sábado, 10 de outubro de 2015

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Cap. 25

Voltei para o Sparks. Agora alimentada eu estava mais forte. Lembrei de uma pessoa que pode me dar muitas informações boas. O Djin, o demônio dono do Sparks.
O garçom se sentiu feliz a me ver, pedi mais um dry Martini e comecei a prestar atenção em todas as pessoas do salão, desde os clientes até os funcionários. Parecia tudo tranquilo, tudo tão humano e patético que quase não acreditava que tudo isso aqui é regido por um demônio, se aproximavam tanto dos humanos, e Djin parecia ser diferente de Haboryn, ele parecia respeitar leis.
Algumas pessoas me chamaram para dançar, mas dispensei todo tipo de diversão, já estou bem alimentava, só quero cumprir meu objetivo. Quando enfim, pouco a pouco as pessoas foram indo embora, alguns extasiados por causa da bebida ou de outros fatores não tanto naturais, eu fui aguardando, tomando minha bebida preferida e observando o rosto do garçom que só me via beber e não me via ficando bêbada ou visitando o toalete.
- Moça? Esta tudo bem? – Enfim o garçom perguntou.
Observei sua expressão espantosa – Estou ótima.
- É que já fomos fechar – Atrevido, pensei comigo, mas ele teria sua hora.
- Se quiser embora, fique a vontade, minha conversa será com Djin, seu chefe, creio que ele já saiba que estou aqui.
- Sim, aqui estou eu Natasha. – Ele ecoou quando surgiu pelas escadas de uma porta trancada. – Dimitri, pague os funcionários no escritório e me deixe sozinha com a garota. – Ele disse para o rapaz a sua direita. Parecia ser um humano.
Seus funcionários não demoraram em obedecer a sua ordem e então saíram do alcance de visão.
- Por favor, Natasha. Venha comigo aqui embaixo, estaremos mais confortáveis. –Balancei a cabeça num gesto afirmativo e descemos. Foi nostálgico, aquelas câmaras e escadas me lembravam de a primeira vez que vi o anjo, quando ele estava furioso pela morte de Annie. Enfim chegamos, num ambiente escuro, iluminado apenas por velas, havia algumas gárgulas, e quadros antigos, eu tive a impressão de que eles se moviam.
- O que devo a honra? – Ele perguntou se sentando a cadeira e mostrando outra próxima de mim. Então sentei.
- Djin, estou enlaçada num jogo de destruição e morte. – Ele apenas me observava, seus olhos vermelhos brilhavam na escuridão. – Conheci um demônio, e ele possui alguns planos que me desagradam, mas não sei como reagir, como me defender. E então...
- E então, você achou que eu pudesse te dar algumas informações para destruir um irmão de raça?
- Não exatamente.
- Ó. Não se preocupe Natasha, sou um demônio, traição e mentiras fazem parte do meu dia a dia.  Qual é o nome do demônio?
Suspirei quando ele proferiu aquelas palavras, me fez acalmar um pouco, afinal, eu estou de frente com um demônio, e esse parece bem encarnado, acredito que se tocar em mim eu poderei estar morta.
- Haboryn. Esse é seu nome.
- Hum. Interessante; eu conheço Haboryn, está a séculos em nossa região, só esperando uma oportunidade para atravessar a este mundo.
- Você acha que se eu conseguir bloquear a passagem dele para este mundo, eu consiga vencer suas ameaças? – Perguntei empolgada.
- Veja bem Natasha. Ele é um espírito, um espírito ruim. E espíritos, são imortais. Se você bloqueá-lo agora, ele tentara de novo e de novo, e será assim sempre. Você é uma vampira, também é imortal, mas não se sujeitara a bloqueá-lo sempre. Concorda?
- É lógico que concordo. O que eu quero é destruí-lo, ou pelo menos salvar uma pessoa.
- O xadrez então ganha características. – Uma vela então se acendeu. Eu assustei, e notei que ela estava mais próxima de mim do que as outras.
- O que quer dizer Djin? – Perguntei desconfiada.
- Não percebe Natasha. O jogo era apenas bloquear o demônio, mas esta em jogo alguém que você queira muito proteger, isso o torna mais interessante. Mas a pergunta é: quem é o alguém?
- É um rapaz. Allan, ele é protegido por um anjo, mas atormentado pelo demônio.
- E esse anjo por um acaso chama-se Adriel?
- Sim. O mesmo que protegia Annie.
- Eu sabia que ele encontraria outro ser. Adriel é jovem, inexperiente, mas é um iluminado inteligente, aprenderá rápido que não da para salvar todo mundo.
- Vocês conversam? – Perguntei interessada.
- Não. Só quando ele pensa que meus demônios matam seus protegidos. – Ele sorriu e outra vela ainda mais próxima de mim se acendeu.
- E então. Vai me ajudar? – Perguntei entusiasmada.
- Claro que sim. Haboryn é um demônio muito poderoso. Talvez mais poderoso que eu.
- Como assim. Se ele fosse mais poderoso que você ele já não estaria na terra como você?
- Natasha. Não estou na terra por completo. Eu o possuí, esse homem quando ele estava se definhando como ser humano; ofereci-lhe a imortalidade em troca de seu corpo. E como todo ser humano é hipócrita e ignorante aceitou meu contrato. Então lhe mandei para o abismo de seu próprio coração e lhe tomei o lugar no corpo e então cumprindo minha promessa, dei a seu corpo a imortalidade, e como eu ordeno seu corpo, é como se eu vivesse eternamente aqui.
- E porque Haboryn não faz o mesmo.
- Não estado em que estou Natasha. Meus poderes se tornam muito limitados, e meu mais poderoso poder é o de comandar outros demônios menores que então me ajudam aqui em Terra. O que Haboryn quer é vim definitivamente para Terra, com seus poderes ao máximo, sua ordem ao máximo, então todos se submeteriam ao seu comando e ele seria o maior entre os mortais e imortais da terra.
- E porque outro demônio não tentou o mesmo?
- Porque não é algo fácil de fazer. Exige a essência completa de um anjo. E ele teve a sorte de Adriel não ter reencarnado, mas sim evoluído e vindo cumprir missão em Gander.
- Nossa. Você conhece tanto, há quanto tempo você vive?
- Há tanto tempo, muito antes de você ter nascido humana. – Eu realmente fiquei impressionada – Se você fosse capaz de aprisioná-lo Natasha, então o impediria por muito tempo.
- E como posso fazer isso?
- É um segredo até pra mim. Mas dizem que Salomão soube como fazer. – Ele me encarou por mais um tempo e varias luzes de velas se acenderam. Eu então assustei. – Vá Natasha. Seu tempo comigo acabou.
- Tudo bem.
Levantei da cadeira e parti, eu senti algumas sombras se mexendo, acelerei o passo e tudo não passou de loucura. As portas do Spark’s estavam abertas, então parti e elas fecharam. A cidade estava vazia. Também pudera, domingo, a maioria das pessoas estariam ocupadas no dia seguinte. Fui a pé para minha casa, passei pelo velho casebre, outro ícone que me faz lembrar-se de Annie, Allan e toda essa história pela qual estou passando. Djin me deu boas informações, mas parecia ainda me esconder muita coisa, assim como Christine aparenta e Haboryn também. Resolvi entrar e treinar minha empatia. Mas fui obrigada a deixar isso para outro dia. Allan estava embaixo da figueira segurando um gato negro em mãos.
- O que você fez Allan? – Corri até ele gritando.
- Fica longe de mim! – Ele gritou em cordas duplas e havia insetos em sua boca. Também reparei em seus olhos, estavam negros. Parei imediatamente.
- Haboryn? – Eu estou um pouco confusa e atordoada.
A noite ali estava mais escura, e os olhos negros de Allan brilhavam.
- O que pretende? – Sua voz estava tenebrosa, suas cordas duplas e uma voz demoníaca.
- Eu só passei por aqui, e resolvi vir.
- Mentira! – Ele gritou e grunhiu. Assustando-me ainda mais. – Você quer me destruir não é mesmo. Mas não vai Natasha, os seus dias estão contados sua vadia.
Eu tentei correr, mas fui paralisada pela singela voz de Allan.
- Natasha. Por favor, me ajude? – Estava tão melancólico e pesaroso. Fui obrigada a voltar e ajudá-lo.
- Allan, abandone tudo isso. A magia negra, o demônio. Porque não esquece tudo isso e tenta ser normal?
- Porque eu já estou envolvido até o pescoço Natasha. Tenho uma divida com Eric, já pensei ter uma divida com Will. Mas também fui enganado. Ele e Haboryn estão juntos.
- Eric está morto!
- Não. Você está enganada, ele esta entre a vida e a morte. E eu não posso salva-lo, talvez ninguém possa.
- Então o deixe e segue sua vida. – Tentei me acalmar.
- A minha alma é dele! – Ele enfim falou, pareceu sentir um grande alivio ao dizer.
- Sua alma. Como assim?
- Eu vendi para ganhar poderes. Você nunca entenderia não é mesmo. É uma vampira, destruir é seu prazer, tem poderes à vontade, sem exigir sacrifício.
- O que você esta dizendo? – Estou perplexa com suas palavras.
- Eu a invejava e desejei ser tão poderoso que pudesse até mesmo destruir você.
- E conseguiu? – Comecei a ficar preocupada.
- Sim. Mas o preço foi minha alma. Tenho o poder do filho da serpente. – Arregalei os olhos, temendo-o.
- Você agiu como Will. E hoje você vê o destino que ele teve?
- Não me importa. Desde que eu tenha o gosto de usar meus poderes, nada mais me importa.
- Nem a mim importa a você? – Tentei ser frágil.
- Nem tampouco você – a ultima palavra saiu tremula e com duplas cordas. Estava tudo esquentando por ali e um cheiro de enxofre invadiu o lugar. Temi ainda mais, lembrando-se das palavras de Silas.
- Haboryn!
- Olá Natasha. Ainda confusa?
- Não mais, eu estou com você. Mas agora tenho que partir. Preciso executar um plano. – Menti para ele e para mim mesma. Eu quis sair dali, estava tudo difícil demais pra mim. Entrei no bairro e já foi para uma das primeiras, a mansão de Christine. Mesmo sabendo que eu não poderia confiar tanto, agora sabendo de tantas coisas que ela fez, mas ela ainda é meu porto seguro.
Chegando a mansão, não consegui avistar nem Christine nem John, rodeei a casa e nos fundos eu vi Christine, estava feliz, sorridente, ela rodopiava feito uma criança, e quando enfim se jogou ao chão, exausta eu me apresentei.
- Christine? Está tudo bem?
Ela me olhou sorridente
- Estou ótima, sente-se aqui do meu lado.
- O que foi isso que eu vi?
- Hoje é o dia da liberdade, e eu como uma bruxa de tradição, uso esse dia para me livrar das preocupações, das perturbações e mostrar a Grande Mãe que estou feliz em estar viva.
- Que lindo. Mas acho que seu dia foi tranquilo, porque agora a noite venho lhe trazer minhas preocupações.
