas sombras
seguraram-lhe os braços e pernas. Mas o anjo permanecia firme segurando a
espada.
Uma
densa neblina cai sobre o casebre, à neve cessa. Um silêncio absoluto se
instala. Will estava apreensivo e eu o toquei.
“-
Sabe Will, desde a primeira vez que eu o vi, naquela época, quando usamos,
achei que você só era mais um idiota como Allan está sendo. Mas descobri a
poucos dias que não, você conseguiu cumprir sua promessa, naquela vez e dessa
vez, então ganhará sua alma novamente. Só precisamos passar pela ultima
tarefa.”
Era
a voz de Haboryn. Então eu soube que Will precisa que tudo ocorra como nos
planos, assim ele terá sua vida novamente. Percebi mais claramente que tudo não
passava de um jogo de interesses. Haboryn querendo se vingar por ter perdido
sua alma, Will querendo sua alma de volta e Allan querendo os seus tão
preciosos poderes.
-
Will. – Sussurrei – Confia mesmo em Haboryn? – O toquei. Seus olhos amarelos
fixaram nos meus e pude ouvir o que diziam.
-
Eu não tenho escolha. E confiança é como um espelho quebrado. Pode até
consertar, mas você sempre verá a rachadura no reflexo. Confiei em Christine e
ela me traiu, corri até ela com toda a força da minha esperança e ela foi
egoísta, lançou um feitiço que me tornou o que sou.
-
Mas ela te deu essa ultima esperança.
-
Ela não sacrificaria a sua juventude para tirar-me da condição. Haboryn me deu
essa escolha.
-
Entendo.
-
Mas me admiro você. Tão linda, tu eras tão invejada, e mesmo após abandonar
tudo está aqui, numa batalha que não é sua.
-
Porque disse tudo isso? O que sabe sobre meu passado.
-
Só sei que você foi amada, muito amada. Os homens a rodeavam, as mulheres lhe
invejavam. E por causa de um homem, você perdeu tudo e hoje esta aqui.
-
Por favor, conte-me mais? Quem era este homem, como ele era? – Eu estava
apreensiva, alguém estava finalmente me contando tudo que eu apaguei de minha
mente por algum motivo.
-
Desculpa Natasha. Mas eu realmente não posso. Você fez uma escolha. Quando
mudou seu nome de Meg para Natasha, você escolheu apagar seu passado. Então é
você quem deve encontrá-lo agora.
Uma
fúria cresceu em mim, meus cabelos em “chamas”, me fez lembrar quem eu
realmente sou. Minhas mãos coçaram para estrangular o gato a minha frente, mas
um barulho me fez despertar.
Adriel
tenta golpear Allan com uma energia, mas ele mergulha nas sombras, o ataque
atingiu a figueira e uma voz doce é ouvida. Quando olhei, eis que vi Melody,
sim, a doce Melody, envolto em sua capa negra.
-
Melody – Sussurrou o anjo ainda sem acreditar.
Em
seus dedos estavam diversos anéis, e das pontas saiam sombras que se uniam as
que envolviam Allan. Um círculo traçado em sua volta com pedras e símbolos na
terra.
“Se Haboryn está, lá eu não poderei.”
Adriel
me disse isso uma vez, então se Allan está batalhando com Adriel e Haboryn não
esta com ele, só poderia estar ali junto a Melody no circulo magico. Ela
gargalhava, e suas mãos balançavam freneticamente e as sombras em volta de
Allan vociferavam também. Ali estava o controle, é ela quem estava fazendo a
ação.
-
Descobriu minha identidade Adriel – A voz de Melody saiu ao mesmo tempo
feminina e masculina, usou cordas duplas. Então eu soube quem estava lá.
-
Haboryn! Saia! Volte pro seu lugar Maldito! – Vociferou Adriel.
Ele
gargalhou incessantemente.
-
Acha mesmo que no auge da sua derrota, eu iria terminar, contudo e voltar com
uma mão atrás da outra. Achou?
-
Volte Haboryn. Antes de tudo se tornar pior. Seu sofrimento será maior demônio.
-
Quando eu alcançar este mundo, e completar minha vingança, os iluminados cairão
como um dia eu caí. E meu exercito será maior que o exercito dos céus, e então
o mestre entrará em Ascensão.
-
Tolo. Não aprendeu nada. O Único Acima jamais permitira tal moléstia.
-
Veremos Adriel maldito. Veremos.
O
circulo ardeu em chamas e a terra por um instante pareceu tremer. O anjo voou a
alguns centímetros do chão. Apagou sua luz porque sabia que quanto mais luz
mais trevas, e então as sombras lhe pegariam.
Adriel
estava entre duas pessoas que muito amou. Allan e Melody. Por algum tempo ele
ficou inerte ao ar, ainda desacreditado de tudo, numa situação onde tem que
enfrentar duas pessoas que muito amou.
O
nevoeiro se fez ainda mais denso, dificultando a visão, tive que forçá-la para
enxergar melhor. O anjo sofreu um golpe mágico e caiu ao chão, soltando um urro
desesperador. Melody sorri timidamente e juntas suas sombras ao do anjo, e toda
a sua energia começa a ser sugada. Ele fazia movimentos bruscos, seu corpo
ainda lutava contra o mal. Mas era tarde, Allan, Melody e Haboryn o venceram.
-
Toda sua energia anjo. Maldito anjo. Já começo a sentir um corpo físico, este
mundo finalmente será meu. – Melody vociferava em suas cordas duplas.
