sábado, 10 de outubro de 2015

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Natasha

Capitulo 1 – Protegida por um anjo

Ao cair da noite, senti um grande desconforto, um pressentimento ruim, como se hoje não fosse uma noite comum, meu olhar fixo no nada e algo me angustiando, eu precisava sair, dar uma volta pelo bairro.
Sou Natasha, uma vampira há cento e sete anos, tenho aparência jovem de uma garota de vinte anos. Sou branquinha, dos olhos verdes e cabelos vermelhos, as vezes de acordo com o meu humor, o meu cabelo se torna um vermelho vivo, como se estivesse em chamas, as vezes, se estou serena ele assume a coloração vinho. Ganhei esse dom ao mesmo tempo em que fui transformada. Gosto muito de vitimas amedrontadas, por isso as caço e assusto, para depois matar. Alguns vampiros possuem dons, o meu é como se fosse uma empatia, onde dependendo dos sentimentos alheios, eu posso senti-los e ainda enxergá-los como uma visão.
Moro no bairro mais rico da cidade de Gander, Canadá. É um bairro fechado por grandes muros e um portão grande e resistente, só é permitida a entrada de pessoas autorizadas. Aqui é formada por mansões, heranças de antepassados, a mansão onde moro é a ultima do bairro, é bem grande e fechada também com muros e portão. E quem comanda tudo é Silas, nosso líder.
Somos oito na mansão, quatro vampiros e quatro vampiras, cada um com suas particularidades, mas todos recrutados por Silas, apenas um é a exceção, o que começou a ordem junto a ele, John Willer, um vampiro independente, mora junto a sua irmã na primeira mansão do bairro, ele tem mais de trezentos anos, e dizem que houve uma briga entre Silas e John e por isso hoje, sua cadeira é vazia em nossas reuniões, mas ninguém ousa tocar no assunto. Nossa ordem se chama Blood Cry (Choro de Sangue). Silas sempre nos ensinou tudo que sabemos, não somos tão unidos uns com os outros, principalmente eu, a quem os outros dizem ser a queridinha de Silas.
John é um lindo vampiro, de postura e classe, sua irmã, Christine é a minha melhor amiga, uma bruxa encantadora, vive a tanto tempo quanto John, e através de sua magia, lhe permite estar sempre jovem. Ela estuda o sangue, para produzir magias mais poderosas, e ensinar os vampiros o que aprendeu.
Decidi sair, o meu quarto é enorme, e eu estava deitada na grande cama olhando fixo para fora através da janela, os ventos batia na cortina. Levantei e abri a porta, meu quarto fica num imenso corredor, onde cada suíte é ao lado da outra, Kimberly, é a vampira dos cabelos rosados, ela fica no quarto ao lado, e é talvez a mais próxima de mim na mansão. Resolvi ir até o quarto dela e perguntar se estava a fim de sair comigo.
Bati na porta de sua suíte e a porta simplesmente abriu, parecia estar vazio, só um livro sobre a cama, seu titulo era O Poder dos Vampiros, mas seu conteúdo é escrito em uma língua que não posso entender. Resolvi deixar aquilo ali em cima e ir ver Christine.
Descendo as escadas do corredor da no hall de entrada da mansão, colunas góticas suspendiam a casa, runas mágicas no piso dava uma incrível sensação, sofás de estilo colonial e esculturas góticas tranqüilizavam o ambiente. O hall é decorado por duas escadas que se encontram em cima no corredor, no meio delas está o escritório de Silas. A esquerda leva a sala de estar e há uma porta que leva um jardim de inverno. A direita leva a copa, onde os lacaios passam a maior parte do tempo. Vampiros escravos de sangue que se sujeitam a autoridade de Silas.
Não havia ninguém no hall de entrada então caminhei solitária para a grande porta e sai. De primeira vista se enxerga um grande jardim com estrada feita para o portão do muro. Um portão de ouro e automático apertei o botão para abrir e sai tranqüila, caminhando como uma humana comum. Há muitos seres mágicos em nosso bairro, acho que todos são estudados em alguma coisa do gênero, mas a grande maioria é de mago negro. Nós vampiros somos ocultos até para eles, todas pensam que nossa raça nunca existiu ou já foi extinta, achamos bom isso, por que assim não sabem o que temer, então não sabem como se defender. Silas preza muito pelo nosso ocultamento, é fundamental em suas leis. Existem também alguns bruxos bons e que demandam de outra religião, como Christine, a natureza migra a favor dela, talvez seja a maior entre nosso meio. E seu passado é oculto até para mim que sou sua amiga.
No meio do bairro tem uma grande praça, toda decorada no estilo gótico, os jovens e alguns vampiros da ordem costumam ficar por ali e caçar. Têm bancos de mármore escuro, azulejos negros em vez de pedras no chão. Estatuas de gárgulas e outros seres em cada canto da praça, às vezes os garotos trazem amigos comuns para conhecerem, às vezes turminhas de góticos reunidas. Kimberly e Dancã estavam lá, talvez hoje seja noite de caça para eles, Kimberly é como eu; assusta e depois mata. Já Dancã, seduz e depois mata, ele sente mais prazer quando sente o prazer no sangue de suas vitimas. Isso é muito comum em nosso meio.
Não demorou em que eu chegasse à casa de Christine, uma grande mansão, um pouco menor e menos luxuosa que a nossa, mas boa, a diferença dela para as outras são dois vidros enormes em vertical que dão uma ampla visão de duas partes da mansão, a sala de estar, que fica logo quando se abre a porta, eles não possuem hall de entrada. E a outra que dá na cozinha, às vezes é possível ver Christine preparando poções. Como agora em que cheguei, e ela esta na cozinha, dosando alguma coisa. Então apertei a campanhinha e esperei.
Pelo vidro pude ver John e uma garota loira, parecia estar chorando. John olhou rapidamente quando a campanhinha tocou, mas demorou um tempo para se levantar e abrir.
- Natasha! Aconteceu alguma coisa? - Sua voz demonstrava que ele estava preocupado e surpreso.
- Não! -Respondi de forma bem seca – Apenas vim conversar com Christine – Mesmo sabendo que ela estava na cozinha, ainda assim a pergunta saiu – Ela esta?
- Sim, está na cozinha. Vá até lá.- Ele respondeu mudando sua atenção para a garota loira que chorava em seu sofá.
Eu observei-a a cada passo que eu dava, tive que me controlar muito para não avançar, o seu cheiro de medo e adrenalina em seu sangue me excitava. Tive que andar mantendo certa distancia e controlando os meus sentidos. Aos poucos e quase sem vontade atravessei a sala de estar e segui rumo à cozinha. O que não fica muito longe, praticamente ao lado, segue um pequeno corredor até a porta da copa. Tudo muito humano e sofisticado.
Christine estava atarefada, seu trabalho parecia estar pronto, e ela só estava dando uns ajustes, uma colher sobre a altura de seus olhos, parecia fiscalizar a quantidade, e uma fumacinha saia de uma xícara no balcão de mármore. Ela me notou quando estava nessa etapa. Então me manifestei.
- Olá Christine! - Disse calmamente.
Não retirando os olhos de mim nem modificando sua posição ela respondeu.
- Olá Natasha. Como esta?
- Ótima! - Respondi sem demora e com curiosidade perguntei – O que está fazendo?