- Eu imaginei. Você só vem aqui em casa quando precisa de alguma coisa. Já reparou.
- Ah. Nem sempre. Posso começar.
- Por favor.
- Então lá vou eu. Estou confusa com muitas coisas Christine.
- Natasha. Você precisa parar de dar rodeios, se abra pra mim, te conheço a mais de um século.
- É. Você tem razão. O anjo, o demônio e Allan, eles são minhas preocupações.
- Natasha. Os três não tem nada haver com você, pare de se envolver nessa disputa, ela não é sua, e quem sai mais magoada é você. Já percebeu o quão humana você esta. Nem parece mais a mesma Natasha de outrora, a destemida, a caçadora.
- Você tem razão, mas acho que já fui longe demais. Sou uma espécie de melhor amiga pra Allan, Haboryn tenta me colocar no topo que quiser, basta seguir seus planos e o anjo, é o único que não tem planos pra mim, no entanto é o que eu mais quero ter em meus braços.
- Doce ilusão minha cara. Você se deixou se envolver, mas qualquer pessoa que se aproximasse de Allan ele se apegaria. Você não vê, ele é um menino sozinho. Haboryn quer só seguir o seu próprio plano, e se você pode ajudá-lo, ele certamente te ofereça o mundo, como ele faria pra qualquer pessoa que se dispusesse a ajudá-lo. E o anjo. Natasha, ele não pertence a esse mundo nem a ninguém daqui. Quando ele te vê, ele só sabe falar de seus protegidos. E você, egoísta e como qualquer vampira, achasse sedutora, se um macho consegue burlar sua sedução você certamente se apaixonaria.
- Nossa. Os anos fez de você uma boa psicóloga.
- Obrigada querida. Agora venha comigo, quero lhe mostrar algo.
Segui-a para dentro da casa pela porta dos fundos. Um alçapão nos levou para os subterrâneos da mansão. Descendo as escadas uma escuridão foi tomando conta, umas velas se acenderam no centro, pareciam flutuar. Quando nos aproximamos, pude ver melhor, as velas estavam sobrepostas num poço.
- O que é isso Christine? – Eu estava intrigada.
- Isso é um poço de águas negras. Ele reflete a vida das pessoas.
- Qualquer pessoa? – Meu interesse foi crescendo.
- Qualquer pessoa. – ela confirmou. – Quero que veja o que Allan e Haboryn estão fazendo neste instante.
Quando estiquei meu pescoço para ver as águas esbravejaram, Christine pedia para eu pensar em Allan. E então lá estava a imagem. As águas tomaram formas, refletiam Allan em pé sob a figueira, ele parecia falar alguma coisa, mas o poço não me permitia ouvir. Ele buscou um balde com água e então colocou seus braços dentro e fechou os olhos. Por um tempo ele pareceu imóvel. Christine pediu para eu pensar em Haboryn. Então me vi num hospital, estava tudo tão confuso, magia é algo muito recém pra mim. Mas o fato é que caminhei pelos corredores e vi um homem alto, todo de preto, um pouco franzino, mas um rosto um tanto desproporcional para o resto do corpo. Ele está de mãos cruzadas e olhava pela “vitrine” de um quarto do hospital. Tentei me aproximar, devagar, ele notou alguma coisa e olhou para o lado, olhei junto com ele, e vi uma sombra que se aproximava. Eu estava com medo, parecia estar encurralada, mas a sombra me atravessou, então lembrei que estou só olhando. Isso me confortou. Avancei até entrar no quarto, e vi o Eric, deitado numa maca. Ele respirava e parecia sonhar. De longe ouvi a voz de Christine, ela pediu para me pensar no Eric. Então pensei, o cenário mudou novamente, eu estava num cemitério, sim o de Gander. E Eric estava deitado sobre um túmulo e ele chorava. Quando observei sua lagrima cair, um estalo eu ouvi e voltei para aonde eu estava. Christine me observando e eu a olhava, incrédula.
- O que eles estão fazendo? – Perguntei horrorizada.
- Eles estão fazendo testes para achar uma forma de usar o corpo do Eric para trazer Will de volta.
- Christine. Porque você não termina tudo isso e simplesmente desfaz o feitiço?
- Porque não é possível. Uma vez feito qualquer feitiço, ele deve correr o seu curso natural. Vai chegar uma hora que envelhecerei novamente, e então Will poderá voltar, mas até lá terá que viver como um gato.
- E Haboryn, você é uma bruxa, pode mandá-lo para o inferno não pode?
- Ele vim para cá ou não, isso não me importa, desde que ele não se meta comigo, ele é livre para fazer o que quiser.
- Patético. Eu acho que você o teme.
- Não temo a ninguém. Só não sou como você; não vou entrar numa briga que ainda não é minha. Eu os conheço Natasha, sei que podem mudar suas opiniões e ações o tempo todo.
Senti que ela tivesse razão, mas ainda não consigo excluir a possibilidade dela estar amedrontada. Ou talvez nem esteja, afinal, é uma bruxa tão antiga.
- Como sempre, você pode ter razão. Mas acho que cometeu um grande erro aprisionando Will.
- Sim Natasha. Cometi muitos erros há tempos atrás, e achei que se eu não comentasse com ninguém isso só seriam paginas viradas em meu diário. Mas me enganei. Tudo que eu plantei eu começo a colher agora.
- Um dia eu quero sentar ao seu lado e quero que você me conte tudo.
- Um dia Natasha. Um dia eu poderei te contar todos os meus segredos.
- Vou esperar. – Falei otimista.
- Mas agora, se eu fosse você eu corria para o cemitério, Eric ainda deve estar lá.
- Verdade. Não foi só uma visão, é o que esta acontecendo em tempo real. Sim, eu vou lá agora mesmo.



Cap. 26

Não demorei a chegar ao cemitério de All Saints Cemetary. Estava enorme, eu quase nunca ia, e dessa vez para que houvesse aumentado o numero de mortos. Talvez Silas esteja certo, estamos matando indiscriminadamente. Procurei durante um tempo, mas não encontrava ninguém, o cemitério estava vazio, me lembrava cenas de demônios, e rapidamente Haboryn cercava meus pensamentos, cheguei até a temer. Quando enfim sobre uma sepultura, um jovem chorava esmagando uma rosa vermelha em suas mãos.
Aproximei-me lentamente, temendo assustá-lo, na verdade eu estou um pouco assustada, eu não sei se devo temê-lo ou vice-versa. Está-se morto ou vivo, ou que estão fazendo com ele.
- Olá? – Saiu timidamente.
Seu olhar em lágrimas encontrou meu rosto, ficou uns instantes tentando focar-me então disse: - Quem é você?
- Não me reconhece Eric? – Ele parecia estar sob um estado de amnésia, parecia tão sereno.
- Receio que não. É minha parenta? Tem alguma ligação comigo?
- Bem de longe – Essa foi minha resposta, mas por dentro eu dizia “Sim. Com a sua morte!”. Sorri receosa.
- Estou perdido em dois mundos. Quando sonho, eu surjo aqui, nesse cemitério, já o explorei, mas não encontro formas de sair. Quando enfim acordo, no deitar da lua, então eu estou num hospital velho tomando algum tipo de soro vermelho.
- Já chegou a imaginar que nenhum dos dois são sonhos?
- O que quer dizer? Alias como é seu nome?
- Perdão. Sou Annie. – Menti meu nome, afinal Will saberia se eu dissesse ser eu, e fiquei tão feliz em ser Annie.
- Continua, por favor. – Ele parecia muito interessado, talvez eu fosse à única pessoa que ele encontrou durante os dias que esta aqui.
- Você pode estar preso em duas dimensões. Conhece alguém no hospital?
- Sim. Uma sombra que sempre esta me observando, se chama Will.
- Mais alguém?
- A uma linda enfermeira, loira e cativante.
- E o que eles dizem a você? – comecei a ficar eufórica.
- Dizem que ouve um acidente de carro e eu fui parar no tal hospital. Mas já vai fazer uma semana que eu estou internado e não vejo melhoras.
- E porque choras sobre esse tumulo?
- Porque aqui jaz o meu melhor amigo. Ele foi morto durante o acidente. E eu conduzia o veiculo quando batemos contra uma arvore grande.
Eu olhei no tumulo e tinha a foto dele e uma frase “Que a arqueologia lhe transforme numa relíquia valiosa e que para nós nunca nos esqueçamos do brilho que esta em seu coração de diamante”. Esse é seu próprio tumulo.
- É a foto de seu amigo que vê quando olha?
- Na verdade não. Eu não vejo nada, nem fotos, nem escritos, mas deduzi que fosse.
- Compreendo. – Respirei uns instantes e ele derramou lagrimas olhando para a lápide. – Tenho que ir. Mas prometo a você que volta com novas informações.
Eric levantou e olhou profundamente em meus olhos.
- Tome esta rosa vermelha despedaçada. – Ele ergueu o braço e abriu as mãos. – Como um gesto de amizade, as pétalas lembrarão seus cabelos e quando eu despertar lembrar-me-ei de você.
Segurei à rosa despedaçada e parti. Confesso estar abalada, ele é tão sedutor e romântico. Eu não consigo compreender o que se passa comigo, estou me comportando como uma adolescente boba e apaixonada por qualquer rapaz que me faça uma gentileza. Eu preciso só espairecer um pouco, uma ida ao lago me fará muito bem.
Despi-me toda quando cheguei, os ventos fortes passavam por mim, e se eu fosse viva, com certeza me arrepiaria. Subi até a pedra e pulei, sentindo-me cortar as águas, deixando-as para trás, é isso que eu precisava agora, deixar meus problemas para trás e “respirar”. Mas uma luz sobre a água me tirou a paz. Coloquei minha cabeça para fora e vi o anjo, novamente sobre o mesmo lugar, minhas roupas estavam ali, próximas dele. Fiquei até curiosa em saber se seu toque me mataria, ou me daria prazeres desconhecidos. Ele estava imóvel, com os braços ao redor de suas pernas flexionadas. E suas asas estavam quietas sobre suas costas.
- Oi. – Sutilmente mostrei minha posição. Ele me olhou incrédulo por alguns instantes e depois sorriu.
- Que bom que está aqui – Sorriu – me deu um susto.
- Está tão tristonho. Aconteceu alguma coisa?
- Não mais do que o normal. É que ando recebendo algumas advertências.
- Imagino como deve ser difícil. Será que posso ir até ai?
- Claro. Seria ótimo.
Lentamente foi nadando até a costa. E saindo das águas, notei que os olhos do anjo percorreram meu corpo num todo. As gotas de água que corriam pela minha pele macia pareciam por alguns instantes hipnotizá-lo.
- Está nua. – Ele disse perplexo.
- Mas você é um anjo. Quer dizer, já deve ter visto Annie nua.
- Sim. E ela era tão perfeita. – Ele disse enquanto eu forçava um sorriso.
- Minhas roupas estão próximas de você. Quando chegar até ai irei me vestir.