Will
caminhava de um lado para o outro. Também estava feliz, afinal, ele conseguiria
seu corpo novamente.
Eu
por um lado, entristeci com toda a cena, apesar de ver todos felizes, eu não
conseguia estar. Allan perderia seu corpo, Melody se tornará do mal e Adriel
deixaria de existir para sempre. E suas convulsões ao chão me davam náuseas.
Então é assim que tudo termina, agora não terei mais busca e não terei mais
nada. Minha vida voltara ao normal, se resumirá em caçar e sexo. Acho que no
final minha única escolha será Haboryn.
Um
silencio se fez por alguns instantes, o céu parecia estar em luto. A névoa aos
poucos foi cessando. Melody/Haboryn olhou desconfiado, parecia temer o pior. As
sombras se separam de repente e brusco. Um trovão em frente a casa revela a
presença tenebrosa de Christine. A luz do raio iluminou seu corpo atrás e projetou
uma sombra medonha.
Melody/Haboryn
gargalha de felicidade ao vê-la.
-
Olá Haboryn. – Ela vocifera.
-
Que coragem Christine. Vir ao covil de seu mais poderoso inimigo.
-
Você é tão presunçoso demônio. Acha mesmo que é tão forte?
O
circulo em volta de Melody estava em chamas. E os trovões anunciavam
tempestade.
-
Como é esperta. – Haboryn disse calmamente.
-
Sem bla-bla-bla. Solte o anjo e volte ao inferno. Essa sua vingança idiota já
esta mais que na hora de terminar.
-
Vingança idiota. – Ele riu bem forte – Você não sabe a importância de uma alma.
-
E continuarei a ficar sem saber. E vejo aqui varias almas, e nenhuma delas será
sua, nem que eu transforme todos em gatos. – Ela sorriu.
Um
caminho de chamas saiu do circulo de Haboryn e foi queimando até fazer um
grande circulo em volta de todo quintal da casa.
-
Acha mesmo que pode funcionar. – Ao terminar de falar, Christine elevou os
braços e os trovões se aproximaram ainda mais. Parecia que uma tempestade
magica cairia e receio dizer que estou dentro de circulo magico de tensões.
O
manto que Christine usava começou a queimar. Ela o jogou no chão e um trovão
caiu sobre Melody/Haboryn, mas ao se aproximar ele desaparecerá. Seu rosto foi
de decepção. Um poderoso vento adentrou a cena. E Melody começou a apresentar
sensações tremulas.
-
Está num corpo frágil Haboryn. Por quanto tempo acha que sobrevive? – Christine
perguntou sorridente.
-
O suficiente para destruí-la – Ele vociferou. E as chamas do circulo se
aproximaram ainda mais. E atrás onde o circulo estivera só restou terra
profundamente ressecada.
Com
as mãos ao alto os ventos se intensificavam e os relâmpagos regozijavam nos
céus.
Num
ataque com trovão, Melody cai ao chão e tentando se recompuser vai levantando.
E as chamas se aproximam mais um pouco.
-
Já não esta mais aguentando demônio. – Christine sorriu.
-
Acha mesmo. – Melody estica as mãos e em alguns lugares do quintal vai
inflamando. Depois ele junta as chamas e prende Christine entre uma estrela de
chamas.
Ela
eleva às mãos mais uma vez e bate as palmas das mãos e uma chuva cai. Ela
consegue manipular as chamas e as uni com a água e então se apagam. Abre os
braços em alto e um trovão cai sobre Melody que é arremessada na figueira.
-
Já está fraco. Eu temo por Melody, tão linda, e quando eu mandá-lo para inferno
ela precisara urgentemente de um hospital.
As
chamas do circulo se aproximam ainda mais, agora está tão próximo de todos nós,
principalmente de mim. Começo a temê-lo. Mas com a chuva de Christine eu
acredito que logo ele cessará.
Christine
se aproxima mais de Melody, esta que, por conseguinte a inflama. As chamas
corroem um pouco do tecido de Christine a deixando sensual. Ela apaga as chamas
com sua chuva e um trovão cai seguido de outro, Melody afasta e Christine
também. Os impactos dos trovões no chão fez grandes buracos, que logo eram
inflamados por Melody, e essa chama caminhava em direção a Christine que os
apagava rapidamente.
A
terra aos pés de Melody amolece como lama e a prende sobre o chão. O circulo de
fogo se aproxima mais e deixa a casa bem próxima da destruição. O anjo estava
ao chão desmaiado.
-
Me solta sua bruxa infame – Vociferou em cordas duplas.
Christine
lançou um trovão que acertou em cheio Melody, seu rosto queimou, seus cabelos
tostaram e ela gritou de dor. Inflamou os pés de Christine e a chuva dela o
apagou.
-
É o fim da linha Haboryn. – Ela sorriu – Não quis ir por bem, irá por mal.
Ela
elevou seus braços mais uma vez e confiante de sua estratégia se desligou de
Allan, e este por sua vez, a prendeu num circulo de magia negra. A lama se
desfez e soltaram Melody. Christine começou a andar em volta do circulo
internamente proferindo palavras e gestos. Allan se esforçava para mantê-lo
aberto, a neve voltará. E subitamente sumirá dando espaço aos raios, chuvas e
ventos de Christine que destruirá seu circulo.
Allan
juntou energia negra e lançou contra Christine, que desviará e lançará um raio
que o derrubou contra a figueira.