Seu semblante pareceu preocupado e ela ofegou.
- Estou preparando uma poção de restauração. A garota na sala foi vitima de um atentado de estupro. Sorte a dela, John te-lá salvado.
Tentei estabilizar meus sentidos, mas minha reação era querer gargalhar da situação.
- Nossa! Aonde isso? - Perguntei sem muita intenção de ouvir a resposta.
- Na rua que segue para chegar aqui, num casebre abandonado. E para nossa surpresa, foi um demônio quem tentou.
- Hã! – Agora senti um espanto, até para nós é complicado isso acontecer, um demônio não pode atacar um ser humano sem a permissão divina. Se isso ocorrer, o Defensor tem que intervir – Será que é um sinal Christine?
Quem sabe. – ela respondeu sem se importar com a colocação – mas espera ai, vou levar o “chá” à garota.
- Eu tenho que ir – Respondi apressada e já caminhando para fora – preciso alertar os vampiros da ordem.
- Tudo bem. Vai lá.
Atravessei a sala como se nem mais visse John e a garota, meu foco era só no acontecido, eu tenho que avisar Silas para que ele tome uma decisão.
Agora a noite já cobria toda a terra, e o bairro estava povoado de seres mágicos. Kimberly ainda conversava com os rapazes que ali estavam, e Dancã não estava mais lá. Talvez estivesse se alimentando a essa altura. Pensei em parar e dar a noticia, mas acho que Silas tinha que ser o primeiro, a saber. Atravessei o bairro com uma velocidade vampírica, não demorou em que eu encontrasse o portão de minha mansão. Na porta da mansão tem um espelho e ele me refletiu, meus cabelos estavam vermelho fogo. Abri a porta e atravessei o hall sem mais delongas. Então bati na porta do escritório de Silas.
A porta se abriu sozinha e uma voz confortante foi ouvida.
- Entre Natasha. -Sua voz era serena e me dava forças para enfrentar qualquer coisa, me induzia, era muito sobrenatural, algo que eu só sentia em sua voz.
Silas é alto, branco, cabelos brancos e olhos verdes, seus cabelos eram repicados, aparentava mais ou menos vinte e três anos, e um conhecimento gigantesco.
- Algum problema. - A sua voz confortante foi me obrigando a entrar e me sentar.
- Aconteceu uma coisa mi lord – respondi enquanto sentava-me na cadeira à frente. E por mais que eu estivesse aflita, eu não conseguia demonstrar, minha voz saia tão serena quanto à dele – Um demônio atacou uma humana, e ela esta na casa de John Willer sob os cuidados de Christine.
- Ela sabe sobre nós? - Era incrível como ele pode perguntar algo tão serenamente depois de uma noticia tão alarmante.
- Receio que sim, ela esta abalada e em estado de choque, e Christine disse que John a salvou do demônio.
A expressão de Silas havia se alterado, parecia que uma lembrança ruim o atormentara. Seus olhos ficaram fixos por um curto período de tempo,estáticos olhando para lugar nenhum, então disse.
- Ela poderá ser uma ameaça a nossa espécie Natasha. Persiga-a depois a mate. Você sabia que anjos num só toque podem nos destruir. Lembre-se da lei de Caim: “Devemos ficar longe dos Iluminados e dos filhos da Serpente.”.
Ainda que sem entender o porquê de tudo aquilo, eu sabia de sua capacidade de prever as coisas, então assenti o que ele dizia concordando e parti.
Atravessei rapidamente o bairro, agora sem mais prestar atenção em ninguém. Cheguei à casa de John e a garota ainda estava lá, parecia estar mais calma, John e Christine conversavam com ela. Eu sorrateiramente subi no telhado para aguardar a saída dela, depois a perseguirei e a matarei, como Silas, meu mestre mandou.
Fiquei aqui por um longo tempo, então observei a tudo, Kimberly já não estava mais na praça. A lua estava magnífica, seu brilho me dava força. Também reparei no casebre da esquina, eu não consigo entender porque eu ainda não tinha o visto ali, e parece tão antiga, ou seja, ela sempre esteve ali, e só agora com o ataque do demônio que eu fui capaz de vê-la, talvez eu já tivesse visto, mas deixou de ser importante pra mim. É pequena, com muros quebrados, a casa parecia estar caindo aos pedaços, o mato tomava conta do quintal, e no fundo havia uma grande arvore uma figueira enorme, as raízes e os cipós pareciam entranhas, ou esconderijos de artefatos valiosos ou algo do tipo. Um gato negro roubou minha atenção, ele estava desfilando pelo telhado da casa, andava magicamente, mas sua atenção parecia ser transferida de foco, acompanhei sua expressão e voltei minha atenção para entrada da casa, no muro quebrado com a abertura de um portão de ferro enferrujado e retorcido pela ação do tempo. Quando dei por mim, o gato não estava mais em canto nenhum, e a porta que outrora parecia estar aberta, estava fechada junto as janelas. Então desviei minha atenção.
Apurei meus sentidos para ver o que falavam no interior da mansão de John. Mas parece que ele pensou em tudo quando foi construído, com uma acústica complicada. Mas consegui coletar algumas coisas, ela se chama Annie e estuda no único colégio particular da cidade. Parece que ela havia invocado demônios numa brincadeira de adolescentes. Ótimo, caso aconteça algo de errado, John pode acompanhá-la de agora em diante, terei informações precisas e poderia caçá-la mesmo se falhar hoje.
Trabalhando mais minha percepção, esqueci do mundo em minha volta, senti uma luz se aproximar, e aquilo era terrível, doíam meus ossos e minha carne, parecia queimar minha pele, fechei meus olhos para direcionar a luz, e quando tentei abrir, senti minha maldade ser arrancada junto com minhas células, parecia que minha imortalidade não existia mais naquele momento, quando consegui abrir os olhos eu não tive tempo de identificar quem era, pois uma dor correu por todo meu corpo, começando pelos pés e como um raio subiu a minha cabeça, deparei com a realidade e desmaiei.
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- Onde estou?!  - Falei ainda zonza e com a boca mole.
- Está a salvo agora. Você desmaiou Natasha. Hoje já é outro dia, esta adormecida como uma mortal desde ontem à noite na caça a Annie.
Ao Ouvir a voz de Silas, me senti confortada mais uma vez. Algumas imagens viam em minha cabeça e então lembrei.
- Era um anjo, um anjo me fez desmaiar.
- Sim Natasha. O que dificulta mais a nossa missão. A garota é protegida por um anjo.
- Não existem formas de poder derrotá-lo? Eu disse enquanto recobrava a lucidez e sentei sobre a cama.
- Bom, conheço uma forma... – sua expressão se tornou um tanto pecaminosa - se ele pecar!
- O que quer dizer Silas?
- Que se esse anjo pecasse, ele cairia, deixaria de protege - lá.
- E como faremos isso? E outra, porque tanto interesse em matá-la?
Eu sabia que Silas era um psicótico sem escrúpulos, mas nunca imaginei que fosse um obcecado.
- Não vê o tamanho do perigo Natasha. Escreva o que vou te dizer, essa garota levara nossa raça a uma guerra. Posso ver demônios, vampiros, anjos, caçadores, etc. Ela é à entrada de nossos problemas, temos que matá-la!
Talvez ele tivesse tido uma visão, apesar de tudo que eu acho de Silas, sempre confiei nele. Então olhei para ele sedenta e disse: - E assim será mi lord!



