Cap 34
Sai da mansão de Christine, e me afastei
da cidade, não muito longe de Gander onde eu pudesse me alimentar. Não demorou
muito para eu encontrar minha presa, que de certa forma estava fácil até de
mais. Deixei de lado meu vicio pelo medo por alguns instantes e o matei
rapidamente. Deixando-o ali mesmo para que fosse encontrado logo.
Voltei para Gander, a medida que eu
entrava nos limites da cidade eu sentia o ambiente estranho. Era só impressão. Por
que estava tudo demasiadamente normal em Gander, normal demais, já que um
demônio estava ali. Com seus plenos poderes, e com um exercito de vampiros ao
seu lado. Voltei para a mansão, Julio estava no hall, parecia nervoso. Quando
ele me viu, foi na direção oposta, subi pra meu quarto, pra procurar o amuleto
que Kimberly havia me dado.
- Como está Adriel?- Olhei para trás
Kimberly estava atrás de mim, parecia mais pálida que o normal, eu não a havia
percebido até ouvir sua voz, cheguei a me sobressaltar. Abri a porta do meu
quarto.
- Bem! Mais ainda está desacordado.
Christine disse que ele apenas dorme. – sorri para Kimberly. Entrei e Kimberly
me seguiu, fechando a porta atrás dela.
- Ótimo. – ela disse apenas. Comecei a
procurar pelo amuleto. – O que está procurando?
- O amuleto que você me deu. – respondi
apenas.
- Aquele amuleto afastava Haboryn
enquanto ele era um espírito, agora, ele possui um corpo. – Suspirei desanimada.
Adriel parecia tão frágil que pensei que aquele amuleto poderia servir para
protegê-lo.
- Agora que Adriel é humano, talvez
Haboryn nem queria saber de seu paradeiro – comentei como se para mim mesma.
- Talvez. – Kimberly disse dando de ombros.
– Christine não sabe dizer se Adriel se lembrará de sua vida como anjo?
- Não sei, teremos que esperar até que
ele acorde. Talvez seja melhor que ele não se lembre.
- Mais se ele não se lembrar de sua
experiência como anjo, não se lembrará de você – Eu tinha noção disso.
- Mais e se ele lembrar? O que ele vai
fazer sabendo que Haboryn está na Terra e ele não pode fazer nada.
- Ele não pode, mais vai tentar –
Kimberly disse sorrindo solidariamente – Adriel, pode acordar sentindo-se
culpado com o que aconteceu com Allan. Você precisa ficar de olho nele.
- É eu sei.
- Um humano no meio de uma guerra de
demônios e vampiros... Não seria muito sensato. – sentei-me na cama.
- Ele não fará nada.
- Vai ir vê-lo novamente?
- Eu apenas saí de lá pra caçar, senti
muita cede perto dele.
- Mais antes, por que não me conta, em
detalhes, as coisas que você lembrou. – ela disse se aproximando. Seria inútil,
ela ficaria me aborrecendo enquanto não contasse.
- Lembra que te contei, sobre o homem
que vi no casebre? – ela fez que sim com a cabeça – O nome dele era Tyler, e
era meu marido... Marido da Meg – resolvi me corrigir – Eu o traí e fugi com
Willian, eu o amava mais eu me sentia confusa em relação a Willian que estava
me usando junto com Christine e Haboryn. No dia que era pra nos fugirmos Will
não apareceu e eu não podia voltar, adultério naquela época era muito
complicado. Então resolvi não voltar, então me encontrei com Silas, daí em
diante, passei a vigiar Tyler e descobri que eu o amava e que esse sentimento
era recíproco, ele me esperou até a morte. Lembro-me das vezes em que eu me
encontrava com Will e depois voltava pra Tyler, ele percebeu que eu estava
diferente, mais nada dizia. Eu costumava comparar Tyler com Will quando ele me
abraçava. Com Will tive experiências que não tive com meu marido, meus
sentimentos mais libidinosos eram despertos, sem pudor. E Will me aceitava
assim, mais eu não o amava como amava Tyler, Tyler não me usou em nome do
poder, nem nada parecido.
Contei mais algumas imagens que sempre
eram bem visíveis em minha mente, contei detalhadamente toda a trama que eu
havia contado na reunião, para que ela entendesse, e não mais perguntasse.
- E quanto a Christine te contou tudo o
que ela fez? Ela era sua amiga. Ela não havia te contado antes. – balancei a
cabeça afirmativamente.
-
Fiquei transtornada quando ela me contou tudo o que ela armou. Depois... Depois
tive outras coisas com que pensar. Como por exemplo, você percebeu que está
tudo muito silencioso?
- É eu percebi. Tudo era mais turbulento
quando Haboryn era apenas um espírito.
- Isso não é um bom sinal. – eu disse
quase num sussurro.
No dia seguinte fui visitar Adriel, e
quando sai de seus aposentos ele ainda dormia, desci as escadas. Olhei em volta
para ver se encontrava Christine mas foi John que vi sentado no sofá com as
pernas afastadas os cotovelos apoiados nas coxas e o queixo apoiado nas mãos
entrelaçadas. Ele tinha a expressão vaga e pensativa, percebi que ele notou
minha aproximação. Ele nada fez ou disse, apenas inspirou e expirou o ar.
- Esta tudo bem? – perguntei
aproximando-me. Aquela não era a pergunta apropriada, não no momento, nada
estava bem.
- Esta tudo bem. – ele disse
levantando-se e indo até a janela, onde
afastou um pouco as cortinas, de modo que pudesse olhar pra fora.