-
Maldita. – Bufou Allan.
-
Ainda não conseguiu entender que não és suficiente para mim. Se nem Haboryn,
seu mentor está conseguindo, acha mesmo que tem alguma chance? – Christine
dizia vagarosamente, fazendo cada palavra pesar sobre sua cabeça.
-
Fiz o que fiz, e conseguirei muito mais, não vai destruir tudo agora. – Ele
gritava.
-
Eu posso ajudá-lo, nunca precisou dele, você pode seguir a mim.
-
Christine! – Gritou Natasha – Atrás de você!
Ao
virar Christine foi nocauteado por Melody, um golpe mental a derrubou. Melody
sugará todo anjo enquanto ela batalhava com Allan. Nesse instante os céus se
estremeceram em trovadas, um membro de luz foi se perdido, e os céus choravam.
Uma luz iluminou do anjo aos céus, e por alguns instantes nos paralisou e então
sumiu. Allan me olhou com seus olhos todo enegrecido. O gato miou desesperado e
correu atrás de Christine, mas foi surpreendido por uma serpente na porta que o
engoliu. A terra em frente a figueira mais uma vez tremeu, Allan, agora Haboryn
olhou bruscamente e as terras se afastaram dando visão a Eric que levantou
limpando seus trajes. E levanta com um pingente de pedra azul no pescoço. Nesse
instante eu soube que aquele é Will. Tudo pelo que eu lutei perdeu o sentido, o
anjo cairá, Allan desaparecerá dando espaço a Haboryn, e Eric não estaria mais
no cemitério, pois perderá seu corpo para Will.
Cap. 32 – A
Haboryn
estava muito feliz, seu sorriso e seus gritos de felicidade assustavam a todos.
Eric agora Willian estava quieto, sua felicidade não estava plena. Melody
observava tudo muito surpresa e feliz.
-
Cadê Christine? – Indagou Haboryn
Todos
nós olhamos para o local onde ela estava e não mais foi vista. Apenas o anjo
estava desmaiado, e eu precisava tirá-lo dali.
-
Ela sumiu. – Disse Melody ainda perplexa.
-
Ela não perde por esperar, na próxima lua minguante seus poderes estarão
praticamente nulo e então será destruída. Pela alma que ela me fez perder,
então sua alma e seus poderes serão meus.
-
O que faremos agora? – Indagou Will com um tom ainda tímido.
Haboryn
o olhou ainda imerso em seus pensamentos felizes e maldosos. Analisando o
interior de si mesmo e olhando-o.
-
Tem razão Will. Qual será minha conduta agora? – E ele o olhou mais a fundo. –
Me vingarei, mas ainda nesse corpo estou frágil. Precisaremos elevar Melody e
você Will. Espero que esses anos como gato não tenham enferrujados os seus
poderes aprendidos naquele século.
-
Miau – Ele miou ainda desacostumado com o novo corpo. – Quero dizer, estou cada
vez mais desejoso.
-
Vamos para o interior da casa. Melody pegue todos os materiais, vamos abrir o
circulo na sala.
Melody
fez um gesto afirmativo com a cabeça e logos todos adentraram a cozinha. Eu
estava próxima e precisava fugir. Andei sorrateiramente para fora e fui até o
anjo. Temi tocá-lo, mas precisei arriscar. Ele estava humano, suas asas estavam
beges e sem luz. Quando o toquei senti tocar um ser humano, o gosto do sangue
de Annie me veio à memória, por alguns momentos tive a sensação de querer-me
alimentar dele, alias, faz um bom tempo que não me alimento. Ele estava
inconsciente, e tentei levantá-lo, mas estava muito pesado. Usei minha força vampírica
e deu alguma ajuda, mas ainda assim estava pesado. Levei-o para a casa de
Christine, estavam todos reunidos em suas casas para comer o peru de natal.
Ninguém me veria com ele. Toquei a campainha e John surgiu abruptamente na
porta e eu temi.
-
John! Por favor, ajude-me. – Pedi a ele, e então me ajudou a levar ele para o
quintal, dentro de um circulo.
Christine
surgiu na porta dos fundos.
-
Eu sabia que viria. – Ela disse.
-
Foi o único local seguro. Pode ajudá-lo? – Perguntei aflita.
-
É o mínimo que eu posso tentar fazer. Afinal, fui quem comecei tudo.
Recebi
a noticia como um nó na garganta.
-
O que quer dizer? – Resolvi especular e saber toda a verdade.
-
Acalme Natasha. Primeiro colocarei ele dentro de um circulo de proteção.
Haboryn não vai deixá-lo vivo e vagante.
Christine
andou em círculos próximo as pedras que faziam um circulo em volta de Adriel. E
cada passo ela estava à frente de uma pedra e essa por sua vez se iluminava. De
sua boca proferiam palavras inaudíveis até pra mim. Quando por fim todos se
iluminaram, de uma só vez tudo voltou ao normal e então ela saiu do circulo
dizendo: - Que assim seja!
-
Vou deixá-lo sobre proteção, até que ele consiga reagir para que eu comece o
processo de cura.
-
Tudo bem. Agora me conte tudo.
-
Sim. Fique calma. Sente-se e eu já lhe conto.
Sentei
na cadeira da mesa que outrora estava sendo comemorado o halloween.
-
Tudo começou há muitos anos atrás. A mais de um século. Eu reinava sobre
Gander, me chamavam de curandeira, de mãezinha. E algumas vezes de velha bruxa.