Capitulo 2 – Um dia de Annie

Procurei me recompor, sabia muito pouco sobre a humana, Annie, mais era o suficiente. Eu estava disposta a fazer com que nossa raça não fosse obrigada em enfrentar uma guerra, como previu Silas.  Estava determinada a matá-la, com ou sem proteção angelical, aquela humana vai morrer - pensei-. Só precisava saber, onde e quando, por isso revolvi vigia - lá.
Eu estava em frente da escola onde Annie estuda parada a sombra de uma árvore, do outro lado da rua, fazia planos de como matá-la, de como assustá-la ao máximo possível, essa humana teria que me dar no mínimo um pouco de adrenalina. Provavelmente já estava quase na hora da saída, por culpa daquele anjo, daquela luz, perdi uma boa parte da minha manhã. Aquela luz... Desisti em pensar no maldito anjo, pois senti uma presença, não uma presença vampirica, mais outra, um ser não muito poderoso, devia ser um recém nascido. Mesmo assim fiquei alarmada, com certeza o ser estava atrás da humana. Resolvi ligar pra Kimberly.
Ouvi o celular chamando, dois toques e ela atenderam.
- Natasha.
- Kimberly, preciso que você venha até aqui. – dei todas as informações de onde eu estava e desliguei.
Em poucos minutos Kimberly estava ao meu lado.
- Para que precisa de mim? – ela disse com expressão de tédio.  Não olhei pra ela, continuei com os olhos fixos na escola.
- Não está sentindo?Á um demônio por aqui, e quero que você fique de olho nele. Só veja o que ele está fazendo. – quando olhei pra ela, sua face expressa uma mistura de tédio com incredulidade. – O que? – perguntei.
- Por que você não o faz? Kimberly disse seca e abruptamente. Ela realmente não estava afim de me ajudar, mas eu precisa insistir.
- Por que estou atrás da humana, simples. - Kimberly levantou uma sobrancelha, mais não disse mais nada. Simplesmente desapareceu.  Esperei mais alguns minutos, e resolvi agir. Pulei o muro dos fundos do colégio, por ser dia me senti um tanto enjoada, não pela altura, essa não me incomodava, mais pela presença demoníaca. Procurei ignorar, e fui atrás de Annie. Encontrei – a em um corredor,a segui, ela não podia sentir minha presença. Ela virou em um corredor, onde dizia WC feminino.  Fiquei camuflada nas sobras olhando- a. Ela se olhou no espelho, por alguns instantes. O batom dela caiu na pia, e ela abaixou o olhar para pega-lo, quando levantou a cabeça novamente, ela gritou, caiu de costas e se arrastou até encostar-se à porta de uns dos banheiros. Senti seu medo, seu coração disparou me senti tão excitada, mais me contive, queria que ela sentisse medo de mim e não dela mesma! . Sorri pra mim mesma, diante do meu pensamento. Não me movi, fiquei só olhando a humana assustada, mais por quê? Perguntei-me.  Concentrei-me, por um instante, pretendia ver o que ela viu, sentir exatamente o que ela sentiu. Concentrei-me apenas nela. Então vi:eu estava olhando diretamente pro batom, quando voltei a olhar o espelho, lá estava uma imagem que não era a minha, era a imagem de um rosto com sombras surge e desaparece, gritei, mais não era minha voz, era a voz dela. Parei por ali mesmo, já sabia o motivo pra aquele medo todo, demônios, demônios a atormentavam. Como Silas, eu também tinha um dom, a pessoa, que esta perto de mim, sentindo qualquer tipo de sentimento não importa o qual, eu também sinto. De vez em quando, quando, é uma pessoa especifica, tenho que em concentrar. Esse poder, dom, às vezes pode me trazer desvantagens, como em uma batalha por exemplo.
Ouvi um barulho, uma mulher, baixinha, cabelos negros com mesclas grisalhos mal tratados prendiam em um coque.

- Hey garota, o sinal já bateu, preciso limpar o banheiro! – disse a mulher.  

Não esperei pra vê - lá saindo do banheiro, fui atrás de Kimberly. Ela estava em frente da escola, encostada a sombra da árvore.

- Ninguém merece ter que ficar de cão de guarda de demônio, e ainda por cima ter que te esperar. Estou estressada por causa desse maldito Sol. – Kimberly resmungou, ao ver- me aproximar.

- Ta, ta, mais e ai?

- O que? – ela disse olhando pras unhas pintadas da cor de seus cabelos, Pink.

- O demônio. - Eu disse apenas.

- Ah, pois é ele não fez nada de interessante, tomou o corpo de um cara, esbarrou em um gatinho, a quem chamam de Bruno. E disse a ele, que a namorada dele, já havia ido embora. Annie, foi o nome que o  demônio disse. Então ele seguiu o corredor, e sumiu. E como você pode perceber não há mais ninguém nessa escola. E o que você ainda tava fazendo lá?

- Vigiando a Annie.  Ela ainda ta na escola. – Kimberly revirou os olhos.

- Se era só, tenho mais o que fazer. – ela não esperou eu responder. 

                                                   ***

Não fiquei parada, subi a rua em busca do meu carro, uma Mercedes Benz prata. Entrei no meu carro e dei a partida, segui dirigindo até encontrar um contorno, voltei pela rua da escola. Ao virar uma esquina vejo uma, garota loira a pé, Annie.

- Pelo que me parece essa vai ser presa fácil – sussurrei pra mim mesma, agora me aproximando dela.  Diminui a velocidade, e dirigi ao lado dela.
- Oi, Tudo bem – perguntei. Seu olhar ficou um tanto petrificado quando me viu, talvez por causa da minha beleza, mais é só um talvez. Como ela não disse nada resolvi continuar. – Meu nome é Natasha e o seu? – forcei um sorriso simpático.

- Ah, meu nome é Annie. – ela me respondeu, e continuou andando.

-Prazer – ela apenas acenou com a cabeça, paciência. – Olha o sol ta bem quente, não aceitaria uma carona? . – A humana parou e me olhou desconfiada, sorri. Durante alguns segundos ela me olhou, depois olhou em frente e direcionou o olhar ao sol.

- Quer saber? – ela disse, e eu ergui as sobrancelhas. –Vou aceitar sim a carona.  
Ela entrou no carro, esperei que ela se acomodasse e colocasse o cinto de segurança.

- Pra onde?- perguntei sorrindo.

- Ah, eu morro logo ali. – ela me informou o caminho da casa dela. Não era muito longe, pra sorte dela.Estacionei o carro em frente a casa dela, ela abriu a porta e já ia saindo quando ela se voltou pra mim.

- Obrigada pela carona Natasha, é um saco ter que andar a pé ainda mais nesse calor. – Por mais que morássemos em uma cidadezinha pequena no Canadá, Gander, que normalmente é fria, hoje fazia muito calor, talvez fosse o tempo abafado. Mais nada que pudesse impedir uma caça.

- Não foi nada Annie. – então ela saiu e bateu a porta. Observei enquanto ela dava a volta no carro e se dirigia a porta de sua casa.  – Logo você estará morta. – disse ao vento. Dei a partida, ainda era dia claro, revolvi e que iria caçar. Dirigi até uma ‘inter com a estadual’ rumei mata adentro. Ali, na floresta era o lugar que eu podia encontrar caçadores, ou até pessoas que moravam em casebres por ali mesmo, era dia, então não queria atrair muita atenção. Parei meu carro, e sai. Parei e aspirei o ar. A principio não senti nada que fosse agradável, pra me alimentar, comecei a correr floresta adentro. Subi uma arvore alta, como uma felina. Olhei em volta e aspirei o ar novamente, e ali, estava minha vitima um caçador, segui em direção ao cheiro, pulando de arvore em arvore, meus saltos eram perfeitos e silenciosos. Quando por fim avistei o humano, eu estava à cima dele, ele instalava suas armadilhas, pra animais pequenos, como coelhos. 

- Homens, não fazem nem idéia que existe raças superiores a vocês. Espero me divertir com você. – disse enquanto me agachava, no galho da arvore. O humano começou a andar, parou e camuflou outra armadilha. Comecei a cantarolar baixinho, uma musica que sempre me vinha à cabeça, mais que eu não lembrava donde vinha.  Ele começou a se afastar, então pulei alguns galhos, até me aproximar do chão a uns cinco  metros eu pules, cai em pé, silenciosamente, pelo menos o suficiente pro humano não me notar.

- Boa tarde. – disse, meus cabelos estavam cor de vinho, mais tinha a impressão que ele estava começando a se tornar mais vivos. Aspirei novamente pra ter certeza que não avisa mais gente com ele, ou por perto. Ele se assustou, mais disse.

- Boa tarde, princesa. –sorri, meu sorriso era um tanto maquiavélico. Homens galanteiam até quando estão prestes a morrer. - Está perdida?- ele disse se aproximando. Fiquei no mesmo lugar, com as mãos atrás do corpo, balançando levemente meu corpo pra frente e pra trás.
Balancei a cabeça negando, então disse.
 - Não estou perdida, vim atrás de você.

- De mim? Nossa que presente dos céus. – baixei a cabeça, percebi quando ele ia se aproximando, provavelmente com a intenção de levar a mão ao mesmo rosto, lentamente ergui a cabeça, e o humano parou. Seus olhos se arregalaram um pouco, ele havia percebi a mudança na cor dos meus olhos. Pelo que pude ver nos olhos dele, meus olhos estava verdes claros, meus cabelos vermelhos vivos.