- Tudo bem. Você também é tão linda.
- Obrigada. – Corei.
- Mas o que fazia tomando banho essa hora da noite? – Ele me perguntava enquanto seus olhos rodopiavam meu corpo.
- Eu gosto de fazer isso algumas vezes. Acalma minha vida.
- Entendo. Talvez eu devesse pular também. O que acha?
- Bom. Se sua vida está conturbada, nada do que um belo mergulho no lago Gander. Vai se sentir fantástico.
- Quer saber. Farei como você. – Ele está tão empolgado, chegou a me contagiar.
O anjo despiu-se, seu corpo angelical todo personificado num másculo ser de asas. Com seus músculos definidos, suas asas esticadas, seu corpo brilhante e como tudo não poderia ser perfeito, seu membro estava oculto, ou pelo menos eu não pude enxergar, isso me motivou mais ainda.
Do alto da pedra, ele ereto saltou e mergulhou no imenso lago Gander. As águas fizeram inúmeras pequenas ondas, e alguns segundos mais tarde ele emergiu tão próximo de mim que me deixou zonza. Mas eu estava me sentindo mais forte do que da ultima vez, parecia que ele estava perdendo sua essência e se tornando mais fraco. Ele estava tão próximo que eu o temia, eu afastava mais para trás e ele começou a notar.
- Porque se afastas de mim sempre que me aproximo?
- É porque eu talvez o tema.
- E porque temeria a mim que sou enviado dos céus?
- Porque não se suportaria ser tocado por ti.
Um breve silencio se fez enquanto ele me analisava com seus olhos prateados.
- Não temas. Deixe-me tocar em ti, para que sinta a luz do Senhor?
Um vento gélido passou em minha espinha e acho que por todo o lago. Olhei para os céus e o anjo me acompanhou. O céu estava fechado e pequenos flocos de neve começaram a cair.
- Está nevando. – Falei abobada.
- Sim. E é tão branco quanto o manto que uso.
- E tão lindo quanto você. – Ousei em dizer.
- Você é gentil. Não devia me temer.
- Desculpe.
Ele então se aproximou. Fui obrigada a parar. Meu coração por alguns instantes parecia ter voltado a bater, e comecei a sentir medo e muita ansiedade. Ele não parecia nadar, balançavam as pernas como se andasse por entre a água.
- Acho que seria melhor que fossemos embora. A neve poderá nos congelar aqui.
Ele sorriu.
- Não se preocupe, eu não deixarei que nenhum mal aconteça a você.
Ele finalmente me tocou, senti minhas células queimarem, minha pele parecia plástico que se enrolava com aquela luz caminhando meu corpo. Depois que me tornei vampira, eu nunca havia pensado como seria se eu fosse destruída. Mas sei que agora, ser destruída dessa maneira seria o melhor. O que eu me tornei vai contra os filhos do Único Acima, e morrer nas mãos de um de seus anjos é como fazer-se justiça. Quando nem ao menos terminei de concluir meus pensamentos a beira da destruição, a luz como um raio cobriu todo meu corpo e então desacordei.
Acordei um tempo depois sobre as pedras do lago. O anjo estava do meu lado e uma fogueira estava construída entre nós. Minha pele estava dolorida, coloquei minhas mãos sobre elas e senti dor, estavam queimadas, derretidas. Mas fiquei feliz em saber que ele não me levará a um hospital, mas temi em pensar que ele soubesse minha identidade.
- Olá? – Ele disse preocupado.
- Oi. – Falei ainda zonza e colocando a mão na cabeça.
- Que bom que acordou. Acho que estava certa. Fiz você desmaiar.
- É. Acho que sim. Agora entende porque me afasto.
- Sim. E isso me deixou triste. Tenho um ser humano que posso confiar, mas não posso tocá-lo. – Fiquei feliz quando disse ser humano. Minha mascara ainda estava sobre meu rosto.
Eu nem havia notado que a neve já cobrirá grande parte e que uma chuva caia sobre minha cabeça.
- Estou a quanto tempo desacordado?
- Já faz algumas horas. Mas o que me preocupa são seus machucados.
Passei a mão sobre eles novamente e não mais os senti. Estava completamente curada.
- Tudo bem. Meu organismo é forte. Daqui a pouco estará tudo como antes. – Ele sorriu.
- Agora que está tudo bem. Quero te levar em casa e ir atrás de Allan. Quero saber se está tudo bem.
Levantei e observei os céus novamente.
- Você é tão especial. – Disse empolgada.
- Você também. E gosto muito de estar contigo.
No caminho até minha casa fomos conversando sobre a minha reação. O meu desmaio, os hematomas deixados por ele. Pude sentir que ele estava muito decepcionado consigo mesmo. Se sentindo sozinho nesse mundo de trevas.
- No final tudo acaba bem Adriel.
- Eu espero que sim. Mas se não for nessa vida, Allan e Annie terão outras chances.
- Então realmente existem outras vidas? – Perguntei entusiasmada.
- Sim, sim. O Senhor dá novas chances a muita gente. O importante é que evoluamos sempre. – Então pensei comigo mesmo, poderá então um dia, eu que vivo eternamente possa reencontrar alguém que eu mesma matei. E ele então voltaria para se vingar. Como será que ele voltaria? Sorri.
- E como funciona com os anjos?
- O mesmo processo. Anjos são seres de luz evoluídos, e seres de luz é espíritos evoluídos, que estes por sua vez são seres humanos evoluídos. E assim vai.
- Então você já foi um humano?
- Acredito que sim. Mas não lembro nada da minha existência, só das virtudes que me colocaram aqui.
- Quem viveu com você quando era humano teve muita sorte.
- Obrigado. Acredito que quem viver com você também terá a mesma sorte.
Corei e então sorri.
Ao entrar na mansão, fui direto para o meu quarto. Ultimamente estou tão caseira, a sala costumava ser meu lugar ideal para pensamentos, mas ultimamente ele anda tão cheio com os outros moradores que mal vejo na mansão. O fato é que o meu quarto se tornou meu maior confidente.
Não demoraria a amanhecer, e quando isso enfim ocorre iria atrás de Allan. Acho que ele precisa de ajuda, a prioridade para ele é salvar Eric, é se livrar de Haboryn, mas a compaixão que ele sente por Will pode o atrapalhar. Sem falar sua sede por poder. Ele não desistirá de ser grande para simplesmente salvar a vida de alguém que pra muitos esta morto.
- Natasha? – O doce sotaque francês me chamava do outro lado da porta.
- Nem precisa me perguntar Melissa. De meia volta, ainda não percebeu o quanto não é bem vinda em meu quarto?
A porta então se abriu.
- Perdon Natasha. Mas preciso falar com tu.
- Seja objetiva.
- De que lado você está?
- O que está perguntando. Existe um lado agora?
- Você começou a agir só por você, não liga mais pra ordem, está andando com inimigos, sinceramente, não sabemos o que está acontecendo contigo.
- Ainda não estou entendendo. Mas o que você pode dizer. Está do lado de Haboryn, e até onde eu sei, ele também é nosso inimigo.
- Agora eu non sei o que esta dizendo Natasha. Quem é Haboryn? – Ela sorriu.
- Dissimulada. O que esta tentando enganar.
Ouvi uns passos e um rosto surgiu na porta.
- Trago a mesma indagação Natasha. O que está acontecendo com você? – Silas entrava calmamente em meu quarto.
- Silas. Não seja ludibriado por ela. Melissa é má, ela está atrás de glória, e Haboryn trará isso a ela.
- Haboryn nos destruirá. Já que você não faz mais o que mando, agi por si só, ao lado de dois poderosos inimigos. O que você acha que vai ganhar com isso? Glória, como você insulta Melissa?
Melissa apenas me observava com um rosto inexpressivo.
- Silas. Eu estou com vocês, sempre tive.
- Então demonstre Natasha. Mude o futuro que eu infelizmente vi.
- E porque você não tenta ver o futuro de Melissa, vai saber pra quem ela é fiel.
- Eu já vi Natasha. E não é ela que me preocupa, e sim você.
- Saiam do meu quarto.
Silas e Melissa se entreolharam e então Melissa levantou da cama e foi até Silas. Os dois então viraram as costas para mim.
- Não vai se arrepender de suas ações Natasha. Não deixe que ela te leve a destruição novamente.
- O que quer dizer com novamente? – Olhei fixo enquanto ele partia. – Olhe para mim e responda! – Gritei, mas eles simplesmente sumiram.
A luz do dia invadiu o meu quarto. Decidi que era a hora exata para eu ir atrás de Allan. No caminho, antes mesmo de sair do bairro resolvi parar na casa de Christine.
Toquei a campainha, e Christine surgiu ao lado da mansão, com as mãos todas sujas de terra.
- Olá Natasha. Venha até aqui, estou mexendo no jardim.
- Ah sim. Acordou cedo e já está trabalhando.
- É. A vida não para, e tenho que acompanha-la.
- Você deve temer muito a morte não é mesmo.
- Não a morte, mas a velhice. Se eu puder continuar jovem para sempre. Assim eu serei.
- Mesmo que isso exija sacrifícios humanos?
- Eu sinto muito. Mas realizo algumas vezes, de anos em anos, e procuro pessoas que não terão mais chance de viver.
- É. Eu ando um tanto dramática, afinal, mato mais pessoas do que você. E nós duas matamos por sobrevivência. Quer dizer. Você talvez mate por estética. – Sorri.
- Não pense que é fácil sobreviver com esse peso. Mas depois de um século, tudo parece tranquilo.
- Até encontrarmos com um anjo. Então ele vira nossa vida de cabeça pros ares. – Gargalhei.
Christine gargalhou junto comigo. Fazia um tempo que não nos divertíamos, como antigamente, como grandes amigas. Resolvi ajudá-la.
- O que posso fazer para ajudar?
- Pegue essa pá na minha mão e cavouque nos cravos brancos e coloque no carrinho.
Quando peguei a pá notei que suas mãos estavam um tanto enrugadas, envelhecidas.
- O que está acontecendo com sua mão?
Ao olhar ela exclamou
- Não acredito! Está voltando tudo de novo!
- O que está voltando – a olhei intrigada.
- Estou envelhecendo novamente, daqui uns dias precisarei de mais um corpo senão morrerei! – Ela se olhou novamente e virou até mim – Vá Natasha. Deixe-me aqui sozinha.
Fiz o que ela pediu e então parti.







Cap 27.

Agora Christine deixaria a trivialidade que era seu belo jardim e procuraria por uma nova fonte de juventude.  Só espero que sua próxima vítima esteja em estado vegetativo irreversível, pensei divertida. Assim ela não teria tempo de apelar para o lado bom de Christine e pedir por sua vida, e assim não haveria outros problemas como o de Will. Suspirei desanimada. Eu sabia que minha visita a Christine seria breve, mas não tão breve quanto fora. Caminhei a passos largos e decididos para encontra-me novamente com Allan. Um humano que me deixava confusa, um humano que agora tinha poderes para me destruir, mais que eu sei que ele não o faria, mais Haboryn sim, os antigos planos dele para mim mudaram drasticamente, Allan dissera que não significo nada pra ele, mais não era ele e sim o filho da serpente. Ainda significo alguma coisa para Allan e ele não me machucaria. Ao proferir essas palavras em meus pensamentos um sorriso surgiu em meus lábios.Mais se provocado Haboryn o faria.