Eu nunca saí de Gander, desde quando aqui cheguei.
-
Mas como ninguém desconfiou até hoje de que você não envelhecia, ou morria.
-
Minha casa era restrita, só a sala de estar recebia as pessoas, minha magia me
ajudava a mostrar que eu tinha avó e mãe. Então eu envelhecia e “morria”. E
então minha filha jovem com poderes aprendidos da mãe e avó estava pronta para
ajudar o povo novamente.
-
Nossa. Que confuso. – Estava perplexa.
-
Deixe-me continuar.
-
Sim. Por favor.
-
Um dia, surgiu um rapaz, Tyller, ele trouxe a Gander a sabedoria dos seus pais
sobre a igreja protestante. Todos estavam descontentes com a igreja católica e
procurar a mim encontravam suas respostas. Mas a ideologia de Tyller... – Toda
vez que ela repetia esse nome, algo martelava em minha memória. – Era contra a
bruxaria, era contra mim, algumas pessoas se afastaram, outras vinha até minha
casa, mas as escondidas, e a oferta de juventude estava cada vez menor. Como eu
estava com alguns séculos de vida, eu ainda eram jovem e ambiciosa, algumas
coisas do passado ainda perturbavam minha vida. Envelhecer era e é sempre será
o meu maior medo.
-
Continua. Está interessante. Mas apesar de tantos anos de amizade, porque nunca
me contou?
-
Talvez porque o seu orgulho e egoísmo só a fizesse me procurar quando queria
resolver seus próprios problemas. – Ela sorriu sarcástica.
-
Tudo bem. Continue.
-
Se eu perdesse minha clientela eu estaria arruinada. Seria mais complicado não
envelhecer, e eu perderia meu posto a um jovem. Eu precisava destruí-lo, mas
sem me envolver, senão estaria arruinada da mesma forma.
-
Uma Christine má e egoísta.
-
Os caminhos de uma bruxa são tortuosos, e nem sempre é fácil acertar. Mas o
fato foi que eu conheci um jovem, assim como Allan. E ele era sedento por
poder, de magia. Eu me compromissei a ajudá-lo a alcançar esse objetivo e assim
eu fiz. O treinei, lhe dando poderes que aprendi em meu próprio coven.
-
Então ele sabe segredos únicos? – Perguntei interessada.
-
Sim. Ele sabe muita coisa que só eu e ele sabemos.
-
Entendo. Continue.
-
Numa noite eu invoquei Haboryn, contei sobre o acontecido. E ele disse que já
sabia sobre Tyller. Era um rapaz evoluído, que decidiu descer a Terra para
ajudar as pessoas que precisavam do poder do Único Acima. E que isso estava o
irritando muito, pois Tyller expulsava demônios. Perguntei a Haboryn se ele
podia me ajudar. E então me fez a proposta de me dar à ajuda se eu lhe der
minha alma.
-
Nossa. Ele é obcecado nisso.
-
É o papel dele. Levar almas para o inferno. Se alguém vende sua alma,
certamente estará lá.
-
Então Allan está no inferno e Melody irá para lá também?
-
Tudo é subjetivo, não podemos fazer esse julgamento. Mas creio que sim.
-
Que triste, é pior do que estar entre a vida e a morte e sugando a vida dos
seres humanos. Mas o que você fez?
-
Ensinei Will invocar, e diria que se ele vendesse a alma ele estaria ainda mais
poderoso. E como ele sempre confiou a mim, dessa vez não foi diferente. Eu o
ensinei e assim ele fez.
-
Você o levou a condenação eterna. Como pode? – Eu estava perplexa.
-
Eu era imatura e egoísta. Eu tinha que fazer. Mas não pense que não me
arrependi. Mas só mais tarde veio a consumação.
-
Como assim? – estava interessante.
-
Já você vai saber. O fato foi que Will vendeu sua alma para Haboryn. Então eu e
o demônio armamos um plano. E é ai que você entra.
-
Christine. Estou com medo. Estou tendo alguns flashes.
-
Natasha. Perdoe-me. Mas foi assim que aconteceu.
- Christine. Não estou entendendo.
-
Tyller tinha apenas uma fraqueza. Você! – Dei um grito, como se lembrasse de
muitas coisas. Tyller era o homem que eu acompanhei até a morte.
-
Eu. Tyller e eu éramos casados?
-
Sim. E ele o amava. E você duvidava de sua própria paixão. Achava que ele a
amava tanto, que foi mais do que você o amava. Aproveitamos essa sua confusão.
Eu e você já éramos amigas.
-
Sim. Eu lembro. Eu a procurava para desabafar. – Estava ainda mais perplexa. –
Christine, como pode?
-
Não me pergunte. Will veio até você para confundi-la ainda mais, para
seduzi-la, para tentar lhe dar tudo o que você gostava. Mas ele estava se
confundindo, começou a amar você. E tornava difícil para mim e Haboryn manipulá-lo.
-
Christine. Você mentiu para mim durante tantos anos. Por quê? Porque não me
disse a verdade? Por quê? Eu confiava em você. Talvez fosse a única criatura em
quem eu confiava.
-
Natasha. Eu pensei apenas em mim. Mas foi há muito tempo. Depois que tudo se
consumiu. Eu pensei que não pudesse retornar. Não imaginei que Haboryn movido
pela vingança viria atrás de mim e traria todo o passado à tona.
-
Você foi covarde. Cruel. – Eu estava furiosa, meu desejo era matá-la agora
mesmo, beber de seu sangue venenoso.