- Não, você é meu presente, na verdade, -sorri mostrando meus caninos já a mostra- meu lanche da tarde. – Diante dessas palavras o humano saiu correndo, deixando cair às coisas que levava consigo.  – Não adianta correr. -Cantarolei. Corri atrás dele, com minha velocidade superior a dele, passei por ele, esperei por ele sentada em um troco caído.

- Por que demorou tanto. – ele gritou. Eu gargalhei. Ele correu em direção contraria. – Já disse que não adianta correr. – Levantei com um suspiro, e voltei a caça, o homem corria, e arfava, eu estava atrás dele, a menos de dois metros, correndo com uma medida certa em minha velocidade. Ele tropeçou em uma raiz. Tentou se levantar mais eu já estava olhando ele de cima.

- Por que você estava fazendo isso comigo?- ele tentava se levantar. Parei, endireitei meu corpo e examinei minhas unhas, vermelhas.

- Não pense assim- eu disse- não é você exatamente, é que você é o que estava por perto – pisquei pra ele. Nessa hora ele conseguiu se levantar. Começando de novo a correr. Mais eu já estava me cansando. Corri e parei em frente dele. Segurei seu pescoço com uma das mãos, o ergui no ar. Vi em seus olhos, meus cabelos estavam vermelhos vivos, extremamente claros, meus olhos quase amarelos, ele se debatia. O puxei de encontro a mim, sem pensar duas vezes mordi seu pescoço, senti seu medo em seu sangue enquanto me alimentava, ele continuava a se debater, o sangue escorria por minha boca. O joguei no chão e o imobilizei, suguei seu sangue até não restar nada, me levantei e observei-o. Ele estava num to pálido do cinza. Limpei meus lábios com o dedo polegar e o indicador. Deixei a carcaça humana ali mesmo, e andei, depois corri pro meu carro, entrei e fechei as portas. Dei a partida depois de alguns segundos, voltei pra Gander. Não parei em lugar algum fui direto pra casa. Guardei meu carro na garagem e subi pro meu quarto. Não encontrei com ninguém no caminho. Mais na porta do meu quarto sim. Lá estava Silas.

- Se divertiu?- perguntou.
- Não muito. – respondi e entrei no meu quarto, permaneci por lá algumas horas, descansando dos raios ultravioletas. Deitei em minha cama e fechei os olhos.
                                                   ***
Acordei com meu celular tocando. Estendi a mão ao criado mudo.
- Fala.
- Tem um humano, aqui andando despreocupadamente. – Era Kimberly.

- Que horas são? – abri os olhos eu não podia saber se  ainda era dia ou noite,  meu quarto era preenchido em trevas vinte e quatro horas por dia. A única certeza que eu tinha era que ainda era o mesmo dia.

- Já anoiteceu.

- Ok. – disse simplesmente, e ela desligou. Levantei- me. Sai de casa, á principio não fui me encontrar com Kimberly. Segui pra casa de Annie,  quando cheguei ela não estava no quarto, nem na sala, procurei olhar em casa cada janela, ela estava no chão do banheiro semi- nua, ela se contorcia, desesperadamente no chão, seus olhos estavam brancos, a cabeça vermelha, como se todo o sangue de seu corpo estivesse concentrado ali.Ela estava sendo possuída, seu corpo estava totalmente contorcido, a boca aberta, como se ela quisesse gritar, pude sentir seu desespero,  a vontade de gritar, de chorar, de fazer com que tudo aquilo acabasse,  o medo, ela lutava contra o ser, mais ele era forte. De repente pude sentir uma luz, não uma luz qualquer foi à luz que me fez desmaiar. O medo dela aumentava, e foi o medo dela que me fez acordar do estado de empatia sensitiva. Fiquei tonta, sai dali correndo, o mais longe possível da luz.
Sentei-me encostada ao fundo de uma casa próxima a casa de Annie,ainda podia sentir o poder do anjo e do demônio, podia sentir a humana sofrendo em silencio.
- Esse demônio é poderoso de mais. - sussurrei. Não demorou muito, tudo sumiu cada sensação, sentimento de dor ou qualquer outra coisa. Subi no telhado da casa, olhei pra casa vizinha e vi Annie saindo de casa, ela andava de cabeça baixa, a segui. Ela caminhava, parecia atormentada. E tinha motivos pra tal, continuei a segui-la, ela seguiu em frente, estava muito distante dela. Foi quando ela virou a esquina, que senti a presença. Mais não tive tempo pra definir  de onde vinha, a força que me jogou de costas ao tronco de uma arvore,por alguns minutosnão pude pensar. Sentir uma força que me levou de encontro com o tronco da arvore próxima, meu corpo não ficou danificado não tanto quanto o tronco da arvore. O ataque não foi o suficiente pra me machucar, mais a violência do ataque me deixou tonta.

- Fique longe da Humana vampira. – disse uma voz. A força começou a pender com mais força não podia me mover. – bem longe.  –continuou. De repente meu corpo caiu pra frente, não avia mais nada me segurando, não pude ver o que me atacara. Olhei pra todos os lados, nada. Levantei-me, procurei me recompor, e fui atrás de Annie. Tarde de mais ela avia entrado em uma casa. Só deu tempo de percebeu que seu estado de espírito havia mudado.
                                                 ***
- Droga- lamentei. Mais uma oportunidade perdida, sem contar o ataque, Será que é o anjo? – perguntei-me. – Não vou ficar parada aqui. - Fui encontrar com Kimberly, quando cheguei ela  estava sentada ao lado do humano em um banco,mais escuro da praça, seu sorriso era sedutor, me aproximei, ele olhava fixamente pra Kimberly e não percebeu minha chegada.
- Boa noite - disse sentada ao lado dele.

- Alan Schwartz, essa é Natasha, um amiga minha-  Kimberly me apresentou. Percebi o medo de ele a me ver. Não precisei do meu dom, dava pra ver em seus olhos.

- Que tal dividirmos?- ela me perguntou.

- Pode ficar, sabe me alimentei hoje, além do mais eu to bem frustrada.

 - Eu já vou – disse Allan Schwartz se levantando. Kimberly pareceu mesmo triste ao disser.
- Mais já. – foi só, ela não disse mais nada.
- Foi um prazer. – sorri pra ele.

    Ele saiu andando, Kimberly o seguiu e fui atrás dela, queria observar. Mais uma coisa aconteceu. Alguma coisa nos prendia no mesmo lugar, era a mesma força reconheci.

- O que é isso- perguntou Kimberly. Não respondi.

- De novo Vampira, segunda vez em menos de uma hora. Estou avisando, Allan e Annie são meus, vocês vampiros, quero velos bem longe deles. – Kimberly parecia sufocada.  Nem uma de nos falamos- Estamos entendidos.

- Quem é você demônio? – Perguntei ao perceber que se tratava de um demônio poderoso. Ele gargalhou.

- Sou Haboryn. – não vi da onde vinha a voz, a gargalhada, era só a força. A única coisa que podia sentir, é sua voz demoníaca. – Longe – repetiu. E se foi.
 Kimberly caiu. – O que foi isso? – Ela perguntou.

- Um demônio Kimberly, lembra quando eu disse que estava frustrada, - não esperei ela responder - era por isso, tinha acabado de ser atacada por ele, ele me avisou pra ficar longe de Annie, mais o que esse Allan tem a ver com isso?

– fiz essa pergunta pra mim mesma. Eu estava de costas pra ela, Kimberly  já começava a se recompor.
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- Haboryn. – disse ao entrar como um furacão  na sala de Silas. – Você Sabe o que éHaboryn ? – Silas ergueu as sobrancelhas, despreocupado.

- Haboryn? – repetiu.
- Sim,Haboryn. Silas, ele esta protegendo Annie, você pode me dizer por quê?

- Sinto muito, mais não – sua voz não se alterara nem um pouco.



Capitulo 3 – Halloween.