Adriel recebera algumas advertências, quais?O de Novamente estar tento sentimentos proibidos por humanos?As imagens da noite em que eu os vira no lado Gander tomaram minha mente por alguns instantes. A aura dos dois anjos juntos me deixou fraca, mesmo eu estando a uma distancia considerável, eu me sentia enjoada, meus ouvidos zumbiam, mais consegui escutar as palavras angélicas e duras do Anjo Uriel. Raiva, paixão, tristeza, sentimentos humanos proibidos a anjos... Vampiros. Adriel fora repreendido por ter se apaixonado por uma humana, por sentir raiva a ponto de ir pedir explicações a Djin. O que Adriel faria caso soubesse que demônio algum tinha a ver com a morte de Annie? Se soubesse que eu me deliciara com o seu sangue doce e único? Balancei a cabeça afastando esses pensamentos, eu não queria saber, eu queria que ele voltasse a me tocar com da ultima vez, não para conseguir vingança. Franzi o seno Adriel me tocara e eu apenas sofri algumas queimaduras, isso significa que ele está mais fraco? Ou que se certa forma eu estava mais forte?  Será que um dia ele poderia me tocar livremente? Sem me ferir? Isso não importava por hora, mesmo assim tal fato me deixou feliz, era como se meu coração voltasse a bater com força.
De tão absorta em meus pensamentos eu não havia percebido que eu havia diminuído meus passos, decidi que me concentraria em Allan por hora. Ainda era muito cedo e Allan não estaria na escola, talvez nem mesmo a freqüentasse. Cheguei a frente da casa de Allan, pelo cheiro ele estava em casa, ele ainda a freqüentava, talvez não quisesse a policia procurando-o era melhor manter as aparências. Dei a volta na casa, olhei em volta, não havia ninguém, então me impulsionei para conseguir me segurar no parapeito da janela. Por sorte a janela estava apenas encostada, ou talvez ele já me esperasse. Ele estava deitado de bruços, sem camisa, pude ver os músculos de suas costas bem definidos.  Abri a janela e o vento gélido da manha infiltrou para dentro do quarto fazendo com que Allan voltasse à atenção para mim.
- Podemos conversar? – eu disse fechando a janela com um meio sorriso. Mesmo que eu recebesse uma resposta negativa eu não sairia dali. Ele não respondeu apenas se limitou a senta-se no centro da cama, com os joelhos de encontro ao tórax bem definido. 
- Seja breve, tenho aula hoje. – ele disse entanto parecer ceco.
- Ainda a freqüenta? – ele não disse nada, apenas ergueu uma das sobrancelhas, e se recostou no encosto da cama esticando as penas e cruzando os tornozelos.
- Tenho certeza que você não veio aqui para falarmos sobre eu freqüentar ou deixar de freqüentar a escola. – Fiz uma pequena reverencia com a cabeça, me aproximando da cama.
- Você tem razão.– fiquei em silencio por alguns instantes sentei-me ao seu lado, encostando minhas contas na cabeceira da cama. Allan saberia que era o receptáculo de Haboryn? Não, claro que não. – Você sabe como Haboryn pretende vir a Terra? – eu sabia muito bem a resposta, mesmo assim perguntei.
- Ele precisava de Annie, de algum modo, era uma protegida. Apenas sei que ele precisa do anjo. Por que? – Caso Allan soubesse que ele é o novo receptáculo o que ele poderia fazer? Nada. Haboryn poderia pegar-lhe de volta os poderes que lhe dera, sem pensar suas vezes, sem se importar em quebrar sua palavra. Além do que como Djin dissera eles era demônios e tais feitos fazem parte da existência deles.  Resolvi que não contaria nada para ele, de nada adiantaria. Talvez fosse melhor assim.
- Nada – limitei-me a responder. Um pesado silêncio caiu sobre nos, mais antes que ele me pedisse para partir perguntei. Já testou seus poderesO que você pretende fazer com eles? Valeu à pena perder sua alma por eles?Por mais que minhas palavras parecessem receosas, meu tom de voz não o aparentava. – Vai conseguir ajudar Erick com eles?
- Como se você se importasse comigo, ou com Erick – ele disse ríspido. Eu arregalei de leve os olhos antes de sorrir e confessar.
- Eu não me importo com Erick, ele não significa nada, o caso é que... Pode parecer estranho e é, mais eu aprendi a me importar com você, tanto é que quero ajudá-lo de alguma forma.– ele engoliu em seco.
- Ainda não tenho certeza, mesmo tendo esses poderes – ele disse olhando para as mãos – ainda não sei o que posso ou não fazer com eles – ele ainda observava as mãos e eu segui seu olhar. Será que agora que ele tinha os poderes do filho da serpente ele poderia me destruir com um simples toque?Ou só se ele quisesse?
- Se você tem tais poderes pode ajudá-lo. Além do que você sabe magia negra, não? – eu fixei meu olhar em seu perfil bem feito.
- Mais como? – ele me olhou.
- Infelizmente não tenho essa resposta. – eu o fitei, seus olhos azuis olhava fixamente os meus.  – Será que com esses poderes você faz tudo, exatamente tudo que um filho da serpente faz? – ele franziu o seno, sem entender onde exatamente eu pretendia chegar.  Eu precisava saber se eu teria que ficar fugindo de qualquer contato com ele – Quero dizer – acomodei-me um pouco mais na cama. Será que você pode me eliminar com um simples toque? –Mordi de leve os lábios, ele voltou o olhar para as mãos e encolheu as pernas.
- Não sei – suas palavras saíram como um sussurro, ele não podia saber claro, ele não tinha idéia da extensão de seus poderes. Mais eu precisava saber, então como se ele lesse meus pensamentos ele voltou a me fitar. Umedeci os lábios sedutoramente, antes de aproximar minha mão do seu rosto. Eu não tinha plena certeza do que eu estava fazendo, mais Adriel me tocara e ainda estou viva, Allan ainda é humano. Talvez...
Eu me aproximei minha mão um pouco mais de seu rosto, sem tocá-lo, sem tirar meus olhos dos dele. Nossos rostos estavam próximos um do outro, então venci a distancia e nossos lábios se tocaram ao mesmo tempo minha mão tocou seu rosto. Pareceu que ele nem ao menos percebeu a temperatura do meu toque. Afastei-me ainda com minha mão em seu rosto, fora um beijo rápido e talvez inesperado para Allan, ele abriu os olhos lentamente antes de voltar a me fitar, seus olhos adquiriram um azul intenso. Seus lábios tentadores. Então voltei a beijá-lo, não tinha exata certeza do que eu estava fazendo eu apenas seguia meus instintos. Beijei-o com sofreguidão e fui correspondida com a mesma intensidade, mudei de posição ainda beijando-o, Allan esticou as pernas de modo que as pernas ficassem flexionadas segurou-me pela cintura fazendo com que eu me sentasse em seu colo, com cada perna em um lado de seu corpo aprofundei o beijo, puxei seus cabelos pela nuca inclinando sua cabeça. Minhas mãos impacientes exploravam os músculos do corpo em definido. Sem conseguir me conter, continuei a exploração de seus músculos, do braço, do tórax, do abdômen.
Senti-o arfar mesmo assim não interrompi o beijo e minha exploração. Na posição em que eu me encontrava eu pude sentir sua excitação.  De repente ouvi passos. Tarde de mais.
- Allan – a porta foi aberta bruscamente. Allan olhou para as próprias mãos, como se me procurasse nelas antes de voltar à atenção para a visitante recente. Consegui camuflar-me a tempo em meio às sombras. Tinha certeza que Allan não explicaria muito bem minha presença ali, muito menos como eu subira até o segundo andar sem ao menos passar pela porta, e meus olhos. Eu sabia que eles não mais ostentavam a coloração tradicional, muito menos meus cabelos.
No instante em que percebi que os passos pesados haviam parado por um instante, não tinha tempo para explicar o porquê de ter me afastado tão bruscamente de Allan.
- Você está todo vermelho, está tudo bem? – as palavras eram maternas, não ostentavam uma preocupação rela. Ele balançou a cabeça afirmativamente antes de dizer.
- Está tudo bem – ele disse levantando-se da cama e indo para o guarda-roupa, onde pegou uma camisa preta que ficou justa em seu corpo bem definido.
- O café está pronto se você quiser. – Então ela saiu do quarto. Allan ainda estava de costas para porta. Eu me encostei-me a ela, com uma das pernas flexionada de modo que meu pé tocasse a porta atrás de mim. Fiquei com os braços cruzados, agora tendo certeza que meus olhos e cabelos estavam na medida do possível normais, procurei concentrar-me no ocorrido.
Será que ele estaria arrependido? Mesmo que estivesse não me importava. Da ultima vez alguma coisa me impediu de desfrutar certos prazeres, então pouco me importava. Um sorriso formou-se em meus lábios. Então ele voltou a atenção para mim.
- Por quê? B... Beijou-me?
- Arrependeu-se por ter me correspondido? – me impulsionei com meu pé e fui a sua direção, Allan fez o mesmo. Como para responder minha pergunta ele puxou-me pela cintura de encontro a seu corpo, e com a outra mão encaixou-a em minha nuca, beijando-me antes de se afastar.
- Não. Apenas dói. – ele não disse mais nada. Mais eu entendi o que ele quis disser. Isso significou alguma coisa para ele, alguma coisa de verdade e para mim, nem tanto, mais fora uma experiência e tanto. Não sei o quanto significou para ele, mais era apenas um teste para saber se seu toque poderia me destruir ou não. Suspirei, procurando me convencer do tal.
Ficamos ali em silencio por alguns instantes, enquanto eu observava seus movimentos. De um canto do quarto ele pegou uma mochila, onde ele colocou algumas coisas que não pude identificar, pois ele bloqueou minha visão.
- Hoje vou ver o que posso ou não fazer. – Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa me dirigi até a janela. Abri-a. Ele testaria os poderes.
- Não pretendia feri-lo, apenas queria testar... – decidi não terminar a frase, ele saberia o resto. E repetir a frase para mim mesma não adiantaria não me convenceria mais do que eu já estava.  Olhei rapidamente ao redor antes de pular lá em baixo. Cai como uma gata. Parei alguns instantes e olhei para a janela. Temente não poder ajudá-lo em nada.
Segui meu caminho, sem saber que direção tomar.  Eu poderia segui-lo para ver a extensão de seus poderes. Mais nos dois precisávamos de algum tempo. Depois eu descobriria, se deveria temê-lo ou não.  Segui para a mansão na velocidade sobre humana que me fora proporcionada ao meu renascimento. Em poucos segundos eu estava em meu quarto. Meu refúgio de todas as horas. Onde me deitei na cama e fechei os olhos. Queria poder dormir. Mais eu não podia. Voltei a abrir os olhos fiquei olhando para teto, as sombras faziam imagens distorcidas que não pude identificar. Sorte. Já que eu sempre os via, até mesmo sem pequenas sombras no chão ou em qualquer outro lugar. Suspirei.