-
Acalme-se. Preciso terminar. – A olhei friamente. Eu realmente queria ouvir até
o final.
-
Will queria fugir de todos e a chamou para ir junto. Seu nome era Meg naquela
época, você ainda não tinha decidido apagar seu passado. E então fugiram. E
isso desestruturou Tyller. Como líder religioso ele foi pressionado pela
sociedade. Afinal todos souberam. Eu ajudei a divulgar. Tyller foi tarjado como
fraude, como interesseiro, e agora perderá a mulher num adultério, e toda a
falsa felicidade foi desmascarada.
-
Christine. Eu estou perplexa. Não consigo acreditar que você me iludiu tanto.
-
Por favor. Deixe-me terminar. Você e Will fugiram, e pareciam felizes. Meu
plano havia se consumado e Haboryn queria sua alma. E então usou das forças da
natureza para matá-lo. E quase conseguiu. Você sentiu a força nefasta do
demônio que o levou para longe de você. Desolada, você não podia voltar.
Naquela época a sociedade era cruel, você havia adulterada e fugiu com outro
homem. Foi então que conheceu Silas, inimigo de John e meu por tabela. Ele
havia previsto tudo o que eu faria e então lhe transformou, você quis a
transformação e então trocou seu nome para Natasha e decidiu esquecer todo o
seu passado.
-
E Will. O que aconteceu com ele?
-
Will procurou ajuda em minha casa. Eu estava arrependida de tudo que causei. E
também estava velha. Depois desse escândalo, demoraria um tempo para que
pudesse desaparecer com um jovem. Com todo o escândalo, as pessoas de Gander
achariam que vocês fugiram e viveram para sempre. Então não notaria a falta de
Will. Decidi que seria ele, antes que a morte causada pelo tempo viesse me
buscar.
-
Você sugou-lhe a vida?
-
Sim. Mas não lhe permiti morrer. Eu o transformei num gato negro. Dando-lhe uma
vida eterna. Até que eu descobrisse uma forma que não me prejudicasse.
-
Mas uma vez pensou apenas em si mesma.
-
Natasha. Por favor. A exposição ao anjo lhe trouxe essa humanidade. Mas
convenhamos, quantas vezes você não fez atos por egoísmo. Quantas vezes você
não matou simplesmente pelo prazer de matar. E isso não era só quando você se
tornou vampira, quando era humana e jovem também. Tyller que ajudou controlar
essa sua vontade.
-
Mas eu nunca menti para você.
-
Pra mim. E pra outras pessoas?
-
A justiça tarda mais não falha.
-
Continue.
-
Haboryn então se enfureceu, pois perdeu a alma que tinha ganhado, e por mim que
o ajudou a conseguir. Mas sem alguém para invocá-lo ele não teria condições
para vingar-se. E ele guardou esse sentimento por todos esses anos.
-
E como tudo isso chegou até os nossos dias.
-
Simples. Não acredito que ainda não tenha notado. – Ela me olhou desacreditada.
-
Sem suas insinuações bruxa maldita. Fale.
-
Natasha. O casebre onde estávamos é vestígios de minha antiga casa. E a
figueira, outrora foi um ent, uma arvore de fonte magica. Will sempre
permaneceu por ali, viu cada processo acontecer, até o Ent se tornar figueira.
Eu apaguei todos os registros e até como invocar Haboryn. Mas Will já havia o
invocado aquela vez, e ele sabia como fazer. Um dia ele começou a chamar
espíritos para tornar o casebre um lugar de lenda urbana. Na brincadeira do
copo, Annie se comunicou com Haboryn e foi atraída até o casebre, e lá a
salvamos daquela vez. Com as crescentes histórias, foram atraindo góticos, e
então entra Allan. Will o confortou e fez com que ele voltasse. Prometeu-lhe
ensinar a magia em troca de alguns favores. E então ele atraiu Annie para que
Will pudesse trazer Haboryn. Mas foi falho. Pois você matou-a.
-
Entendo. Tudo esta tão claro agora. E você sabia de tudo desde o começo. Porque
me escondeu todas as vezes que lhe perguntei?
-
Entenda. Você escolheu esquecer o passado. O que eu podia fazer.
-
Mas e minhas angustias, minhas ansiedades. Christine você permitiu um
sofrimento.
-
Chega. Você já ouviu demais.
-
Não Christine. Conte-me tudo.
-
Allan descobriu que estava ajudando Haboryn. Um demônio. E pensou que Will era
um coitado que perdeu a alma por causa de uma bruxa. Então decidiu ajudar mais
ainda, agora queria encontrar quem o anjo protegia agora. Sem saber que Haboryn
e Will tramavam outro plano com Eric e Allan. Esperou o momento certo, ele usou
você e Melody para fragilizar o anjo. E então aconteceu tudo o que vemos hoje.
-
Christine. Eu vou embora. Estou transtornada. Você foi má e me enganou. Todos
me enganaram.
Corri
até minha mansão na velocidade vampírica. Eu estava confusa. Nem percebi que
deixei Adriel por lá.
Cap33
Cheguei
logo na mansão era informação demais, e eu não podia culpar Christine por isso,
era o que eu queria que tudo tivesse fim. Que todo aquele mistério se solucionasse.
Suspirei, havia deixado Adriel aos cuidados de Christine, assim que eu
colocasse a cabeça no lugar eu voltaria pra vê-lo. Abri a porta da mansão adentrei a passos
largos, então parei estava tudo muito quieto voltei a caminhar em direção as
escadas.