- John, não quero aborrecê-lo, sei que
nunca nos demos muito bem, mais agora precisamos, deixar de lado tudo isso,
inclusive a animosidade que existe entre você e Silas. – John permaneceu em silencio, olhando pela
fresta da janela. – O que aconteceu com vocês? – Engoli o seco, ele podia não
me responder. Não esperava que ele se abrisse comigo, mais era um momento de
tensão, logo uma guerra poderia acontecer. E todos deviam se unir. Esperei que
ele se voltasse para mim, mais não aconteceu, pensei em perguntar novamente, mas
antes que eu abrisse a boca ele disse:
- Éramos velhos amigos. Eu o considerava
um irmão. Foi ele quem destruiu isso. – ele fez uma pausa, parecia muito
interessado em alguma coisa lá fora. –
Houve uma época que ele havia desaparecido, e nesse período de tempo eu me
apaixonei por Sarah. Procurei por ele, mais o que eu podia fazer? – ele engoliu
em seco – anos depois ele apareceu, eu estava completo, tinha uma mulher que me
amava e meu melhor amigo ao meu lado. Mais Silas estava diferente. Víamo-nos
apenas a noite. Das vezes que nos reunia, eu o via de certa forma hostil com
Sarah, cheguei a pensar que ele sentia ciúmes dela. – ele se calou eu esperei
que ele continuasse o relato. Mais ele não o fez.
- E então? Ele fez algo contra Sarah?
- Ele a matou. Eu o questionei,
perguntei o que estava acontecendo com ele, ele estava muito diferente, mais
ele nada disse. Em um dia de tempestade Sarah voltava de uma visita a uma amiga
ela se acidentou de carruagem. Fiquei sem chão, não sabia o que fazer, então
Silas me contou sua nova condição, disse-me que havia se transformado e se
tornado um vampiro, a principio não acreditei, passava boa parte do meu tempo
bebendo, mais ele me mostrou. Ele disse que eu poderia ser igual a ele e que eu
não tinha nada a perder, eu já não tinha mais minha Sarah, então ele me
transformou. – Ele fez outra longa pausa, parecia que ele revivia cada cena,
cada momento. – Depois descobri que Sarah não morreu no acidente, aquilo era só
de fachada, Silas a havia matado, ele alegou que ela havia nos separado, que eu
não era mais o mesmo desde que ela entrou em minha vida.
- E o único meio que ele encontrou de
tê-lo novamente foi dando o fim naquela pessoa que você mais amou em sua vida.
– eu completei sua sentença.
- Foi. Ele a matou para que fossemos
apenas nos dois novamente.
- E acabaram sozinhos. – ele deu de
ombros
-Alias, não sinta-se ofendida, não tinha
nada contra você, nada que fosse concreto.
- Não tinha? Agora tem? – ergui as
sobrancelhas.
- Me afastei mais ainda de você devidos
aos acontecimentos ocorridos com Annie, eu estava me apaixonando por ela, ela
se parecia tanto com Sarah... – suas palavras falaram. – fui embora para não
acabar com você.
- Eu precisava fazê-lo. – eu disse
simplesmente.
- Estou apenas hãm... – ele tentava
encontrar a palavra certa – apenas justificando motivo de eu ter me
repelido.
- Natasha? – Agora não era John quem
falava, mais sim Christine – Volte para sua mansão, tive um mal pressagio.-
arfei, o que poderia estar acontecendo, Haboryn estaria agindo? Corri para
porta sem ao menos me despedir, e corri com minha velocidade vampirica para a
mansão. Minutos depois de eu ter chagado na mansão e ter comunicado que
Christine tivera um mal pressagio, um vento forte fez as janelas se abrirem,
batendo as venezianas nas paredes, com
força. Um pequeno redemoinho adentrou no hall, aos poucos foi tomando forma de
uma pessoa. Mellody, e atrás dela, Melissa. Senti meus caninos aparecerem, meu
corpo tomar forma de defesa.
- Acalme-se Natasha – Melissa disse com
um sorriso. Meus caninos feriam minha boca, tentei relaxar, meu corpo ficou
ereto, mais meus caninos ainda machucavam minha boca. – não queremos brigar –
ela disse saindo de trás de Mellody e caminhando pelo hall – apenas vim para
pegar o que é meu – ela disse estendendo os braços. – A mansão.
- O que? – Kimberly perguntou
sobressaltada.
- Essa mansão é minha, Dancã e eu a
sustentamos. Saiam ou sofram. E caso Haboryn destruam vocês, sua amiga bruxa
vai ter que se virar sozinha Natasha. – antes que qualquer um de nos pudesse
falar alguma coisa, Melissa e Mellody formaram um funil e sumiram. Ficamos todos imóveis por um momento.
- Não podemos ficar e lutar, estamos em
menor numero- Julio adiantou-se em dizer.
- E não iremos lutar, não agora, não por
um motivo tão vago como esta mansão. – Disse Silas se retirando do hall, e indo
para seu escritório.
O silencio que inundou a sala não durou
muito tempo, pois foi interrompida pelo barulho da campainha, fui até a porta,
era Christine ela usava um manto com capuz azul escuro, que contrastava com a
tonalidade branca de sua pele e realçava o azul de seus olhos.
- Ouvi e vi o que aconteceu - eu me
afastei da porta dando-lhe passagem. – Então sugiro que vocês se juntem a nos
em minha casa – ela completou.
- John sabe disso?
- Ele não irá se opor Natasha. Não
agora.
- Mais e Silas? – Kimberly perguntou em
um canto da sala. – Você acha que ele vai sair daqui e ir pra mesma casa que
John, sem problema algum.
- Acho. - Silas não podia se opor a não
ser que quisesse ficar e adiantar uma luta, o que não seria sensato. Além do
que seria uma boa hora de Silas ter a oportunidade de tentar se reaproximar de
John, mesmo eu achando que essa amizade nunca mais teria um perdão. Agora eu
entendia por que Silas sempre esperava por John nas reuniões e por que ele
nunca havia comparecido, por mais que ele tivesse um lugar especial na ordem,
John não se sentia parte dela, ele não teria coragem de se sentar ao lado de
quem matou sua mulher, o amor de sua vida.