Mesmo não tendo me arrependido do beijo que eu dera em Allan, eu agia como se isso me pesasse, como se eu sentisse remorso. Mais não era isso, eu tinha certeza. Apenas não descobri o que era. Fiquei ali durante as próximas horas que se seguiram, tentando manter minha mente vazia, o que era difícil com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. O que mais faltava acontecer? Eu estava exalta, cansada dessa loucura que se tornara minha vida. Esse conflito não era meu, por que eu me metia tanto como esses seres tão diferentes de mim. Adriel, Haboryn, Allan, Will... O que eu posso ter a ver com eles? Minha intromissão deveria ser única e silenciosa. Mais não importava mais eu já estou envolvida ate o pescoço, por que ser uma intrometida.
Uma vampira quebrada, talvez essa fosse minha nova definição, mesmo eu não me julgando, esses sentimentos que afloram em mim, sem permissão isso me fazia uma vampira quebrada. Por que simplesmente eu não deixava tudo de lado? Eu sabia exatamente qual era a resposta, não seria tão simples deixar tudo, para eu voltar e ser a velha Natasha de antes.
Todo esse discurso em minha mente fazia-me sentir mais cansada. De certo modo parecia que minhas pálpebras se tornavam pesadas, então desisti de deixa-las abertas e as fechei mesmo não sentindo sono, mesmo não podendo dormir. Minha mente continuava a fervilhar, com todos os acontecimentos de tão poucos meses. Procurei concentrar-me em qualquer coisa menos nas tantas perguntas que surgiram em minha mente do nada.
Abri os olhos bruscamente, dera certo, eu não dormira, claro, mais minha mente ficou em algum tipo de semi consciência, permitindo que minha mente acalmasse que todos os pensamentos e perguntas cessassem, pelo menos por hora. Eu ainda estava na mesma posição, virei a cabeça, para olhar a janela que por uma pequena fresta pude contemplar a escuridão lá fora. Levantei-me da cama para ter absoluta certeza, afastas as cortinas de uma única vez e lá estava a escuridão sendo banhada pela luz da lua.
Lana, Paul e Julio estavam lá embaixo, sentados cada um em uma cadeira; conversando, pelo que pude ouvir pretendiam caçar essa noite, as outras coisas eram apenas trivialidades, nada que pudesse importar-me, fechei as janelas me senti um tanto deprimida insegura. Mesmo assim fui até o banheiro onde tomei um longo banho, depois me vesti de modo simples. Apenas com uma calça jeans escura, e uma blusa preta como um espartilho. Prendi meus cabelos no alto da cabeça, e uma sandália cor de pele não muito alta finalizava meu visual.
Sai dos limites da mansão. Por alguns instantes caminhei pelas ruas, sem um destino certo, eu nunca tinha um destino certo. Olhei para o céu, sem estrelas, parei por um instante e me concentrei em sentir a umidade do ar. Iria chover. Logo. Minha atenção logo se desviou para a luz de um poste que piscava sem parar. Arfei então o poste apagou de uma vez, continuei a caminhar, o poste seguinte do outro lado da rua, piscou, e então instintivamente olhei para trás, a luz do primeiro posto havia voltado sem qualquer problema aparente, então voltei a caminhar e o que eu vi, ao teria me deixado assustada como de certo modo fiquei. Agora todos os postes seguintes piscavamincessantemente. À medida que os segundos passavam as luzes piscavam mais rápido até que tudo se apagou. Minha visão logo se ajustou a nova escuridão então vi a silhueta de um ser encostado em um dos postes ao longo do caminho. Caminhei até lá a passos largos e determinados.
- Allan? – as roupas negras faziam dele apenas uma sombra.
- Ainda não sei controlar – Ele me disse – Mais não vai demorar muito até eu conseguir controlar todos os poderes que ganhei – ganhar? Ele não havia ganhado, ele havia feito uma troca estúpida isso sim. Quando ele conseguisse controlar tudo, ele estaria por completo envolto nas trevas, era desse tipo de trevas que Uriel dissera para Adriel, na noite da morte de Annie?
- Quanto tempo? – Perguntei por fim.
- Não muito – ele deu de ombros, dando-me as costas. E antes que eu pudesse perguntar-lhe mais alguma coisa ele já havia sumido e junto com ele toda a escuridão. Ele queria me deixar a par de seus avanços?  Ou apenas queria provar-me que logo seria tão poderoso quanto qualquer outro ser?
Não importava. Mais se essa era o tipo de escuridão que Uriel falara Adriel corria o perigo de perder as asas e Haboryn... Afastei esse pensamento, passei a mão por meus cabelos, e a presilha que o prendia me impediu de embrenhar meus dedos neles. Então os soltei. Passei novamente a mão por eles para que adquirissem a aparência natural. Allan deveria ter praticado na velha casa, e foi para lá que segui.  Usei minha velocidade sobrenatural para chegar. Em alguns segundos eu estava na porta. A muito eu não usava minha empatia, e ali era sempre o melhor lugar para praticar. A Porta estava aberta, então toquei a batente da porta. Um vento gélido, fez com meus cabelos esvoaçassem. Olhei em direção a figueira que parecia um tanto sinistra com seus galhos balançando de lentamente para uma única direção.
Apoiei-me no batente da porta, um pouco mais a baixo e voltei minha atenção para a casa, com todos os meus sentidos alertas, e o que vi me deixou alarmada. A casa estava como nova, minha respiração falhou então pisquei duas vezes para ter certeza de minha visão. Suspirei.
- Não passou disso, uma visão – sussurrei para mim mesma, a casa continuava a mesma velha e abandonada casa. Coloquei o pé para dentro e então vi alguma coisa se mover, podia ser minha imaginação pregando-me peças novamente. Olhei em volta e atrás de mim vi novamente a mesma imagem. Meus ouvidos pareciam mais sensíveis, minha visão mais aguçada, farejei o ar e não havia outra presença ali. Mesmo assim dei mais alguns passos, e dessa vez vi um homem de costas para mim, que no mesmo segundo desapareceu. Minha empatia. Eu não havia percebido mais eu tocara em um pedaço de jarro de flores quebrado em cima de uma mesinha. Mais aquilo não parecia meus poderes, era mais que uma simples empatia, era como se algum quisesse me mostrar algo. Alguém? Ou alguma coisa?  Segui reto e então parei na porta que dividia os cômodos e toquei o batente, então pude vê-lo novamente, olhou ao redor, as imagens que eu vi eram outras, a casa parecia habitável, de repente pude ouvir um sussurro, como se ele chamasse por alguém, talvez o dono da casa. Mesmo com meus sentidos aguçados não pude entendê-lo. A imagem desapareceu, eu ainda permanecia para junto à porta.
 Dei alguns passos vacilantes, e a cada cômodo eu o via comoo um fantasma, como se ele estivesse ali, ou como se eu estivesse invadindo memórias que não eram minhas, tentei acompanhar os flashes da imagem pela casa, mais eram rápidos continuei a ouvir seus sussurros sem compreendê-los. Fui até a cozinha e lá estava ele, de costas para mim olhando pela janela que dava ao jardim, que nada tinha a ver com o que é hoje. Agora pude observá-lo melhor, suas roupas eram simples, como as de um camponês de outro século, talvez do século 18. Ele abaixou a cabeça e a imagem desapareceu. Olhei ao redor, mais não o encontrei em meio à cozinha em ruínas eu suspirei. O que era tudo aquilo? Aproximei-me um pouco mais de onde ele estava a pouco e então pude vê-lo novamente, agora de frente. Ele estava encostado na pia. Seu rosto... Ele veio em minha direção com passos decididos, como se eu não estivesse em seu caminho ele olhava para a mão esquerda, onde pude observar que de seu dedo anular reluzia uma pequena jóia provavelmente sem valor.
Ele continuou se aproximando e quando ele ficou a um passo de mim pensei que ele pararia mais não foi o que aconteceu, eu me encolhi e fechei os olhos então imagens passou por mim tornando-se fumaça,  e só então pude compreender o que ele dizia. Meg. Abri os olhos arfando. Meg. O nome titilava em minha mente como um sino irritante. Nos fundos da casa não mais existia um jardim apenas a mata, por onde persegui Annie. Meg. Ele procurava por... Ela. Seu rosto quase que angelical como o de Adriel. Eu já o vira antes, mais onde? Forcei minha mente. Por que eu não conseguia me lembrar aonde o vira? Procurei recordar-me. Os flashes. Claro, ele se aprecia muito com ele, não, era ele o homem que eu vigiei até sua morte. Ele esteve a minha procura.




Cap 28

A imagem do homem insistia em não se dissipar de minha mente. Por que ele me procurava? E logo ali? Logo naquela casa onde tanta coisa aconteceu. E aquele anel? Eu não queria saber o que eu signifiquei a aquele homem e o que ele significava para mim, por mais que meu intimo fizesse uma idéia. Sai apressadamente da casa, passando pela porta sem olhar para trás não queria correr o risco de vê-lo novamente na porta, com um olhar pesaroso. Corri alguns segundos e então um pingo de chuva tocou-me, parei em meio à estrada, olhei para céu, as gotas pareciam cair em câmera lenta, voltei minha atenção para a estrada então a chuva caiu de uma vez a chuva não era forte nada que pudesse me incomodar.
            Respirei fundo passando a mão pelo rosto, eu precisava de um momento sozinha, eu precisava mais do que o refugio do meu quarto, eu precisava do meu lugar preferido e foi para lá que me encaminhei. Cheguei ao Lago Gander, deitei-me em meio às pedras do precipício. Cobri meus olhos com meu ante braço e o que vi foi à imagem do belo rosto olhando a aliança, e logo em seguida ele sentado em uma cadeira, rodando o anel em seu dedo anular esquerdo.
            A chuva era fraca sobre mim, mais foi o suficiente para me deixar encharcada. Um leve ruído fez-me voltar à atenção a minha volta. Adriel.
          - Novamente na chuva. – ele disse gentilmente. Esbocei um sorriso, mais permaneci em silencio por alguns instantes antes de me sentar. – Você é forte, mais não imune -  Ele fez o mesmo, sentou-se a minha frente, deixando-me com a visão um pouco turva – Algo a aflige?
        - Nada de mais – eu disse procurando ao máximo me convencer, de que não era mesmo nada. Que aquelas imagens de nada significava para mim. Ele levantou a mãolentamente, aproximando-se do meu rosto, tive a impressão que ele me tocaria novamente, e eu não me esquivaria nunca mais de seu toque, algumas poucas queimaduras não eram nada comparadas as sensações. Mais me enganei, ele fechou a mão e a abaixou.