-
Pensei que não voltaria – Ouvi a voz baixa e pausada de Silas as minhas costas,
voltei meu corpo para olhar –lhe nos olhos, um sorriso tristonho se formou nos
lábios de Silas, minha expressão era a mesma, seria e confusa. Suspirei, eu não
podia dizer que não estava com cabeça para sermões, já que a culpa era minha eu
queria o fim das tantas perguntas e agora eu as tinha, e era necessário
deixá-las um pouco de lado. – Vamos – ele disse caminhando em direção a sala de
reuniões.
-
Espere Silas- eu disse ainda parada olhando suas costas.
-
Calma Natasha, - ele ainda estava de costas pra mim - você nos contará na sala
de reuniões, também temos uma noticia para você – suas palavras fizeram-me
calar, o segui de perto. Silas parou e abriu a porta da sala de reuniões para
me dar passagem, entrei e logo em seguida ele entrou fechando a porta atrás de
si.
Na
mesa de reuniões havia inumeros lugares vazios, apenas Julio e Kimberly ocupavam
seus lugares, além de Silas, que já se acomodava, continuei em pé, olhando para
as pessoas ali presentes.
-
Onde estão os outros?
-
Não há outros Natasha, não mais – Silas disse calmamente, eu o fitei, sua
expressão não se alterou em nada, mais eu podia sentir a apreensão da parte
dele, e dos outros ali.
-
Temos traidores Natasha, vampiros foram iludidos facilmente pela sede de poder,
um poder que Haboryn os ofereceu em troca de lealdade. – ouvi as palavras de
Kimberly sem olha para ela, continuava a olhar os olhos inexpressivos de Silas.
-
Pensamos que você também não voltaria – Julio disse com seu sotaque carregado.
Fui até minha cadeira, e fiquei em pé atrás dela. Já não era de se esperar,
muitas vezes fui tentada pelo demônio, e por minha vontade egoísta de querer
mais, antes mesmo de voltar a mansão pensei em me unir a Haboryn, já que ele
parecia agora ser o lado mais forte. E o mais tentador. Mesmo assim estou aqui,
não pelos vampiros, pois nem ao menos pensei neles, na hora da batalha. Mais
sim por Adriel, por eu ter o tocado sem o menor dano, agora posso ter ilusões
das mais libidinosas possíveis com ele, não vai haver seqüelas, queimaduras.
Kimberly sorriu.
-
É, parecia que você não voltaria já que você sempre esteve no meio de tudo,
sempre tentada, e a preferida de Haboryn, ele tinha planos pra você. Você sabe.
– Kimberly disse me olhando nos olhos, seu modo de falar era parecido com o de
Silas, calmo e baixo. Ela não parecia preocupada com a guerra que podia
explodir a qualquer momento.
-
Eu também achei que não voltaria.
-
Agora nos diga Natasha. O que aconteceu. – Silas tomou a palavra. – apertei o
encosto da cadeira com força, Haboryn estava na Terra – Minhas visões se
tornaram difusas, incompletas. – Silas explicou.
-
Haboryn conseguiu, ele drenou a essência do anjo, e agora anda sobre a Terra no
corpo de Allan. Não vi Mellisa, Dancã, nem os outros por lá, mais Mellody – vi
que Julio fez uma expressão confusão então expliquei – Mellody irmã de Annie a
primeira protegida que matei, está do lado de Haboryn, ela é uma bruxa muito
poderosa até onde sei. – contei a eles a batalha, e as imagens apareciam atrás
dos meus olhos como se eu estivesse novamente lá, apenas observando sem poder
ajudar Adriel, ou Allan, imponente por ser uma vampira que não podia se dar ao
luxo de ser tocada pela luz que emanava do anjo ou das trevas do demônio. – O anjo está aos cuidados de Christine, ele
está debilitado, mas está cuidando de seus ferimentos, provavelmente a
recuperação será lenta, já que agora ele é apenas um humano.
-E
então qual é a verdadeira intenção de Haboryn aqui na Terra? – Kimberly
perguntou com um meio sorriso formando em seus lábios, colocando as pernas
sobre a mesa.
-
Além do caos na Terra? – perguntei ironicamente – ele veio em busca de vingança
– eu parecia uma espiã que se camufla de um lado para depois na primeira
oportunidade correr para contar os acontecimentos pra o outro lado – Uma vingança
contra uma bruxa que lhe deve uma alma. Christine. – não ouve sinal de surpresa
por parte de Silas nem Kimberly, já Julio ergueu as sobrancelhas, mais nada
disse.
-
Irá nos contar toda historia? Ou não temos tempo – Kimberly perguntou
debochando. Ela parecia muito à-vontade com toda a situação. Estreitei o olhar,
então comecei:
-
No passado Christine pediu a ajuda de Haboryn para a destruição de um humano
iluminado, em troca dessa ajuda Haboryn queria a alma dela. Christine sabia que
não valeria a pena perder sua alma por causa do humano, mais ela tinha um
pupilo, e ela o usou já que ele confiava muito nela e com ela, ele aprendeu
coisas que apenas os dois sabem. – continuei a relatar tudo o que Christine me
revelara. – Mais Christine ainda teve compaixão por ele e o prendeu na forma de
um gato, para que sua alma não chegasse às mãos do demônio. – quando terminei,
esperei pelas blasfêmias contra Christine, que não veio. – Habroryn esperou
anos até encontrar um protegido para que pudesse sugar a essência do anjo que o
protegesse. E agora ele conseguiu está
na Terra, em Gander. – Um silencio se formou no aposento, antes que Julio o
preenchesse.