– Irei falar com ele. – eu disse dando as costas a todos na sala. Era
inacreditável, sermos despejados por
Melissa, pra uma vampira ela é muito desprezível. Abri a porta do escritório de
Silas sem bater, não tinha tempo para formalidades.
- Você vai ficar? – eu sabia que ele
tinha ouvido a conversa, era impossível que não. Ele estava de costas pra mim,
mexendo em sua estante de livros.
- Você não sabe o que se passa entre
John e eu.
- Christine disse que está tudo bem, ele
entende, é por uma causa maior. E eu sei sim o que se passa com vocês.
- O que? – dessa vez ele fixou os olhos
nos meus.
- Christine está nos oferecendo um lugar...
- Como você sabe que ela não irá nos
trair como fez os outros.
- Pense Silas Christine quer o fim
disso, ela é a ultima pessoa que Haboryn receberia como fiel escudeira – enfatizei a ultima parte.
- Ela já não te traiu?
- Ela também traiu a Haboryn.
- E agora luta contra ele, e se depois
ela lutar contra você?
- Olhe o futuro, olhe suas visões e me
diga se ela irá voltar-se conta nos. Não é por que a sua preciosa ordem está se
desfazendo que todos iram traí-lo Silas. Mais caso você quiser ficar e lutar,
tudo bem. Você tem essa opção. – eu disse dando as costas para Silas indo em
direção a porta e fechando em seguida.
****
- Onde está John? – perguntei depois de
ter me instalado em um quarto ao lado do de Adriel, que ainda dormia. Kimberly
e Julio permaneceram em seus quartos, Kimberly estava tentando se organizar com
suas coisas de bruxa. Silas, ainda estava na mansão, não tinha certeza se ele
viria.
- Não sei Natasha, há algum tempo ele
sai direto durante a noite. – ergui a sobrancelhas. – Silas não vem? – Uma
batida na porta me impediu de responder.
– Parece que sim. – Christine disse levantando e indo até a porta.
Permaneci sentada, mais olhando em direção a porta. Silas entrava e ao invés de
olhar nos olhos de sua anfitriã ele me fitava. Eu começava a ficar preocupada
com ele. Eu nunca o vi com a expressão que eu via agora, parecia abatido. Mesmo
assim demonstrava força, a força e a sabedoria do líder que ele é. Ou foi. Christine
deu passagem para que Silas entrasse.
- Você poderia mostrar o quarto
resignado a ele Natasha? Vou ver Adriel.
- Claro, - eu me levantei e fui direto
para a escada. Silas me seguiu, mais antes lançou um olhar para Christine que
eu não soube identificar.
- Foi a coisa mais sensata, precisamos
de você Silas – eu disse segurando a mão de Silas assim que ele se juntou a meu
lado no é da escada. Mesmo com todas as loucuras dele, eu ainda o considerava
um pai. O único que me lembro.
-
Você tinha razão. Mais onde está John?
-
Não sei. – paremos a frente de uma porta. Abri a porta.
-
Quem lhe contou? John? - Silas estreitou
os olhos , eu respondi com um sorriso.
-
Isso não importa agora.
-
Achas que posso me reaproximar? Que posso ser perdoado pelo meu melhor amigo?
-
Tente. Mais você não vê isso no seu futuro?
-
Não, não vejo nada além de nevoa.
-
Talvez seja uma coisa que você não deva saber, como você disse as coisas podem
mudar caso você tome consciência do futuro. – ele fez que sim com a cabeça e
deu-me as costas, entrando no seu aposento.
Cap 35
Os
dois dias após a batalha foras normais demais. Passei a maior parte do meu
tempo ao lado de Adriel, sem conseguir refrear os pensamentos libidinosos que
minha mente insistia em ter. E a cada visível melhora eu o imaginava acordando
e olhando nos meus olhos dizendo meu nome como num sussurro. Quando saia do quarto observava o mundo lá
fora, esperando que alguma coisa acontecesse que Haboryn agisse. Mais as únicas
ações que eu via era as de Silas que tentava se reaproximar de John em vão. E naquela noite, enquanto eu fechava a janelas
do quarto de Adriel, por causa do vento frio da noite, o ouvi gemer, olhei em direção
à cama, Adriel se mexia, tentando tirar os lençóis de cima do corpo bem feito,
mais ainda permanecia de olhos fechamos. Fui até o lado da cama.
-
Adriel. – chamei-o. Ele passou a mão nos cabelos em desalinho, e abriu os olhos
de vagar, como se acordasse de um sono profundo. – Adriel – chamei-o novamente.
Ele abriu os olhos de uma vez, piscando varias vezes, o quarto estava escuro,
então liguei a luz do abajur, eu podia vê-lo, mais ele não teria esse dom. Não
mais.
-
Natasha – ele disse, parecia estar com a boca seca, então me levantei e fui até
uma mesinha de centro e peguei o jarro com água e despejei em um copo, voltei
para a cama ele já estava sentado com as pernas longas e fortes ao lado da
cama.
-
Beba – eu disse estendendo o copo na direção dele. Ele sorveu o liquido
rapidamente. Colocou o copo sobre o criado mudo em silencio. Uma parte do
lençol ainda cobria sua nudez. Ele ergueu o lençol.
-
Onde estão minhas roupas – ele disse olhando em volta. Fui até a cadeira onde
as roupas estavam, quando me voltei Adriel estava em pé nu. Ergui minhas
sobrancelhas, estendi lhe as roupas umedecendo os lábios, ele parecia bem a
vontade por isso nem ao menos me preocupei em desviar o olhar. A visão era me
oferecida de bom grado, eu não me fingiria de boa moça e desviaria o olhar. Logo
ele saberia que eu não era a humana que ele sempre imaginou, não teria como
esconder, não agora que ele estava embaixo do mesmo teto com vários deles e uma
bruxa.