Hoje começou as festividades em Gander, é halloween, e as tradições sempre são cumpridas neste lado do mundo. Levantei da cama para observar o dia, já estava bem claro, o sol brilhava e aquilo me incomodava muito, tenho certa resistência solar como Kimberly, ganhamos logo quando fomos transformadas, mas mesmo assim o sol nos incomoda.
A cidade estava toda enfeitada, morcegos pendurados nas mansões vizinhas; abóboras decoradas e com velas por dentro, essa noite prometia ser a grande festa. As crianças gostam muito de vim para cá, por ser considerado o bairro mais sombrio de Gander. Nessa época do ano o frio é mais intenso que os outros dias, as chuvas se precipitam mais, agente costuma usar essas obras do tempo para deixar ainda mais assustador, alguns magos negros desse bairro fazer trovejar quando as crianças entram no bairro, é tudo muito engraçado e divertido, geralmente é nessa noite que eu gosto de caçar.
Sim, hoje é o tão esperado dia para matar de vez Annie, eu só preciso descobrir como, despistar um anjo e um demônio seria demasiadamente complicado, e eu correria um grande risco de deixar de existir. Pensei que Silas pudesse me ajudar. Vesti-me mais provocante possível e entrei no escritório de mi lord.
Como sempre Silas estava ocupado com suas papeladas e anotações, cabeça curvada e os olhos fixos no que fazia. Parecia mais serio do que da ultima vez.
- Sente-se Natasha.- Ele disse calmamente, e sua voz se ecoou como um comando.
Puxei a cadeira a minha frente e sentei. Ele me olhou fixamente e esperou que eu falasse. Foi um pouco complicado eu encontrar as palavras, mas uns segundos depois eu comecei.
- Silas, eu estou tendo problemas para cumprir sua ordem. Annie se tornou complicada demais para mim.
Silas ofegou.
- Natasha, tudo é uma questão de tempo, aguarde, tudo vai caminhar para que assim aconteça. Só se prepare para agir na hora certa.
- Talvez você tenha razão Silas. Desculpe-me pela grosseria de ontem, é que tudo isso ta me irritando muito. Nunca demorei tanto para matar uma presa. Annie não é só mais uma ordem sua, Annie é quem eu quero matar, eu tenho sede pelo seu sangue.
Silas me olhou vago, parecia enxergar alem de mim.
- Ele mudou o plano. Annie não é a única prioridade de Haboryn. Alias, não é só o demônio que esta agindo Natasha. Agora posso ver.
Agora parecia que tudo fazia sentido para Silas, e eu estava cada vez mais envolvida e intrigada.
- Complete suas formulações mi lord, por favor, estou ficando irada.
Silas roçou a garganta e continuou.
- Um ser sem corpo age manipulando o rapaz que vocês viram ser protegido por Haboryn. O ser sem corpo está ajudando Haboryn em seus planos, e Haboryn o ajudará nos seus, numa troca sobrenatural onde os dois sairão ganhando. Haboryn quer Annie para atravessar a este mundo, e o ser sem corpo quer Allan para atrair um corpo.
- Assim o Haboryn encarna na Terra, e o ser sem corpo ganha algo por isso, e Allan mais conhecimento. - Completei o raciocínio agora compreendendo tudo.
- Sim Natasha. - Silas levantou triunfante e confiante de suas conclusões – Se matar Annie, impedirá que Haboryn encarne e assim não haverá mais confusões em nosso domínio.
Comecei a gargalhar, eu estou sentindo tanta motivação, ansiedade liberada, adrenalina correndo em minha mente, afim de agora destruir com todos e aliviar.
- Até mais Silas, aguarde noticias. Eu disse enquanto levantava e armava minha armadilha.
Voltei para o meu quarto e peguei meu óculos, vou visitar Christine, quero que ela me ajude. Também acho que ela sabe mais do que eu penso que saiba. Afinal, ela e John foram quem trouxeram essa intriga em nosso meio.
O dia havia mudado muito, há um tempo atrás quando eu observava da janela de meu quarto, o sol brilhava, agora a luz do sol estava oculta atrás de densas nuvens e neblina por toda cidade. A visibilidade estava pouca e alguns relâmpagos anunciavam chuva.
Caminhei lentamente e observando cada detalhe da decoração, alguns moradores exageravam colocando amuletos nas portas, até vassouras para afastar os maus espíritos. É um bando de bruxos supersticiosos demais. A mansão de Christine estava decorada com apenas cinco abobaras com velas dentro e com cortes para parecer humano, alguns morcegos descendo entre o andar e o telhado da casa, do lado da porta, e entre os dois vidros verticais duas vassouras de palha, e dois “fantasmas” de cada lado da parte da frente da casa no quintal.
Caminhei bem tranqüila e toquei a companhia. Tive que aguardar um tempo, até que Christine veio me atender.
- Natasha! Que surpresa! Ela disse bem receptiva.
Parecia que eu a olhava fixamente, mas não era. Um cheiro lá dentro me incomodava.
- Desculpe Christine, mas quem está ai? Eu perguntei curiosa e intrigada.
Christine fechou a porta e me levou para trás da mansão. O quintal dos fundos estava tudo muito mágico e decorado. Uma grande mesa no centro com variados tipos de comida, ao lado tinha um caldeirão e fogo por baixo, e água fervendo. Christine percebeu minha curiosidade, afinal, era a primeira vez que ela me deixa ver como eram preparados os materiais para comemorar o dia das bruxas. Em cima da mesa tinha maçãs, romãs, abóboras. Tinha flores, madressilva, flores brancas com formato de tentáculos, e lindos crisântemos coloridos.
- Natasha – Voltei minha atenção a ela – eu vou buscar um chá, fique a vontade.
Minha atenção foi rapidamente voltada para a mesa, um prato sozinho em volta de tudo aquilo, uma toalha sobre a mesa de cor púrpura. Tinha castanhas mais adiante; milho, beterraba, cidra, uma taça de vinho e mais pratos com abóboras e outros com carne, e dois castiçais sobre a mesa com três velas cada um, o que me chamou atenção foi que em um castiçal havia um papel. Eu sabia que não poderia ler, mas não consigo controlar minha ansiedade. Lentamente me aproximei e peguei e nele estava escrito: “Quero saber mais sobre meu passado, sobre Sarah, só lembro-me de sua imagem e de seu nome e de quem lhe deu um fim trágico”.
- Bisbilhotando Natasha. Disse Christine, ela estava seria me olhando pelas costas com um bule e duas xícaras de chá.
- Perdão Christine, você me conhece, a curiosidade me motivou.
Ainda me olhando séria e firme ela disse: - coloque aonde achou e sente-se.
Imediatamente eu a obedeci, senti na cadeira logo à frente ao que ela posicionara para sentar. Ela esticou seus braços e me deu a xícara com muita delicadeza.
- O que você realmente veio fazer aqui Natasha? Ela perguntou desconfiada.
- Quero saber mais sobre Annie.
Seu olhar parecia sair um pouco de foco, talvez não fosse essa a resposta que ela esperava ouvir.
- Annie. Repetiu.
- Sabe alguma coisa sobre ela, ou pode me ajudar, a saber, mais sobre ela? Eu perguntei confiante que Christine colaborará comigo.
Ele respirou fundo.
- Annie brincou com os mortos junto com seus amigos, como qualquer adolescente atrás de aventura. Mas ela é diferente, um anjo a protege, existe um demônio, Haboryn, ele quer vir ao nosso mundo, e precisa dela, precisa sugar a energia do anjo que a protege, e então vim para nosso mundo.