-
O que devemos fazer? Ficarmos neutros? – ele perguntou olhando diretamente para
Silas que se inclinou pra frente na cadeira, colocou os cotovelos na mesa e cruzou
as mãos descansando o queixo firme em cima.
-
Não importa o quanto corramos, sempre estaremos na linha de combate, precisamos
nos preparar por que logo uma guerra irá se desencadear e cair sobre nossas
cabeças.
-
Estamos nisso desde o principio não apenas agora mais a anos atrás, no passado
– Kimberly murmurou fitando-me, engoli em seco, eu sempre estive envolvida,
mesmo quando eu matava ou quando eu era usada como uma isca para o fim de um
humano, não importava tanto Meg quanto Natasha estavam envolvidas. - Mais e os
outros? –Kimberly interrompeu meus pensamentos. – os traidores?
Olhei pra Silas, quanto a isso eu não
podia dizer nada, talvez Silas soubesse o que estava ou o que aconteceria com
eles. Não seria de se estranhar se Haboryn desse um fim em cada um deles. Não
era do feitio de demônios cumprir com a palavra, a não ser que se tenha um
contrato, um desejo em troca de sua alma. Mais o que Mellisa, Dancã, e os
outros tinham a oferecer? Lealdade? Podia ser, mais o demônio com certeza já
tem seu exercito. Suspirei, eu não pensaria naquilo, quem poderia saber o que
se passa na mente de um demônio. Silas continuava em silencio.
- Então Natasha, você já sabia que isso
podia acontecer não? – fiquei surpresa por alguns instantes diante da quase
afirmação de Kimberly, definitivamente ela se divertia com aquilo.
- Eu sabia que Haboryn havia entrado em
contato com ela, não apenas com ela. Não tenho certeza mais acho que ele entrou
em contado também com Silas. – Todos desviaram a atenção de mim e voltou-se a
Silas que ainda estava na mesma posição. Depois de alguns segundo em silencio
Silas se recostou na cadeira.
- Ele veio até mim, como aos outros ele
também me fez uma proposta, e como vêem ainda estou aqui, não ao lado dele. –
Depois dessa sentença todos ficaram em silencio. Então ele se levantou – Por
hora é só. – e saiu dando-nos as costas. Logo que ouvi a porta do escritório de
Silas bater sai da sala de reuniões, fui até meu quarto, onde fui direto para o
chuveiro, eu não havia participado diretamente da batalha mais eu me sentia
suja. Talvez por ter pegado Adriel no colo e ter sujado minha roupa de barro.
Tirei a roupa e fiquei em baixo do chuveiro, deixando a água escorrer por meu
corpo. As imagens da minha vida como Meg se tornaram visíveis, os dias ao lado
de Tyler, as noites quentes... Alguns frias sozinha, sem ele ao meu lado para
preencher o vazio da minha cama, ele me deixava pra ir ajudar as pessoas.
Conclui que sempre fui egoísta, não apenas depois da minha transformação, caso
contrário eu entenderia o lado do meu marido, entenderia que era por um bem
maior, mais a única coisa que eu entendia é que eu ficava sozinha. Então para
completar minha dose de egoísmo aparece Willian em minha vida, que preenche as
brechas e me confunde. O oposto de Tyler, seus beijos eram fogosos libidinosos,
beijos proibidos que se tornaram minha sina. Suspirei. Depois Silas apareceu na
minha vida transformando – a, ajudando-me a libertar o ser que já existia em
mim, mais que era sufocado por Tyler, por um amor mal preenchido. As noites seguintes passei a vigiar aquele
que depois descobri amar verdadeiramente, vigiei-o ate o dia de sua morte, vi-o
me procurando, senti que mesmo velho ele tinha a esperança de me encontrar. Passei a mão
por entre meus cabelos deixando meus braços estendidos ao longo do corpo.
Minutos depois sai do banho, peguei a toalha e me sequei, tentei não comparar
os beijos de Tyler e Will, mais foi em vão, fui até meu quarto, Kimberly estava
sentada no centro da minha cama, com as pernas esticadas e os tornozelos
cruzados, com um leve sorriso nos lábios.
-
E então, como se sente com a descoberta de todas suas perguntas? – ela ainda sorria compreensiva,
caminhei pelo quarto até meu closet – decepcionada? – peguei a primeira roupa que
vi na frente, deixei a toalha cair e me vesti. Voltei minha atenção a Kimberly.
-
De certa forma, foi um tanto chocante, mais ágora as respostas não param de
aparecer. Lembrei-me de boa parte da minha vida como Meg. Tudo que eu me
obriguei a esquecer agora povoa minha mente, incessantemente. – passei a mão
nos meus cabelos molhados. – Mais você me parece muito a vontade com tudo isso.
Nem parece que uma guerra pode explodir a qualquer momento. – Eu disse
calmamente
-
Estou tentando não me descontrolar, posso não ser tão poderosa quanto,
Christine mais tenho como me defender, além do que meus poderes não se
enfraquecem em nem uma fase da lua. – Kimberly piscou. Eu precisava saber como
Adriel estava, sair da mansão e averiguar se o mundo estava já mostrando sinais
de caos.
-
Preciso ir Kimberly.