-
Você está bem?
-
Defina bem – Adriel sentou pesadamente na cama, olhando em volta – Onde
estamos, e como vim parar aqui, a quanto tempo... Dormi?
-
Estamos na casa de uma amiga Christine, e você dormiu por uns dois dias. – Eu
não ia explicar como ele veio para aqui, não ainda, deixaria essa pergunta para
ser respondida depois. E assim ele entenderá o porquê de uma humana poder vê-lo.
-
Natasha. – ouvi a voz baixa e melodiosa de Christine a porta – ele acordou.
Ótimo – ela disse com um lindo sorriso nos lábios. Ela não parecia surpresa – preciso
que desça Natasha, pode deixar que eu cuido dele agora.– por que Christine
tinha que ficar com ele? Senti-me enciumada, temi que meus cabelos trocassem a
cor, na frente de Adriel, conhecendo como Christine me conhece percebeu meu
ciúme, mesmo assim sorriu. - Acho que Adriel tem perguntas que precisam ser
respondidas - Agora que Adriel acordará, e parecia fisicamente bem, as
perguntas dele teriam que ser respondidas, e eu seria grata se não fosse eu que
tivesse que responder-las, sai do quarto. Agora ela contaria a ele, o que acontecera
enquanto ele estivera inconsciente, que agora mesmo ele tendo as lembranças de
um anjo, tinha o corpo mortal. Por isso ele não poderia fazer nada, a não ser
que quisesse morrer. Ela revelaria que era uma bruxa e que as pessoas na mansão
que luta ao lado dela, são vampiros. Eu gostaria de saber qual seria a reação
dele ao saber que sou uma vampira, e que eu matei Annie. Não ele não poderia
saber que eu matei Annie. Já seria difícil minha convivência com ele daqui para
frente, com ele sabendo minha verdadeira natureza.
O
fato era que ele não podia me culpar, eu nunca disse que era humana, claro que
também nunca disse que era um ser do submundo, ele é um anjo, anjos perdoam
mentiras. Além do que eu não menti, apenas omiti uma verdade. Mais agora ele
era humano, e os mesmos normalmente não entendiam isso.
Na
sala John olhava o lado de fora da janela, Silas permanecia sentado olhando as
costas de John, como se tentasse dizer algo. Sua expressão era mesma que eu
sempre conheci, a que eu respeitei por muito tempo. Fiquei ali apenas
observando perto do corrimão da escada. John olhava pela janela como se
procurasse algo, estava concentrado.
-
Sempre esperei por seu perdão. – Silas disse como num sussurro. –
Estava louco, era um recém transformado. – John virou-se e fitou Silas
friamente antes de deixá-lo na sala sozinho. Comei a descer as escadas, John
não era obrigado a aturar Silas, ele já fora compreensivo de mais a ponto de
nos deixar morar aqui. Desci as escadas Silas se recostou no sofá, olhando
fixamente para o lugar onde Jon acabara de deixar. – Não sei o que estava
pensando.
-
De tempo ao tempo Silas. – Ele não se virou para me olhar.
-
Já é o fim. Anos e anos, esperando, mais sempre uma cadeira vazia.
-
Sabe onde ele foi?
-
Ele não me disse. – Silas se levantou devagar impulsionando se pelos punhos
fechados e começou a caminhar até as escadas, subindo-as como que estivesse
cansado ou tivesse um peso tão grande que nem com seus poderes vampiricos
podias ajudá-lo a carregar. Não sei mais me parecia que ele havia tentado ser
engraçado, ou irônico? Mesmo assim preferi não rir, já que não tivera a menor
graça, além do que isso não era do feitio de Silas. É claro que John não havia
dito aonde ia, ele nunca dizia, mas talvez uma visão pudesse responder minhas
perguntas.
Caso
Silas tivesse tido uma visão, guardará apenas pra si mesmo, fui até a janela,
onde John estava a pouco, e observei o lado de fora. O que ele tanto olhava?
Pra mim Silas parecia cego nos últimos dias. Andava estranho e enfurnado dentro
do quarto, apenas saia quando John estava por ali, tentando em vão conversar
com John. Nesse problema eu não me meteria, tentei prometer a mim mesmo. Forcei
minha mente a mudar de rumo, o que Christine estaria dizendo agora.
Deixei
que a curiosidade falasse mais alto e subi as escadas correndo. Fui até meu
quarto e me fechei nele. Meu quarto era ao lado do de Adriel, por isso eu
poderia ouvir com clareza a conversa dos dois.
-
Por que ela não me disse? – Ouvi Adriel dizer, ele parecia nervoso. Sentei-me uma poltrona ao lado da
penteadeira.
-
Você a entenderia? – A voz baixa e melodiosa de Christine, podia deixar qualquer um sereno.
-
Claro que sim.
-
Não Adriel, você a mataria, você a veria como um ser das trevas e como um filho
da luz a destruiria. –
-
Ela mentiu pra mim. - Agora ele sabia minha verdadeira natureza. – por isso ela
não me deixava tocá-la – as palavras saíram como se ele estivesse pensando
alto. – mesmo assim ela não tinha o direito de mentir. – não menti, apenas
omiti, tive vontade de dizer, mais mordi os lábios, sentindo o gosto de sangue.
Já não bastava John e Silas se estranhando agora Adriel, não me aceitaria como
uma vampira.