      - Tem certeza? Pode me contar – ele fez uma pausa –Confie em mim? – Ele disse como um sussurro. Voltei a sorrir mais dessa vez um sorriso que demonstrava uma falsa felicidade.
 - Eu confio em você, é que não esta acontecendo nada. – Dessa vez acho ele acreditou, pois sua expressão relaxou mais seu punho continuava fechado. – Mais você parece tenso. – Ele desviou o olhar, fitou as águas do lago. Pensei por um instante que ele não me responderia, que mudaria de assunto.
  - Estou preocupado com Allan. Sinto-me fraco perto dele, é como se eu não conseguisse interferir. – Ele olhou para as próprias mãos, Allan estaria totalmente perdido? Sua alma não tinha mais salvação, disso eu tinha certeza. O que ele estaria fazendo agora?  - Eu estive com ele há um tempo – será que ele me vira com ele? No momento em que eu o beijei? Não, se fosse assim, ele teria comentado algo. Ele suspirou desanimado. – Sinto como... – Adriel ficou imóvel, mais logo piscou e olhou para mim – Eu preciso ir. – Não era isso que ele ia me dizer, eu tinha certeza.
       Antes que eu pudesse, impedi-lo ou perguntar o porquê, ele levantou-se e voou. O instante seguinte, fiquei ali parada apenas observando a luz que de certa forma parecia mais apagada. Então me levantei decidida a segui-lo. Embrenhei-me na mata perseguindo a luz enquanto eu desviava das arvores em meu caminho. Olhando para cima, não prestei atenção em uma arvore em minha frente e quase trombei, quanto me recompus eu o havia perdido de vista. Mesmo assim continuei andando, ele devia estar perto. Uma pequena claridade me vez andar com cautela. Aproximei-me da clareira, ficando distante o suficiente para que eu pudesse ouvir e não ser percebida. Adriel estava mesmo fraco, pois sua luz não podia ser comparada a do ser que estava com ele. Uriel.
           - Sinto por ter que ser tal portador – a expressão de Uriel era gentil e pesarosa – mais não é a primeira vez que o previno. - Eu havia perdido o começo da conversa, e Adriel estava de costas para mim, não sabia qual era sua expressão. Eu não podia usar minha empatia sentimentos angelical seriam de mais para mim. – Essa será a ultima vez que venho preveni-lo, na próxima não haverá conversa.
         - Uriel...
         - Cuide de seu protegido, não se envolva. – ele o interrompeu – Não se aproxime tanto dos mortais e seus sentimentos – sua expressão tornou-se serena e então ele sumiu, como se ele houvesse se tele transportado. Adriel continuou imóvel, quis correr para ajudá-lo, para ver se ele estava bem. Dizer-lhe que tudo estava bem, que nada de mal aconteceria com Allan, eu mentiria para ele se sentir melhor, eu era boa nisso. Mais eu não o fiz, continuei ali, imóvel atrás da arvore, fitando suas costas largas.
      Suspirei. Logo tudo acabaria. Não senti tanta convicção em minha afirmação. Mesmo assim eu torcia para que acabasse logo. Adriel moveu-se e eu voltei minha atenção a ele, que já estava levantando voo. Pela direção que ele tomou pensei que voltaria ao lago, então corri. Talvez ele quisesse conversar com alguém.
     Logo eu estava sentada com as pernas balançando no penhasco, a chuva cessara a um tempo, mais ainda havia algumas pequenas poças de lama ao redor. O tempo passou rápido e eu começava a focar impaciente.
   - O que eu ainda estou fazendo aqui? – sussurrei – Ele não voltaria, não essa noite c- ao perceber que o nascer do sol se aproximava, tinha certeza que não o veria. Onde ele estaria? Cuidando de Allan? Provavelmente. Levantei-me pronta para voltar para mansão. Uriel tinha razão ele estava envolvido de mais, talvez nem tanto com Allan mais como uma suposta humana, eu. Eu não precisava de minha empatia para perceber o quão envolvido ele estava comigo. A preocupação dele era mais o que a de um simples anjo protetor, disso eu tinha certeza.
      Se Allan soubesse que tinha um anjo as coisas podiam ter sido diferentes? Talvez não. Seu desejo por poder era mais forte. Desisti não voltaria a ver o anjo. Então voltei para mansão. Minhas roupas ainda estavam molhadas então as tirei e tomei um banho. Vesti apenas uma lingerie e deite-me na cama. Fechei os olhos. Tantas imagens apareceram atrás de meus olhos que voltei a abri-los. Eram minhas recordações, ou a da casa? O homem com o rosto preocupado, depois a imagem dele sentado em uma cadeira velha, e do nada o rosto de Adriel surgiu, com um sorriso que sugeria um convite a qualquer perdição. A minha. Um convite que me era negado. Olhei meus braços e aquelas queimaduras provocadas por ele que o deixará tão preocupado já não existia, havia apenas uma recordação, e um aviso que eu não devia ser tocada por ele. Era perigoso. Não tanto como pensei que seria. A preocupação dele era inútil, eu sei muito bem me cuidar. E quando por fim ele descobrir isso, espero conseguir contornar a situação. O que será impossível.
        Sempre disseram o quão eram perigosos os filhos da luz e dos filhos da serpente. Adriel era um filho da luz, mais não me matará, mais isso tinha uma resposta plausível. Ele estava fraco, ele mesmo perceberá isso. O envolvimento com mortais era uma fraqueza que ele imortais não deviam ter. Suspirei. Quais outros problemas surgiriam?
     Pensando em tudo o que havia acontecido desde a morte da primeira protegida, parecia que nunca teria fim. Allan deveria morrer. Mais eu não o faria. Conclui que de certa forma eu ajudará Haboryn, de modo indireto talvez. Mesmo assim eu tive uma grande participação em seja lá o que vá acontecer daqui para frente. Meu desejo egoísta e insano de querer ao Anjo provocara boa parte de sua fraqueza atual. Se os planos de Haboryn se concretizassem o que ele faria? Aconteceria uma guerra entre as raças como Silas uma vez previu?  A porta se abriu alertando-me.
   - Calma Natasha – era Kimberly – posso sentir o cheiro do seu medo e remorso de longe – ergui as sobrancelhas, ela estava visivelmente mais poderosa, seu livro de magias a ajudara bastante. Haboryn teria entrado em contato com ela? Não, pelo menos não depois dela tê-lo expulsado de meu quarto certa vez.
   - Do que você esta falando- perguntei sentando-me. – Você tem que parar de ler tanto esse seu livro, você esta ficando louca. – tentei esquivar-me.
    - Ora Natasha, sei que esta se sentindo péssima – ergui as sobrancelhas, então ela sorriu solidaria, entrando por fim dentro do quarto e fechando a porta.  – sei que sente certo remorso.
    - Remorso? – aquela constatação me deixou horrorizada. Remorso era uma palavra que não constava em meu dicionário a muito.
    - Você não mais o reconhece? Nos últimos tempos é o sentimento humano que você mais tenta abafar – ele enfatizo o abafar.
     - Não Kimberly, você está errada, eu nunca senti remorso. – eu queria desesperadamente acreditar naquilo.
    - Claro, a velha Natasha sim, nunca sentiu remorso já que ela nunca esteve em contato tão direto com humanos, anjos e demônios. – Engoli em seco.  Ela tinha razão eu não era mais a mesmo, desde que tive um contato mais direto com outros seres.
    - Talvez esteja certa, - mesmo hesitante concordei – Mais e daí, e mais fácil ignorar, do que encarar.
     - Mais você consegue ignorar? – Desde quanto ela se tornara tão... Tão difícil de contornar? Onde estava aquela velha Kimberly com a expressão de tédio? – Não quer me contar?
    - O que? – eu me levantei jogando meus cabelos e indo até o banheiro – Você já não sabe? – em frente ao espelho  apertei algumas mechas de meu cabelo de cima para baixo, de modo que ele pudesse ficar moldado.
    - Talvez...  – ela fez uma pausa dando a volta na cama e sentando-se perto da cabeceira. – mais quero ouvir de você. – eu suspirei desanimada – Você precisa conversar com alguém. – Desabafar? Aquilo era estranho, ela é minha amiga mais a palavra que tomou conta da minha cabeça me fez recuar. Voltei ao quarto. 
      - Eu o ajudei... – eu disse em um sussurro – sem que eu tivesse total consciência disso, uma vez ele pediu para que eu o ajudasse com a queda do anjo, e agora acho que não falta muito. E eu sou uma das ou a principal responsável. Já que ele possui sentimentos humanos, por mim.
    - Você vai se afastar? – ela perguntou erguendo a sobrancelhas.
   - Eu tenho mais não vou.
   - Isso – ela se levantou com um sorriso – a velha Natasha, egoísta, que só pensa em si mesma. – Será que ela estava me dando um sermão ou me parabenizando por conseguir encontrar um pedaço da velha Natasha? –Ela estava me parabenizando, conclui. - Viu tudo vai ser como antes. – Ela mentia.  Ficamos ali em silencio por alguns segundos, Kimberly aprecia que havia congelado com um sorriso no rosto. Então ela pendurou a cabeça pro lado - tem mais alguma coisa? – Ergui uma sobrancelha.
    - Talvez... – ela falava de Allan? Ou das imagens que eu vira na velha casa? Ela poderia me ajudar? –
   - Por que você acha que a queda é inevitável? Por que do jeito que você falou é o que você pensa.
    - Allan está envolvo a trevas de uma maneira irreversível.  Ele conseguiu o que ele tanto almejava... Poderes
   - Poderes... – Kimberly falou ao mesmo tempo em que minhas palavras saíram, nos duas falamos baixo e saiu como em uni som.
     - Adriel está fraco, ele mesmo sentiu a diferença. – Kimberly não parecia alarmada, ela saberia o que fazer? – tem mais uma coisa, uma que me deixou intrigada. Hoje eu vi algumas imagens, não sei dizer são minhas recordações ou de outra pessoa que frequentou o velho casebre. 
    - Prossiga - Ela disse movendo a cabeça em uma pequena referencia. Voltei a me deitar na cama e me cobri, mesmo sem sentir frio.
       - Eu vi um homem, era como se eu estivesse lá mais eu não podia ser vista ou ouvida, era como se eu fosse um fantasma.  – Eu disse lembrando nitidamente de casa imagem – o homem passava pela casa toda, como flashes. Mais pude vê-lo muito bem. Ele procurava por alguém. Ele procurava por mim. E temo que minhas suspeitas em relação a ele se tornem reais.
          - Que suspeitas? – Ela disse balançando a cabeça.
          - O homem que vi no casebre é muito parecido com um que eu vigiei até sua morte. Eles usavam uma aliança. – dei um sorriso tenso em direção a Kimberly. – Eu sei que os dois são a mesma pessoa.
       - Mais o que você teme?
       - Descobrir o que realmente eu signifiquei para ele, o porquê de eu ter ido embora. Temo descobrir o que ele significava para mim.  – acomodei-me melhor nos tantos travesseiros que tinha em minha cama. – talvez eu tenha ido embora, por que me transformei. Talvez seja isso.