-
Mais você não me contou tudo, não em detalhes. A coisas bem interessantes não
há?
- Já contei tudo. – Kimberly apenas ergueu as
sobrancelhas – estou com pressa, preciso ver Adriel.- Então sai do meu quarto
deixando Kimberly sozinha. Em poucos minutos eu estava nos fundos da casa de
Christine ela estava sentada em frente de um caldeirão.
-
Aproxime-se Natasha – ela disse sem voltar a atenção pra mim.
-
O que está fazendo – Franzi o seno, tentando enxergar por cima dos ombros de
Christine.
-
Estou tentando ver o que eles estão fazendo.
-
Temos traidores Christine – ela podia muito bem ter visto aquilo no caldeirão
mesmo assim resolvi dizer.
-
Eu sei, nas poucas coisas que pude ver, eu os vi, lealmente ao lado de Haboryn.
-
E o que mais você vê? – Queria saber o que Mellody fazia no meio deles, já não
podia nem pensar em me preocupar com Allan, ele não existia, não mais. Agora
era apenas Haboryn usando seu corpo como uma marionete.
-
Quase nada estou sendo bloqueada. Mellody é poderosa pra idade dela, além do
que Haboryn a esta ajudando. – Christine se levantou dando por encerrado aquela
tentativa quase que frustrada de saber o que o inimigo fazia no momento. Ela
passou a mão pelas roupas um pouco amarrotadas de sentar no chão e caminhou em
direção a porta.
-
Venha, vamos ver Adriel – Eu a segui sem questionar, além do que era para isso
que eu estava ali. Esperava que ele estivesse melhor. Entramos na casa em
silencio, quando chagamos na sala perguntei.
-
Onde está John. – Christine olhou de um lado pra outro antes de responder.
-
Por ai, talvez no escritório. – Então ela olhou pra mim e sorriu. Era estranho
pensar que eu tinha tanta afinidade com uma bruxa e com John nem tanto. Nunca
nos falamos muito, nada além do suficiente. Resolvi não perguntar mais nada
sobre John. Subi as escadas um degrau atrás de Christine.
-
Ele ainda dorme, a queda o deixou enfraquecido. Mais logo ele estará bem.
-
Me diz uma coisa, Kimberly comentou alguma coisa sobre bruxas enfraquecerem em
alguma fase da lua...
-
Que pela aprendiza de magia Kimberly está me saindo- Christine me interrompeu.
– Mais ela tem razão, na lua minguante meus poderes estarão mais fracos.
-
E se...
-
Nada que você deva se preocupar. Talvez Mellody também fique mais fraca, com a
fase da lua.
-
Mesmo assim Christine, ainda há Haboryn, ele tem muito poder.
-
Quero que você não pense nisso por hora – ela parou em frente a uma porta – por
horas vá ver Adriel. – Então ela abriu a porta dando-me passagem. O quarto
estava com um das janelas abertas, mais as cortinas fechadas, mesmo assim
entrava uma claridade que talvez pudesse ser agradável a Adriel. Ele estava
deitado sobre a cama, com um lençol até a altura do tórax, pelo que pude
perceber estava nu. Tive a confirmação quando vi suas roupas muito brancas
sobre uma cadeira. Aproximei-me do leito, Christine continuava a porta
observando-me.
-
Não vai demorar muito, ele já esta reagindo aos meus remédios. Não há
ferimentos profundos. Apenas o revés da batalha. – ela disse em um quase
sussurro, talvez pra não acordá-lo, o que eu achava difícil, ele parecia estar
emerso em um sono profundo. Como um humano, quando dorme e não tem sonhos.
Olhei
pra a porta, Christine já não estava lá, a porta continuava aberta, não dei
muita importância a isso, voltei a olhar o rosto pálido a minha frente.
Aproximei-me ainda mais e sentei-me na cama. Os cabelos negros caiam-lhe na
testa, se não fosse pelo corpo suntuoso por baixo dos lençóis branco ele
aparentaria uma fragilidade que nunca vista antes. Meus olhos desprenderam do
rosto belo e correu pelo corpo forte e másculo. Despudorada. Disse a mim mesmo,
o mundo podia estar um caos lá fora, ele estava em um leito inconsciente e
ainda sim, eu pensava em como seria agora que eu podia ser tocada por ele, como
seria ter aquelas mãos percorrendo meu corpo sem pudor.
O que ele faria agora? Será que ele se
lembraria de sua vida como anjo? Talvez. Quando ele acorda-se ele poderia me
responder a essas perguntas. Afastei a mecha que caia-lhe sobre a testa. Seus
lábios me chamaram a atenção, mordi meu lábio inferior tentando refrear uma
vontade louca de beijá-lo. Engoli em seco, desistindo. Aproximei meus lábios
dos dele, olhei-o antes de dar lhe um beijo, que não foi correspondido, então
me afastei. Esperaria até que ele estivesse acordado. Seria o mais certo a
fazer.
Passei mais algumas horas ali ao lado
dele, antes de sair do quarto e ir embora. Despedir-me de Christine dizendo que
voltaria logo. No quarto eu senti a pulsação da clavícula de Adriel, o que me
despertou certa cede. Precisava me alimentar, não era urgente, mais era mais
sensato ficar prevenida. Não mataria Adriel por um descontrole, não agora que
ele estava tão perto. Que ele estava ao meu alcance. E de certa forma, já não
sabia dizer ao certo se esse sentimento era apenas de posse e inveja, preferia
não me questionar. Pelo menos não agora.
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