-
Você precisa entende - lá. A todos nos. O caso é que você não pode criar
animosidades, não agora. Precisamos de todos unidos. Somos poucos, talvez
alguns de nos não seja páreo para alguns do outro lado. – Ouvi um longo suspiro
e depois silencio em seguida passos lentos, a porta se abrindo. – Pense em tudo
que te disse. –Então a porta se fechou.
Levantei-me
da poltrona e fui até a cama, onde me sentei, eu tinha a impressão que Adriel
não me aceitaria a não ser que fosse uma humana patética e fraca. Ele não tinha
o direito de fazer isso. Eu sempre estive ao lado dele, com segundas intenções
mais isso não vem ao caso. Seus protegidos nem ao menos sabiam que ele estava
ali. Se ele ficou assim ao saber que não sou humana, fico pensando como ele
ficará ao saber que não fora um dos demônios que matou Annie, e sim eu. Uma
vampira que entrou no caminho de um anjo e um demônio, para que uma guerra não
acontecesse.
Tudo
em vão, apenas conseguimos atrasar uma guerra inevitável. As coisas poderiam
ser diferentes? Talvez se eu não tivesse
ficado entre esses seres, minha raça não estaria no meio dessa guerra, Adriel
estaria forte o suficiente pra tentar impedir a vinda de Haboryn. Não Haboryn
queria mais que apenas surgir na terra, ele queria o fim de Christine, e nesse
caso John estaria ao lado dela, e sendo assim Silas tentaria de alguma forma
ajudar, um velho amigo.
A
noite passou tão rápido minha mente fervilhava, com os acontecimentos, e por
que nada acontecia, havia se passados três dias, e Haboryn permanecia entocado.
Eu não havia visto, ou ouvi de falar de
sinais do fim do mundo, ou si quer de destruição? O que ele estava esperando?
Bom eu não queria saber, já que da ultima vez ele esperava apenas que Mellody
completasse treze anos. Uma
aliada muito forte por sinal.
Esperei
que a luz do sol tomasse conta totalmente da escuridão, antes de descer as
escadas. Fui até a cozinha, Christine parecia estar preparando algo. Não era de
suas poções, tinha um cheiro que chegava e me embrulhar o estomago. Adriel
estava sentado de costas para porta em um balcão. Ele precisava comer, então
devia ser o cheiro de comida pronta que começava a impregnar em minhas roupas.
Christine olhou para mim, mais nada disse, revolvi que não chamaria a atenção,
era melhor pelo menos por hoje. Adriel ainda devia estar decepcionado, com
tudo, principalmente comigo.
Abri
a porta e a fechei em seguida, olhei para trás, pude ver boa parte da cozinha
pela lateral de vidro, Adriel havia virado o rosto, nossos olhares se
encontraram por alguns segundos, o que pareceu anos, seu olhar não demonstrava
desprezo, não havia sinal de raiva, mais havia alguma coisa ali, isso eu sabia,
não pude distinguir, pois ele desviou o olhar, voltando a atenção para
Christine. Sai a passos largos, o antigo casebre onde tudo aconteceu, já não
era mais habitado, agora eles usufruíam dos luxos da mansão. Parei do outro
lado da rua a frente do velho casebre, eu nada sentia, era só mais uma casa
abandonada há anos. Uma leve brisa fez com que meus cabelos esvoaçassem, senti
uma necessidade de averiguar se ainda havia alguém ali, então atravessei a rua
sem me preocupar em olhar para os lados, caminhei com passos decididos,
respirei fundo abri a porta, o lugar estava na penumbra, pisquei algumas vezes
para que meus olhos se acostumassem, estava tudo revirado, a batalha havia
acontecido do lado de fora, mas as poucas coisas que tinham estavam reviradas e
jogadas.
-
Sentindo saudades da ação Natasha? – ouvi a voz de Allan na minha nuca, virei
rapidamente e tomei com seus belos olhos azuis, que num piscar de olhos
tornaram-se negros. Haboryn mostrava que ali, já não mais existia Allan, e
então a cor de seus olhos voltou ao azul profundo. – Você pode ter isso claro.
Haboryn
esticou o braço em direção ao meu rosto, esperei pelo toque que pudesse me
destruir mais não aconteceu, permaneci em silencio, não recuei. A aparência, a
voz eram as de Allan, já não havia aquelas cordas duplas, mais o modo como ele
falava podia fazer que qualquer um arrepiasse.
-
Não se preocupe, logo tudo vai acabar e o lado mais forte vai vencer você sabe
disso, e você sabe qual é esse lado. – Haboryn sorriu com os lábios de quem eu
cheguei a considerar um amigo. – Você ficaria tão linda ao meu lado – dessa vez
ele esticou o braço tocando meu rosto com o dorso da mão. Assustei-me com o
contato, não tive tempo de me esquivar, mais nada aconteceu. – Não vou matá-la
te darei a chance de ser minha. – ele teria lido meus pensamentos? Não, ele havia lido minha expressão de
espanto diante do contato. Haboryn prendeu o braço ao lado do corpo e me deu as
costas.
-
O que você pretende fazer? – perguntei antes que ele fosse embora.
-
Pretendo? Já estou fazendo, e você vai saber logo – ele riu diabolicamente. –
pense Natasha, fique ao lado de sua verdadeira natureza. – Haboryn sumiu nas
sombras do mesmo modo como havia aparecido. O que ele estaria fazendo que eu
não houvesse visto ainda?
Haboryn
estava enganado caso pensasse que eu ficaria ao seu lado, não eu precisava me
redimir e ficar ao lado de Adriel. Mesmo que ele não me aceitasse como um dia
me aceitou. Seria difícil agora que já não era uma humana patética e indefesa.
Saber que minha condição podia ser uma barreira em relação a ele era
frustrante, tudo se repetia, eu só não espero ter que ficar ao longe observando
os dias e os anos passar até o dia de sua morte.