     - Você se preocupa de mais com coisas que não são importantes – franzi o seno – mesmo que você descobrir o quem ele era de verdade, você não poderá fazer nada. Como você o disse ele morreu. Você está viva. Ao nosso modo mais viva.  – eu ri. Ela tinha razão. De nada me adiantaria descobrir as coisas do passado. Mesmo assim por que tais recordações sejamlá de quem for apareceu justamente agora? Depois de tantos anos?
     - É você tem razão. Tenho problemas de mais para conseguir mais um. Problemas que estão na minha porta. Deixando-me louca.
    - Resolva uma coisa de cada vez – ela disse levantando-se – o passado se revolverá por si só. – Então ela abriu a porta e saiu.
      Como eu podia revolver uma coisa de cada vez, sendo que tudo acontecia ao mesmo tempo. As coisas explodiam uma atrás da outra, sem ao menos permitir que eu consiga resolver o problema anterior. Mesmo assim ela tinha razão. O passo podia esperar. Pelo menos é o que eu esperava. Suspirei. Rolei na cama procurando uma posição mais confortável, mais eu não encontrei. Sufoquei um gemido ao me erguer e permanecer sentada com as pernas esticadas. Passei a mão nos outros, então pude ouvir uma risada ao longe. Uma que não reconheci à principal. A janela do meu quaro foi aberta bruscamente com uma rajada de vento, aquilo não era normal a temperatura do vento que atingiu meu rosto também não.  E o arrepio que senti na espinha confirmou que tudo não era obra natural.
              - Muito bem minha querida Natasha – Haboryn, eu não conseguia vê-lo, mais ele estava no meu quarto, ou talvez em minha cabeça. – Vou ser sincero pode acreditar, eu não tinha tanta convicção em relação a você, mais você provou ser merecedora do futuro que eu preparei para você. – a risada demoníaca que ouvi a seguir-me fez arrepiar novamente.
              - Ora Haboryn, do que você está falando? – eu me levantei tentando mostrar uma tranqüilidade que eu não sentia, me dirigi até a janela e as fechei.
              - Você sabe muito bem do que estou falando vampira – sua voz era seria. – Mesmo assim, vou dizer-lhe. Você merece ouvir meus parabéns. Seu trabalho foi mais que perfeito, apenas falta finalizá-lo. – sentei-me na poltrona procurei por ele com o olhar e não o encontrei. Havia sombras de vários tamanhas e tipos mais nem uma que fosse ou se parecesse com Haboryn. Ele não podia estar na minha cabeça. Ou seria eu a imaginar essa conversa?
       - Não enrole Haboryn, diga de uma vez. – Eu disse nervosa.
       - Como eu disse, apenas é preciso finalizar. Estou a poucos passos da Terra em definitivo. E graças a você, você fez com que o anjo pecasse.  – As risadas eram de total felicidade.
       - Você disse que preparou um futuro para mim. Posso saber qual? – eu disse estreitando os olhos.
       - Não, se eu contar ele poderá mudar – eram as mesmas palavras de Silas. – Além do que não foi propositalmente foi? – Ele riu alto e outra rajada de vento fez com que as janelas de abrissem.





Cap 29
           Mesmo com minhas janelas abertas, ele não esteve em meu quarto. Minhas palavras foram pronunciadas em voz alta. Mais e as dele?
           - Falandu suzinha Natasha? – Melissa colocou a cabeça na porta, com um sorriso debochado na cara, que combinava com seu sotaque puxado e irritante.
           - Não é da sua conta – eu gritei a plenos pulmões, jogando a primeira coisa que vi na minha frente.  Ela fechou a porta ainda rindo.  Isso podia responder minha pergunta. Ele esteve em minha cabeça. A entrada fora apenas uma encenação, ou algo do tipo.
            Agora sim não conseguiria ficar um segundo se quer parada. Essa visita apenas que serviu para deixar-me mais louca do que eu já estava.  Fui até meu closet, de onde tirei uma roupa simples e me vesti, fui até a penteadeira e me olhei no espelho, à imagem que eu via ali refletida não se parecia com a velha Natasha de antes, com o olhar penetrante, segura de si e de seus atos. Suspirei. Em uma das prateleiras ao lado, eu vi um amuleto que Kimberly me dera certo dia, peguei-o e o apertei entre os dedos, antes de colocá-lo no pescoço e esconde-lo por baixo de minha blusa.
Sai do meu quarto, batendo à porta a trás de mim. Ainda era cedo, todos estavam em seus quartos. Ou quase todos. Não tinha tanta certeza quanto a Kimberly. O barulho de passos na escada fez me parar, e esperar para ter certeza de quem se aproximava. Silas. Ele parecia abatido, mais quanto me viu sua expressão tornou-se novamente serena, despreocupada.
      - Algum problema Silas? – perguntei, sabendo que alguma coisa o afligia.
      - Não, por que acha que há algo errado? – ele disse se aproximando, aproveitei o espaço entre-nos para aguçar meus sentidos, principalmente minha empatia. Mesmo que ele aparentasse a mesma expressão de sempre, eu estava em duvida.
      - Nada, é que apenas está de dia, e você não está sem eu escritório muito menos em seus aposentos. – sorri. Quando por fim Silas se aproximou ele tocou-me no braço. Com meus poderes pude sentir certa apreensão por trás de sua expressão congelada.
      - Não tem nada para me disser Natasha? –  Silas tinha a mente aberta, ele me tocara para obter informações sobre o futuro, mais quem teve informações fui eu. Fingir pensar por alguns instantes, antes de balançar a cabeça.
     - Não. Por que você viu algo? – eu disse ironicamente, então ele me soltou. Entendi que esse era o grande problema, que por isso ele tinha a expressão abatida, ele não havia visto nada. Estava cego em relação ao futuro, o porquê eu não sabia. Então ele me soltou, como se eu o queimasse. Sorri solidaria. Uma vez ele me ameaçara de tal modo que eu tinha plena certeza que ele cumpriria sua promessa. Pensei tê-lo visto engolir em seco. Não obtive resposta, ele apenas me deu as costas.
         - Se precisar de mim, você sabe onde me encontrar – foram às únicas palavras que ouvi, ao pé da escada, eu sabia muito bem onde encontrá-lo.
             Esperei ali parada em frente à porta do meu quarto, até ouvir o barulho da porta do escritório sendo aberta e fechada logo em seguida. Eu nunca virá Silas se encaminhar para seus aposentos. Ele sempre estava em seu escritório. Em meio a seus pensamentos e papeis.  Segui pelo caminho em que Silas acabara de passar, mas ao invés de ir até seu escritório, encaminhei-me até a porta. Então a abri, quando eu já ia fechando vi o rosto pálido de Melissa em um canto do hall, uma fresta da janela estava aberta, e isso permitiu que o sol entrasse, impedindo que ela ultrapassasse a linha. Ela começou a caminhar para trás olhando-me com um sorriso nos lábios.
              Eu poderia ter voltado e ajudado-a com a janela. Mais não dessa vez, muito menos por Melissa. Fui até a garagem, peguei meu carro e sai da mansão. Eu não sabia o que eu pretendia fazer ao certo, mesmo assim continuei a dirigir em um rumo real. Passei por frente da velha casa, diminui a velocidade, mais não parei as cortinas moveram-se com o vento, pisei o acelerador. Onde estaria Allan, Dei uma volta na cidade, antes de passar na casa de Allan, ele não estava lá. Mesmo assim fui até seu quarto para obter a plena certeza.
     O lugar de certa forma parecia organizado de mais a não ser por algumas roupas espalhadas, alguns rabisco nas paredes e espelhos. Eram mais como símbolos, que não pude identificar. Aproximei-me da cama onde eu havia beijado Allan, onde eu fui correspondida com a mesma intensidade, ou talvez até maior. E na cabeceira havia uma coisa que eu não tinha percebido antes, havia uma cruz entalhada.
     Continuei a olhar o lugar. Então vi o caderno de desenhos de Allan em cima da cômoda. Peguei-os e fui até a porta trancando-a. Sentei-me na cadeira da escrivaninha e comecei a folheá-lo. Ele não havia desenhado mais nada. A última imagem era a minha. Mesmo assim terminei de olhar todas as folhas em branco. A última folha me chamou a atenção, em vez de desenhos havia algo escrito ali. As palavras estavam de cabeça para baixo então virei o cadernos e comecei a ler.‘Tenho plena certeza, pois eu posso sentir os poderes em minhas veias, Haboryn não me tomará os poderes, não será como Natasha disse. ’             Era como se ele quisesse alguém para conversar, mais sem opção utiliza o papel. Continuei lendo, eram coisas evasivas. Mais uma coisa em um dos parágrafos me chamou a atenção. ‘ Haboryn me prometeu uma coisa será como um presente surpresa. Estou curioso e receoso ao mesmo tempo para recebê-lo. Aceitarei de bom grado, o que eu tenho a perder? Ele diz que será logo. Que não demorará muito e que enquanto isso, devo aperfeiçoar meus poderes. Onde Allan poderia estar treinando tais poderes?  Não havia mais nada escrito ali que pudesse me dar uma pista.
            Mais o melhor a fazer é procurá-lo por conta própria. Sai do quarto dele, olhando pela janela antes de pular. Meu carro estava uma rua a baixo, então caminhei até lá. Entrei e dei a partida. Allan não estaria na escola, já que todos seus materiais estavam em seu quarto. Eu tinha a impressão que seus pais não tinham ideia que ele não estava fora de casa.
         À noite eu voltaria uma hora ele teria que voltar para casa. Ele ainda era um humano e precisaria de uma noite de descanso. Haboryn não tomaria os poderes de Allan, para que? Os poderes seriam dele. Se eu entendi bem, esse era o presente que Haboryn queria dar a Allan, iludido do modo certo aceitaria de bom grado. Como ele disse; ele não tinha nada a perder, já que sua alma já era de Haboryn. Mais quanto logo, Allan receberia esse ‘presente’?
Quais eram seus planos na terra? Perverter a humanidade, assassinatos a sangue frio. Ou apenas uma chance de estar na Terra como Djin? Não se fosse esse o caso, ele não precisaria de todos seus poderes.  E o que ele preparará para mim. Pelo modo como ele disse, estava tudo preparado. Allan, Adriel. Mais e o Will, o que aconteceria com ele? Haboryn o ajudaria de alguma forma? Perguntas que logo seriam respondidas.  Com tantas perguntas deixando minha mente ocupada, não percebi que passava por frente ao cemitério All Saints Cemetary. Desci do carro, e então vi que o nível de mortalidade vinha aumentando consideravelmente.