- A troco de que? - Interrompi.
- Não sabemos o que ele quer em terra, estamos investigando assim como vocês, mas John está meio despreocupado, afinal, ela tem um anjo para protegê-la.
Agora eu estava certa que deveria eliminar Annie o mais rápidopossível, a vida de todos nós estaria correndo perigo, um demônio querendo atravessar para este mundo, é como Silas previu, guerras, anjo, demônio e vampiros. Levantei ainda hilariante e com o olhar sem foco, agora planejaria de forma correta toda a trajetória de Annie, até a sua morte.
- Natasha! Christine exclamou a minha súbita saída.
Eu não dei ouvido e fui vigiar Annie na escola. Cheguei num momento tenso, encostei-me à parede de um bloco da escola e observei, apurei meus sentidos para tentar ter uma noção do que se acontecia. Um rapaz amigo de Annie parecia ter desmaiado no banheiro e o namorado dela o levará para casa. Annie estava confusa e triste por ter que voltar mais uma vez a pé para sua casa.
Parecia que um rapaz tivesse tido uma estranha participação no que aconteceu, Annie o parou no meio do caminhou e o interrogou. Ele realmente parecia não estar dentro de si. Annie havia se estressado e ele disse umas palavras estranhas a ela, mas que logo fez sentido quando me lembrei de ter conversado com Christine. “Para se livrar vai ter que brincar”. Ele disse.
Annie foi embora com Leide e Nádia, as suas amigas. Eu tratei de voltar à mansão e armar uma estratégia eficaz, que agora não tenha nem condições do anjo nem do demônio a salvar. Em casa, a sala de estar é o lugar mais calmo da mansão, naquele imenso sofá é aonde eu me confesso, onde eu armo minhas ciladas, e dessa vez não seria diferente. Deitei-me e olhei para o teto e comecei a refletir. Se Annie esta sendo protegida por um anjo é por que ela tem uma grande missão na Terra, o demônio certamente quer a morte dela para que ela não cumpra essa missão. Se a deixarmos viva ela certamente fará a vontade do criador. Mas analisando, a vontade dele poderia ser a nossa contra vontade, já que Silas falou em guerra, um vampiro é desvantagem enfrentar anjos e demônios, então temos que matá-la, mas como? Silas já disse que devamos fazer o anjo pecar, mas isso dará vantagem ao demônio, ao menos que ele não saiba como eu vá agir, assim ele se ocupa com o anjo e eu mato Annie.
Comecei a gargalhar naquela imensa sala vazia, eu matei a charada, já sei como matar Annie.
- Ola Natasha como vai? No auge de meus pensamentos, entorpecida, eu fui subitamente trazida ao nosso mundo por um vampiro loiro dos olhos azuis, o tipo de vampiro que se acha poderoso demais, que ninguém possa ultrapassá-lo, que lideres só organizam o clã, mas eram fracos em poder. Essa era sua filosofia.
Respirei profundamente, tentando admitir ele estar ali. E com um ar de tédio eu respondi: - Oi Dãcan, estava ótima até você surgir.
- Vampirinha ruiva e rebelde. A sua inveja pode te destruir. Sua voz saiu seria e sedutora.
- Por favor, poupe-me! Falei intrigada.
Dãcan pareceu persistir e se sentou
- Vim conversar assunto de nosso interesse.
- Como assim? Olhei friamente para ele.
- A morte de Annie. Você foi incumbida dessa missão, e até agora nada. Você sabia que isso ameaça a todos nós.
- Nossa, estou surpresa agora. Você com medo? Não é todo poderoso?
Dãcan sorriu sarcasticamente e continuou.
- Poupe-me você agora Natasha.
- Não se preocupe Dãcan, matarei a pobre protegida por anjo e por demônio.
Após algum silencio, a companhia tocou.
Dãcan sumiu do meu lado e reapareceu na porta, num teleporte tão charmoso que só ele pode fazer. Ele olhou para mim com a aquele olhar barato e conquistador. Virando-se abriu a porta. Era o jovem garoto, o gótico protegido por Haboryn. Na hora fui tomada por fúria e meus caninos obrigaram minha boca a abrir, mas me mantive quieta no sofá. Ele agora estava um pouco diferente, ou talvez eu tenha prestado mais atenção nele agora. Seus olhos estavam azuis, e percebi que ele não aparentava mais dezesseis anos, e sim uns vinte anos, corpo magro, mas definido, cabelos longos negros e sobrancelhas expressivas.
O garoto segurou firme sua respiração e num só fôlego disse: - Sou Alan Schwartz, e sei sobre vocês e esse bairro.
Antes que o garoto pudesse recuperar o fôlego, Dãcan abriu sua boca e mostrou seus caninos. Eu tive que ser rápida e gritei: - Pare!
Dãcan então só o segurou com firmeza.
- Por favor, preciso da ajuda de vocês, ouça o que tenho a dizer. É o que peço.
- Ótimo garotinho, entre, sente-se conosco e conte sua história. Eu disse calmamente.
Ele veio tremulo até o sofá, Dãcan veio sorrateiro e sentou-se no braço do sofá. O seu olhar havia medo e seu sangue me cheirava euforia.
- Vamos garoto, mostre-nos o segredo de seu coração. Disse Dãcan.
- Tudo bem. Ele respirou fundo e começou. Sou Alan, e vim em nome de Willian, um espírito antigo que habita a casa da esquina deste bairro, ele vive no corpo de um gato negro. Ele possui planos com certa pessoa e sabe de seu interesse por outra próxima. Ele propõe um acordo.
- Continua. Eu disse calmamente.
- Bom; hoje Eric e Bruno saíram para ir a uma festa. Bruno quer que Eric se divirta, porque acha que o amigo esta tendo muito stress, e isso prejudicando sua saúde mental. E vão só os dois, sem namoradas por perto.
- Ta, e aonde entramos nessa baboseira toda. Disse Dãcan impaciente.
- Bruno é o namorado de Annie. Eu só preciso do Eric, e vocês precisam fazer o anjo pecar. Não estou certo?
- Sim, está. Falei ainda atordoada com as informações. Mas como se uma lâmpada que se acende, vieram as idéias em minha mente.
- Sim! Gritei empolgada. Se Annie se abalar sentimentalmente, ela estará vulnerável aos poderes do mal, o demônio então poderá agir e cegar o anjo, eu então entro e acabo com a vida de Annie.
- Natasha! Deixa de ser louca! Isso não faz nenhum sentido! Berrou Dãcan.
- Não Dãcan! Faz todo sentido. O que quer que agente faça exatamente?
- Bom... Alan parecia mais a vontade agora. Quero que vocês atraiam Eric até a Figueira que fica na casa velha aqui da esquina, aonde o demônio tentou estuprar Annie.
- Tudo bem. Usaremos nossa sensualidade e atrairemos Eric e Bruno para sua emboscada. Preciso de Bruno para isso.
- Tudo bem então. É essa noite.
- Fique tranqüilo, tudo ocorrerá bem como planejado.
Allan assentiu agora um pouco mas tranqüilo e sorridente.
- O que sabe sobre Haboryn?
Ele pareceu ter ouvido pela primeira vez esse nome.
- Não sei do que você está falando. Ele respondeu ainda sem entender a pergunta.
Então o dispensei. Alan saiu um pouco apressado da mansão. Eu tratei de subir as escadas e fui até o quarto de Kimberly. Ela estava sentada lendo algo que não pode avistar, mas relacionava os vampiros.
- Temos um trabalho hoje Kimberly. Vamos atrair o mal de Annie!
- Como assim? Ela me olhou incrédula.
- Confia em mim e presta atenção no plano que vou lhe dizer.