Fui
até o Sparks, o lugar estava fechado, ainda era muito cedo, claro. Mais o que
Djin estaria fazendo em um momento como esse? Provavelmente ele sentirá a força
de Haboryn, ele estaria ao lado de Haboryn? Por que não? Os dois eram demônios.
Continuei a caminhar, só parei ao perceber que estava no bairro mais decadente de
Gander, esgueirei-me pelos becos mais escuros mesmo na luz do dia.
Minha
visão logo acostumou com a escuridão, ao longe pude ver um carro com as duas
portas escarradas, a alguns metros atrás das portas estavam dois corpos,
vampiros haviam passado por ali, pensei, farejei o local, apenas senti o leve
cheio de sangue, segui mais perto, olhei o pescoço de cada um, sem marcas de
mordidas, nada. Seus pescoços estavam quebrados e outras partes do corpo,
parecia que eles não haviam vindo para se alimentar, pois os dois tinham todo o
sangue em um poça perto de seus corpos.
Agucei
meus sentidos, fora apenas um modo de diversão, eu não consegui distinguir quem
eram os responsáveis. Deixei-os ali eu não poderia fazer nada, logo o cheiro
fedido alertaria alguém, no restante da trajetória vi outros mortos, que
tiveram fins diferentes um do outro. Fui
até a rua considerada mais movimentada, era estranho não ouvi nem vi nada
estava tudo muito silencioso. Eu sabia que se eu continuasse a fazer uma
varredura do local encontraria muito mais mortos. Já era noite precisava voltar, na saída do
bairro, ouvi um rosnado a minhas costas, tão perto e ao mesmo tempo tão longe.
Olhei pra trás, agucei meus sentidos, esperei por alguma coisa. Não era um
rosnado normal de um vampiro, parecia um cachorro, bem grande.
Vasculhei
com o olhar todos os cantos escuros mais nada vi, o rosnado não voltou a
acontecer, cheguei a pensar que era coisa da minha cabeça. Então era isso
Haboryn havia começado. Mais esse pequeno massacre não parecia obras de seu
novo leal exercito de vampiros. Corri de volta para a mansão de Christine,
entrei pelos fundos. Quando me aproximei da sala principal ouvi a voz de
Kimberly.
-
viu ela chegou – ela disse, na sala estava Derick que ao me ver levantou-se e
veio até mim, e me abraçou, estranhei o comportamento dele. Olhei para Adriel
que estava sentado um tanto afastado de todos ali presentes. Meu olhar se
encontrou com o dele, eu ainda estava envolvida pelos braços fortes de Derick,
Adriel me fitou por alguns instantes serio, mais logo desviou o olhar, pensei
ter visto certo ciúme naqueles olhos.
-
O que está acontecendo? – perguntei afastando-me de Derick
-
Contei a ele o que aconteceu. – Kimberly respondeu.
-
Estava acontecendo alguma coisa em Glenwood, você sabe ela não é uma cidade
muito ampla. – Derick contou sem muitos detalhes as coisas e as tantas mortes
que estava acontecendo na pequena cidade, relatos parecidos com os que eu virá
a pouco, então eu o complementei. Contando a todos o que vi e ouvi, Derick disse
que duas noites antes ouvirá o mesmo rosnado e antes mesmo de vir a Gander.
- Haboryn, começou a agir, e conta com seu exercito
do inferno. Além dos seus recrutas. Essa batalha não será muito justa assim –
Christine disse com sua voz baixa e melodiosa.
Cap. 36
Fui
para o meu quarto, um dos de visita na mansão de Christine, preciso ficar um
pouco sozinha. Algumas coisas ainda estavam martelando em minha cabeça. Agora
com Adriel me ignorando, sinto que nada do que eu fiz valeu à pena. Haboryn
então viria com seres do inferno, nossos vampiros não teriam chances, ainda não
entendo porque ele não destruiu todos nós, já que somos vampiros, e deixasse
Christine pro Gran Finale.
Meu
silencio durou pouco, Derick entrou em meu quarto e sentou-se ao meu lado.
-
Estive com saudades de você. A sua obsessão nos deixou tão distantes. – Seu
olhar conquistador chegou a me enojar.
-
Também senti saudades Derick. – Lhe dei um sorriso.
-
Você está tão áspera. Fiz alguma coisa que não gostou. – Ele me olhou
desconfiado.
Levantei
e sentei numa poltrona ao lado. Ele fez menção de levantar e eu o repreendi.
-
Fizemos muitas coisas juntos Derick. E eu não me arrependo de nossas loucuras
sexuais. Mas estou num momento tão repulsiva, que nem seria bom você se
aproximar.
-
Por causa do anjo?
-
Talvez sim. Descobri tantas coisas, e que agora faz tudo ter sentido. – O olhei
apreensiva.
Ele
retribuiu o olhar.
-
Lembro-me de nossas conversas – Ele se aproximou e sentou-se no braço da
poltrona. – Você era muito confusa, dizia que não, mas sempre transpareceu
insegurança. Fico muito feliz que tenha encontrado suas respostas.
-
Obrigado Derick. Você realmente sempre me compreendeu. Estou sendo muito
idiota. – Então levantei e lhe dei um abraço. Ele aproveitou o momento para
beijar meu pescoço. – Derick! Não me obrigue a te odiar.
-
É que eu não resisto.
Sorri,
e ele retribuiu.
-
Mas estou curioso, quais foram às respostas que obteve?
Dei
uma volta no quarto e me joguei na cama.
-
Todo o meu passado. Consegui quebrar a parede que separava Natasha de Meg.
-
Tenho todo o tempo do mundo. Quero que fale tudo, desde o principio. Afinal, fui
eu quem mais ouviu seus murmúrios.