            Com os problemas girando apenas em torno de Gander, nos não mais viajávamos para caçar. Alimentávamo-nos aqui mesmo pelas redondezas.  Sem maiores preocupações. Eu já não sabia nada sobre as tais investigações da policia. Outros mortos foram encontrados claro. Mais não havia suspeitos. Apenas o medo da população. Caminhei por entre as lapides procurando por uma. A do Erick. Ele não estava ali, talvez só aparecesse à noite. Mais e durante o dia? Lembro-me de tê-lo visto em um hospital, o que é improvável, seu corpo ainda estava embaixo da figueira. Observei a foto na lapide. Quem ele pensava que estava ali? Bruno?Ele tinha uma recordação de um suposto acidente. Que matara seu amigo. Era estranho vê-lo chorar sobre o próprio tumulo.
Não tinha o que fazer aqui, eu não sabia ao certo por que eu pararei aqui. Comecei a caminhar de volta a meu carro. Entrei no carro e dei a partida. Enquanto dava uma volta pela cidade, parei nos lugares que eram considerados obscuros, a luz do dia. Tentando em vão encontrar com Allan. Depois de passar algumas horas rodando a cidade, desisti à noite eu o procuraria em sua própria casa, e no velho casebre. Se não o encontrasse iria ao lago, talvez se eu encontrasse com Adriel ele saberia me disser. Pensando em como Allan pode sumir, esqueci-me das ruas. Quando dei por mim eu estava a frente da mansão de Christine. Desci do carro e fui até a porta, olhei para a cozinha e para a sala, ela não estava ali, então a chamei, não houve resposta, tentei novamente. Dessa vez chamei por Christine e John. Ninguém. Mesmo assim dei a volta na casa eu podia sentir o cheiro de Christine.
            E nos fundos da mansão estava ela em um estado letárgico, com os olhos abertos levemente arregalados, aproximei-me sem fazer barulho. Ela devia ter se ‘alimentado’ recentemente, pois sua pele parecia mais jovem do que nunca. A expressão dela demonstrava que seja lá o que ela estava fazendo era importante. Ela respirou fundo mais sua expressão era a mesma. Logo ela arfou, o movimento do seu peito começou a aumentar como as batidas de seu coração, que parecia que pararia a qualquer momento. Então ouvi que parecia uma batida mais longa. Seus belos olhos azuis adotaram um azul mais profundo, mais vivo então seus olhos se fecharam. As batidas de seu coração já se normalizavam.
           - Logo... - ela sussurrou abrindo os olhos lentamente. Continuei ali imóvel, enquanto ela continuava na mesma posição com as pernas cruzadas com as mãos sobre os joelhos e com um tipo de tina a sua frente. – Será logo! – ela voltou a dizer suspirando – venha sente-se aqui Natasha – as palavras me pegou de surpresa, ela olhou para mim e sorriu. Fiz o que ela me solicitou, ela me acompanhou com o olhar até que me sentei a sua frente. – Tem algo que queria me dizer? – sorri, assentindo com a cabeça.
            - Preciso que você veja meu passado não sei... – fiz uma pausa – é que tive a visão de algumas imagens recentemente, no velho casebre. Era um homem que procurava por Meg, procurava por mim. Ele tinha uma aliança no dedo. E eu quero me lembrar. – Contei a ela detalhadamente as imagens que vi no velho casebre, para depois sem uma pausa para que ela pudesse falar contei sobre Adriel, que eu podia sentir que ele estava fraco que ele mesmo sentia isso, atropelei os acontecimentos. Falando de Allan, do que eu havia ligo a pouco em seu quarto. – respirei fundo parecia que eu estava falando comigo mesma. Então eu perguntei a ela  - O que será logo? – ela forçou um sorriso.
         - Você sabe o que será logo! – ela fez uma pausa e eu assenti como seno franzido.
         - Eu sei que logo Haboryn estará na Terra, apenas ainda não entendi o que ele está esperando.
        - Nem eu Natasha, nem eu. Ele está pronto, seu receptáculo também. E como você mesma me disse o Anjo está debilitado. Não sei o que ele espera. – ela pareceu pensar por um instante. – Mais não é só isso.
       - E o que mais seria logo?
       - Você sabe Natasha. – ela me olhou no fundo dos olhos. Christine como sempre tinha muita paciência comigo, então ela suspirou – Logo você saberá de tudo Natasha, logo cada mistério se resolvera logo você saberá sua participação em relação com todas essas perguntas que rondas sua mente.  Logo Allan não mais existirá e Haboryn estará em seu lugar, para oferecer-lhe todos seus desejos. – Ela disse com um sorriso solidário, mais eu podia sentir sua tensão por baixo daquela mascara que ela teimava em usar.
     Ela tinha razão Allan não mais existiria, eu tinha plena consciência disso mais eu tentaria impedir. Claro que eu precisaria da ajuda dele. E qual minha importância em tudo isso?
    - Não, Natasha, você sabe que no intimo não poderá ajudá-lo, não mais. Você sabe sua importância nessa historia toda. Você não é apenas uma vampira intrometida como você se denomina. Você é uma peça tão importante quanto Adriel ou Tayler.
    - Tayler?
 - Sim, você se lembrará dele e de tudo. A imagem que você viu no casebre, não era seus poderes por terem tocado os moveis ou qualquer outra coisa. Eram suas próprias lembranças. Antigas, logo depois de você ter sido transformada. Lembrar-se-á do quão importante o homem que você viu era para você e vice versa.
       - Tayler – eu sussurrei para mim mesma, olhando minhas mãos. – se são recordações de minha pós transformação por que eu não me lembrava?
     - Por que você simplesmente quis esquecê-las, bloqueando todas e quais querem imagens desse homem.
      - Preciso ir. Eu não precisava, eu não tinha para onde ir, naquele momento eu estava confusa e curiosa. Quando eu me lembraria? Eu já me levantava para ir embora, quando Christine também se levantou dizendo. – Prepare se Natasha, por que uma guerra se aproxima, esteja com seus pensamentos e sentimentos em ordem. Procure ficar do lado certo.
      - E quais serão esses lados? – esperei por uma resposta que não veio. Olhei para ela. Ela recolheu a tina.
     - Você saberá na hora certa. – Droga, mais perguntas sem respostas. Se eu ficasse ali sairia mais perdida de quando cheguei. Então sai a passos apresados. Mesmo sem qualquer pressa. Eu precisava organizar meus pensamentos? E por onde eu começava. Meus sentimentos estavam uma verdadeira bagunça, não conseguia nem definir os meus sentimentos em relação a Allan. Entrei no meu carro e fiquei ali, com as mãos no volante encostando a testa em minhas mãos.
        Christine sabia de muitas coisas, por que ela não me contava tudo de uma vez? Por que deixar eu me torturar com perguntas sobre o passado, presente e o futuro? Sim era uma tortura quando eu descobriria minha participação em tudo isso. E o que Haboryn esperava para vir a Terra? Eu não conseguiria organizar meus pensamentos. Entrei no carro. Eu poderia ficar ali, até que a guerra, ou seja, lá o que fosse acontecer começasse mais eu precisava me preparar. Concentra-me em minhas prioridades e procurar por todos aqueles que estavam envolvidos talvez Christine estivesse certa eu não poderia impedir, mais eu podia tentar. Com esse pensamento parti para o Lago.
      O que eu tinha a perder? A ‘confiança’ para Haboryn um futuro esplendido? Eu passei minha vida toda sem isso eu podia muito bem continuar sem ele. Além do que ele é um demônio e como tal dele deve usar suas artimanhas para conseguir o que quer. E se ele deseja algo de mim, preciso ficar atenta.  Já que o ajudei de certa forma, mais não podia culpá-lo não dessa vez, eu e meu egoísmo fomos fontes da fraqueza momentânea do anjo. Essa é a minha participação em tudo isso, mais era obvio demais. O sol estava forte o que me deixava em um estado de sonolência, por isso decidi que não sair do carro até que o sol abaixasse.
         As horas foram passando e quando por fim a noite chegou não houve a presença do anjo eu não podia ficar ali o restante da noite, era preciso encontrar Allan. Em meio ao caminho em um beco vi um rapaz todo trajado de preto. Estacionei o carro de mau jeito saindo apressadamente do carro para não perdê-lo de vista. E em segundos eu estava ao lado de Allan. Ele parecia maior, mais alto, mais forte.
      - O que quer Vampira? – ele estava de costas para mim, mais logo ele se virou, seus olhos adotaram um tom escuro, a ires de seus olhos tomou conta de quase todo azul, como olhos de um gato.
   - Precisamos conversar Allan – eu disse com o seno franzido, como num sussurro, então toquei seu braço sobre a roupa. Mais ele esquivou-se bruscamente.
   - Não, Não precisamos. Deixe-me em paz – ele deu um sorriso diabólico - nada do que me disser vai mudar qualquer coisa entendeu? Nada. – ele começou a caminhar.
   - Allan espere – fui atrás dele, tarde de mais ele foi envolto pelas sombras então ouvi uma voz com cordas duplas.
  - Logo, Natasha, logo! – e uma risada perversa.
    Allan já não era o mesmo, ele parecia revolto, eu tinha algo a ver com aquilo? Eu era culpada disso também?  -Droga, - praguejei baixinho, Allan sumira no ar e junto com ele o meio mais fácil de encontrá-lo seu cheiro. Voltei para onde eu deixara meu carro e um guarda acabara de sair e perto dele. Ele deixara uma multa no meu pára-brisa eu estacionara de qualquer jeito e em frente a um hidrante. Eu podia pega-lo pelo pescoço e matá-lo ali mesmo na frente de todo,  mais ao invés disso peguei o papel e o amassei com raiva.
   Uma hora mais tarde eu estava nos jardins da mansão e de lá eu podia ouvir as conversas paralelas e algumas tensas dos outros vampiros. Silas não participava de nem uma, nem Kimberly.
           ***
Os dias que se seguiram foram estressantes, minha mente ainda não encontrara um ponto seguro, eu ainda procurava por Allan as noites ia até o lago na esperança de encontrar com Adriel, em vão. Talvez eu nunca mais o visse. Mesmo assim todos os dias eu fazia as mesmas trajetória para quando a dia estivesse nascendo eu voltasse para a mansão. Que não importava a hora do dia ou da noite estava silencioso como se apenas eu vivesse ali, eu e meus pensamentos.
Os cantos da mansão pareciam mais obscuros, os cantos irritantes dos pássaros não mais eram ouvidos. A minha visão as pessoas pareciam andar e câmera lenta e com os passar dos dias elas iam diminuindo. Todos estavam sendo afetados mesmo sem saber o que aconteceria em breve. Já se passará duas semanas desde que em encontrará com Allan no beco. Já passava duas semanas que minha vida se tornou monótona e se eu tivesse um coração ele estaria pesado nesse momento.

Eu temia algo, algo que ainda não aconteceu. Eu estava perdida no tempo. Não sabia ao certo que dia era hoje, fiz algumas contas mentalmente e presumi que era dia vinte quatro de dezembro, véspera de natal e das festividades humanas. Nessa noite como as outras eu sai e fui atrás de Allan, Em vão claro. Fui ao lago e novamente não encontrei com Adriel. Mais dessa vez mudei não esperei até o amanhecer, fui mais cedo para mansão. E no caminho algo no velho casebre me chamou a atenção. 

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