Cap. 4 –

Kimberly se aproximou de mim, ela trajava uma calça skinny escura, uma blusa colada, e um lindo salto, como sempre ela estava linda. Por um instante me visualizei no espelho do meu quarto, eu estava com um vestido preto curto, tomara que caia, colado no corpo, meus cabelos estavam ondulados e soltos.  Voltei a mim e entrei no carro.
- Vamos – disse Kimberly ao entrar no carro. Acenei com a cabeça confirmando, engatei a marcha ré e sai da garagem. A festa era logo na esquina do nosso bairro, quisemos ir de carro por causa do meu lado esnobe. Estacionei o carro e saímos.   Havia a fila mais não precisávamos enfrentá-la.
Entramos, a festa estava animada, o local bem decorado, luzes como flash, e outras, davam efeito das pessoas dançarem em câmera lenta, não prestei muita atenção nisso. - ‘tenho que permanecer fixada’ – sussurrei pra mim mesma. Kimberly ouviu, mais nem se importou.
- Vamos nos sentar no bar e beber algo, e esperar os humanos? –perguntei a Kimberly.
- Depois – ela me respondeu- quero dançar um pouco,- ela disse com um sorriso um tanto diabólico nos lábios. Suspirei. Andei até o bar, sentei – me na cadeira. Olhei a multidão não vi ninguém com a descrição que a Kimberly havia me dito sobre o Bruno.
- O que gostaria de beber – eu me virei em direção à voz masculina. Era o barman. Ele não eraum humano considerado lindo, mais era muito, muito bonito, corpo másculo, pele bronzeada, cabelos negros e olhos castanhos esverdeados.
- Um Dry Martini – respondi - voltei minha atenção as pessoas que dançavam, Kimberly estava dançando provocando um humano. Sorri.
-Só você mesma Kimberly – disse. Continuei olhando em volta. Alguns casais se beijavam com ardor, nos minutos que passavam novos casais se formava.  Olhei pra porta, então vi dois rapazes, um com as mesmas descrições que Kimberly havia me dado e o outro provavelmente seria o Eric. Eles entraram, desviei o olhar pro banco a minha frente e Kimberly estava sentada nele.
-Chegaram. – ela disse. Eu apenas acenei com a cabeça. Observamos eles entrarem e se juntarem a multidão de corpos, dançando, se beijando, curtindo.
- Não vamos esperar muito tempo, - disse me levantando - vamos à caça.  –disse sorrindo. Kimberly concordou e me seguiu, entrei em meio à multidão. Os rapazes seguiram pro bainheiro, os humanos estavam lá, pude ouvir Bruno e Eric conversando. Então fiquei parada a porta. Não demorou muito e eles apareceram. 
Olá – disse Kimberly com sua voz sedutora, os rapazes pararam ao escutar a voz, que hipnotizava. Sorri. – Tudo bem com vocês – ela continuou quando percebeu que eles não tinham reação, diante de sua voz, e de nossa beleza.
Uau- disse Eric- tudo bem com a gente, gata. – sorri. Kimberly investiu no Eric, enquanto eu me aproximei de Bruno.
 - Nossa, você é uma ruiva muito, muito gata. – Bruno me disse acompanhando minha aproximação com o olhar.
- Que tal saímos – disse Kimberly.
-Boa idéia- concordei com meus olhos fixos nos de Bruno. Kimberly se aproximara de Eric, o provocava, o seduzia. Bruno estava encostado na parede onde eu estava a um segundo a trás, então estiquei o braço, e me apoiei na parede.
- Claro – disseram os rapazes em união. Dei um sorriso sedutor.  Kimberly puxou o Eric pela mão, eles pararam e se beijavam. Fiquei de costas pra Bruno, segurando sua mão.
- Espera – disse ele de repente- eu tenho namorada.
- O que? – perguntei com raiva, disfarcei meu estado, Annie, pensei nela, precisavamatá-la de uma vez, afastei o pensamento e disse, olhando pra todos os lados.
- Ela esta aqui? – ele sacudiu a cabeça negando– Então relaxa, - disse aproximando minha boca de seu ouvido - ela não vai ficar sabendo de nada. – Então mordi de leve sua orelha, pude ouvi-lo gemer, então prossegui, beijei seu pescoço, deixei uma trilha de beijos até sua boca. Beijei-o arduamente.
Interrompi o beijo, tornei a ficar de costas pra ele, puxei-o de modo que seu corpo se encaixasse ao meu, ele passo os braços, ao redor da minha barriga, e eu segurei por alguns instantes sua cabeça, enquanto o beijava.
Saímos pelos fundos da boate, era um beco escuro e úmido, então seguimos em direção a casa da esquina.  Deixei o carro na boate, fomos andando, pelo caminho parávamos e nos beijávamos, eu o provocava, ele arfava. Senti sua excitação. Quando chegamos eu parei em frente à figueira, encostei ele no tronco, ergui seus braços, segurando- os de encontro ao tronco, beijei- o lentamente. Na boca, na orelhaao pescoço. Mordi, ele gritou, não tão alto ele estava entorpecido, bebi seu sangue o suficiente para deixá-lo desacordado.
- Kimberly - a chamei, ela apareceu na porta, sem Eric, ela provavelmente já havia deixa dôo aos cuidados de Allan.  – Vá pegar meu carro, ok, vou levar esse humano pra casa. 
- Não é melhor eu levar o humano, e você ir buscar o SEU carro? – ela revirou os olhos.
- Pelo simples motivo que quero ter o prazer de levá-lo – ela fez uma careta, virou o rosto e fez um som com um ‘rhum’, e no segundo seguinte ela não estava mais lá.
Peguei- o e joguei-o sobre o ombro. Corri, cheguei à mansão rapidamente.
­­­­­­­­­­­­Eu estava convencida que hoje seria o dia da morte de Annie, tinha que ser. Então fui procurá-la,encontrei-a saindo de casa,andava rápido com presa, escutei passos na casa dela, e logo vi uma mulher e uma criança na porta dos fundos chamando por Annie, mais ela nem se importou, continuou andando, seus braços envolviam seu corpo, era como se ela quisesse se proteger, ou estivesse apenas com frio, o dia estava nublado e fazia muito frio. Parei por um instante encostado em uma arvore, apenas observando – a. Só me movi quando ela virou a esquina, então corri, entrei pelos fundos de algumas casas pra cortar, caminho. Senti uma presença demoníaca, e quando olhei pra Annie ela estava parada, imóvel, seus olhos não tinham expressão alguma, ela olhava fixamente pro chão, seus braços largados ao lado do corpo, devagar ela conseguiu levantar o seu rosto, me senti estranha com medo talvez. Ela olhou fixamente pra rua a sua frente, e depois pro lado, então ela começou a caminhar pro lado que ela olhava, não tinha nada ai a não ser mato. Mais ela continuou caminhando, pra mim ela não era a mesma Annie, parecia que ela conhecia o caminho, o lugar era fechado, então resolvi atacar. Corri em sua direção, mais antes que eu pudesse chegar perto dela, uma força me impulsionou pra longe, cai em cima de um tronco podre que se despedaçou no contato com o meu corpo. Fiquei imóvel por alguns instantes, estava perturbada. Levantei-me, podia ver Annie, tentei ir atrás dela, fazer algum barulho, pra ela se assustar, mais ela parecia inconsciente, morta. Não, a morte dela era minha, disse a mim mesma.  Penetrei mata adentro do meu lado esquerdo, não podia ir atrás dela mais ao lado quem sabe. Ao imaginar que o fim da Annie podia não estar em minhas mãos, me deixava irritada, então corri, encontrei a, nos fundo de uma casa, era a casa abandonada da esquina, reconheci. Ela estava parada em frente à porta, foi então que a porta começou a abrir, não vi ninguém dentro ou ao lado da porta, deduzi que estivesse se abrindo sozinha, arfei; como?Perguntei-me.
A porta permaneceu entreaberta por alguns instantes, aos poucos ela se abria mais rangendo. Ela não se moveu. Seus olhos antes fixos na porta agora ganhavam vida, então ela gritou. Olhou pros lados e começou a correr em direção à rua. Era o anjo, o maldito anjo esta por aqui, a presença do demônio havia diminuído mais não se extinguira de vez,estava tão obcecada em acompanhar minha preza, minha vitima que nem pude senti–lo. Senti-me apenas tonta, eu estava longe. Ela correu, ela chorava; uma cena, umtanto estranha a meu ver, se ela tem um anjo no seu pé ela devia se sentir bem. Fui atrás dela, senti o ar dos seus pulmões lhe faltarem estava frio. Por mais que ela corresse parecia não ser o suficiente. De repente, ela parou, caiu devagar sentada no meio fio, abraçou os joelhos, e se movimentou pra frente e para traz em movimentos sincronizados. Eu me senti triste... Depressiva ao ver aquela cena.