Sentei
na poltrona novamente e ele no braço da mesma. Fiquei uns instantes inertes, a
presença do anjo na casa me trazia sentimentos e acontecimentos nostálgicos, e
eu estava tendo tudo aqui, agora, neste momento.
-
Eu me lembro ainda adolescente, o instinto assassino já impera em mim. Sempre
fui uma preocupação para os meus pais, morávamos num sitio próximo St. John’s.
Tyller estava pregando a palavra do Único Acima e bateu em nosso sitio.
-
Quer dizer que você morava próximo a capital e num sitio?
-
Não tem nada de engraçado Derick.
-
Perdão. É que não consigo imaginar. – Ele gargalhou – Continua, por favor.
-
Tyller ... – Ele me interrompeu.
-
Quem é Tyller?
-
É o Adriel.
-
Como assim? Ele se transformou num anjo? – Derick perguntou indignado.
-
Existe muita coisa estranha entre o céu e a terra. Mas sim, ele se transformou
num anjo.
-
Que lindo. Continua.
-
O fato foi que Tyller se apaixonou por mim Meg e foi recíproco.
-
Você se apaixonou Natasha? Nunca havia me contado que já sentiu isso.
-
Uma vez, e esse sentimento vai fazer tudo se encaixar em nosso presente. Tyller
faria uma viajem para pregar a palavra e passaria por aqui, Gander. Ele quis me
levar, e meus pais sentiram como se fosse um sinal dos céus, entenderam que era
ele quem me libertaria. E assim foi Tyller controlou meus instintos, me fez
amar como eu nunca havia amado alguém.
-
Desculpe, mas eu não consigo acreditar no que ouço. – Ele riu bem alto. – É
ridículo, quem está ai e o que fez com Natasha.
Eu
sorri e continuei - Eu tinha uma admiração muito grande por ele, e muito
respeito. Com os dias e os meses, eu fui confundindo tudo que eu sentia, eu nem
mais sabia se o amava. Eu comecei a ficar tão mal, acho que ele me amava mais
do que eu o amava, e aquilo estava me sufocando. Às vezes eu sentia vontade de
fugir. Finalmente chegamos a Gander. Aqui ainda era uma vila, havia poucas
pessoas, todas ainda bem século passadas.
Aqui
eu conheci uma jovem garota em busca do novo, vivia em minha casa, conversamos
muito sobre Tyller, éramos humanas, mas quem era mesmo minha confidente era
Christine, ela já vivia aqui, era um pouco mais velha que hoje.
-
O que quer dizer exatamente. – Derick me olhou levantando uma de suas
sobrancelhas.
-
Christine tem muitos séculos de vida, ela é da época de John e Silas. Ela não é
vampira, mas consegue a vida eterna de uma forma ilícita.
-
Qual forma? – Ele me perguntou super empolgado.
-
A história lhe dirá. – Sorri e continuei. – A visitava diariamente, Tyller
pregava e minha casa sempre estava cheia de pessoas procurando por algo do bem.
Christine era a curandeira da cidade, quando alguém precisava de ajuda era com
ela que recorriam, com a presença de Tyller, esse quadro mudou, mas Christine
nunca manifestou nada de ciúmes ou inveja pra mim. Mas eu notava que ela
envelhecia a cada dia. Suas mãos já estavam mostrando os sinais da idade.
Parei
por um tempo, é como se eu estive me transportando para o dia da cena em minha
memória. Willian surgiu, me olhou assustado e se virou para Christine.
-
Agora não. Foi o que ela disse.
-
Natasha. O que esta dizendo? Esta tudo bem? – Derick estava em pé me olhando
perplexo.
-
Tudo bem. É que eu tive mais uma lembrança. Willian já havia visitado a casa de
Christine antes do que eu imaginava. Eu sempre estive nos planos dela, desde o
começo.
-
Planos? – Derick não entendeu – Seja mais objetiva, por favor.
-
Certo dia um jovem rapaz começou a me cortejar. Eu estava tão confusa quanto a
Tyller, e ele me trazia tudo o que eu era, eu podia ser eu mesma com ele.
-
E deixa-me adivinhar. Silas? - Disse Derick
-
Willian. – Derick se espantou – Ele me permitia ser eu, deixar meus desejos
aflorarem, eu já estava casada com Tyller, e caí diversas vezes em tentação com
Will. Meus pensamentos eram libertinos, eu era a vaca que me tornei hoje.
-
O que esta dizendo? – Ele me olhou perplexo. E eu estava eufórica, porque essas
lembranças estavam surgindo agora, era tudo tão estranho e nostálgico.
-
Eu traí Tyller, diversas vezes nos braços de Will, e Christine sabia, não só
pelas minhas confissões a ela, mas porque ela estava trabalhando com Will.
-
E o que você faz na casa dela?
Virei
meu rosto para enxergá-lo, estava tão inerte por causa das lembranças, que já
havia até perdido o foco.
-
É uma história complicada Derick. Mas quando tudo que eu tenho pra falar sair,
você entenderá.
-
Resumindo, Christine contratou Will para seduzi-la.
-
Mas não era só isso. Will quis fugir comigo. Eu estava tão confusa, tão
insatisfeita com o que eu sentia por Tyller. Achei que eu não o merecia, então
fugi com Will. Queríamos ir para longe de Gander. Mas alguma coisa perseguia-o,
e um temor começou a tomar conta de nós dois. Os céus estavam fechados naquele
entardecer, minha casa cheia, fugi pelos fundos, minha amiga me auxiliou.
Quando estávamos pertos a casa de Christine, Will recebeu um ataque que o fez
sangrar. Eu estava apavorada, eu não vi nada, no entanto ele estava sangrando.
Comecei a pensar que Deus estava me castigando por trair Tyller.
-
Natasha. Estou perplexo com toda essa história, na verdade eu não consigo
imaginar você assim, é como se Meg realmente tivesse morrido.
-
Mas foi exatamente isso que aconteceu – Sorri. – Tyller buscou socorro a casa
de Christine, eu apavorada, e temorosa com o Único Acima, fugi de Willian
também, e eu sabia que não poderia voltar pra casa, imaginava que Tyller não
mais me aceitaria. Naquela época, traição era um pecado gravíssimo, nem a
sociedade mais me aceitaria, e mesmo se Tyller enfim me aceitasse, ninguém mais
acreditaria em suas promessas divinas, e todos nós sofreríamos.
-
E então, o que você fez? O que aconteceu?
-
Eu encontrei Silas, Melissa e Dãcan. Os três haviam recém chegados a América, e
com o dinheiro de Melissa estavam construindo a mansão que hoje esta com ela e
Haboryn.
-
Mas e Will? E Tyller? – Ele estava tão empolgado com o desfecho, que eu parecia
estar contando um pequeno conto de fadas a uma criança.
-
Will eu não tive mais noticias, até que então chegamos ao dia de hoje e ele
estava como um gato negro. Tyller; bom, eu havia decidido que quando eu fosse
transformada, Meg morreria, e assim eu esqueceria meu passado. Foi o que
aconteceu. Eu observava um rapaz que aos poucos envelhecia, havia parado de
pregar e seu destino final foi à morte. Eu nunca havia entendido o porquê de
observa-lo, mas hoje eu sei que Tyller foi o homem que realmente amei, e sei
que Tyller voltou com um anjo e esse anjo é o ser que eu único Amo.
-
Nossa. Você deve ama-lo de verdade, vejo que não tenho mais chance alguma com
você.
Eu
sorri e o fitei por alguns momentos. E logo em seguida ele interrompeu.
-
Mas tem algumas lacunas que eu gostaria que me respondesse.
-
Se eu puder. Farei com prazer. – Ele sorriu quando disse a ultima palavra e eu
arfei.
-
Mas porque Christine o contratou?
-
Agora vou lhe falar sobre acontecimentos que eu não presenciei.
-
Por favor. Agora quero entender tudo.
Sentei
na cama novamente e ele veio ao meu lado.
-
Christine sentiu que estava perdendo espaço para Tyller. E precisou tomar uma
decisão. Ela quis destruir Tyller, mas não podia mata-lo, então, sabia que
atingindo a mim pará-lo-ia. E foi o que ela fez.
-
Só isso, contratou Will, e ele de bons modos a ajudou?
-
Não, tudo teve seu preço.
-
Então. É esses detalhes que quero que você me conte.
Eu
sorri e ele retribuiu empolgado.
-
Will era como Allan, queria ter poderes, como os de Christine, queria ser um
bruxo, desses que voam em vassoura, era tudo muito fantasioso naquela época. E
Christine lhe prometeu esses poderes. Desde que ele fizesse um pacto com
Haboryn, assim Haboryn ajudaria o seu lado tirando Tyller do tabuleiro,
Christine sairia satisfeita e Will ganharia seus poderes.
-
Hum. – Ele pensou um pouco – Mas o que deu errado?
-
Nada deu errado. Tyller saiu do jogo, mas Haboryn deu pequeno poderes a Will,
um deles era me seduzir. Depois que cumpriram o combinado, Haboryn veio para
buscar a alma de Will. Porque era isso que estava prescrito no pacto.
-
Nossa. Então foi tudo uma armação, desde o começo.
-
E tem mais. – Eu disse empolgado
-
Mais. – Ele retribuiu ainda mais empolgado.
-
Sim. Will procurou Christine e ela em vez de ajuda-lo começou a sugar sua
juventude, assim ela voltaria a ser como esta, jovem e bela. Will suplicou clemencia,
ele não queria morrer, nem tampouco ir para o inferno.
-
Nossa. Christine é terrível mesmo, nem parece essa mocinha delicada e fina que
conhecemos.
-
Mas Christine teve clemencia e então mirou para o seu gato e prendeu a alma de
Will ali. Assim nem Haboryn teria acesso. E é por isso que hoje esta essa
guerra. Haboryn quer vingança, quer destruir Christine pelo o que ela fez no
passado.
-
E o que Will faz ao lado dele agora? – Ele perguntou indignado.
-
Willian quis sua vida novamente, então Haboryn prometeu lhe entregar a vida,
desde que ele o ajudasse em seus planos para vir a terra e vingar de Christine.
E foi o que aconteceu. Will usou Allan como Christine o usou a cem anos atrás,
e então Haboryn aproveitou da energia de Adriel e veio a Terra, sem saber que
Adriel é Tyller, no corpo de Allan que a essa hora deve estar no inferno, Will
deixou de ser gato e esta no corpo de Eric. Agora planejam na lua minguante
quando os poderes de Christine estiverem em baixa para enfim destruí-la.
-
E ele conta com a ajuda de cães do inferno, o que dificulta mais as nossas
ações. Podemos morrer a qualquer momento.
-
Nossa. Natasha. O que eu estou fazendo aqui. Essa briga não tem nada haver
comigo.
Eu
o olhei desacreditado.
-
O que quer dizer Derick?
-
Natasha! – Ele me olhou com suplica.
-
Vai nos abandonar por medo de morrer? – Eu estava perplexa.
-
Não é isso. Você não me entendeu. Eu só quis dizer que é uma briga que eu estou
de penetra. Mas não significa com não irei lutar. Estive com você todos esses
anos, porque abandonaria agora.
-
Que bom. Por alguns momentos cheguei a acreditar que você fugiria para não ter
que ser destruído.
Ouviu-se
então batidas na porta.
-
Quem é? – Eu perguntei temerosa.
-
Sou eu. Christine. Desça, precisamos reunir todos e ter uma conversa.
Então
agarrei o braço de Derick e descemos.
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