- Bruno, me desculpe não pude, não tive coragem de entrar, sou uma covarde, me perdoe – ela lamentava pro vento frio. A única resposta que ela tinha era o assobio do vento. Fiquei extasiada de repente, eu não entendia minhas mudanças de humor, eu ria pra mim mesmo.   Ela esta achando que o Bruno esta naquela casa. Ta ficando doida a garota. Conclui. Ri mais um pouco, não sabia se era de mim, ou dela, eu não sabia por que ela saíra de casa e muito menos o porquê dela achar que seu namorado está na casa abandonada. Depois de algumas horas eu estava cansada de ver a mesma cena, ela sentada no meio fio, na mesma posição, às vezes ela parava de se mover e olhava pro celular, na palma de sua mão, mais não parava de soluçar. Como uma pessoa pode ter tantas lagrimas?!
Se eu fosse uma humana já estaria dormindo de tédio, mais eu não dormia; pena. Por fim Annie começou a se levantar, mais continuou parada, secou as lagrimas, com o dorso da mão. Respirou fundo e começou a caminhar, passos lentos de mais pro meu gosto. Suspirei, entediada, acho que era minha convivência com Kimberly.
- É isso- ela disse depois e uma longa caminhada, é isso o que? Perguntei-me. Ela correu, mais desistiu, seus pulmões eram fracos demais pra correr num frio cortante como esse.
Ela chegou a casa, abriu a porta dos fundos.
- Onde você estava Annie? Porque saiu daquele jeito de casa? .- Uma mulher perguntou a Annie, acho que sua mãe.
- Desculpe, mãe depois conversamos. –ela respondeu correndo escada a cima. Vi que a criança a olhava, seu rosto parecia triste. Mais eu tinha quase certeza que a criança pressentia algo, e se preocupava com a irmã.  Não esperei pra ouvir o que a mãe de Annie ia dizer, subi pro quarto.
Annie sentou em uma cadeira diante de um computador, e acessou o GOOGLE, pesquisava sobre coisas como exorcismo, brincadeiras demoníacas, anotou alguns resultados.
- Pra se livrar precisa brincar, era isso que o telefonema dizia. – ela disse com os olhos vidrados no papel em que ela escrevia. 
 Annie se levantou, começou a vasculhar seu quarto, olhou dentro da bolsa, então pegou um batom, afastou os moveis, tirou os tapetes do chão, se agachou e desenhou, no começo não entendi muito bem do circulo, até ver a estrela de cinco pontas.  Ela sentou no centro, com as pernas cruzadas,e o corpo ereto. Fiquei imóvel, na expectativa.  Nada aconteceu a principio, ela só ficou imóvel, segurando o papel com força. Foi então que palavras saíram da boca de Annie, não pude compreender, um vento começou a balançar as arvores, no começo lentamente, conforme Annie continuava as rajadas de vento eram mais fortes. Ela continuou. Olhei pra trás, não tenho certeza mais poderia afirmar que vi alguma coisa se mover nas sombras, era final de dia. Arfei; de repente, o demônio esta por ali. Mais forte, muito mais forte, a rajada de vendo a seguir, mefez voltar à atenção em Annie.
Ela continuava com as pernas cruzadas, mais agora seu corpo, estava no chão, um dos seus braços, estava no alto, seus dedos se contorciam sua boca aberta, seus olhos fixos na porta. Então a porta se fechou lentamente, a luz que entrava no quarto por fim acabou. Era só ela ali, no chão,contorcida. Era a segunda vez que eu presenciava isso mais, eu não conseguia me acostumar com as sensações.
De repente me senti desesperada, se meu coração ainda batesse, ele estaria acelerado. Senti-me inquieta, olhei repetidas vezes pros lados, como se procurasse alguma coisa, mais não encontrei. Mais sabia também que não era uma coisa que encontraria ao meu lado, então olhei pra cima, fiquei tonta de imediato, a luz se aproximou de mim, era ele o maldito anjo, não tive tempo pra olhar Annie sai dali.
Fiquei o mais longe que pude, apenas observando o movimento na casa. Não ouve gritos, só conseguia ouvir sussurros, nada mais. Estava fraca de mais, tonta de mais, cansada de mais, nunca antes uma presa fora tão cansativa.
Ouvi o barulho de uma porta batendo, então vi Annie saindo correndo de casa pela porta da frente. O anjo deve terajudado – a. Não me movi; só a observei correr, ela olhava pra trás enquanto corria, sua família estava à porta, sua mãe chamava-a desesperada, sua irmã chorava, era triste, pois eu sabia que ela, sabia o que aconteceria com a irmã. Ela sabia, e assim seria.
Eu pude ver e sentir a batalha, entre o anjo e o demônio, não sabia dizer o qual eu amava, ironicamente. Os dois atrapalhavam de mais minha vida. Então sai correndo atrás de Annie, minha velocidade não permitia que os humanos me vissem, quando a alcancei, diminui o passo.
Senti pena dela, três seres atrás dela, mais uma não conta. Ela podia sentir a intensidade do poder, atrás dela.  A força do bem e do mal, que a perseguiam. Pude perceber que ela continuava a dizer algumas palavras, ela estava decidida a terminar a brincadeira, estava apavorada, mais mesmo assim, morrendo de medo. Ela continuou correndo, a noite fria, prometia chuva.  Prestei atenção de mais na batalha, pensei, pois só alguns segundos depois que percebi que estamos dentro da floresta.
O Demônio estava ocupado com o anjo, então essa era minha hora, a medida que eu me aproximei, pude sentir o anjo mais fraco, as palavras de Annie ainda saiam de sua boca , mesmo que fracas e arfantes, por que ela continuava a dizê-las?  Nem o menos ela estava no circulo, mais isso não importava mais, ela estava aqui na floresta, o demônio estava lutando pra por as mãos em Annie, o anjo pois sua vida, pra protege lá e eu lutava pela sua morte. A chuva começou a cair, de repente. Olhei pro céu. Não havia estrelas, apenas nuvens escuras, e a chuva gelada.
Ela voltou a olhar pra trás. Ela me viu, percebeu minha proximidade, e então tentou correr mais rápido, mais era inútil, e ainda tinha a chuva que ensopava suas roupas, deixa o chão escorregadio. Ela estava perdida, e ela sabia disso. Humana esperta. Continuei minha perseguição. O medo que senti emanar do corpo dela me deixou mais excitada, meus cabelos se tornavam mais vivos a medida em que eu me aproximava.
As arvores estavam perfeitamente enfileiras, uma trilha as cortava em duas, Annie corria por essa trilha, a batalha se seguia logo atrás dela, e eu, eu estava correndo entre as arvores. As arvores fazia com que eu a visse com pequenos flashs,o chuva dava um efeito mais perverso, um tanto medonho, e assim provavelmente ela me via também.
Imaginei a minha imagem, correndo em meio as arvores,a chuva molhando meu corpo, e a chuva,me imaginei Annie, protegida por um anjo. Sorri diabolicamente, e segui pra trilha, ela olhou pra trás e caiu. Meu sorriso foi irônico, humanos frágeis. Parei em frente a ela, ela me olhava, como seu eu fosse o mal encarnado, ela tentava se arrastava de costas, olhando pra mim, com medo? Não pavor. Pude ver nos seus olhos, meus cabelos mais vivos do que nunca, molhados.
- Até que em fim Annie.
- Natasha- ela se lembrou de mim. Meus olhos se tornaram verde-amarelados, minhas presas, tomaram conta de minha boca.  Agachei em posição de ataque. A chuva caia sobre ela, suas roupas estavam grudadas em seu corpo.

- É Natasha- disse apenas, então avancei. Ela ainda tentou se levantar, mais peguei seu braço, a puxei em direção ao meu corpo. Enrolei seus cabelos encharcados em minhas mãos e puxei sua cabeça pro lado. As ações eram rápidas de mais, minha boca se abriu e cravei meus dentes em seu pescoço, suguei seu sangue, doce, muito doce, não pensei em mais nada, enquanto o corpo amolecia em meus braços.  Senti uma sensação estranha não conseguia parar, ela não estava morta mais quase, e eu sabia que não podia sugar seu sangue por completo se não eu morreria. Sua morte se tornaria minha, mais o doce de seu sangue era viciante, a sensação era boa de mais, pra eu ter que parar. Não queria parar mais eu tinha. Quanto senti que seu sangue quase se esvairá por completo, eu parei bruscamente, afastei seu pescoço de minha boca, joguei seu corpo no chão. Levantei-me e mostrei as presas pra minha presa humana, ela não podia ser minha reação, estava morta. Mesmo assim senti raiva da humana, como o sangue dela podia ser tão doce, tão satisfatório, nunca nem um sangue humano me deixara assim. 

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